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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Liberdade: comum-única-ação entre os povos insurgentes de Abya Yala


Liberdade: comum-única-ação entre os povos insurgentes de Abya Yala

Leo Nogueira Paqonawta*

“Eu sou da América do Sul,
Eu sei, vocês não vão saber,
Mas agora sou cowboy,
Sou do ouro, eu sou vocês

Sou do mundo, sou Minas Gerais”
Fernando Brant, Márcio e Lô Borges

A “Cumbre Continental de Comunicação Indígena de Abya Yala” (2010) declarou que 2012 é o “Año Internacional de la Comunicación Indígena” e, desde então os povos indígenas estão promovendo intensos debates pelo mundo e, em especial em Abya Yala[1] (Amérikas), resgatando o sabedoria ancestral no fazer proposições justíssimas pelo Bem Viver. É o caminho contrário dessa estrada desumanizante engendrada pelo capitalismo e sua tropa de elite a destruir a tudo e a todos.

Os povos andinos, e os que habitam ao longo da coluna vertebral das Amérikas, seguem numa luta acirrada contra a opressão e os oligopólios, reivindicando as terras para o usufruto dos descendentes daqueles povos originários, e para uma sociedade de justiça entre todos. Suas organizações indígenas unem os povos para criar suas universidades interculturais que, sem desprezar um conhecimento verdadeiramente legítimo do “mundo ocidental” desenvolvido por homens e mulheres de boa vontade ao longo dos séculos, trazem à luz uma sabedoria edificada por milênios no respeito à natureza e às relações do ser humano com o Cosmos. Eles vivem, lutam e morrem por esses ideais desde há séculos.

Isso tudo no Brasil é tão desconhecido quanto se sabe tudo na vassalagem aos “darlings” americanos e europeus nas ciências sociais. O nível de colonização do pensamento aqui é tal que, os nativos tupiniquins brasileiros são todos cor de rosa e vivem naquele mundo da “Barbie”, rezam pela cartilha do consumismo fácil e até incentivado pelo governos, desprezam tudo a que possa cheirar ao “cecê” das classes subalternas que usavam o elevador de serviço e, agora pagam religiosamente os carnês da Casa Bahia, as prestações do carro O km e do imóvel comprado nos feirões da Caixa, a conta do “smartphone” plugado na Internet e suas delícias. Tudo seria sempre lindo nesse país tropical, não fossem os irritantes “blogueiros sujos” e educadores/comunicadores de esquerda, por exemplo, a sacudir as redes sociais ampliando as denúncias de corrupção, peculato e porcariada do “PIG”[2].

Nos meios de comunicação são os colonistas que des-informam de tudo para manter o povo longe de qualquer possibilidade de contato com esses conhecimentos, e o professorado dos altos escalões determina as políticas educacionais a completar a tragédia. A economia manda, a política obedece, as escolas e universidades se empenham no controle e estupidificação dos “recursos humanos” sendo preparados cegamente para o “mercado de trabalho”. E, finalmente, as mídias concentradas nas mãos de poucas famílias das elites entopem as telas de TV, tablets, computadores, outdoors e o que seja com entretenimento, fofoquinha de novela, programas de auditório para macacas amestradas e outros tantos com as tais periguetes e bombadões desnudos. Nem as crianças escapam da manipulação desse polvo midiático, vez que têm sua vez de serem “vidiotizadas” exatamente pelos idiotas de plantão disseminando o pensamento eurocêntrico e consumista nos programas infantis.

Os campos educacional e comunicacional se completam nessa tarefa de “vidiotizar”, de “globobocalizar” e alienar os cidadãos de seus direitos, inclusive e pior ainda, de colocar sombras e escuridões ocultando o mínimo esperado de uma educação e comunicação de qualidade. Não seria por outra razão que, na educação, absolutamente todo o trabalho do professor é determinado por mil leis e detalhes do saber/fazer pedagógico, que controla desde cima até em baixo tudo numa estrutura panótica assustadoramente opressiva, que tolhe a autonomia do docente e lhe cassa a dignidade profissional. A palavra é colonizada, sim, e os verbos a reger a ação do professor são: eles mandam, nós obedecemos.

