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segunda-feira, 2 de abril de 2012

XI Festival Internacional de Cine y Video de los Pueblos Indígenas: por la vida, imágenes de resistencia


Colombia del 23 al 30 de septiembre en Bogotá y del 3 al 6 de Octubre de 2012 en Medellín

Lanzamiento del XI Festival Internacional de Cine y Video de los Pueblos Indígenas, por la vida, imágenes de resistencia, a realizarse en Colombia en septiembre y octubre próximos…

“Los pueblos indígenas desde las raíces, ancestralmente, hemos comunicado espiritualmente; hoy tenemos medios apropiados que sirven para complementar esa comunicación tradicional y debemos usar las herramientas tecnológicas de la modernidad como radio, prensa, internet y los audiovisuales como medios de expresión y unidad… Esta XI versión de este gran Festival debe ser símbolo de unidad e integración para nuestros pueblos indígenas”, señaló Álvaro Piranga, consejero de la ONIC en el ritual de Armonización, durante el Acto de lanzamiento del Festival que se llevo a cabo el pasado 20 de enero en la sede de la ONIC en Bogotá.

La Consejería de gobierno de la Autoridad Nacional Indígena de Colombia, ONIC; La Coordinadora Latinoamericana de Cine y Video de los Pueblos Indígenas, CLACPI; la Organización Indígena de Antioquia, OIA; la Asociación de Cabildos Indígenasdel Norte del Cauca, ACIN; el Tejido de Comunicaciones por la Verdad y la Vida ACIN y; la Fundación Cine Documental, que conforman el Comité Organizador del XI Festival, expusieron aspectos fundamentales de lo que será esta versión del Festival audiovisual más importante de los pueblos indígenas del Abya Yala.

Al Acto de lanzamiento que inicio con un ritual asistieron varias organizaciones sociales, investigadores, académicos, estudiantes, medios de comunicación, pueblos y organizaciones indígenas, organizaciones internacionales como agencias de cooperación y de la ONU e instituciones del Estado y del Distrito, entre ellos el Programa Presidencial para la Formulación de Estrategias y Acciones para el Desarrollo Integral de los Pueblos Indígenas de Colombia.


 (...) El Festival 


El Festival Internacional de Cine y Vídeo de los Pueblos Indígenas se realiza desde 1985 año en que surgió CLACPI y ésta en asociación con organizaciones indígenas de cada país organiza un Festival cada 2 años en Latinoamérica para estimular y visibilizar los procesos de comunicación y producción audiovisual de comunicadores y pueblos indígenas. El Festival incluye actividades de difusión, capacitación y producción, foros, seminarios y reuniones preparatorias en las que participan autoridades, líderes y organizaciones indígenas.


Este año el Festival se realiza en Colombia del 23 al 30 de septiembre en Bogotá y del 3 al 6 de Octubre de 2012 en Medellín. Los ejes temáticos son: territorio y sitios sagrados; resistencia y lucha de los pueblos y; pueblos en vía de extinción con el propósito de fortalecer los procesos de comunicación de los pueblos indígenas del Abya Yala fomentando la producción audiovisual propia y la amplia divulgación de la realidad y los derechos indígenas.

Las anteriores versiones del Festival se llevaron a cabo en México D.F. México, 1985;  1987 en Río de Janeiro, Brasil; 1989 en Caracas, Venezuela; 1992 en Lima y Cuzco, Perú; 1996 en Santa Cruz de la Sierra, Bolivia; 1999 en Quetzaltenango, Guatemala; 2004 en Santiago, Wallmapu, Chile; 2006 en Oaxaca, México, 2008 La Paz-Bolivia y 2010 en Quito, Ecuador. Algunas producciones han ganado espacios en televisión abierta de distintos países.



El Festival Internacional de Cine de los Pueblos Indígenas se ha convertido en un escenario de vital importancia e incidencia política y visibilizacion de la realidad indígena que permite a los pueblos y las organizaciones indígenas, además, consolidar un proceso de reivindicación social y política en el cual la comunicación adquiere una relevancia como pilar de defensa, resistencia y promoción de la cultura y los derechos indígenas.

