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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Qual é o sentido da vida? Neil deGrasse Tyson responde a um menino de 6 anos


Qual é o sentido da vida? Neil deGrasse Tyson responde a um menino de 6 anos

O astrofísico Neil deGrasse Tyson fazia uma palestra no Wilbur Theatre, de Boston, quando Jack, de 6 anos, perguntou a ele qual era o sentido da vida.

No vídeo abaixo (em inglês, legendado) vemos que Tyson fica surpreso com a pergunta, mas ao mesmo tempo elogia o pequeno: "quando adulto você terá os pensamentos mais profundos", diz ao menino.

"Acho que as pessoas fazem essa pergunta achando que o significado é algo palpável que possa ser encontrado (...) e não consideram a possibilidade de que o significado da vida é algo que você pode criar", explica. "Para mim o significado da vida é aprender algo diferente hoje, algo que eu não sabia ontem. E isso me deixa mais próximo de conhecer o que pode se conhecer no Universo, só um pouco mais perto, independente do quão distante está o conhecimento total. Se eu não aprendo nada, o dia foi desperdiçado. E por isso não entendo quem entra em férias da escola e diz 'é verão e eu não preciso pensar mais'".

Confira o vídeo:

Reproduzido de Revista Galileu . Luciana Galastri
20 jan 2015

quinta-feira, 26 de julho de 2012

“Mãe, eu quero. Você compra?”


Publicidade para Crianças

“Mãe, eu quero. Você compra?”

Por Rosely Arantes em 24/07/2012 na edição 704

A frase do título, que muitas vezes culmina em uma discussão, tem feito parte do dia a dia da maioria das famílias brasileiras nos últimos tempos. Discutir os limites das crianças frente ao que é apresentado nas televisões, via publicidade, é algo que muitas vezes está além do alcance das mães, pais e até educadores. Não raro vemos matérias, baseadas em pesquisas ou estudos psicológicos, que desvendam os caminhos para a atuação, para não dizer manipulação e controle, sobre o público infantil numa tentativa de reforçar o apelo de compra.

Contrariando um caminho trilhado, há anos, por diversos países com democracias consolidadas, como a Suécia, Alemanha, Austrália, Espanha (Catalunha), Chile, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Portugal e Reino Unido, o Brasil continua permitindo que a publicidade seja direcionada ao público infantil. Mesmo que a criança e o adolescente sejam considerados públicos prioritários pela Constituição brasileira e reforçado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), eles continuam sendo alvo das propagandas e do merchandising, instrumentos da publicidade,que os utilizam como mecanismo de “fidelização” de um futuro consumidor e, ultimamente, definidor de compras da família, numa estratégia de infantilizar o adulto e dar uma ideia de maturidade às crianças, numa troca de responsabilidades vil.

O que é mais estranho é que todas essas ações, que são consideradas violações de direitos, dão-se no espaço público do audiovisual, ou seja, nas rádios e televisões, que são concessões públicas. Para ser mais clara, é de propriedade do Estado o espectro eletromagnético que é temporariamente cedido a determinadas empresas de comunicação. E como parte das regras desta concessão está a atenção ao que já é estabelecida em lei, como informado no parágrafo acima. Como afirma o mestre em Ciência Política, pela Universidade de São Paulo, professor Guilherme Canela, “se o Estado (governo e sociedade) acorda institucionalmente que esse recorte etário merece prioridade absoluta, à mídia não é conferido nenhum salvo-conduto para se escusar de cumprir suas responsabilidades, especialmente porque radiodifusores são operadores de concessões públicas do Estado e da sociedade”.

Programação para todos os públicos

Esse “descumprimento” do acordo entre o Estado e o mercado ultrapassa também outras esferas, como a regulamentação do setor, defendida por organizações da sociedade civil e pesquisadores da área. No Brasil, o próprio mercado publicitário regulamenta toda a publicidade mercadológica por meio do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que estabelece as normas e julga os casos que porventura sejam enviados por entidades representativas ou cidadãos comuns. Para o presidente da entidade, Gilberto Leifert, as tentativas de regulamentação revelam que o Estado não acredita no poder de discernimento do cidadão. “É um evidente paradoxo. Muitas vezes, o projeto de lei ou a intervenção do Estado sugere que o cidadão é considerado plenamente capaz apenas para constituir família, eleger representantes políticos, pagar impostos, mas seria incapaz de fazer escolhas a partir da publicidade”, afirma.

