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sexta-feira, 16 de março de 2012

“O povo inglês merece uma imprensa que assuma suas responsabilidades seriamente"...


O tamanho do nosso atraso

Venício Lima
Revista Teoria e Debate
13/03/2012

“O povo inglês merece uma imprensa que assuma suas responsabilidades seriamente e exerça os padrões profissionais reconhecendo que a liberdade preciosa de que desfruta é um privilégio, não um direito divino.”

Lord David Hunt, chairman da Press Complaints Commission

A Comissão de Reclamações sobre a Imprensa (Press Complaints Commission, ou PCC, na sigla em inglês), criada por empresários de jornais e revistas, é a agência autorreguladora da imprensa no Reino Unido, em funcionamento desde 1991. Na arquitetura institucional para o setor de comunicações naquele país, além da PCC, existe a OFCOM, autoridade independente e reguladora para as indústrias de comunicações.

O escândalo relativo ao comportamento criminoso do tabloide News of the World, do grupo News Corporation, revelado em novembro de 2011, provocou não só a instalação de uma comissão judicial para apurar e sugerir medidas para evitar a repetição dos fatos como também uma indignação generalizada quanto à ineficiência da agência autorreguladora.

Antecipando-se às recomendações da comissão judicial, a PCC anunciou no dia 8 de fevereiro sua descontinuidade, para dar lugar a outra agência com poderes de interferência mais eficazes. Nas palavras do chairman da PCC, o Reino Unido terá “pela primeira vez um órgão regulatório da imprensa com dentes", embora não tenha divulgado os poderes e o mandato da nova agência.

Na verdade, a promessa de uma agência autorreguladora “com dentes” responde à acusação feita em depoimento à comissão judicial pela escritora J.K. Rowling, autora de Harry Potter. Ela afirmou ser a PCC uma agência “sem dentes”, isto é, sem poder efetivo de ação para coibir os desvios profissionais e éticos da imprensa.

E o Brasil?


O registro do que se passa hoje na Inglaterra, berço do liberalismo e de algumas das referências clássicas sobre a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa, nos ajuda a entender o atraso secular em que nos encontramos quando se trata de regulação (ou autorregulação) no campo das comunicações.


Três exemplos:

1. À exceção do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar) –“organização não governamental que visa impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas” –, não existe órgão autorregulador para nenhum setor da mídia no Brasil. Mesmo assim, recente recurso ao Conar feito pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (aliás, não acolhido) provocou irados e violentos editoriais e artigos na grande mídia, sob acusação de interferência estatal, censura e fundamentalismo conservador [cf. “Caso Gisele Bündchen: Onde está a censura?”].

2. A Lei nº 12.485/2011, que muito timidamente estabeleceu cotas para a produção nacional na televisão paga, foi recentemente objeto de campanha publicitária do grupo SKY – leia-se Direct TV e Globo –, que utilizou o falso argumento de que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) estaria querendo tomar das mãos dos assinantes o controle remoto e decidir por ele qual a programação a ser vista. Além de um desrespeito à inteligência do assinante, uma operadora estrangeira, associada ao maior grupo de mídia brasileiro, se rebela publicamente contra uma lei cujo projeto tramitou por mais de quatro anos no Congresso Nacional. Tudo porque são estabelecidas normas de proteção ao conteúdo nacional, aliás, existentes nas democracias contemporâneas que supostamente servem de modelo para a nossa.

3. E, por fim, a impossibilidade da imensa maioria dos brasileiros de acompanhar as partidas de seus times na Copa Libertadores da América, o principal torneio de futebol da América Latina. O oligopólio no setor de TV paga e os interesses de seus poucos grupos dominantes – exatamente a SKY e a NET (ambas associadas à Globo) – continuam a contrariar a conhecida máxima do juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, Byron White, estabelecida 43 anos atrás: “É o direito dos espectadores e ouvintes, não o direito dos controladores da radiodifusão, que é soberano”.

Por favor, leitor(a), julgue você mesmo(a) o tamanho do nosso atraso.

* Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.


Foto: Lord David Hunt . Photograph: Martin Godwin for the Guardian

quinta-feira, 8 de março de 2012

Reino Unido: crianças e conteúdo erótico na TV


Reino Unido quer impedir conteúdo erótico de canais holandeses

Redação
Portal Terra
07/03/2012

O órgão regulador das telecomunicações britânico, Ofcom, se queixou às autoridades da Holanda pelo conteúdo erótico de dois canais com sede no país que podem ser vistos no Reino Unido por sistema de TV digital. O Ofcom considera que a programação para adultos dos canais eróticos holandeses Babestion e Smile TV, que realizam sua transmissão através da televisão digital terrestre britânica, pode ser vista facilmente por menores.

O órgão regulador indicou que se trata de um "assunto importante" e que está mantendo um "diálogo ativo" sobre o assunto com o Commissariaat voor de Media (autoridade reguladora dos meios de comunicação da Holanda), segundo informou nesta quarta-feira o jornal The Guardian. Ao lado do organismo equivalente na Holanda, o Ofcom estuda "como proteger" o público do Reino Unido de "cenas de mulheres seminuas massageando os peitos umas das outras, se masturbando e fingindo orgasmos", que são transmitidas abertamente por estes canais entre as 22h e as 6h locais.

O Reino Unido revogou as licenças de outros canais por transmitirem material excessivamente sexual antes da meia-noite, mas no caso de Babestion e Smile TV, o Ofcom não pode fazer o mesmo porque sua permissão está outorgada em outro país.

Reproduzido de Portal Terra via clipping FNDC

Em inglês no The Guardian aqui.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O poder das pessoas versus a máfia de Murdoch



Pegamos o barão da mídia mais poderoso e perigoso do mundo, Rupert Murdoch, e vencemos.


Foi o maior negócio da carreira de Murdoch, aumentando o seu império de mídia global em 50% através da aquisição de uma enorme empresa baseada no Reino Unido - a BSkyB. Todos disseram que não poderiam pará-lo, mas os membros da Avaaz pensaram diferente, enviando 668.784 mensagens e fazendo 30.000 telefonemas para os membros do Parlamento Britânico, ações para chamar a atenção da mídia, bem como duas pesquisas de opinião que mostraram uma oposição pública maciça a Murdoch.


A Avaaz também foi a única organização a prometer legalmente desafiar o governo em tribunal, caso aprovassem as negociações de Murdoch. O ministro responsável pela aprovação do negócio ficou tão desconcertado que adiou a aprovação por meses, publicamente culpando a Avaaz. O atraso nos deu tempo para conscientizar as pessoas de um enorme escândalo de corrupção no império Murdoch, até que finalmente o acordo foi cancelado.

Não paramos por aí - nós precisamos reverter a ameaça de Murdoch e, fundamentalmente, reformar nossa mídia corrupta. Membros da Avaaz usaram nossa nova ferramenta para apelar a todos os acionistas das maiores empresas de Murdoch, NewsCorp e BSkyB, criando a maior rebelião acionista da história dessas empresas!

Na Austrália, onde Murdoch controla 70% da mídia impressa - nós ajudamos a derrotar a tentativa de Murdoch para arrebatar um contrato de TV de 223 milhões de dólares de uma emissora pública da Austrália e pressionamos o governo a criar uma investigação de longo alcance sobre Murdoch e a reforma da mídia.

Reproduzido de Avaaz

Leia também no The Guardia, "Why we must cut puppet-master Murdoch's stream"(30/06/2011) clicando aqui.