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quinta-feira, 27 de junho de 2013

"É Tua revelação que deslumbra os ofuscados olhos"...


Prosseguindo O Caminho

Célia Laborne Tavares

O místico som de cítara comanda o ritmo interno, talvez o manso ondular do vento, sobre velhas palmeiras, faz aflorar reminiscências de longínquo viver.

No relembrar saudoso, surgiram guirlandas de flores e sinos de templos; as longas vestes de caminhantes, cujos pés, conheceram vales e montanhas, lagos e grutas consagradas, no seu buscar incessante.

No anoitecer, figuras chegaram e imobilizarem-se junto ao rio sagrado, como antenas eretas a pesquisar o céu. Por vezes, ecoaram sons de místicas palavras...

Tudo parecia acordar velhas e perdidas memórias de tempos raros.


No leve acordar impunha-se a necessidade muito urgente, de refazer histórias para dar continuidade ao longo caminho de eras bem remotas. Crescia o dever de entrelaçar etapas, num fluir e refluir da consciência que desperta e se apaga, sucessivamente, até que a luz se imponha definitivamente.

O Portal do passado já não sabe como reter seus mistérios, como esconder o germe da primeira claridade latente. – Que desça a paz sobre os tropeços do caminho, que chegue logo o acordar definitivo, para surpreender as fantasias e simbolismos que compuseram o degrau primário; que a palavra encontre sua correta função. Que possa gotejar, sobre tudo e sobre todos, o crescente irradiar da verdade e da luz que se esforça, agora, para ampliar-se sobre o mundo.

As Verdades grandes como a própria vida, são simples, como a mente do mais simples dos homens. Por isso, às vezes se indagam; - de que reminiscência vem este reconhecimento místico? – De onde crescem as belezas vindas da Luz e do mais profundo e pessoal sentir? São planos que se ligam para se comunicarem; é o humano desmaterializando-se. É como um revoar de asas brancas sobre resplandescente lótus, um cristalizar de pérolas sobre profundas águas. É Tua revelação que deslumbra os ofuscados olhos quando, de outras esferas comandas o transmutar do espírito.

- De que energia cósmica se reveste o Ser, à simples reminiscência dessa elevadíssima vibração?

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

"Em meio ao silêncio e à solidão, a luz sempre virá"...



Portal do Mundo

Célia Laborne

Os mistérios são desfeitos. De dentro do tempo brota a flor, quase materializada e, no seu girar constante, as revelações se manifestam. Há, em nós, um extraordinário mundo adormecido que se abre à nossa consciência, quando adequadamente buscado.

Viver os caminhos novos e distribuir palavras comandadas é uma das mais alegres funções. É como se um rio corresse leve e borbulhante em seu leito recém-aberto. Para que as correntes da Vida jorrem férteis sobre o mundo e, de forma invulgar, deixem suas indeléveis marcas, é preciso que nos ponhamos sempre em maior disponibilidade. O ciclo se esgota muito rapidamente e quem não se abastece na fonte da luz própria vinda do plano superior, muito breve estará sedento no portal do mundo.

As transformações já são grandes e violentas e a própria mente humana adapta-se à captação de vibrações mais sutis. O tempo das auroras é precedido de nebulosidades inquietantes, provas e contrastes vários, mas, é vencendo as brumas que se rompem os véus da realidade ainda oculta à maioria.

Toda a Terra se prepara para a renovação que já se iniciou, pois os planos da natureza estão interligados em plena conexão com todos os reinos. Qualquer um pode pressentir que são novos os ritmos do Universo, que são rápidas as transformações do homem, que os jovens estão aí, destruindo e renovando, para alterar e estabelecer bases mais adequadas ao sutil e ao superior.

O efeito glorioso da luz marca esta época no seu sofrer e no seu despertar sucessivo. Pelos corações mais livres, já vibram correntes de beleza e preparação intensa: caminhos mais altos estão abertos para muitos e já se adivinha o clima novo que se estabelece em vários grupos. – Que os desavisados reformulem sua rota e integrem, a tempo, o trabalho comum, buscando, em si a Lei maior e a Luz superior.

Sê fiel ao teu comando interno, desce ao âmago de ti mesmo e retira dali o mais belo e mais autêntico e harmonioso. Sê, cada vez mais, fiel à purificação de tuas múltiplas expressões humanas, das mais físicas às mais sutis, pois aí está o rumo certo de um dos melhores caminhos de crescimento. Luta pela Paz e limpeza de teu ser e da coletividade.