Já com o setor, e os meios de comunicação, tudo é completamente desregulado. Não há tratado ou convenção internacional que garanta os direitos humanos e, tampouco a Constituição Federal é respeitada nos mixurucas cinco artigos que tratam da matéria.

Obviamente que isso é intencional da parte daqueles que herdaram, por mil meios e falcatruas, o controle dos meios de produção do saber/fazer, da primazia na determinação das políticas de educação e comunicação nesses 500 anos de dominação e (de)formação desse gigante adormecido chamado Brasil. Vai aí o catecismo liberal ditando as regras do mercado, reinventando-se desde o Brasil colonial, imperial e republicano.

“Ordem por base e progresso por finalidade”, e “Libertas quase será tamen”[3] vai o bezerrinho de ouro sendo mamado pelos poderosos e alimentado pela turba que frequenta escola, assiste TV e consome conteúdos “da hora” na curtição disso e daquilo na rede social da moda. Foi sob a proteção de Deus que também promulgaram a Constituição “dos Estados Unidos do Brasil”, essa que defendeu como ministro anos à fio aquele colonizadíssimo privatista tucano da história da bolinha de durex, factoide  que as mídias mostraram exaustivamente como objeto mais pesado que o ar, e contundente. Quantos quiseram que esse objeto voador não identificado fosse verdadeiramente um tijolo...

Liberdade no Brasil, e vale para as Amérikas, disse a poetisa Cecília Meireles, “essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”[4], nos tempos de hoje é a luta não só dos sinceros Inconfidentes ou Libertadores contemporâneos, mas também de milhares e milhões de homens, mulheres e crianças do grande gontinente Abya Yala que já vão sentindo a indignação subir até o pescoço ante ao completo desprezo pelos cidadãos demonstrado pelos poderes empodrecidos, esses constituídos ao longo de séculos de exploração da boa fé da população sacrificada.

O sangue de outros milhões de assassinados por tiranos e empresas multinacionais moderníssimas que exaurem os recursos da Mãe Terra, e escravizam os trabalhadores e povos, clama por uma re-vira-volta sem precedentes na história do mundo. Subindo pelos Andes, indo até as beiradas de gelo no círculo polar Ártico, perpassa uma energia jamais vista que sobe da terra e chega às mãos, aos corações e às mentes libertadas da velha nova escravidão que se unem num grito de “basta!” de todos aqueles em “comum-única-ação” pelo Bem Viver.

Na educação e na comunicação essa luta dos indígenas também é travada por eles nos tribunais, nas cortes de justiça, nas casas legislativas, quando poucos são aqueles que no poder executivo se atreveram a tomar para si essa tarefa de expressar a vontade vinda de seu povo. Desde as escolas e universidades interculturais ou indígenas um movimento intenso reúne os que se reconhecem cosmocidadãos em torno do conhecimento e da sabedoria ancestral, a se expressar num poder e amor profundamente implicados na prática escolar, e na mídia alternativa, que impressionam pela beleza e lógica irrefutáveis.

Mas, são nas “cumbres” e diversos encontros regionais, em uníssono, que essas batalhas são visivelmente mais belas, autênticas e fortes, sem a presença e o ranço dos políticos colonialistas que se eternizaram no poder quase que indefinidamente.

Vejamos, por exemplo, recentes documentos e textos que traduzem essa sentida, pensada e vivida “Luz” da Sabedoria que muitos de nós almejamos ter em nossos mais profundos sonhos - a relação entre o micro e o macro cosmo que os povos indígenas “rexistiram”, resistiram para existir no Bem Viver com o custo de suas vidas - e que, timidamente, a Ciência vem comprovando pelas leis da Física Quântica. Do mundo sub-atômico aos cordões formados por galáxias tudo pulsa e vibra “Luz” e, no “Reino Humano”, esses fótons se dão a “casar” com os filamentos de DNA impregnando todo o ser resplendentemente.    Algo que os povos ancestrais bem sabiam: nós somos Luz re-verberando nessas ondas cósmicas, celestes, estrelares, ecos indo e vindo da grande explosão do Fiat Lux.