El arte y la cultura audiovisual son mecanismos que contribuyen a la promoción y consolidación de la cosmovisión, la cultura y los procesos indígenas. Por ello hemos impulsado la producción y difusión audiovisual, expresados en temas como cultura, derechos humanos y colectivos, territorio, memoria, militarización, saqueo territorial, mujer y familia, violencia en las comunidades y su impacto en el tejido sociocultural.

Reproduzido de Cine y Video Indígena

Leia o texto completo clicando aqui.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A legalização do saque das terras indígenas no Brasil


Ruralistas querem legalizar o saque das terras indígenas

Por Elaine Tavares – jornalista
30.03.2012

Os povos que viviam na terra chamada de Pindorama – quando chegou Cabral – se organizavam em grandes grupos, mas não chegaram a formar civilizações como aconteceu com os incas, maias e astecas, em outras regiões deste grande continente. Os daqui eram nômades e coletores. Viviam num espaço tão generoso em água e frutos que não tinham ainda encontrado necessidade de organizar cidades ou outras estruturas parecidas como já faziam os povos andinos, premidos pelo ambiente inóspito. Hoje, sabe-se que todos os povos do continente de alguma forma se conheciam e se encontravam, como prova o Caminho de Piabeiru, que sai do litoral sul de Santa Catarina até a região inca, ligando os dois oceanos. O que faz crer que outros caminhos havia e que muitos encontros de davam, não necessariamente de conquista. Enfim, as gentes viviam aqui do seu jeito e com sua organização. Essa não era uma terra vazia.

A chegada dos europeus em 1492, sedentos de ouro e riquezas selou o destino desses povos. Invadidos pelos espanhóis e depois pelos portugueses, as comunidades da região sul de Abya Yala (hoje chamada de Américas) foram sendo dizimadas. Os impérios aqui existentes acabaram vencidos militarmente e as comunidades mais afastadas caíram em dominó. Algumas demoraram mais porque como o continente era grande, o interior demorou a ser ocupado. Muitas são as páginas heroicas dos povos autóctones em defesa de seu território e de sua forma de viver, como os exemplos de Tupac Amaru, Tupac Catari, Nheçu, Lautaro e tantos outros. Mas, apesar das lutas e da resistência, a força bruta dos invasores – e depois dos já nativos  - foi mais forte.

O caldo de toda essa história foi a dominação. O homem branco assumiu a liderança do “mundo novo” e aos indígenas ficou relegado o limbo. Chamados de seres sem alma, eles primeiro foram escravizados e depois – quando os brancos viram que se não se prestavam a isso – dizimados. Só que apesar de todo o processo de violência muitas comunidades sobreviveram. Acossados pela necessidade de sobrevivência foram se adaptando de alguma forma ao mundo que lhes foi imposto, o que Darcy Ribeiro chama de transfiguração. Ocorre que essa decisão nunca significou o abandono de sua cultura. Em algum lugar ela permanecia viva e nas entranhas das comunidades ela se expressava. Foi assim que muitas etnias lograram sobreviver, como é o caso dos ayamara, quéchua, kichwa, mapuche, guarani e tantos outros.

Hoje, essas comunidades retomam sua cosmovisão e exigem o reconhecimento de sua cultura e da sua forma de organizar a vida. Muitas foram as batalhas travadas ao longo desses 500 anos e em alguns países como o Equador e a Bolívia, os indígenas conseguiram avançar ao ponto de garantir o Estado Plurinacional, que significa o reconhecimento de suas organizações e de seus territórios como regiões livres, conduzidas e governados por eles mesmos. Ainda assim, apesar de consolidado na Constituição, esse estado plurinacional ainda é uma construção. Basta ver o caso dos indígenas equatorianos que lutam contra as mineradoras que avançam sobre suas terras sem que seja respeitada a lei da consulta e do domínio do espaço pelos verdadeiros donos, que são os originários.

Aqui no Brasil, por força da organização menos estruturada que a dos povos andinos, as comunidades autóctones ficaram mais expostas à destruição, e a dizimação aconteceu de forma acelerada. Com a chegada massiva dos imigrantes no século XVII, o interior, que ainda servia de abrigo a muitas etnias, também começou a ser invadido e a matança voltou a ocorrer. Os bandeirantes cumpriram esse triste papel. Visto como “heróis” pelos seus contemporâneos eles avançavam pelo Brasil adentro caçando e matando índios, “limpando” a terra para entregar aos imigrantes ou aos seus patrões latifundiários. Alguns deles são os incensados fundadores de cidades, homenageados até hoje, como é o caso de Francisco Dias Velho, que expulsou da ilha de Santa Catarina os guarani e fundou o que hoje é Florianópolis.

