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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A destruição da infância: Vicenç Navarro


A destruição da infância

Está acontecendo algo muito grave que não vem sendo debatido: uma grande deterioração do meio cultural no qual as crianças estão submersas.

Vicenç Navarro (*)

Está acontecendo algo sobre o qual não se comenta muito nos fóruns midiáticos e políticos do país (Espanha), e que está causando impacto enorme na qualidade de vida em nosso presente e em nosso futuro. Estou me referindo à grande deterioração do meio cultural no qual a criança está submersa. Um indicador disso, entre outros, é o mundo midiático ao qual as crianças estão expostas. E não me refiro somente ao número de horas que passam diante da televisão ou de outras mídias de entretenimento, o que continua sendo um problema grave (nos Estados Unidos, onde este tipo de estudo é sistematicamente realizado, o tempo de exposição subiu de uma hora e meia nos anos 1970 para cerca de quatro horas atualmente). Estou me referindo, além do tempo de exposição, à evidente deterioração dos conteúdos de produção midiática. A destruição no conteúdo educativo dos programas televisivos ou dos videogames tem sido eminente, com um aumento notável da promoção do consumismo, do individualismo, da violência, do narcisismo, do egocentrismo e do erotismo como instrumentos de manipulação.

A evidência de que isto se dá dessa maneira é assustadora. Estes conteúdos – que configuram de forma muito negativa os valores sociais – estão espalhados por toda a sociedade, incluindo os adultos. Mas o que é ainda mais preocupante é que muitos desses valores se apresentam com mais intensidade nos programas voltados para o público infantil. E a situação está piorando. Vou me explicar.

Em meados da década de 1970, foi feito um estudo sobre o conteúdo dos programas de televisão para meninos e meninas nos EUA. Foi realizado por pesquisadores da Johns Hopkins University. Nesta pesquisa, constatou-se que a violência, muito generalizada nos Estados Unidos, estava inclusive mais presente, paradoxalmente, na programação infantil. Tal estudo provocou uma revolta considerável naquele país. E fui eu a apresentá-lo no Congresso dos EUA, não enquanto professor realizador do estudo, mas como dirigente da Associação Americana de Saúde Pública (American Public Health - APH, segundo a sigla original), tendo sido escolhido entre o corpo diretivo pelos 50 mil membros dessa Associação.

O Comitê de Assuntos Sociais do Congresso dos EUA organizou uma série de depoimentos para analisar o que estava acontecendo nos programas de televisão orientados para crianças. E convocou uma sessão em que estavam, de um lado, os presidentes das três cadeias de televisão mais importantes do país (CBS, ABC e NBC) e, de outro, o representante da APHA (que era eu). Para sempre me lembrarei daquele momento. Ali estava eu, filho de La Sagrera, bairro popular por excelência de Barcelona, Espanha, com o enorme privilégio (em um país de imigrantes) de representar meus colegas da APHA e defender os interesses da população norte-americana diante de três das pessoas mais poderosas dos EUA, que durante seu depoimento tentavam ridicularizar o meu, alegando que eu estava exagerando quanto ao impacto desses programas nas crianças norte-americanas.

Como não podiam questionar os dados que documentavam a enorme violência dos programas infantis, centravam-se em negar que tiveram impacto nas crianças. Este argumento foi fácil de destruir, com a pergunta que lhes fiz diante do Congresso:

“Se vocês acreditam que seus programas não têm impacto entre as crianças, por que cada anúncio comercial que aparece nestes programas custa quase um milhão de dólares?”. Não responderam. Negar que tais programas tenham um impacto nos espectadores é absurdo. O Congresso dos EUA, por certo, não fez nada, pois não ousava contrariar estes grupos poderosos.

A situação está se deteriorando

E a situação está inclusive pior atualmente. Esta fixação infantil pela mídia audiovisual está amplamente estendida, agora por meio dos videogames, que estão substituindo a televisão. O grau de exposição das crianças aos videogames alcançou um nível que ultrapassa em muito o tempo à frente da televisão. A transmissão dos valores por meio dos jogos eletrônicos, citados anteriormente, é massiva. É o equivalente ao fast food no universo psicológico, cultural e intelectual.