São exemplos os textos “Ejercer la palabra y la acción es el camino para Defender la Madre Tierra”, do III Congresso da CAOI (Coordinadora Andina de las Organizaciones Indígenas) realizado de 15 a 17 de julho em Bogotá/Colômbia; a “Declaração de Kari-Oca” a partir da Rio+20; a “Declaración de la Conferencia Internacional de Pueblos Indígenas sobre Desarrollo Sostenible y Libre Determinación”; as “Declaraciones del Foro Permanente para las Cuestiones Indigenas de la ONU” no 11º. Período de Sessões; a “Declaración de la IV Cumbre de Líderes Indígenas de las Américas . “Tejiendo Alianzas por la Defensa de la Madre Tierra”, em Cartagena de Indias/Colômbia, ambas de 2012, e essa impressionante de alguns anos atrás, a proposta dos “Derechos Cósmicos de los Pueblos Indígenas”, dentre tantos outras cartas não menos importantes.

Os povos indígenas das Amérikas têm levado muito à sério, muito mesmo, as questões da autodeterminação dos povos, da educação e da comunicação, da sua participação  nos meios onde se decidem as políticas educacionais e comunicacionais. E, no Brasil ressalta-se a ação apaixonada de Marcos Terena, incansável na frente e no compromisso “pelo futuro que queremos“ para o Bem Viver. São muitos os compatriotas que lutam como ele nessa guerra travada com as mídias tradicionais e hegemônicas, seja coletivamente pela Frentecom, FNDC, Intervozes e o Centro de Estudos Barão de Itararé dentre outros comunicadores e educadores.

“Eu sei, vocês não vão saber”[5]... Grande parte da sociedade brasileira desconhece tudo isso, mesmo porque o projeto civilizatório aqui na Terra Brasilis delineou-se de modo a excluir o povo de maneira exemplar, tanto pela escola como pelas mídias, do que fosse o mínimo de consciência cidadã. Os que ousaram atravessar os caminhos dos poderes estabelecidos pagaram tal afronta com a tortura, o desaparecimento e com a própria vida, muitas vezes sem deixar rastros.

Uns dizem que o Brasil não é América Latina, que deu às costas para a latino-americanidade, talvez porque o país tenha sido tão fortemente mantido como quintal de metrópoles diferentes no decorrer do tempo que, por isso, a identificação com os patrões do Velho e do Novo Mundo seja algo a ser estudado como o que se verifica na Síndrome de Estocolmo: a vítima e o vitimizador do sequestro da dignidade interagem emocional e psicologicamente, têm afeto e apreço um pelo outro. Que seja também uma relação de comensalismo onde um tira vantagem do outro, vampirismo recíproco.

O certo é que, numa similaridade com o “Efeito Borboleta”, a “Síndrome de Liberdade” é aquela que se sabe estar acontecendo, quando há um ecoar pelo grande continente “Amerikano”, e pelo mundo inteiro, daquele grito de re-vira-volta que agora toma as consciências, e ocupa as ruas e praças, e incomoda, e corrói as bases desse sistema falido de coisas. Há indignação e paixão, há muita luz sobre as coisas e muito amor no ar, que mesmo os inconscientes de sua humanidade aviltada sentem subir pelos pés e descer pela cabeça.

O ponto de confluência dessa força espetacular sobe das entranhas da Terra até se fazer mais forte no “Umbigo do Mundo” e, explodirá em “comum-única-ação” para o Bem Viver quando os corações já não aguentarem mais represar tanta energia e indignação. Aqueles que passaram pelo “Caminho dos Justos”, onde a Sabedoria Ancestral fez morada e pouso, escola e hospital para tantos cansados das estradas poeirentas e sangrentas do mundo, sabem disso.

Vai que um menininho de touca de lã colorida na cabeça, pastoreando as lhamas nas alturas das montanhas dos altiplanos andinos, parou um instante nas simplicidades e graça de sua vida, levantou seus olhinhos e braços para o céu, feito uma antena viva, e captou cantou uma canção que fizesse dançar as estrelas, o sol, a lua, a luz. Isso é coisa que só se explica pelo Efeito Abya Yala.