A solução encontrada pelos “bondosos” senhores das terras naqueles dias era confinar em reservas os sobreviventes. A proposta primeira era integrar. Uma ideia que parecia muito piedosa depois do massacre. Diziam que aos índios era necessário “civilizar”, ou seja, submetê-los a uma cultura e a um deus que não era deles. Assim, aprisionados como bichos, os indígenas ou se integravam ou morriam. Mas, a tal da integração também nunca foi uma tarefa fácil. Os indígenas eram vistos pelos colonos brancos como uma ameaça e o confronto sempre foi latente. Daí para o racismo foi um pulo. A integração jamais foi conseguida. Aqueles que saiam das reservas e se aventuravam na cidade, tinham “por castigo” sofrer todo o tipo de preconceito e discriminação. Raramente se livravam da marca do “selvagem”.

No início do século XX foi a vez da ocupação das terras amazônicas e, de novo, a proposta apresentada pelo governo era a de “civilização”. Trazer os “selvagens” para a vida civilizada, integrá-los ao mundo moderno, tira-los da mata e torná-los “gente e bem”. De novo, apesar das boas intenções, seguiu o longo processo de apagamento das culturas, senão pelos arcabuzes, pela integração. Ainda assim, muitos conseguiram seguir nos seus territórios, ainda que confinados nas reservas. Desde então é assim. Os indígenas que não migraram para as cidades  e ainda seguem seus costumes tais como suas formas organizativas são seres tutelados pelo Estado. Não têm autonomia. São vistos e tratados como crianças, incapazes de gerir suas próprias vidas. Seus territórios não lhes pertencem, são da União, e é o Estado quem decide onde e como eles ficam na terra. Os argumentos para essa tutela seguem sendo os mais piedosos: “os indígenas não sabem negociar no mundo moderno, são bêbados, são vagabundos, são inúteis, são ladrões”. Ou seja, imputam ao índio toda a sorte de vícios e problemas que são típicos do homem branco invasor. É certo que os indígenas não são pessoas puras, desprovidas de toda a maldade (afinal, são 500 anos convivendo), mas daí a dizer que só por ser índio alguém vai conduzir de forma equivocada um pedaço de terra beira ao absurdo. Basta dar uma olhada nas fazendas que mantém pessoas escravizadas e ver quem as dirige: não são índios. São os latifundiários.

Assim, nesse sistema de tutelagem, as comunidades indígenas são mandadas para cá e para lá conforme os interesses dos governos de plantão. Poucos são os que conseguiram garantir a permanência no seu território original. Ocorre que para as comunidades indígenas o território não é descolado da vida. Não é a mesma coisa que para um cidadão ocidental que pode mudar de casa, de cidade ou de país sem qualquer alteração no seu modo de ser. Um indígena está conectado com o lugar de vivência, precisa de espaço para caçar, cultivar, nadar, adorar os seus deuses. A terra faz parte do seu ethos cultural, é parte constitutiva de sua cosmovisão. Por isso que tantas etnias sofrem a fome, a miséria e a morte – alguns chegam a preferir o suicídio. Levadas para reservas – que são cópias mal apanhadas do mundo branco - sem identidade, as pessoas sucumbem e precisam viver à custa do Estado como se fossem inúteis. Não o são. Foram expropriados de sua maneira original de viver e ainda têm de pagar o preço de uma decisão que nunca foi delas.

Como no Brasil as comunidades são espalhadas e pequenas, a organização também é bem mais difícil do que em países como Bolívia e Equador, onde a maioria da população é indígena. Nesse sentido, acossados por todos os lados, os indígenas de Pindorama mal conseguem se fazer ouvir, a não ser em casos específicos onde, inclusive, são mais uma vez apontados como selvagens, avessos ao progresso, como é o caso da construção da usina Belo Monte que vai alagar a terra de muitas comunidades e contra a qual as comunidades estão em luta. Os indígenas defendem seu território, mas são mostrados na mídia como bárbaros, enquanto os verdadeiros “bárbaros” passam por empresários de sucesso que só querem o bem e o progresso do país. A União, que detém a posse legal da terra, põe e dispõe conforme os interesses dos depredadores da vida e do país.