Tanto que, em vários países europeus, se considera proibir a importação de videogames dos EUA (que são extraordinariamente mais violentos), que destroem massivamente meninos e meninas. Acredito que as autoridades públicas espanholas deveriam considerar sua proibição, como já acontece em vários países da Europa.

Porém, para além da destruição que muitos desses videogames provocam na infância, a exposição a essa cultura tira as crianças de outras atividades. Existe evidência de que, quanto maior o tempo dedicado aos videogames, menor é a capacidade de leitura e de compreensão de textos. A leitura de livros – dos clássicos da infância, de Heidi ao Pequeno Príncipe – está diminuindo muito rapidamente. Serei criticado sob a alegação de que este texto denota nostalgia, o que não é certo, pois minha crítica não é ao fato de não lerem esses textos, mas sim à ausência de leitura desse tipo de texto, em que a narrativa conecta o indivíduo com a realidade que o cerca, ajudando a desenvolver uma visão solidária, amável e coletiva da sociedade. Enfatizar a força, o ego, o “eu” e a satisfação rápida e imediata do desejado, sem freios, levará todos nós a um suicídio coletivo.

E me preocupa o fato de que isto já esteja acontecendo. Se desejam ver seu futuro, vão agora aos Estados Unidos e o verão. As mudanças sofridas desde a década de 1980, quando se iniciou o período neoliberal com Reagan e Thatcher, foram enormes. O neoliberalismo, a exaustação ao "êxito" sem freios, ao individualismo, ao narcisismo, ao darwinismo, inundaram todas as áreas da cultura da infância.

As meninas como objeto sexual

Outro elemento da deterioração da cultura infantojuvenil está na reprodução dos estereótipos, por trás da qual há uma relação de poder. Um dos mais marcados é o que reproduz a visão machista da sociedade, apresentando as mulheres como objetos eroticamente desejados, e que, notavelmente, afeta a infância. Essa visão já alcançou dimensões patológicas. Nos países mais machistas (e a Espanha está no topo da lista), a mulher está sempre muito decotada (e cada vez mais) e, se não, vejam os noticiários diários. Por que os homens não vão decotados à televisão quando dão as notícias, mas sim as mulheres?

A imagem erótica, com uma definição de beleza estabelecida pelo homem, está alcançando nível tamanho de exagero, que começa inclusive com as bonecas Barbie. Vários países europeus – como a França – estão pensando em proibir tais tipos de boneca. Está chegando a um nível que exige uma mobilização, protestando contra essa destruição por meio da promoção de valores que são prejudiciais à infância e à população em geral. Espero que o leitor se some a essas mobilizações. Se você ama seu país, sugiro que faça algo. Não deixe que manipulem nem a você, nem a seus filhos, filhas, netos e netas. Indigne-se! Faça algo!

...

(*) Professor de Políticas Públicas. Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e professor da Johns Hopkins University. Site pessoal: www.vnavarro.org

Reproduzido de Carta Maior

26 jan 2014

Leia também:

"A TV psicotizante na globobocalização" (27/01/14) por Leo Nogueira Paqonawta, clicando aqui.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Entrevista com Michel Teló é notícia mais vista em telejornal para crianças da Holanda


Entrevista com Teló é notícia mais vista em telejornal para crianças da Holanda

Por Juliana Doretto*


Pelo que você pode ler no texto aí ao lado, embaixo da minha foto, eu faço doutorado em comunicação social. E o tema da minha pesquisa é jornalismo feito para as crianças. Pois bem. Eis que descubro um telejornal destinado a meninos e meninas da Holanda, o Jeugdjournaal – algo que não temos no Brasil, infelizmente. Vasculhando o site, encontro o “top 10″ de março, com as notícias mais populares do último mês. E qual não foi minha surpresa ao ver que a campeã é uma entrevista com Michel Teló, na qual o cantor fala em português e manda beijo para as crianças da Holanda. O resto do vídeo está em holandês, e mostra garotos cantando e dançando “Ai se eu te pego”. Veja abaixo:



E as crianças da Holanda não estão sozinhas. Alguns meninos e meninas da República Tcheca também já arriscaram alguns passos da dança. Nos dois casos, eles não parecem saber o que cantam. Não falo holandês, mas, pelo que se pode entender com tradução automática, o texto do telejornal diz algo como ”Michel Teló canta em português sobre como a garota mais bonita na discoteca o deixa louco”. Ainda segundo a tradução, a notícia relata que “a maioria das pessoas não entende nada da música, mas muitas crianças cantam”.