Outra prova da complexidade do que estamos falando se deu com a retirada do programa infantil diário TV Globinho, substituído por um voltado para o público adulto capitaneado pela jornalista Fátima Bernardes nas manhãs na TV Globo. A emissora, que já chegou a apresentar O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Vila Sésamoe Xou da Xuxa, apresentou como argumentação que a grade infantil não dá nem audiência, nem receita publicitária, e diz seguir tendência internacional de deixar as crianças para a TV paga. Segundo a empresa, o canal fechado seria um espaço menos sujeito a controle externo, como classificação indicativa, sugerida pelo governo e proibições à publicidade infantil (como limite à propaganda de alimentos e ao uso de desenhos para seduzir o público-alvo). “O segmento infantil está na TV paga porque lá não tem censura nem restrição à propaganda”, diz Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação. Importante questionar, neste caso, como ficam as crianças que não têm TV paga, já que o lazer e entretenimento também são direitos e a TV é uma concessão pública? Isso sem falar que como concessionária de um serviço público a empresa deve cumprir com o regulamento que prevê programação para todos os públicos.

Direito de ter brinquedo

Mas muitas pesquisas e estudos também são realizados para medir o impacto da publicidade no desenvolvimento psíquico e emocional, atual e futuro, das crianças e adolescentes. E os resultados são alarmantes. Segundo o Instituto Alana, organização não governamental de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes em relação ao consumo em geral, bem como ao excessivo consumismo ao qual são expostas, as crianças são mais vulneráveis que os adultos e sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo, por estarem em pleno desenvolvimento. Para o Alana, são consequências danosas à exposição excessiva a obesidade infantil, a erotização precoce, o consumo precoce de tabaco e álcool, o estresse familiar, a banalização da agressividade e violência, entre outras.

Mas como não se mudam leis e costumes num passe de mágica, algumas tentativas de minar o poderio do mercado e proteger as crianças têm sido realizadas. Cabe registrar que está em tramitação no Congresso Nacional, há mais de dez anos, um projeto de lei que proíbe a publicidade de produtos infantis (PL 5921/01). O texto, de autoria do deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), que faz parte da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, já foi alterado nas comissões de Defesa do Consumidor e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Para o relator, “é necessária uma lei sobre publicidade infantil porque o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) não tem sido eficaz”. Depois que Zimbaldi apresentar o parecer, a proposta seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça em caráter conclusivo.

O anteprojeto encontra bastante resistência por parte do setor empresarial, especialmente o de brinquedos. Para o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), que também é presidente da Fundação Abrinq, Synésio Batista, a publicidade infantil é fundamental já que toda criança tem o direito de ter brinquedo e a publicidade ajuda a aumentar a produção, despertando o interesse e deixando a criança informada, “não se oferece um produto dizendo o que ele não tem”, afirma Batista.

Discurso mágico

Outra forma de quebrar o bloqueio empresarial está na capacidade de organização da sociedade. Já é possível perceber que há intervenção de diversos setores desta na defesa pela regulamentação e isso tem mexido na estrutura de poder e aberto diversas frentes de debates sobre o tema criança e consumismo, especialmente nas redes sociais. Por conta disso, algumas campanhas publicitárias foram tiradas do ar. A mais recente foi o parque Mundo da Xuxa, que foi notificada pelo Procon/SP, e não pelo Conar, que apresentou como justificativa “o potencial de induzir o público infantil a atitudes que gerem risco à segurança e a saúde”. Importante registrar que esta campanha só saiu do ar depois que o coletivo Infância Livre de Consumismo (ILC), junto com outros movimentos e organizações, registrou queixas contra a propaganda. Este é outro exemplo de organização. Já as empresas Nestlé, Mattel, Habib’s, Dunga Produtos Alimentícios Ltda. (Biscoito Spuleta) e Roma Jensen (Roma Brinquedos) receberam as multas, também do Procon/SP, na semana passada, num total de mais de R$ 3 milhões, por campanhas publicitárias abusivas dirigidas ao público infantil. Estas últimas também foram resultado de mobilização de organizações da sociedade civil.

O Infância Livre de Consumismo (ILC) é um coletivo de pais, mães e cidadãos inconformados com a publicidade dirigida às crianças que nasceu como contraponto a campanha “Somos todos responsáveis”, promovido pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP). “Por mais informadas e conscientes que sejam as famílias, os pais não têm como combater um discurso mágico e atraente feito por adultos pertencentes a grandes e poderosos conglomerados empresariais, com alto poder econômico, que detêm pesquisas psicossociais, de mercado e até mesmo neurológicas”, avalia Marina Machado de Sá, publicitária e mestre em Políticas Públicas, uma das fundadoras do coletivo Infância Livre de Consumismo (ILC).