Limpa tuas palavras e sentimentos, tua memória e pensamento; limpa tudo, a cada dia e a cada hora. Desapega-te dos hábitos impróprios à harmonia universal e das exigências da matéria. A autovigilância começa no próprio acordar espiritual e não termina nunca. Por isso, quando te vires retrocedendo em tua meta, e essa é uma circunstância bem humana, para e investiga; recomeça se necessário for, mas não transige com teu correto ideal de beleza e conhecimento interno.

Sê sempre fiel a essa linha de ascensão que implica grandes sacrifícios, reavaliações e análises de intenção e sentimento. Purifica tudo que te parecer duvidoso. Evita tudo que te afasta da espiral de luz, encara de frente e supera o que te enfraquece ou te mancha o pensamento.

Sem o brilho e a pureza de um cristal serás um espelho inautêntico e embaçado, um escravo de caprichos, limitações e sofrimentos. Amarrado a inquietações, dúvidas e apegos, descerás a espiral que procuras subir, perderás as possíveis conquistas e recomeçarás no meio da escuridão. O encontro com a realidade dependerá sempre mais de ti mesmo do que de fatores externos.

Mas, em meio ao silêncio e à solidão, a luz sempre virá.

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domingo, 12 de agosto de 2012

Aprendizado...


Aprendizado

Célia Laborne

Aceita em paz, e de coração alegre, a companhia que te fazem, tanto aquelas que são maiores do que tu e sabem mais, e veem mais longe; como aquelas que sendo menores e mais limitadas, por isso se julgam os mais perfeitos e aptos a te ensinarem.

Recebe a todos de coração aberto, pois a cada instante pode brotar de qualquer lábio o pedaço da Verdade que te faltava ou que buscavas no mundo. No burburinho do tagarelar alheio pode vir uma mensagem para ti, ou podes deixar ali tua mensagem.

A Vida usa teus amigos, teus irmãos e até aqueles com os quais não te sintonizas, para te falar e te ensinar. Aprende, pois, a ouvir.

Ouve sempre com paciência, sem agressividade, sem ondas mentais de espanto ou luta e competição. Deixa que as palavras cheguem e partam, retirando delas, apenas o que te caiu no coração, não no intelecto. Ouve sem recriminar, sem disputar, sem competir ou impor teu pensamento. Tens o teu sinal interior e nada pode te abalar.

Ama igualmente a compreensão e a incompreensão dos companheiros, são apenas passos mais leves ou mais lentos que escutas ao teu lado. Faz sair de tua boca só aquilo que embeleza ou engrandece o mundo, o que alegra o irmão, o que expressa corretamente a percepção mais clara da Verdade e deixa que a Vida faça o resto por ti.

Ficarás surpreso com o esplendor que nascerá em teu caminho, quando tu o fizeres limpo, puro, ético e luminoso.

Usa sempre a beleza de cada momento em favor de alguém. A palavra que conforta, o pensamento que eleva, o gesto que perdoa. Entrega a todos o botão entreaberto que se vai revelar seu perfume.

Não é preciso, nem deve haver um programa para melhorar tua vida; vá espalhando a paz e o carinho conforme a necessidade que encontrares. Não é necessário ser uma enciclopédia ou professor graduado, não é preciso rótulos ou definições. Sê apenas a flor que precede o fruto, a semente que contem a árvore, a água que refresca e passa.

Se não te é dado brilhar como o sol, sê um raio da luz, se não é tua a sintonia universal, só a nota da harmonia, a vibração do amor te são necessários.

Não deixa passar em vão o tempo da beleza, o momento da entrega, a hora da comunhão.

(...)

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A lembrança do antigo Lar...


Som do Infinito

Célia Laborne Tavares

Sim, essa noite foi de luz, e galáxias translúcidas se  manifestaram. Soou o canto da alvorada e a nota se alongou na busca do infinito acordando o mundo.

Como um clarim distante, houve um chamado, há muito perdido na memória, e formulou a ordem de regresso; cones de luz, espirais de prata, penetraram o sono e sacudiram o Ser.

Não houve dúvida, era o reencontro; o reino da jornada de regresso, a lembrança do antigo Lar. A voz muito melodiosa, entoou o canto, como se conhecesse o tempo propicio da flor entreabrir-se.

Sobre a primeira pétala registrou-se o comando, o símbolo, a semente de vida, para que o Lótus girasse sobre si. No céu, a lua clara comandou o ritmo, registrou a freqüência do impacto.

Soou o despertar no cálice do coração e, quase ninguém percebeu que havia festa sobre o altar. Manso e estranho acordar de um sono de séculos; voz de retorno, e de permanência, contato com a própria realidade.