Reproduzido de Cidades do Leste . Notícias da Europa de lá, pela jornalista Juliana Doretto (05/04/2012)



* Juliana Doretto é jornalista e vive em Praga, na República Tcheca. Doutoranda na Universidade Nova de Lisboa e mestre em ciências da comunicação pela USP (Universidade de São Paulo), trabalhou como repórter e redatora do portal UOL, de suplementos da "Folha de S.Paulo" e do jornal "Agora". Fez parte do Curso Abril de Jornalismo de 2003.

Leia também:


Na República Tcheca, “Ai se eu te pego” vira coreografia infantil

Em vídeo, crianças imitam os passos originais e até cantam em português


Por Juliana Doretto

Parece que a “praga” chegou à República Tcheca. E atingiu as crianças. Uma professora tcheca,  Lucie Tvrdoňová (especializada em Zumba, um programa intenso de ginástica com dança), resolveu criar uma coreografia para seus alunos a partir da canção brasileira.

Na apresentação, meninos e meninas esticam os braços e os trazem juntos ao corpo, ao som de Michel Teló proferindo a frase “ai, se eu te pego”. E, no final, os garotos e as garotas cantam, em bom português, “Delícia, delícia. Assim você me mata…”. O resultado se vê aqui:



Se os pais dos alunos de Tvrdoňová quiserem saber do que se trata a música, podem achar a tradução numa página tcheca: afinal, o trabalho de Teló, assim como em outras partes da Europa, também faz sucesso por aqui, como indicam os rankings de “mais pedidas” em rádios tchecas, como a 107FM e a Jih Radio.

Reproduzido de Cidades do Leste . Notícias da Europa de lá, pela jornalista Juliana Doretto (02/01/2012)

Veja mais vídeos no Youtube do canal para crianças da Holanda - Jeugdjournaal - clicando aqui, e a página dele na Internet clicando aqui.

Comentários de Filosomídia:

Tsc... tsc...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Reino Unido: crianças e conteúdo erótico na TV


Reino Unido quer impedir conteúdo erótico de canais holandeses

Redação
Portal Terra
07/03/2012

O órgão regulador das telecomunicações britânico, Ofcom, se queixou às autoridades da Holanda pelo conteúdo erótico de dois canais com sede no país que podem ser vistos no Reino Unido por sistema de TV digital. O Ofcom considera que a programação para adultos dos canais eróticos holandeses Babestion e Smile TV, que realizam sua transmissão através da televisão digital terrestre britânica, pode ser vista facilmente por menores.

O órgão regulador indicou que se trata de um "assunto importante" e que está mantendo um "diálogo ativo" sobre o assunto com o Commissariaat voor de Media (autoridade reguladora dos meios de comunicação da Holanda), segundo informou nesta quarta-feira o jornal The Guardian. Ao lado do organismo equivalente na Holanda, o Ofcom estuda "como proteger" o público do Reino Unido de "cenas de mulheres seminuas massageando os peitos umas das outras, se masturbando e fingindo orgasmos", que são transmitidas abertamente por estes canais entre as 22h e as 6h locais.

O Reino Unido revogou as licenças de outros canais por transmitirem material excessivamente sexual antes da meia-noite, mas no caso de Babestion e Smile TV, o Ofcom não pode fazer o mesmo porque sua permissão está outorgada em outro país.

Reproduzido de Portal Terra via clipping FNDC

Em inglês no The Guardian aqui.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Violência na TV: quais são os limites do jornalismo televisivo?


Violência em horário impróprio

Por Flávia Péret em 29/3/2011

Uma indignação profunda me motiva a escrever este texto. Nos últimos 15 dias assisti na TV (precisamente Rede Globo, Jornal Nacional e Jornal da Globo) a matérias sobre tentativas de assalto seguidas de assassinato que foram gravadas por circuitos de segurança interna e, posteriormente, exibidas. Cenas de execuções sumárias, imagens violentas, veiculadas em horário impróprio para crianças e adolescentes.