“Atentado à liberdade de expressão comercial”

Já a campanha “Somos todos responsáveis” defende que apenas os pais seriam os responsáveis pela proteção das crianças diante dos estímulos abusivos das propagandas ao consumismo. Para eles é importante, necessária e sadia submeter às crianças à informação. “Se a ideia é proteger as crianças da mídia, não adianta mais desligar a televisão, abaixar o volume do rádio e ficar longe das bancas de jornais”, diz Dalton Pastore, presidente do Conselho Superior da Abap. “A questão é mais complexa e merece uma discussão mais profunda, baseada em educação, e não em proibição”, complementa.

No entanto, atitudes como esta isentam o Estado e o mercado (empresas e publicitários) de quaisquer responsabilidades sobre a publicidade dirigida às crianças. “Nesta relação, fica patente a vulnerabilidade das famílias, da comunidade e da própria criança diante do discurso mercadológico”, alerta Mariana Sá.

Um alerta interessante feito por essas organizações diz respeito aos problemas causados ao meio ambiente. Segundo o ILC, o excesso de propagandas e conteúdo manipulatório dirigidos ao público infantil dificulta a educação cidadã e sustentável e vai contra a formação de um consumidor consciente, justo num momento em que o mundo repensa formas de consumo sustentáveis.

Assim cabe uma reflexão sobre o que está por trás dessa resistência do mercado no diálogo sobre a regulamentação do setor. É importante e urgente entender que isso é uma das pontas do iceberg chamado democratização da comunicação. Tema este que merece ser aprofundado, especialmente para entender o porquê de o discurso mercadológico estar baseado na censura e na defesa da liberdade de expressão. Como bem afirma Gilberto Leifert, a proibição de propaganda infantil é um “atentado à liberdade de expressão comercial”. Num país que acabou de sair de um processo de ditadura onde o calar foi um dos recursos mais (bem) utilizados, qualquer aceno que relembre esse momento é evidentemente danoso, significativo e causa aversão. Segundo o coordenador executivo da organização Andi Comunicação e Direitos, Veet Vivart, “associar a regulação, que é um instrumento democrático, interdita o debate”.

Cúmplices de violações

Daí surge outro debate sobre o porquê da importância dos pais, mães e demais responsáveis pelo cuidado direto de crianças e adolescentes, dizerem “não” aos constantes pedidos de “compra” emitidos por eles. Dizer não além de ser educativo, ajuda a criançada a entender que a vida não é o “céu de brigadeiro” que a TV mostra. Dito isso, é salutar compreender que um dos recursos da publicidade é o de se aproveitar do (grande) tempo que as crianças ficam exposta a programas televisivos, longe da presença de adultos, para impor uma lógica de consumo desenfreado, por meio de técnicas de aborrecimento (onde vencem pelo cansaço), aumento do volume no momento dos comerciais, o uso constante de merchandising, entre outras. Para se ter uma ideia do que estamos falando, as crianças brasileiras ficam até cinco horas na frente da TV, diferentemente de outros países, inclusive os Estados Unidos. No final, temos crianças obesas, sedentárias, doentes e mal informadas, para não aprofundar mais neste debate.

No final, a maioria dos pais e mães que trabalham fora de casa e, portanto, ficam longe de seus filhos, vê-se obrigado a comprar, atendendo aos pedidos insistentes do filho, na tentativa de suprir o tempo perdido. Mas é preciso entender que não se compra tempo, atenção e afeto, especialmente das crianças. Faz-se necessário e urgente refletir e criar estratégias de recompensa desse tempo a partir de momentos de aproximação, conversa, troca e atenção, onde os pais e mães fiquem com suas crianças e promovam momentos de interação com eles. Isso vale muito mais do que um brinquedo, na maioria das vezes caro, que será deixado de lado, em breve. Sem contar que é fundamental avaliar o pedido de compra. Afinal, é algo que vai ser realmente utilizado pela criança, é adequado para a idade, vai ajudá-lo de alguma forma, que habilidades serão desenvolvidas? Porquedo contrário, a velha resposta do “porque agora não tenho dinheiro”, atrapalha por não acrescentar, por não ajudar a pensar de forma sustentável e educativa. O “não” tem de estar embasado em outras motivações.

Importante resgatar que o processo de debate e regulação proposto pela sociedade civil é algo que deve inclusive acontecer dentro da esfera pública do Estado. Afinal,cabe a este ente promover e induzir os processos de garantia de direitos, uma vez que ele é o representante formal, referendado noutro processo democrático de consulta pública.

Por fim, quero lembrar que este é mais um ano de eleições e que estaremos escolhendo a/os nossa/os futura/os representantes à Prefeitura e Câmara de Vereadores. Em dois anos, escolheremos a/o presidente, governadores, senadores e deputados. E quantas vezes procuramos saber qual o plano de governo que eles propõem, nossas demandas de focar as crianças estão contempladas ou mesmo se acompanhamos esses compromissos pleiteados durante a campanha? Acredito que não. Normalmente preferimos nos omitir sob a desculpa de que política é lugar de corrupção, privilégios e impunidade. No entanto, essa postura nos coloca como cúmplice das inúmeras violações direcionadas a população infanto-juvenil brasileira.