Por minúsculo que seja esse pequeno Planeta Azul no concerto das órbitas desse universo infinito, desde os tempos imemoriais os Povos Antigos reverenciam essa “entidade” Gaia, Pachamama, Terra ou Natureza com o respeito devido ao lar que nos recebeu a todos para que tivéssemos a vida em plenitude, na condição de filhos e filhas feitos do pó das estrelas. Algo que o pensamento colonizador - como que re-negando tudo isso - fez questão de ocultar com todas as suas infelizes e arrogantes forças de explorar, saquear e matar.

A rexistência aos meios de educação e comunicação colonizados se deu com muitos, com milhões. Agora é a hora dos que sofreram e foram espoliados de quase tudo, dos que tiveram roubadas suas terras, de restituir à Terra sua força no ouro e prata surrupiados; é a hora dos mansos que mantiveram suas crenças inabaláveis, dos que choraram sangue, dos nunca e dos ex-dominados, dos perseguidos e esquartejados; é a hora dos que lutaram e morreram pela justiça, dos re-vira-voltosos que rejeitam definitivamente esse Velho Novo Mundo carcomido. É a hora e o dia do hastear a bandeira do arco-íris pelos ares, é a hora de uma indescritível, profunda e simples alegria.

Essa data de encontro amoroso está escrita nas estrelas, como se a Cruz no céu desenhasse exatamente o local da fonte de tesouros infinitos de uma Sabedoria guardada numa Caixa de Jóias a ser, enfim, re-des-coberta...

Nada a temer... adeus “lixo ocidental”[6]. Chegou a hora do levante, da libertação das vozes e da palavra ancestral que tem a doçura e a leveza da brisa da sabedoria de um saber/fazer/poder e amar que a tudo transformará. E, não há ninguém, e nada que se oporá à força desse furacão de bater conjunto de asas de Águia e Condor que vem dos Andes para assoprar a Liberdade voando feito um Colibri Dourado pelos quatro cantos do mundo. 

Liberdade, canção de comum-única-ação entre os povos insurgentes de Abya Yala e, se todo o universo está em movimento harmônico nesse vai e vem da dança das formas, assim, não tão tardiamente, um Outro Mundo se anuncia...



(*) Pedagogo, mestre em Educação e Comunicação buscando o doutoramento pelo “Emíndio, ou da Educação e Comunicação Indígena em Abya Yala”, projeto de pesquisa iniciado em 2012, re-negado pelos grupos de estudos hegemônicos tradicionais, re-produtivistas do pensamento colonizador.


[1] “Abya Yala, significando “Terra madura”, “Terra Viva” ou “Terra em florescimento” hoje vem sendo usado como uma auto-designação dos povos do continente como contraponto a “América”, expressão associada aos conquistadores europeus que “batizaram” as terras “descobertas” como América”.  O nome Abya Yala provém do povo Kuna originário da Serra Nevada no norte da Colômbia e que habitou a região do Golfo de Urabá assim como as montanhas de Darien  e vive atualmente na costa caribenha do Panamá na Comarca de Kuna Yala (San Blas). Muito embora os diferentes povos que habitam o continente atribuíssem nomes próprios às regiões que ocupavam – Tawantinsuyu, Anauhuac, Pindorama – a expressão Abya Yala vem sendo cada vez mais usada pelos povos originários do continente objetivando construir um sentimento de unidade e pertencimento.” Adaptado de Carlos Walter Porto-Gonçalves In “Abya Yala: uma outra visão da América”. Acesso em 12 out 2010, disponível em http://www.grupalfa.com.br/arquivos/Congresso_trabalhosII/palestras/carlosw.pdf

[2] Referência que blogueiros ativistas e progressistas fazem aos donos das mídias e seus veículos de comunicação: Partido da Imprensa Golpista.

[3] Dísticos das bandeiras do Brasil e de Minas Gerais, respectivamente.

[4] Romanceiro da Inconfidência. Coletânea de poemas, 1953, dedicada aos derrotados da Inconfidência Mineira (1789), que depois vieram a ser considerados heróis da independência do Brasil. Dentre ele o Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A bandeira dos inconfidentes foi sugerida por Alvarenga Peixoto, e aprovada por Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, o amado de Marília de Dirceu. O texto do dístico, em latim, foi inspirado na obra “Écloga” de Virgílio (70 a.C./19 a.C.), poeta romano clássico

[5] Trecho da canção “Para Lennon e McCartney“ de Fernando Brant, Márcio e Lô Borges, do Clube da Esquina de Belo Horizonte, Minas Gerais.