Pois agora, não satisfeitos com a entrega das terras indígenas para seus projetos privados e destruidores, os negociantes e empresários, de olhos nas riquezas das terras ocupadas pelas comunidades autóctones, deram mais um golpe na já combalida organização indígena. Levaram para o Congresso Nacional uma proposta que aparentemente é singela e democrática: tirar da União a decisão sobre as terrasindígenas e passar para o Congresso Nacional. Assim, pensam eles, será mais fácil vencer as resistências que por ventura possam surgir quando da ocupação de algum lugar onde vivam os índios. Como agora há uma presidente permeável às demandas das comunidades eles viram que era melhor arrancar o mal pela raiz. Devem ter pensado: “vai que a presidente resolve dar uma de esquerda e proteger os índios. Melhor não arriscar”. A ideia então foi jogar a decisão para o Congresso Nacional onde os poderosos têm quase total controle.

Numa primeira vista pode parecer interessante. No Congresso a coisa parece mais democrática, a decisão precisa ser discutida, negociada. Mas, não é. No Congresso quem manda são os poderosos, os endinheirados. Na correlação de forças, os trabalhadores, os empobrecidos, os índios, os excluídos sempre perdem. As chances de uma proposta de ocupação de terra indígena são muito maiores se levadas ao Congresso, pois o lobby dos ruralistas é forte demais. E eles agiram apresentando uma proposta de emenda constitucional, o que significa alterar a Constituição que, com todos os seus problemas, tem alguns avanços no que diz respeito à questão indígena.

Pois, sem debate e sem uma discussão nacional, essa proposta leonina já passou na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Os argumentos são os mesmos usados pelos invasores e destruidores do passado: os indígenas precisam se integrar. E, caso algum dia (que será bem breve) alguma terra precisar ser ocupada por algum projeto mirabolante ou mesmo por uma fazenda de bois, os indígenas terão “todo o direito” de se organizar, ir ao Congresso e debater. Ora, isso é o cinismo levado à última potência.

A emenda constitucional ainda vai tramitar e ser votada no plenário. Ela foi inscrita como PEC 215. É mais uma violência contra as já tão aviltadas comunidades indígenas. Caso seja aprovada, pode ser a pá de cal nas ainda sobreviventes comunidades que lutam pela demarcação de seus territórios. É por isso que a luta contra essa PEC precisa ser assumida pelos movimentos sociais populares, pelos sindicatos. Já basta de deixar a questão indígena para os índios. Ela é parte de cada uma de nós, está no nosso DNA, precisa ser uma luta nacional.

A batalha que agora começa a ser travada contra essa PEC também não deveria ficar no mais do mesmo. Não se trata de apenas impedir que a decisão sobre as terras indígenas seja apreciada no Congresso, muito menos de aceitar que siga como tem sido, na base da tutela governamental. Há que avançar. A decisão sobre as terras indígenas pertence aos indígenas. É hora de caminhar para a consolidação da autonomia real. É o momento de lutar pela retomada dos territórios originais, pelo direito à cultura e a organização da vida e pelo direito de gerir o seu território no que diz respeito às riquezas que ali estão. Essa não é uma luta fácil, mas tem de iniciar. O debate sobre os direitos das comunidades originárias precisa tomar o país para além das folclorizadas visões de um mundo puro, natural e perfeito. O mundo indígena tem seus próprios problemas, mas acabe às comunidades resolverem. Como em toda Abya Yala é chegada a hora das comunidades indígenas de Pindorama também se levantarem na luta pelo que lhes é direito. Todos contra a PEC 215, mais uma safadeza dos ruralistas.  Ainda é tempo de estancar a fonte do crime seguindo o que ensinava o inesquecível poeta palestino Mahmud Darwish: “rebelem-se... e permaneçam vigilantes, prontos para o combate”!


Veja também:

Conheça o documento PEC 215 clicando aqui.