***

[Rosely Arantes é jornalista, educadora popular e especialista em Gestão Estratégica Pública]

24 jul 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Situação Mundial da Infância 2012: Crianças em um Mundo Urbano


O processo de urbanização exclui dos serviços essenciais centenas de milhões de crianças que vivem nas cidades, alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no relatório Situação Mundial da Infância 2012: Crianças em um Mundo Urbano.

Segundo o documento, em poucos anos, a maioria das crianças crescerá em cidades e não em zonas rurais. No mundo, o crescimento de cerca de 60% da população urbana está relacionado ao nascimento de crianças em áreas urbanas.

“Quando pensamos em pobreza, a imagem que vem à mente é a de uma criança em uma comunidade rural”, disse o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake. “No entanto, as crianças vivendo em favelas e periferias estão entre os grupos mais desfavorecidos e vulneráveis no mundo. São privadas do acesso aos serviços mais básicos e têm negado o seu direito de se desenvolver.”

“Excluir essas crianças não apenas impede que elas desenvolvam todo o seu potencial, mas também priva as sociedades dos benefícios econômicos de uma população urbana com saúde e educação”, argumentou Lake.

No mundo, as cidades oferecem para muitas crianças a oportunidade de ter acesso à escola, aos serviços de saúde e às áreas de lazer. No entanto, as mesmas cidades são cenários de grandes disparidades em relação à saúde, à educação e às oportunidades.

Em várias regiões do mundo, a infraestrutura e os serviços não estão sendo ampliados no mesmo ritmo do crescimento urbano e as necessidades básicas das crianças não estão sendo atendidas. As famílias em situação de pobreza, muitas vezes, pagam mais por serviços de qualidade inferior. O custo da água para comunidades pobres, por exemplo, pode ser até 50 vezes maior para moradores que compram esse bem de provedores privados em relação aos valores pagos por comunidades vizinhas, que têm acesso ao abastecimento canalizado.

As privações enfrentadas por crianças em comunidades pobres urbanas são muitas vezes obscurecidas pelas médias estatísticas, que não distinguem moradores de baixa e de alta renda das cidades. Quando as médias são usadas para fazer políticas públicas urbanas e distribuir recursos, as necessidades dos mais pobres podem ser ignoradas.

ONU BR, 28/2/20127
Via e-mail Projeto Criança e Consumo/Instituto Alana

Baixe o documento clicando aqui.



Mais informações:

Estela Caparelli
mecaparelli@unicef.org | (61) 3035-1963
Pedro Ivo Alcantara
pialcantara@unicef.org | (61) 3035-1983

quarta-feira, 7 de março de 2012

O jogo do tabuleiro das corporações do mercado e as crianças-peões descartáveis no mundo do consumo


O jogo do tabuleiro das corporações do mercado e as crianças-peões descartáveis no mundo do consumo

Na esteira dessa discussão sobre "consumo consciente", além de observarmos atentamente os  princípios propostos e divulgados sobre tal, faz-se necessário refletirmos sobre a responsabilidade social das empresas, e também de seus próprios princípios dentro dessa lógica do mercado nas relações que todos estabelecemos dentro dessa sociedade tão bem engraxadamente movida nas rodas do capitalismo, e dessa economia de mercado. E, mais adiante, pensarmos séria, sincera e honestamente sobre o que vai nas linhas e entrelinhas dos debates, vozes e intenções que se entrecruzam em direções muitas das vezes opostas sobre que se considera apropriado às crianças.

Creio que esses esforços e alertas de tantos que lutam verdadeiramente para defender os direitos das crianças e adolescentes são justos e, primeiro e importante passo que vai também na direção à crítica a ser cada vez mais aprofundada sobre as várias peças, regras de jogo e sujeitos desse tabuleiro de interesses entre empresas que almejam lucro e criam necessidades, e consumidores de bens e serviços que mal das vezes nem sabem quem e o que estão ganhando ou perdendo de sua dignidade humana dentro de uma lógica de explícita exploração. Às vezes, exploração da boa-fé e confiança dos consumidores adultos, e da inexperiência e ingenuidade próprias de crianças e adolescentes ante o discurso "consumista" do mercado e da publicidade em geral.