[6] Verso da canção “Para Lennon e McCartney”, anteriormente citado.


Leia também o texto que me inspirou a escrever este acima:

"A semana e a comunicação em dois atos", por Maria Luiza de Castro Muniz em Carta Maior (21/07/2012) clicando aqui.

terça-feira, 13 de março de 2012

"A televisão me deixou burro, muito burro demais"...


Televisão

Titãs

A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!...

O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida....

Oh! Cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!...

A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!

É que a televisão
Me deixou burra
Muito burra demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!...

A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixo
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!...

É que a televisão
Me deixou burra
Muito burra demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

E eu digo:
Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe...

Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!




segunda-feira, 12 de março de 2012

Demoniocracia (Inferno na Terra): liberdade é poder assistir televisão...



Demoniocracia (Inferno na Terra)


Povos de terceiro mundo.
Das mais baixas camadas sócio-economicas.
Unidos em maldição.
Onde os valores foram mudados?
Do ocidente e do oriente.
Perderam-se o respeito.
A dignidade e a cidadania.
A voz do povo nao era a voz de deus?
Aonde estão nossos pertences?
Quem impõe toda essa dor e ódio
O que será de nossos filhos?
A voz do lucro se tornou a voz de deus?
Quem calou as nossa vozes?
Quem calou as suas vozes?
"Terra dos livres, lar dos bravos"
Horriveis metodos de exploraçao
...deus salve a América.

Demoniocracia, inferno na terra
Demoniocracia e o fascismo implementado por g8 (U$A) nos paises endividados.
Facilitam subsidios para a politica de exclusão.
Sem luxo sem escolas sem liberdade de expressão.
Liberdade é poder assistir televisão.
Fazer girar a roda da destruição.
Discordar é proibido e rebelar-se é pena capital.
Inferno na terra, democracia do mal!
Demoniocracia, inferno na terra... INFERNO
É o mal...
exploração infantil,
pobreza,
alienação.
É o mal.


(OBS: vídeo não encontrado)

sábado, 3 de março de 2012

Canção de ninar para uma criança indígena...


Nana para un niño indígena

Duerme mi cielo,
mi niño eterno, dueño del mundo,
mi corazón.
Despertarás y habrá acabado la larga noche
y su terror.
Vendrá la luz y el amanecer posará en tus labios
la esperanza que sueñan los pueblos originarios.

Sueña Pichiche (*1),
con las praderas donde el manzano
ya floreció,
en esa tierra en que el huinca (*2) aprende
nuestros amores, los que olvidó.
Él allí comprenderá que tu gente quiera romper
las alambradas que cierran la ruta a Peumayen (*3).

Duerme, mi pequeño,
que en el país al que vas dormido
escriben la verdadera historia los vencidos
No temas despertarte,
que la luz que se cuela por el tamiz de tus sueños
alumbra esta noche y limpia el cielo del mundo.
Duérmete y que vuestro sueño custodie el futuro.

Duerme mi wawa (*4),
la Pachamama (*5) besa tu frente y en su interior
guarda su oro negro y volátil, para ofrecértelo a ti, mi amor.
Duerme que un sueño nos salvará de tanto olvido,
y espantará al águila que acecha al puma herido.

Dulce paal (*6),
duerme tranquilo, que aquí a la selva no llegarán
el monstruo con dientes de acero, rencor y escamas y su ley marcial,
que a la tarde llegó un mensajero con pasamontañas
diciendo que traerá música y flores por la mañana.




Autor e Intérprete: Ismael Serrano.
Voz femenina añadida a la Versión Original de Ismael Serrano: María Isabel Bozzini.
Edición de Imágenes: María Bozzini.
(Imágenes: "Native Children from TNT Into the West" "Los niños del Sauzalito" y otras)

- Todos los derechos de autor e intérprete reserbados al Sr. Ismael Serrano.