Saiba mais sobre o autor da PEC 215, dep. Almir Sá (ora apresentado como sendo filiado ao PPB e ao PR) clicando na página da Câmara Federal. Note que seu nome não está na lista de deputados, e a página pessoal do deputado Abel Ávila dos Santos (com foto) se abre quando clicamos no nome Almir Sá na página do PEC 215.


A Câmara foi contatada em 30 mar 2012, via FALE CONOSCO, bem como pelo número de telefone 0800 619 619 para esclarecer essa troca de nomes/fotos.


Leia o texto e assista ao vídeo que fala sobre "o bom filho à casa retorna" (à Câmara) na página do Partido da República (PR) por Roraima clicando aqui.

quinta-feira, 29 de março de 2012

8º Encuentro Continental del Tawaintisuyu Anahuac- Mapu – Pacha



18 al 24 del Junio 2012 . Ciudad de México

Desde la Nación Xinka Originaria, en Guatemala, les saludamos hermanos y hermanas, compartimos desde nuestros sitios web este encuentro que nuestros ancestros pronosticaron, cuando la esencia de los tumay sagrados se unificarían, y volarian y andarían como en el tiempo del inicio... bendición hermanos! Pahtanay alox na wiriki, 'ura tawala na tiwina aawuy tiwix!

Saludos hermanos! El condor el aguila y el quetzal volando vienen volando van... en estos tiempos de reencuentro y sabiduría ancestral. Fuerza para la defensa de la vida, fuerza para el camino del tiempo.




De juventudes, pueblos, naciones y culturas originarias ABYA-YALA- MEXICO 2012 Inti Raymi del año 160.520P.k. 3 al 7 de junio 2012

La educación indígena comienza desde la gestación, continúa con la familia, la comunidad. Su fin es la existencia para el buen vivir.

La educación, por ello, es inseparable de los conceptos de territorialidad, identidad y cosmovisión. Territorialidad por que a partir de allí concreta sus objetivos y contenidos. La transmisión de generación en generación de saberes ancestrales y tradicionales de cada comunidad, fortalece la identidad.

La Cosmovisión atraviesa estos conceptos, y lo instituido en todas las prácticas y pensamientos. Implica oralidad y conocimiento científico.

Reproduzido de Facebook . 8º Encuentro Continental del Tawaintisuyu Anahuac- Mapu – Pacha

Maiores informações sobre o evento no Blog Tawaintisuyu México 2012 clicando aqui.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Negociação e disputa por um projeto de filme em uma comunidade Mocoví


"¿Y nosotros qué vamos a hacer?" Negociación y disputa en torno a un proyecto de filmación en una comunidad mocoví

Agustina Altman

RESUMEN

En este trabajo analizaremos una situación inesperada que ocurrió durante la presentación de un proyecto de filmación en una comunidad aborigen mocoví del Suroeste Chaqueño. Mientras se llevaba a cabo una entrevista informal y la presentación de dicho proyecto sobre el grupo mocoví -el cual habita la provincia de Santa Fe y el Chaco- los documentalistas encargados de su realización se vieron inmersos en una (re)negociación para ellos impensada de los roles y, en una disputa por la (re)definición misma de la situación entre ellos y dos representantes de la comunidad.

A partir del debate que se generó, los realizadores debieron negociar las pautas de filmación y las del propio discurso fílmico, ya que sus interlocutores mocoví -como intelectuales de su cultura- desplegaron su propio proyecto estratégico que establecía qué cosas querían mostrar y cuales no. Por otro lado, los documentalistas trataron de
imponer -como lo más relevante- su dominio técnico, lo cual les permitiría tener el control temporal (al tener preestablecidas las fechas de filmación) y espacial, ya que habían definido que la edición se realizaría en Buenos Aires.

Dado que estos representantes mocoví son las puertas de acceso a la comunidad y que tienen un rol principal en la organización de las actividades, aprobación y difusión, los realizadores debieron considerar sus objeciones y reformular parte de su proyecto documental.