O que pode vir de meias ou falsas verdades embutidas dentro de muitos discursos que se fazem por aí é matéria para intenso debate e, com certeza, esforço por regulação de leis por aqueles que, por dever, se encontram em posição de proteger em especial os direitos de crianças e adolescentes. Quando mesmo entre a classe política/legislativa e judiciária vemos prós e contras duvidosos nesse proteger de verdade o que às custas de muita dedicação se conseguiu historicamente garantir aos cidadãos - como o Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA e a própria Constituição Federal - resta àqueles que defendem a dignidade nas relações humanas nos diversos planos da vida a lutar mesmo, cotidianamente pelos "reles" peões vistos tão somente como consumidores (de preferência a-críticos e alienados) pelas corporações que detêm o controle de quase tudo em suas mãos. Estes que, quase sempre se escondem por detrás na linha das figuras social-economicamente privilegiadas como reis, rainhas, bispos, cavalos e torres sugerindo os poderes constituídos a controlar as regras. Estes que, através de todos os seus aparatos e braços manipulando, se posicionam invariavelmente apenas para que se defendam os privilégios dessas classes abastadas e exploradoras das massas.

Se os peões descartáveis dessa massa consumidora é que estão na linha de frente, animados a comprar, gastar, consumir e avançar freneticamente casa a casa, pagando suas contas e tributos com (in)consciência ou não de seus direitos humanos (inalienáveis na teoria), enquanto em pompa e circunstância só se defendem os privilégios (desumanos na prática) dos que detêm posições que deveriam ser de implementar as noções de uma ética universal - e por que não de amor ao próximo - a construir uma sociedade de justiça, será na luta pela cidadania contra a opressão/exploração que veremos a grande diferença entre o que seja “viver bem”, cercado e pagando caro por coisas que o mercado/tributação nos empurra goela abaixo, e “bem viver”, rodeado por seres humanos co-existindo na plenitude e dignidade de seus direitos.

Não é que todos nascemos dotados de razão e consciência, e que devemos agir em relação uns aos outros com “espírito de fraternidade”? Não é isso que foi escrito, assinado e proclamado na Declaração Universal dos Direitos Humanos por tantos homens e mulheres de todas as partes do mundo, por ter sido percebido como condição primeira e suprema para a tal liberdade como seres? “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, e têm consciência disso nessa sociedade de consumo? Que dignidade temos nessa roda de morte de produção de coisas que, custe o que custar, significativa “humanidade” paga para morrer à cada dia enquanto mínima parte da população “vive bem”, obrigado, obrigando os demais a atenderem prontamente às suas necessidades e imposições de “donos do mundo”?

Nesse jogo com essas regras de mercado mandando em tudo, e des-regulações e desrespeito a leis que protegeriam a todos, é onde temos percebido que crianças e adolescentes perdem sua infância e juventude, adultos reproduzem as antigas escravidões disfarçadas em empregos/trabalhos assalariados, e mega-corporações em todas as instâncias e castas dos poderes constituídos ganham rios de dinheiro em cima dos discursos enganadores, falaciosos, demagógicos, mentirosos enfim. Nessa lógica de coisa e coisificação de tudo e de pessoas, o “poder” outorgado a “representantes do povo” que poderia libertar a todos para o “bem viver” se reduziu a “desmandos” de uma classe arrogante e egoísta que destrói tudo para construir apenas para si mesma.

O que é isso, de forçar e ter as crianças se digladiando entre si, nas casas, escolas, ruas e shoppings para possuir o que não seja a dignidade delas mesmas? O que é isso de bancos que lucram bilhões ao redor do mundo patrocinando programas "infantis" e (de)formadores de opinião a ensinar como investir a mesada? O que é isso de, deliberada e descaradamente, iludir as novas gerações a ingressar pelas vias dos bancos escolares e bancos de dados distribuídos em mil aparelhos e aparatos à educação e comunicação “bancária”? O que é isso de bancos mundiais promoverem a bancarrota e a fome de justiça generalizada entre povos controlados pelas polícias e exércitos que massacram os que saem às ruas para exigir sua dignidade roubada? Desde quando as crianças têm sua infância também roubada, a começar pelos pais e (i)responsáveis que não têm consciência nenhuma, ou fingem não ter noção do que se passa ao redor de suas casas abarrotadas de contas a pagar?

Se para o mundo dos negócios consumir "é preciso", e técnicas requintadas de persuasão são elaboradas desde as escolas de marketing e publicidade servindo aos interesses dos manipuladores do mercado, inclusive mais contemporaneamente com apoio e consultoria de neurocientistas, psicólogos e pedagogos , por exemplo, faz-se necessário parar e pensar sobre princípios mais elevados a pautar as relações humanas que meros interesses de mercado/consumo, e talvez aventar conceitos não tão novos assim que nossa sociedade precisa mais que nunca de que se "faça ao próximo o que se gostaria que se fizesse a nós próprios".