Uma presença velava o passo inicial, enquanto a transformação se processava no mais íntimo. Dourados reflexos de luz amanhecendo; comunhão de um sucessivo girar e desabrochar. Alvorecer da alma.

Não é tempo ainda de soltar os pés do solo térreo, mas a manhã aflora quebrando os limites, os condicionamentos. A viagem começou e o infinito foi crescendo dentro do finito; ninguém deterá a irresistível subida.

Agora, é um não indagar, não planejar, não falar, agora é um simples aspirar, um leve flutuar, um entregar-se à corrente viva.

A identificação pousa no campo do silêncio e exige quietude e contemplação; derrama-se sobre tudo, unifica todos. Não mais o corpo, a mente, as ondas da emoção; tão só o campo novo da experiência, do conhecer-se, do iluminar-se, do permanecer no eterno.

Se ainda há barreiras são de luz e cores, de expressões diversas do uno intraduzível!

De repente um assombroso conhecer-se ou um comunicar-se, um expandir-se, um identificar-se. Um caminhar dentro da intuição que encontra sua forma de se firmar.

Rosas sobre a terra, lótus, sobre a água, luzes pelo ar. Um portal que se abre, passos que avançam, mas tendem a voar. Palavras que se calam por não saber qualificar-se.

Lua no seu zênite, sol no seu brilhar. Pássaros que estão libertos nas mãos, que são dança e são radar. Na dimensão nova, o novo caminhar, regresso ao mais intimo, ao mais familiar. E tudo tão sem forma, tão sem jeito de explicar.

Um místico clima de viver, do respirar, do conhecer sem separar, do tentar dizer e não saber falar.

De repente o poema onde se tentou revelação, ou se pretendeu reter o encantamento da iniciação.

Recebido via e-mail da autora. Conheça mais textos da poetisa no blog “Vida em Plenitude”, clicando aqui.

domingo, 25 de março de 2012

Doce sensação da mais suave das flores...


A Blessing

Swami Vivekananda

The Mother’s heart, the hero’s will,
The softest flowers’ sweetest feel;
The charm and force that ever sway
The altar-fire’s flaming play;
The strength that leads, in love obeys;
Far-reaching dreams, and patient ways,
Eternal faith in Self, in all,
The light Divine in great, in small;
All these and more than I could see,
Today may “Mother” grant to thee!

Feliz Aniversário, Célia Laborne Tavares n'O Quinto Lótus...
Feliz Todo Dia, Sempre!
Com carinho e gratidão de Leo Nogueira - O Nawta

Escrito a Miss Sturges Alberta de Perrors Guirec, Bretanha, França, em 22 de setembro de 1900.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Somos um todo...


Somos um todo

Célia Laborne Tavares

A maioria dos homens está habituada a pensar na vida como se eles fossem as únicas expressões viventes no planeta. Entretanto, somos um todo interdependente.

Além das energias que nos envolvem “convivemos” com os reinos; elementais, minerais, vegetais, animais, humanos, angélicos e espirituais. Cada qual tem o seu trabalho evolutivo próprio, porém formando um conjunto que deve ser o mais harmonioso possível.

A humanidade é um elemento de ligação entre o mais primário e o mais elevado, ou superior, ela só pode cumprir bem sua missão se estiver consciente de seu papel e da intercomunicação que existe entre tudo, do mais sutil ao mais denso.

O homem é um canal que, quando livre e desobstruído, pode captar energias superiores e expressá-las nos reinos materiais e até inferiores (inferior como grau e não como pejorativo).

O homem pode, por exemplo, entrar em sintonia e até contato com o reino angélico que trabalha na construção das formas físicas de vários reinos, ou com a dimensão espiritual da energia crística, que tudo rege.

A humanidade ainda não se deu conta de que a Terra está doente pela exploração desordenada de suas riquezas e frutos, pela poluição do seu interior e exterior das águas, pela devastação de seu solo e o desmatamento de florestas.

A crosta da Terra é como a pele do corpo humano. Tem também uma parte de energia com seus vórtices (ou chacras) como tem o homem e está sendo desorganizada em todos os seus níveis de alinhamento vital. Está esfolada, ferida, envenenada, etc.

O trabalho atual do homem é reconstruí-la, harmonizar-se com ela seus reinos e suas leis. Mas isso só pode ser feito na medida em que o homem conhecer as leis que o regem e que regem todos os planos do Universo.

O homem veio para servir e libertar-se de limites atingindo o plano cósmico; entretanto, ele está agindo como se fosse o dono de tudo e só lhe interessasse o prazer e o usufruir de todos os bens. Isso enche de dívidas para com a natureza e os irmãos planetários e o prende mais a seus limites.