Na primeira matéria, um rapaz universitário, em São Paulo, é abordado por dois homens ao chegar em casa à noite. Depois de uma confusão que não entendi totalmente, os assaltantes vão embora, o rapaz volta para fechar o portão, um dos bandidos reaparece e atira na cabeça dele. Na imagem, vemos o corpo caindo, o sangue e, minutos ou segundos depois, os pais apavorados que vêm ao encontro do filho morto. Toda a cena foi filmada pela câmera particular da família e reproduzida (com autorização de quem?) pelas redes de TV.

Nas imagens de hoje (23/3), outro jovem é a vítima, agora de policiais militares (acho que de Bélem). O jovem é abordado, levado para um canto na rua e, de repente, um policial dispara em direção ao corpo do rapaz, ele balança e o tiro parece atingir a barriga. Nesse momento, decido que não vou continuar vendo as imagens e mudo de canal.

Imagens assustadoras

Legalmente, a mídia pode exibir essas imagens? Existe um código de ética que trata da questão? Por que a mídia exibe e reproduz essas imagens? Por que é preciso mostrar a morte? Por que precisamos conviver com essas imagens? Conviver, sim, porque enquanto faço minha aula de ginástica uma TV ligada mostra o assassinato do rapaz em São Paulo. Não tenho o direito de desligar a TV, como fiz hoje em casa. Mostrar a morte, além de desrespeito com os familiares, é uma banalização da violência. Acho que esse assunto merece uma discussão mais profunda, cuidadosa e ética.

Quais são os limites – limite não é censura – do jornalismo televisivo? Qual o futuro do telejornalismo num contexto cada vez mais fotografado, vigiado, filmado? A lógica do furo? Da "melhor" imagem? Da informação "completa"? Do direito à informação? E quando os cinegrafistas são "substituídos" por câmeras que funcionam 24 horas e gravam tudo? É preciso mostrar tudo? Não mostrar a morte é esconder que vivemos num país cada dia mais violento? Mostrar reiteradamente assassinatos tem alguma função, além de criar paranoia e medo na população? Precisamos ver assassinatos como esses para acreditar que eles existem?

Peço desculpa pelos erros e informações incompletas, escrevi no calor da hora, uma espécie de desabafo, espero que vocês de alguma forma possam reverberar essas questão. Por que o cinema (um certo tipo de cinema) discute tanto essas questões e o jornalismo não? As implicações éticas de uma imagem, as representações e ideologias que as imagens engendram e reproduzem, as construções parciais e frágeis de mundo que sustentam, o modo como jornalismo tem lidado com essas imagens me assusta profundamente.


Saiba mais sobre a Classificação Indicativa para telejornais e programas noticiosos no debate online promovido pelo Ministério da Justiça, clicando aqui.

Leia também o texto “Novela sexual: indicada para crianças e jovens?” na Revistapontocom clicando aqui.



segunda-feira, 28 de março de 2011

Quem são as crianças que trabalham na TV?


"Inês Vitorino, professora da Universidade de Fortaleza, diz quem são as crianças que trabalham na TV

Inês Vitorino Sampaio é professora da Universidade de Fortaleza e há dois anos se dedica a estudar a relação entre a criança e as diferentes mídias. Autora do livro Televisão, publicidade e infância (Ed. Annablume) e coordenadora do Grupo de Estudos da Relação Infância e Mídia (Grim), ela diz que a infância dos bastidores de TV e sets de cinema perde um elemento importante para o seu aprendizado: o caráter lúdico da atividade de representar.

“Creio que o ingresso precoce da criança em um universo permeado pela lógica da mercantilização da cultura (…) a expõe indevidamente a tensões que ela poderia lidar com mais serenidade na idade adulta. Esta é para mim a principal perda dessa relação (infância, juventude/bastidores, sets), a perda do lúdico, em que a criança podia simplesmente cantar, dançar, representar, enfim, apenas para se divertir e não para ser eleita a melhor por uma equipe de profissionais, uma banca de calouros ou o público de um país”, afirma a professora, entrevistada pela equipe da Revista Nós da Escola, uma publicação da MULTIRIO dirigida aos professores da Prefeitura do Rio de Janeiro.

(...) O que normalmente é produzido, em termos de programas de TV e cinema, em nome das crianças?