Essa é a Regra de Ouro de tantas tradições espirituais que, nesse mundo do consumo desenfreado, parece ter quase se perdido de vez...

E, se nós mesmos esquecemos disso, que as crianças e adolescentes do aqui e do agora não sejam privadas de sua voz e sonhos de meninice acossadas que são pela propaganda e publicidade dirigida a elas. A tradução desse insano frenesi em que se metem muitas crianças de hoje não seria à nossa percepção um grito de socorro por uma infância que lhes é retirada sem compaixão nem piedade, impunemente?

Não é possível crer que não haja alternativa nesse jogo do tabuleiro das corporações do mercado e, as crianças sejam os peões descartáveis no mundo do consumo. Criança não é coisa, nem é só nicho de mercado, nem adulto miniaturizado. Criança é um sujeito de direitos, um ser humano em evolução por mil atos e atitudes de seu brincar re-criando formas nessa vastidão universal que muitas das vezes, e infelizmente, lhe é retirada de vista pelas mil necessidades que lhe foram criadas a entorpecer a percepção pelas propagandas e publicidades enganosas nas brincadeiras, salas de aula, telas e em tantos cenários artificiais de sua vida reduzida ao que o mercado interessa vender. Nesse mundo de fazer contas do consumismo, quem é que é (in)consciente?

Há que se refletir mil vezes os discursos que falam de 99 verdades e empurram uma mentira de cada vez, ou 99 mal-entendidos e distorções que se colocam em meio a uma verdade fazendo brincadeira de mau gosto com a (in)consciência das gentes no xadrez de preto no branco de leis, portarias, certificados, artigos, livros e notícias que (des)informam e formatam os planos de nossas relações no mundo.

Regulem-se as leis, protejam-se os meninos e meninas e, de minha parte desejo a eles e elas que joguem esse tabuleiro pelo ar, e re-movam-se as peças re-colocando-se os poderosos dessa entristecida sociedade na linha de frente a defender os direitos, e as alegrias delas. Por ética e amor, há que se sustentar isso - consciente e ativamente - no mundo do bem viver, e que a mais pura e perfeita alegria das crianças seja a medida de todas as coisas. E, que por seu grito de amor e de socorro venha a re-evolução dessa espécie que escolheu numa brincadeira, sem graça nenhuma, o umbigo para ser o centro do universo.


N

Leo Nogueira – O Nawta
Reproduzido do Blog Telejornais e Crianças no Brasil: a ponta do iceberg

Foto (invertida): O Peão Vitruviano da Grow . Da Vinci inspirou os boardgames

Leia também:

"12 princípios do consumo consciente"  proposto pelo Instituto Akatu clicando aqui.

Leia também "Sustentabilidade Infantil: como as marcas veem os consumidores do futuro", por Fernanda Salem do Mundo Marketing clicando aqui, e reflita sobre o tema abordado no artigo.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Salve a imaginação de seu filho: "Que sonhos terá no futuro uma criança que hoje tudo tem?


Salve a imaginação de seu filho

Crônica
Bruno Astuto
Época
08 jan 2012

Meu afilhado de 11 anos tem dois iPads e um notebook: no notebook, ele se diverte num joguinho de construção de uma cidade; enquanto isso, em cada iPad, ele conversa por vídeo com dois amiguinhos que estão ligados no mesmo joguinho, disputando com ele o tal tesouro que eles vêm perseguindo há 45 dias.

Numa roda de crianças — de famílias abastadas, claro — entre 8 e 11 anos, observei que não havia nenhuma que não tenha ido pelo menos duas vezes à Disney, Nova York e Paris. Elas discutiam sobre lojas, restaurantes e a qualidade dos hotéis. Uma delas disse que não queria mais ficar com os pais no SoHo, “porque é muito longe da loja da Apple”. Todas viajam de classe executiva.

Houve um tempo em que os pais ainda eram normais e comemoravam um ano de seus bebês (porque criança de um ano, pasmem, ainda é um bebê) com um almoço em casa para as famílias, os padrinhos e os amigos muito chegados. A criança aparecia, todo mundo dizia ‘que gracinha’, logo ela pegava no sono e todo mundo voltava para casa feliz.

O que rola agora é uma verdadeira competição para ver quem dá o maior espetáculo. Os temas continuam os mesmos, fora algumas inovações: Cinderela, Mickey, Teletubbies, zoológico. Mas quando eu recebi o convite para a festa de dois anos de uma menina com o tema Hannah Montana, confesso que gelei. O que uma criancinha de dois anos entende de Hannah Montana?