Diccionario de palavras aborígenes:

1.- Pichiche: Niño en mapuche (indígenas del cono sur).
2.- Huinca: Hombre blanco en mapuche (aunque originariamente era un término para denominar a los ladrones de ganado).
3.- Peumayen: Lugar soñado en mapuche.
4.- Wawa: Niño en quechua y aymara.
5.- Pachamama: Madre tierra en quechua.
6.- Paal: Niño pequeño en lacandón maya.
7 - Indígena: Indígena es un cultismo tomado del latín indigena, que significaba 'de allí' y, por extensión, 'primitivo habitante de un lugar, nativo'.

Reproduzido do Youtube Usuário María Isabel Bozzini

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E uma onda chega e o Macaco diz...


Mensajes Del Agua

Y que le voy a hacer si yo, amo lo diminuto
Y que le voy a hacer si yo, no quiero que el oceano sea tan profundo
Y que le voy a hacer si yo, de pequeño encontre la fuerza de mi mundo
Y que le voy a hacer si yo, si yo pienso que ellos y nosotros sumamos uno
Que le voy a hacer
Y es que gota sobre gota somos ola que hacen mares
Gotas diferentes pero gotas todas iguales
Y una ola viene y dice

Somos una marea de gente todo diferente remando al mismo compas
Y es que somos una marea de gente todo es diferente remando al mismo compas

Y una ola viene y te dice
Parece que te sigue
Y el mundo repite

Y que le voy a hacer si yo, naci en el mediterraneo
Y que le voy a hacer si yo, perdi las gotas de tú llanto
De tus gotas me inunde transparencias en mi sed soñe torrenciales de amor y fe
Como lluvia de primavera borrando grietas y igualando mareas
Y es que gota sobre gota somos ola que hace mares
Gotas diferentes pero gotas todas iguales
Y una ola viene y dice

Somos una marea de gente todo diferente remando al mismo compas
Y es que somos una marea de gente todo es diferente remando al mismo compas

Y una ola viene y te dice
Parece que te sigue
Y el mundo repite

Para Monica con cariño....

Y una ola viene y te dice
Parece que te sigue
Y el mundo repite

Mensgens Da Água

E o que posso fazer se eu, amo a pequena
E o que posso fazer se eu, não quero que o mar é tão profundo
E o que posso fazer se eu, encontrei a pequena força do meu mundo
E o que posso fazer se eu, se eu penso que eles e nós somos um
O que posso fazer?
E isso é que nós deixamos cair gota sobre as ondas do mar que fazem
gotas diferentes, mas todas as gotas são iguais
E uma onda vem e diz

Somos uma maré de pessoas todos diferentes remando o mesmo compasso
E nós somos uma maré de pessoas, todos diferentes remando o mesmo compasso

E uma onda chega e diz:
Parece que você segue
E o mundo se repete

E o que posso fazer se eu nasci no Mediterrâneo
E o que posso fazer se eu perdi você está chorando gotas
Larguem-me seus slides na minha sede chuvas inundando sonhava de amor e fé
Como a chuva da primavera apagar rachaduras e igualando marés
E isso é que nós deixamos cair gota sobre as ondas do mar que fazem
gotas diferentes, mas todas as gotas são iguais
E uma onda vem e diz

Somos uma maré de pessoas todos diferentes remando o mesmo compasso
E nós somos uma maré de pessoas, todos diferentes remando o mesmo compasso

E uma onda chega e diz:
Parece que você segue
E o mundo se repete

Para Monica com carinho....

E uma onda chega e diz:
Parece que você segue
E o mundo se repete


Via Camaron/Córdoba/Argentina



Via Camaron/Córdoba/Argentina



Macaco: Mensajes Del Agua



A partir de un concepto de producción inédito, Macaco no sólo se reafirma en sus principios éticos y estéticos sino que los eleva a su máxima potencia. El rocksteady se hace rumba, las mandolas se afinan en clave hip hop y el puerto se scratechea en un espléndido CANCIONERO de amor y evolución. Macaco, además, está acompañado de artistas de distintos países con un más que posible dream team de la música popular: Youssou N’Dour y Oumou Sangaré, Ximena Sariñana, Michael Franti & Spearhead, entre otros.