Pela incompreensão de seu verdadeiro papel ele se desorganiza, adoece e desorganiza as energias naturais que o envolvem provocando, coletivamente, nuvens desarmônicas e agressivas; desajustes e doenças de toda espécie hoje se manifestam em todo mundo, pois a humanidade é um grande centro energético de todo o planeta.

A função humana e sua missão são construtivas e não destrutivas. Seu dever é de responsabilidade e não esse “vale-tudo” que se vê hoje em dia como norma de uma vida moderna.

Reproduzido do Blog Vida em Plenitude
04 mar 2011



Comentário de Filosomídia:

Enquanto isso, infelizmente, as "terras raras" desse mundo são tomadas como coisas de uns, e as sementes trazidas pelo progresso não produzem frutos para todos...

O belo poema/canção de amor, a tudo e a todos, de Célia Laborne Tavares nos inspira a sermos responsáveis, honestos com essa força cósmica que nos anima, a sermos comprometidos na missão de construir um Outro Mundo a partir dos destroços que os "poderosos" fizeram nesse que vai-se transformando, enquanto nos transformamos no bem viver...

Que as crianças, nas casas, nas ruas, nos parques, nas escolas se inteirem de sua cidadania cósmica, e ajudem por sua graça a re-construir esse Mundo...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E-mail aberto de Amor e Gratidão rasgados para me soltar ao Coração das Estrelas...


E-mail aberto de Amor e Gratidão rasgados...

Ô Menina Célia querida...

São tantos de nós nesse mundo que estamos realmente sozinhos,
que não amamos nem somos amados...
mas poucos e raros que conhecemos essa solidão que habita suavemente contigo,
que te faz companhia como uma Dama Silenciosa e discreta a te inspirar,
trazendo de mansinho, à cada hora dos longos dias, as Luzes do Alto ...

Ninguém te colocou nas alturas que você mesma não tenha alcançado por sua leveza,
tal qual uma gota iluminada de pólen daquele Quinto Lótus que subiu aos ares para fecundar corações,
levar Esperança e Alegria aos Quatro Cantos do Mundo,
juntando-se às ondas de preces de outros poucos e, no mais das vezes,
aos tantos gritos dos humilhados e perdidos que clamam, injustamente,
Justiça aos Céus...

Quem é que, nesses jardins mal espalhados pela Terra,
não seria grato ao dom que você amadureceu como Jardineira semeando palavras,
cuidando para que o gérmen daquele solene Fiat Lux brotasse do peito de cada criança
que corresse entre os canteiros as alamedas do mundo?

Você, com sua meninice cheia de e-ternuridades,
não foi nossa Anja protetora e guia marcando os roteiros
a fim de que todos nós encontrássemos, naquela Árvore,
o Menino que falava de Paz e pás para que revolvêssemos nossos corações?
Você não encheu de minhocas sorridentes nossas cabeças
a transformar a esterilidade de nossos sentimentos e pensamentos
em ações que fertilizassem cada palmo de nossas Vidas?

Dali, daquela altura, à meio passo entre a Terra e o Céu
onde você flutua nessa rara dignidade,
onde o Silêncio quase absoluto só é cortado pela Canção Infinita do Cosmo
não se esqueça de nós que vamos nos desviando dessas cantigas e caminhos...
Seja sempre essa Estrela Ascendente a nos apontar que
o que É lá em cima É também enraizado dentro do nosso peito
à espera da "Revelação"...

Você que "traduziu em flores" essa imensidão dos "caminhos ensolarados"
receba nosso beijo quando mal ousamos tocar seus pés
quando passa seguindo Aquele barbudo de olhos mansos
que lhe oferece o próprio bastão para te amparar na estrada de pedras
que a ignorância e tristeza espalham à sua frente...
Ele, que também foi tão solitário na Sua via sacra, agora mais que nunca
vem ao seu encontro para transmutar a cruz do dia a dia
em estaca a amparar o peso dos anos de dedicação,
porque seu pomar de poesia são mil galhos oferecendo flores e frutos,
perfumes e sombra refrescante aos caminheiros e passantes...

Que seu Amor sem medidas nos conceda a benção de um sorriso
quando olharmos que temos na concha de nossas mãos tantas cicatrizes
quanto a certeza de que transformaremos cada linha áspera
naquela pérola preciosa que brilha entre seus dedos de Jardineira, Poetisa...

Nessa jóia ofuscada pela Luz que se desprende de sua vida e palavras,
cheias de encantamento e tantas belezas ,
deixamos cair uma pequena lágrima de saudade, e gratidão...

Menina que sempre foi Criança, obrigado por você cantar o amanhecer e nos apontar o caminho iluminado...