Palabras clave
Documental, negociación, mocoví

PALABRAS FINALES

A lo largo de este trabajo, hemos analizado cómo a partir del debate que se generó entre los maestros mocoví y los documentalistas éstos últimos se vieron inmersos en una (re)negociación para ellos impensada de los roles y, en una disputa por la (re)definición de las pautas de filmación y las del discurso fílmico. Esto se debió a que los realizadores trataron de definir la lógica de representación de «los otros» pero sus interlocutores mocoví -como intelectuales de su cultura- desplegaron su propio proyecto estratégico que establecía qué cosas querían mostrar y cuales no.

También, observamos que los realizadores trataron de imponer - como lo más relevante - su dominio técnico y espacial ya que previamente habían definido que la edición se realizaría en Buenos Aires mientras que los maestros, reclamaron no ser meros objetos de representación sino sujetos con un rol activo en el proceso de filmación y cierto control sobre el producto. Además, demandaron que su voz sea tan importante como la de los antropólogos y realizadores y que no se hablara de ellos sino con ellos.

Respecto a los antropólogos, señalamos que debido a que generalmente son convocados como asesores no tienen un amplio margen de decisión sobre los contenidos, formatos, edición, etc. Y, al igual que sucede con los miembros de las comunidades deben negociar relaciones sociales y roles en este tipo de proyectos.

Adhiriendo a que el discurso audiovisual habla más de quien lo produce que de lo que se muestra (Bateson y Mead, 1942) la discusión que se planteó entre los realizadores y los maestros mocoví es um c laro ejemplo del  permanente problema acerca de  la  cuestíon metodológica de la construcción compartida del conocimiento (Ardèvol, 1994). La negociación acerca del modo de representación del «otro» será un problema de poder a resolver dentro de una elección que es epistemológica y por lo tanto, absolutamente política.

Por una parte esta el hecho de que quien es «sujeto fílmico» debería tener derecho a participar en el proceso de tomas de decisión. Por otro lado quien decide emprender un registro audiovisual busca asegurar su derecho a expresar su punto de vista, que podría ser crítico respecto a estos sujetos o, aún sin serlo, adherir a una mirada sobre los mismos que no fuera coincidente con la de los retratados.

Pero no se puede olvidar que en casos como el abordado, los «sujetos fílmicos» no sólo están inmersos en relaciones de dominación por parte de la sociedad y la cultura de la que provienen los realizadores, sino que además en general no poseen (por esa misma situación de dominación) la posibilidad de generar sus propios discursos fílmicos que pudieran presentarse en pie de igualdad con las miradas de los demás. Por ello, es especialmente importante encontrar formas de que sus opiniones acerca de si mismos puedan ser oídas.

En este sentido, parece central la posibilidad de que las comunidades aborígenes realicen sus propios productos audiovisuales que lleguen a los medios de comunicación.

MAIDANA, Carolina Andrea. Antropología de los nativos = Antropología dos nativos : estrategias sociales de los sujetos en la investigación = estratégias sociais dos sujeitos na pesquisa  / Carolina Andrea  Maidana y Jakeline  de Souza  ; compilado por Carolina Andrea Maidana y Jakeline  De Souza . - 1a ed. - La Plata : Universidad Nacional de La Plata, 2012. Páginas 65-75

E-Book.

Disponível na página Editorial da Universidad de la Plata clicando aqui.

Leia também: "La verdad brotará de la tierra", por Estevan Zugasti, de uma  do Sudoeste Chasqueño, clicando aqui.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

“Hoje, aqui, ser índio é uma escolha”: Eu Sou Índio de Abya Yala!


Faz algum tempo, estive com um amauta, que na língua kichwa quer dizer sábio. Seu nome é Luis Fernando Sarango Macas. Ele é reitor da Universidade Intercultural de Amawtay Wasi, no Equador, uma escola que atua em outra lógica, a dos povos originários, a gente indígena, autóctone. Falávamos sobre essa questão de ser ou não ser indígena, já que na América Latina somos essa mistura de etnias. E Sarango pôs fim ao tema com a seguinte máxima: “hoje, aqui, ser índio é uma escolha”. E assim é.