Moving – Macaco
Tengo – Macaco
Mama Tierra (Feat. Natalia Lafourcade)
Monkey Man (Feat. Michael Franti)
One Step (feat. Youssou N´Dour & Oumou Sangare)
Mundo Roto (Feat. Ximena Sariñana)
Mensajes Del Agua (Feat. andrea Echeverri)
Sideral (Feat. Fidel Nadal)
Puerto Presente – Macaco
Amor Marinero – Macaco
Seguiremos – Macaco
Somos Luz (feat. Lamari De Chambao)

Escucha también: 

Mama Tierra - Macaco

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A esta hora, exactamente, hay un niño en la calle...


Hay un niño en la calle

Mercedes Sosa y Calle 13

A esta hora, exactamente,
Hay un niño en la calle...
Hay un niño en la calle!

Es honra de los hombres proteger lo que cresce,
cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
evitar que naufrague su corazón de barco,
su increíble aventura de pan y chocolate
poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
ensayar en la tierra la alegria y el canto,
porque de nada vale si hay un niño en la calle.

A esta hora, exactamente,
Hay un niño en la calle...
Hay un niño en la calle!

Pobre del que ha olvidado que hay un niño en la calle,
que hay millones de niños que viven en la calle
y multitud de niños que crecen en la calle,
yo los veo apretando su corazón pequeño,
mirándonos a todos con fábula en los ojos,
un relámpago trunco les cruza la mirada.
porque nadie protege esa vida que crece
y el amor se ha perdido, como un niño en la calle...

No debe andar el mundo con el amor descalzo
enarbolando um diario como un ala en la mano,
trepándose a los trenes, canjeándonos la risa,
golpeándonos el pecho con um ala cansada;
la niñez arriesgada a una estrecha ganancia
porque entonces las manos son inútiles fardos
y el corazón, apenas, una mala palabra.

A esta hora, exactamente,
Hay un niño en la calle...
Hay un niño en la calle!

A esta hora, exactamente,
Hay un niño en la calle...
Hay un niño en la calle!



Escute também a música na voz de Chavela Vargas clicando aqui.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vamos caminando... Vozes de um só coração...


Latinoamérica

Feat. Totó La Momposina
Susana Baca & Maria Rita

Soy... soy lo que dejaron
Soy toda la sobra de lo que te robaron
Un pueblo escondido en la cima
Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima

Soy una fábrica de humo
Mano de obra campesina para tu consumo
Frente de frío en el medio del verano
El amor en los tiempos del cólera, ¡mi hermano!

Si el sol que nace y el día que muere
Con los mejores atardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Un discurso político sin saliva

Las caras más bonitas que he conocido
Soy la fotografía de un desaparecido
La sangre dentro de tus venas
Soy un pedazo de tierra que vale la pena

Una canasta con frijoles,
Soy Maradona contra Inglaterra
Anotándote dos goles
Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta, es mi cordillera

Soy lo que me enseñó mi padre
El que no quiere a su patría, no quiere a su madre
Soy América Latina,
Un pueblo sin piernas, pero que camina

Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Tengo los lagos, tengo los ríos
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrio
La nieve que maquilla mis montañas
Tengo el sol que me saca y la lluvia que me baña

Un desierto embriagado con peyote
Un trago de pulque para cantar con los coyotes
Todo lo que necesito,
Tengo a mis pulmones respirando azul clarito
La altura que sofoca,
Soy las muelas de mi boca, mascando coca

El otoño con sus hojas desmayadas
Los versos escritos bajo la noches estrellada
Una viña repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba

Soy el mar Caribe que vigila las casitas
Haciendo rituales de agua bendita
El viento que peina mi cabellos
Soy, todos los santos que cuelgan de mi cuello
El jugo de mi lucha no es artificial
Porque el abono de mi tierra es natural

Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor

Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor
Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha alegria
Não se pode comprar as minhas dores

No puedes comprar el sol...
No puedes comprar la lluvia
(Vamos caminando) No riso e no amor
(Vamos caminando) No pranto e na dor
(Vamos dibujando el camino) El sol...
No puedes comprar mi vida
(Vamos caminando) LA TIERRA NO SE VENDE

Trabajo bruto, pero con orgullo
Aquí se comparte, lo mío es tuyo
Este pueblo no se ahoga con marullo
Y se derrumba yo lo reconstruyo

Tampoco pestañeo cuando te miro
Para que te recuerde de mi apellido
La operación Condor invadiendo mi nido
!Perdono pero nunca olvido!