Aniversário de criança hoje não precisa ter mágico, palhaço, carrocinha de pipoca e hambúrguer, até porque ninguém daria a me-nor bola para eles. Bom mesmo é o Wii, aquele jogo virtual interativo, com partidas de tênis, lutas de boxe, corridas de carro. A mesa de doces, não preciso dizer, tem que ter atrações suficientes para matar a fome na África. Ninguém brinca de pique, ninguém pula amarelinha, as meninas se distraem se empetecando num estúdio de make-up, onde fazem maquiagem com uma profissional de um badalado salão de cabeleireiro.

Escorrega, balanço, gramado? Nem pensar. A moda são as cápsulas que catapultam as crianças às alturas, trenzinhos de verdade e simulador 3D de batalha espacial. O decorador tem que ser grifado, bem famoso mesmo, assim como a moça que faz o bolo e o bufê.

Esqueça a época em que passávamos noites em claro enrolado brigadeiro e colocando o amendoim no cajuzinho ou fazendo os enfeites para decorar a casa para o grande dia. Sem tempo, as mães alugam uma casa de festas, que já apresentam um pacote completo de decoração, que se repete em outras festas. As outras mães mandam as babás, que comentam atrocidades. “Ih, a da Dona Fulana tava bem melhor, bem mais rica”. E correm para contar tudo às patroas, ávidas pelos detalhes.

Uma sessão de fotos comandada por um fotógrafo bem careiro é programada para momentos antes da festa, antes que o aniversariante cisme de sujar sua roupa Baby Dior, tudo bem espontâneo e natural. Na pista de dança, luzes de boate, globo espelhado e bastante fumaça de gelo seco. E veja bem: estou contando o que vi numa festa de aniversário de um aninho, não de um rapazote de 18 anos. O menininho, claro, dormiu a tarde toda. E chorou muito, assustado com a multidão, na hora dos parabéns.

Volto a esse tema porque uma leitora da coluna me abordou outro dia depois de ler uma crônica sobre um aniversário de criança a que fui recentemente no Rio e radicalizou: cancelou o bufê infantil, pagou uma fortuna de multa e fez a festa da filha de três anos em seu apartamento, como se fosse uma pessoa normal, só com alguns amiguinhos realmente chegados (da criança), os pais e os irmãos dela e do marido — e sem mais.

É claro que a filha não terá no álbum o registro de uma festa nababesca que homenageou seus três anos, mas, pelas fotos, a festa me pareceu uma tarde bem feliz, cheia de emoções e momentos deliciosos.

Nem tudo na vida precisa ser inesquecível e impactante — que tal ser apenas gostoso? Que sonhos terá no futuro uma criança que hoje tudo tem? Como será a criatividade desse futuro adulto que pouco espaço teve para desenvolver a imaginação? O apreço pela simplicidade — e o simples não significa o medíocre — é uma lição que se aprende desde cedo, e é bom que seja ensinada logo na maternidade, porque o tombo lá para frente costuma ser feio.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Semana Mundial do Brincar no Espaço Imaginário de Campo Grande/MS


"Todo o universo que compõe o imaginário da criança reúne desde os aspectos históricos e sociais até as tecnologias de educação e comunicação mais atuais, e passam necessariamente pelas brincadeiras em suas diferentes formas e pela arte criada por elas e para elas", por Lydia Hortélio.

Queridos amigos, pais, crianças e brincantes de todas as idades.

A rede ALIANÇA PELA INFÂNCIA, em parceira com várias instituições de Campo Grande, está promovendo um GRANDE movimento pelo BRINCAR que começa neste sábado (21 de maio de 2011) no ESPAÇO IMAGINÁRIO em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e se estende até o dia 28 com atividades gratuitas em diversos locais da cidade.

Entrada Franca

O Espaço Imaginário é um Centro de Cultura da Infância que propõe a convivência da criança com a sua essência criativa e saudável, oferecendo atividades lúdicas integradas à natureza, à arte, ao corpo e as brincadeiras tradicionais brasileiras.

Confira a programação completa no novo site do Espaço Imaginário e apareça! 

Siga também o Espaço Imaginário no Facebook e Twitter.

domingo, 3 de abril de 2011

Declaração de Amor aos Direitos das Crianças


E, tendo toda a meninada assentado ao pé da Árvore, Aquela Criança disse, toda sorridente:

A todas as Crianças do Universo de Luz do Criador é feita esta Declaração, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação.

01 . Toda Criança tem direito ao Amor, Compreensão, Diálogo e Carinho de seus pais ou responsáveis, à Alegria, Paz, Amizade, Solidariedade e Liberdade para viver a Vida e, ainda tem direito à...

02 . Acordar, na Segunda-feira, depois de um super fim-de-semana com preguiça de ir à aula...