Inês Sampaio - A questão da qualidade na produção cultural para a criança não me parece estar associada ao fato de ser um adulto ou uma criança seus idealizadores e executores. Há bons programas produzidos por adultos, tanto quanto por crianças. Não se trata também apenas de uma questão de ouvi-las. Há muitas formas utilizadas pelas emissoras para buscar entender a criança e os seus interesses, tais como cartas e pesquisas. A questão mais grave, me parece, é a própria concepção hegemô­nica da criança como consumidora. É a partir desta lógica que parcela expressiva dos programas são feitos, o que acaba comprometendo a sua qualidade. Não é de admirar que as produções da televisão pública, neste contexto, destaquem-se como referenciais de qualidade. Nas escolas, ONGs, centros culturais, por sua vez, vemos crescer uma tendência importante de participação de crianças e adolescentes na elaboração de filmes, documen­tários, vídeos. São manifestações culturais articuladas, muitas vezes, com o próprio resgate da identidade cultural de um bairro ou região, onde se verifica uma boa dose de experimen­talismo, na medida em que tais experiências são situadas, muitas vezes, à margem do mercado. É preciso, neste cenário, apostar nesta garotada, dar-lhe condições de se en­vol­ver com a comunicação e a arte numa outra perspectiva, algo que está fortemente associado à definição de políticas públicas no terreno da comunicação.

Revista Nós da Escola, nº 21 via Diga não à erotização infantil.

Para acessar a Revista no Portal Multirio clique aqui.

Para ver o documentário "Criança, a alma do negócio" clicando aqui.

Leia a resenha do livro "Televisão, publicidade e infância" clicando aqui.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Big Brother Brasil: "São esses nossos exemplos de heróis?"



A vergonha

"Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos "heróis", como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um "zoológico humano divertido" . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? 
São esses nossos exemplos de heróis?"


Autor desconhecido*

Leia o texto republicado por vários blogs em 2011 clicando aqui.


* Alguns afirmam que esse texto é atribuido a Luis Fernando Veríssimo, e outros que não pertence a ele...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A criança violentada e a infância perdida


O que publicidade tem a ver com erotização precoce e exploração sexual

"No Brasil, existem 241 rotas de tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual, 1.820 pontos de exploração sexual infantil nas rodovias federais, 13.472 denúncias de pornografia infantil na internet apenas no primeiro semestre de 2010 e 3.600 denúncias telefônicas de abuso e exploração sexual infanto-juvenil no mesmo período. 

Esses dados mostram que a violência sexual infantil é, sem dúvida, uma questão delicada no Brasil. Segundo a World Childhood Foundation, além da vulnerabilidade econômica, existem outros fatores que podem favorecer esse tipo de violência. Um deles é a erotização precoce da criança e do adolescente pela mídia.

Para Anna Flora Werneck, existe, também, uma relação que se estabelece entre a exploração sexual e o consumo, que não pode ser analisada como causa isolada, mas que certamente contribui como um fator de vulnerabilidade. Em estudo recente da WCF, 65% das meninas declararam usar o dinheiro da exploração sexual para comprar celular, tênis, roupa. A exploração sexual não se restringe a bolsões de pobreza e se manifesta de diversas formas, assim como o desejo de consumo não é despertado apenas naqueles investidos de poder aquisitivo.

Recentemente recebi uma reprodução da campanha publicitária da grife de biquínis Água de Coco, publicada na Revista Joyce Pascowitch (acima). No anúncio, uma criança é retratada como uma mini-mulher. Fotografada em uma pose apelativa, vestida de maneira sensual, mexendo em um aparelho celular, a imagem rompe com a fronteira entre mulher e menina – o que pode ser perigoso num país onde as barreiras que delimitam e protegem a infância já são notavelmente embaçadas.

A infância é uma construção social, uma convenção que visa a proteger aqueles que estão em desenvolvimento, e por isso, mais vulneráveis. Quando desconstruímos a imagem de uma criança, estamos colocando em risco alguns de seus direitos. Além disso, vale lembrar que mesmo as crianças que não podem adquirir os produtos oferecidos pela publicidade acabam absorvendo e reproduzindo os comportamentos que o anúncio propõe como adequados, já que a publicidade apela para a necessidade de pertencimento da criança".

Leia os comentários sobre o texto acima na página do Consumismo e Infância clicando aqui.