Vamos camimando
Aquí se respira lucha
Vamos caminando
Yo canto porque se escucha
Vamos dibujando el camino
(Vozes de um só coração)
Vamos caminando
Aquí estamos de pie

¡Que viva la américa!

No puedes comprar mi vida...




América Latina

Part. Totó la Momposina,
Susana Baca & Maria Rita

Sou... sou o que deixaram
Sou toda a sobra do que te roubaram
Um povo escondido lá acima
Minha pele é de couro, por isso aguenta qualquer clima

Sou uma fábrica de fumaça
Mão obra camponesa para o teu consumo
Frente fria no meio do verão
Amor nos tempos do cólera, meu irmão.

Se o sol que nasce e o dia que morre
Com os melhores entardeceres
Sou o desenvolvimento em carne viva
Um discurso político sem saliva

Os rostos mais bonitos que conheci
Sou a fotografia de um desaparecido
O sangue dentro de tuas veias
Sou um pedaço de terra que vala a pena

Uma cesta com feijões,
Sou Maradona contra Ingraterra
Marcando-te dois gols
Sou o que sustenta minha bandeira
A espinha dorsal do planeta é minha cordilheira

Sou o que meu pai me ensinou
O que não quer a sua pátria, não quer a sua mãe
Sou América Latina,
Um povo sem perna, mas que caminha

Tu não podes comprar o vento
Tu não podes comprar o Sol
Tu não podes comprar a chuva
Tu não podes comprar o calor

Tu não podes comprar as nuvens
Tu não podes comprar as cores
Tu não podes comprar minha alegria
Tu não podes comprar minhas dores

Tu não podes comprar o vento
Tu não podes comprar o Sol
Tu não podes comprar a chuva
Tu não podes comprar o calor

Tu não podes comprar as nuvens
Tu não podes comprar as cores
Tu não podes comprar minha alegria
Tu não podes comprar minhas dores

Tenho os lagos, tenho os rios
Tenho meus dentes para quando sorrio
A neve que maquia minhas montanhas
Tenho o sol que me seca e a chuva que me banha

Um deserto embrigado com peyote
Uma dose de pulque para cantar com os coiotes
Tudo o que necessito,
Tenho meus pulmões respirando azul clarinho
A altura que sufoca,
Sou os molares da minha boca, mascando coca

O outono com suas folhas caídas
Os versos escritos sob as noites estreladas
Uma vinha repleta de uvas
Um canavial sob o sol de Cuba

Sou o mar Caribe que vigia as casinhas
Fazendo rituais de água benta
O vento que pentia meus cabelos
Sou todos os santos que penduram em meu pescoço
O conteúdo de minha luta não é artificial
Porque o adubo de minha terra é natural

Tu não podes comprar o vento
Tu não podes comprar o Sol
Tu não podes comprar a chuva
Tu não podes comprar o calor

Tu não podes comprar as nuvens
Tu não podes comprar as cores
Tu não podes comprar minha alegria
Tu não podes comprar minhas dores

Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o Sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor
Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha alegria
Não se pode comprar minhas dores

Não podes comprar o Sol...
Não podes comprar a chuva
(Vamos caminhando) No riso e no amor
(Vamos caminhando) No pranto e na dor
(Vamos desenhando o caminho) O Sol...
Não podes comprar minha vida
(Vamos caminhando) A TERRA NÃO SE VENDE

Trabalho duro, mas com orgulho
Aquí se compartilha, o meu é teu
Este povo não se afoga com ondas grandes
E se derruba eu o reconstruo

Tão pouco pisco quanto te olho
Para que te lembre do meu sobrenome
A operação Condor invadindo meu ninho
Perdoo mas nunca esqueço!

Vamos caminhando
Aqui se respira lucha
Vamos Caminhando
Eu canto porque se escuta
Vamos desenhando o caminho
(Vozes de um só coração)
Vamos caminhando
Aqui estamos de pé

Que viva a América!

Não podes comprar minha vida...

05 dez 2011