03 . Comer todas as guloseimas que encontrar nas mesas e armários de casa...

04 . Acreditar nos Anjos-de-Guarda, nas fadas-madrinhas, nas lendas, histórias e tradições de seu povo, com doce e pura ingenuidade...

05 . Orar, de maneira singela e meiga, ao Deus Amantíssimo que escolheu para si...

06 . Andar descalça, ou sujando as meias pela casa inteira...

07 . Empinar papagaios, pipas e pandorgas nos dias de ventos bons...

08 . Deliciar-se com o perfume das flores nas praças e nos caminhos...

09 . Encantar-se com o vôo divertido das abelhas e borboletas no jardim...

10 . Jogar futebol no campo improvisado, e brincar de boneca nas casinhas...

11 . Deitar-se no chão, cruzar os braços atrás da cabeça e adivinhar nomes e formas para as nuvens...

12 . Pegar os lápis de cor e rabiscar e desenhar as coisas mais lindas que lhe vierem à cabeça...

17 . Correr na enxurrada da chuva, jogando água para todos os lados e cantar para o arco-íris...

18 . Perguntar o por quê das coisas e querer entender o significado da vida...

27 . Pisar na grama e subir nas árvores, apesar das placas enferrujadas dizerem que não é permitido fazer isso...

33 . Ter uma casinha de madeira nas árvores...

34 . Tirar meleca do nariz e fazer bolinhas...

39 . Ser compreendida e orientada por seus mestres e professores com afeto e devoção...

40 . Sentar-se no portão de casa, e esperar o carteiro com boas notícias para seu coração...

44 . Querer abrir as jaulas e soltar todos os animais do jardim zoológico...

45 . Ser ouvida com respeito antes das decisões que a família tomar...

48 . Morrer de rir das trapalhadas dos palhaços do circo...

49 . Sentir saudades, cheias de lágrimas, de amizades e pessoas queridas que morreram ou partiram para bem longe...

67 . Solicitar um tempo especial dos pais a fim de partilhar suas conquistas, frustrações, experiências e sentimentos...

72 . Questionar os adultos se lhes parecer que estes estão desrespeitando seus direitos, amores, aspirações, alegrias, sonhos etc.

73 . Contar as estrelas da noite e fazer um pedido de Amor, Alegria e Paz se um cometinha colorido lhe aparecer no céu e, sorrir...

Leia o texto completo da Declaração de Amor aos Direitos das Crianças na Ciadapaz clicando aqui.

Conheça  a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, UNICEF (1959) clicando aqui, a Convenção sobre os Direitos das Crianças, ONU (1989) clicando aqui, e o Estatuto das Crianças e Adolescentes, ECA Brasil (1990) clicando aqui.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Crianças de Gaza se atrevem a sonhar


Apesar do trauma causado pelo sítio, pelos frequentes ataques israelenses e pelas consequências de uma sangrenta guerra, meninos e meninas de Gaza ainda sonham com parques e zoológicos.

Por Mel Frykberg
13 de janeiro de 2011

Apesar do trauma causado pelo sítio, pelos frequentes ataques israelenses e pelas consequências de uma sangrenta guerra, meninos e meninas de Gaza ainda sonham com parques e zoológicos. Islam Mqa’t, de nove anos, passou várias semanas escondida junto com 150 amigos, familiares e vizinhos em um apartamento do bairro Al Zarqa, enquanto aviões de Israel bombardeavam e matavam civis do lado de fora. A Operação Chumbo Derretido das Forças de Defesa Israelenses, lançada entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, deixou mais de 1.400 palestinos mortos, a maioria civis, e entre eles 300 crianças.

Da janela, Islam podia ver os mortos e feridos na rua. Centenas de pessoas de Al Zarqa morreram no bombardeio. Ela ainda tem vivas lembranças. “Quando ouço o som dos aviões, me assusto. Tenho medo de que os israelenses comecem a nos bombardear e de ver mortos nas ruas outra vez”, disse à IPS. Entretanto, como milhares de outras crianças neste enclave costeiro, mostra capacidade de superação e se atreve a sonhar com um futuro melhor.

“Quero ser médica para ajudar a salvar pessoas. Sonho com a paz. Em minha imaginação vejo uma Gaza pacífica, com crianças brincando e estudando. Vejo um zoológico, parques bonitos e cisnes”, disse Islam. Seus sonhos foram traduzidos em desenhos. Vários meninos e meninas de Gaza participam de uma exposição de arte organizada pela Oxfam. Dez dos melhores desenhos serão publicados em cartões postais que serão enviados a políticos de vários países.

Leia o belíssimo texto completo na Revista Fórum clicando aqui

terça-feira, 21 de dezembro de 2010