Basta que a gente volte no tempo e em algum lugar da nossa árvore ali está, o índio. Indelével. Tiro por mim. Tenho descendência italiana, portuguesa, espanhola e indígena. Poderia ser a “raça cósmica”, de Vasconcelos, ou seja, uma coisa nova, a mistura, o mestiço. Poderia ser portuguesa, ou espanhola, ou italiana. E poderia ser índia. Mas, toda nossa cultura nos carrega para uma identidade dúbia. Ao mesmo tempo em que se tenta criar a idéia de uma original “brasilidade”, a mente dos brasileiros é formatada, desde pequena – via família, escola, igreja - para ser “europeia”. Talvez nessa contradição resida a “esquizofrenia racial” que se explicita não só aqui, mas em todo o continente.

Uma recente pesquisa feita com crianças no México (http://youtu.be/XAuYtpI3Cq8  ) mostra o quanto meninos e meninas indígenas, brancas e negras trazem marcado em ferro e fogo a ideia de que o branco é o belo, e tudo o que não se identifica com isso é feio, sujo, ruim. Causa profunda comoção ver aqueles rostinhos marcadamente indígenas apontarem para o boneco negro e dizer, timidamente: é feio, é mau, não me passa confiança. Daí que ser índio ou negro passa a ser o limbo.

Uma passada pelos livros de história e pela imprensa brasileira e ali estão os estereótipos muito claros e bem demarcados. Desde a invasão européia o índio é o selvagem, o preguiçoso, o que atrapalha a civilização, o inútil. Por isso foi completamente dizimado em grandes áreas do país. Mesmo as almas mais altruístas, como Rondon, acreditavam que era preciso integrar o índio à civilização, como se ele não fosse capaz de viver segundo a sua maneira e, desde o início do século XX, iniciou-se essa “humanitária” integração. Na prática, integrar-se seria esquecer sua cultura, esquecer seus traços físicos, sua língua, seus deuses. Integrar-se seria sumir no universo branco, cristão, eurocêntrico. Integrar-se seria deixar de ser quem é em nome de uma “brasilidade” falsa. Os que não aceitaram esse perder-se no mundo branco foram confinados em reservas, que vez ou outra lhes são tiradas ou diminuídas em nome do lucro e dos desejos do mundo invasor.

E, com o passar do tempo a prática também mostrou que, mesmo com a integração, há coisas que não se pode mudar. A cor da pele, o rasgo do olho, o cabelo liso, a atávica sede de horizontes. Um índio não pode se “integrar”, misturando-se a malta branca, porque não o é. Um índio, assim como o negro, tem, como diz Milton Nascimento, a marca da cor e da cultura. E uma sociedade, na qual as crianças aprendem desde a família que o bom é ser branco e cristão não tem como gerar outros seres que não esses que vemos por aí, cheios de ódio racial, discriminação e preconceito. Daí que ser índio nesse país segue sendo algo ruim, sujo, feio, anacrônico.

Então, se a sociedade é formada assim, para ver o índio como um ser menor, como esperar que as pessoas entendam a necessidade da demarcação das terras indígenas? Como querer que as maiorias entendam que as comunidades indígenas precisam de espaço para vivenciar sua cultura, que é rica, que é bela, que é singular? Como vão entender que esse povo que vive nos caminhos, nos barracos, na luta cotidiana por território tem os mesmos direitos que os brancos? A identidade dos indígenas como um ser de “segunda categoria” segue sendo difundida, sem parar. E o máximo a que se chega é a uma musculação da consciência, com o sentimento de pena ou a doação de um saco de arroz, o que reforça ainda mais a ideia original.

No que diz respeito a mim faz tempo que decidi assumir a parte indígena que vive em mim. Minha trisavó era índia, charrua. Nascida e criada na Banda Oriental, filha de um povo valente, arranchado em toldos nas sesmarias do sul. Conhecedora das ervas, exímia na boleadeira, amazona de primeira. O povo charrua foi o que melhor se adaptou ao cavalo trazido pelos espanhóis, chegando a quase se tornar um só ser, charrua/cavalo, centauro da guerra de independência junto com o grande José Artigas. Minha trisavó talvez tenha sido uma daquelas charruas guerreiras, das poucas que sobraram do massacre perpetrado pelas tropas de Fructuoso Rivera, então presidente do recém criado Uruguay, ao povo charrua. Fugida pelo campo afora foi bater em Itaquy, hoje Rio Grande do Sul, e lá foi tomada por um português que a tornou sua mulher. Desse tronco vim...