Obrigado por você ser tão linda, assim, Menina... nós te agradecemos...

E, eu, um de seus irmãos-filhos-netos-amigos-das-estrelas,
um grãozinho de poeira entre as praias da Ilha de todos os Desterros
que vai encontrando seu Peabiru,
para seguir até o Lago da Origem da Criação,
subir a Grande Montanha e, finalmente saltar ao Coração do Mundo...
Para me soltar ao Coração das Estrelas...

Eu te encontro Lá... em breve... para a Vida em Plenitude...
onde habita a Luz Final.

Leopoldo
O Nawta

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Azul intenso: os olhos brilham ainda cheios de cores e música...


O Azul intenso

Célia Laborne

Há dias em que as águas se fazem mais azuis, como orgulhosas de si mesmas, de um azul tão profundo que chega a parecer lágrima nas pupilas infantis de Ana.

O sol ganha mais luz e raios novos para começar a manhã. Há dias que são feitos com carinho e cuidados especiais, porque foram marcados, a longo tempo, no calendário.

As horas têm, então, um significado certo e precioso – uma fisionomia toda própria. Cada uma é a data inadiável, repleta de segredo, que fica fazendo surpresa à toa. Só não as sente plenas quem está muito inquieto ou descrente da doçura; quem se esqueceu de prender bem os olhos ao azul mais intenso da água ou aos raios muito novos.

Há dias em que as ruas se fazem mais largas e combinam encontro em todas as esquinas; ou convidam a caminhadas extensas para contar cousas curiosas ou mostrar as árvores onde dormem nomes entrelaçados.

Esquecem o tédio e a súplica das mágoas. A música chega tão perto que é parte da cadência dos gestos e o canto nasce leve, como um pedaço do tempo. Só não os viu quem não foi tocado pelo azul ou poema que nasce dele.

Depois, as horas amadurecem e tentam fazer tristeza, ou acordar a sombra e a solidão. Chamam a bruma dos dias opacos e desalentados, convidam o silêncio velho. A saudade debruça-se dolorida sobre as ruas como se as fadas estivessem mortas e os sonhos perdidos.

Mas, quando a realidade cinge o corpo, com braços de terra e medo, os olhos brilham ainda cheios de cores e música.

Pois, onde ouve um dia de luz há vestígio de alegria, gérmen de sorriso, fragmento de esperança. Onde passa o sonho fica um raio luminoso desafiando os incrédulos e descrentes. 

Via e-mail da autora, desde Vida em Plenitude... 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Beleza de Poesia "atualizando-me no mundo e na mídia sábia e desbravadora de novos horizontes"...


O SILÊNCIO

Célia Laborne Tavares

É hora de silêncio, os pássaros se recolhem, mas a cidade não dorme. Por isso, pensei em procurar uma plataforma política ou um gráfico importado com palavras estranhas, para inserir-me no contexto geral, atualizando-me no mundo e na mídia sábia e desbravadora de novos horizontes.

Poderia, quem sabe, reformar a Terra ou talvez os Céus onde eventualmente moro ou faço estágios. Lá em baixo desafiam-se o futebol, o rock, o desfile de modas, as novelas. Também as fraudes, os roubos, a impunidade, sobretudo o medo de todos e de tudo.

Quero dividir com alguém o grande medo que não para de crescer nas ruas e nos lares e a todos atinge, mesmo àqueles que fingem um sorriso ensolarado.

Queria conviver serenamente com esse século novo, mas preciso mudar urgentemente, surfando entre modernidades muito novas para meus olhos que vêem além destes horizontes. Mas, afogada em lirismo e luzes cruzando céus, temo não sobreviver por muito tempo.

A verdade é que preciso aterrizar de avião, para-quedas ou helicóptero; preparem-me uma pista, mesmo poluída. Depois verei, quando estiver na Terra, se ainda tenho a mesma face, ou se tornei-me um robô de último tipo e fácil aceitação na praça.

Por hora, um celular chama-me e o micro-ondas dá seu sinal. Vou apagar as velas e acender candelabros de luz fluorescente e econômica.

Nos prédios de formas aerodinâmicas, de onde expulsaram a luz do sol e as brisas da manhã, o ar refrigerado já está ligado e, em salões semi-obscurecidos as conferências se instalam.

A globalização rodeia a todos e cobra de todos, o seu preço que ninguém pode discutir, pois os políticos estão em recesso e as rosas emudeceram.

Conheça mais poesias de Célia Laborne Tavares em seu blog Vida em Plenitude clicando aqui, e no blog Poemeus e Seus. 

Foto: Por do Sol em Belo Horizonte,  ACG (Guh)