Essa é uma decisão pessoal, mas que tem importância para o tema em questão. Porque a compreensão do ser indígena precisa passar, em cada família, em cada pessoa, por um longo processo de conhecimento ou re-conhecimento de quem somos e de onde viemos, nós todos, como povo. É necessário compreender as raízes deste imenso espaço geográfico que hoje ocupamos com a cultura ocidental/cristã. Não dá para fingir que estas eram pradarias e montanhas vazias quando aqui chegaram os portugueses e espanhóis. Havia povos e culturas. E isso segue vivo, a despeito de tudo. Vive nos nomes das coisas, dos lugares, na lembrança atávica, nos costumes, nos hábitos. É coisa viva!

Então, não dá para aceitar que não se reconheçam os índios como seres capazes de tomar suas próprias decisões – seguem sendo tutelados no Brasil. Não dá para aceitar que não sejam levados em conta nos seus desejos e vontades, como a não construção de Belo Monte e demais represas que impactam nas suas terras. Não dá para achar natural que uma mulher branca tenha indiazinhas em sua casa trabalhando como escravas. Não dá para aceitar que se queimem índios nas paradas de ônibus em Brasília, ou nos fundões do país. Não dá para reproduzir idéias estúpidas como a de que são preguiçosos, ladrões, sujos. Desse tipo há, é certo. Mas tanto quanto há entre os brancos, os negros, os amarelos e os azuis. Não é a etnia que define o caráter.

Assim como para com os negros, trazidos à força, como escravos, há uma grande dívida a ser resgatada com os povos indígenas desta terra. E isso tem de começar já, desde as famílias, as escolas e até as igrejas, que tanto forjam a mente das pessoas. É preciso contar as histórias, os mitos, ensinar das culturas, das canções, do modo de organizar a vida. É preciso fazer entender que cada povo tem a sua “linha da vida” como essa que se vê hoje no facebook. E que ela começa bem lá atrás. Há que desfazer os preconceitos e isso só se consegue com conhecimento. Há que se assumir essa herança Jê, Tupi, Guarani. É o que somos! E não dá para fugir.

É certo que esse é um longo caminho, mas a larga jornada se inicia com o primeiro passo. Ruben Alves tem um texto no qual fala do humano, comparando-o a uma hospedaria. E que vez ou outra assoma na janela um desses hóspedes que moram em nós: o alegre, o triste, o raivoso, o doente, o malvado, o generoso, enfim. Pois uso a mesma metáfora para o que somos, no Brasil, como povo. Também somos uma hospedaria, na qual, a cada tanto, assoma na janela o negro, o índio, o branco, o amarelo, o azul. Eles existem todos dentro de nós, porque somos um, como raça. E temos de conhecê-los, aceitá-los e amá-los. Cada um pode escolher qual o que ficará à janela mais tempo. Mas, fatalmente, os demais assomarão. E devem fazê-lo, principalmente quando forem discriminados ou oprimidos. Eu, por exemplo, sou charrua, mas posso ser negra quando meus irmãos forem atacados, e posso ser branca se precisar.

O que, talvez, devesse nos unir, sempre, seja nossa consciência de classe. Quem somos no cenário da vida: os que oprimem ou os que farejam a liberdade? E isso é coisa que tem de ser ensinada, todos os dias, em todos os lugares. O racismo é uma construção das forças que sempre estiveram no poder. Diminuir para dominar. O grande segredo da luta de classes é não aceitar essa premissa. Ninguém é menor que ninguém por conta da cor ou do rasgo dos olhos. Ninguém é menor que ninguém por conta da conta bancária. Como diz o poeta: menores que nosso sonho, não podemos ser. Então, a luta contra o racismo é sempre a luta contra esse poder que aí está.

Os índios não são contra o a construção de uma vida melhor para todos, eles apenas querem que a deles também seja respeitada, querem suas terras, seus direitos, querem viver em paz na sua forma de ser, autônoma, criadora, original. Entender isso é o tal do primeiro passo da larga jornada que haveremos de empreender rumo à outra forma de organizar a existência que não seja predadora, escravizante ou de opressão do homem pelo homem. Ser índio é bonito e é bom. Essa é uma verdade abissal!

Reproduzido do blog “PovosOriginários” por Elaine Tavares