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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cristian Góes: E-coronelismo, o poder da mídia e a mídia do poder



Cristian Góes: E-coronelismo, o poder da mídia e a mídia do poder

Nos debates sobre democratização dos meios de Comunicação no Brasil uma expressão é quase obrigatória: coronelismo eletrônico. Ela representaria a síntese de uma política atrasada, autoritária e concentradora que envolve, em sua essência, a terra, o Estado, as relações econômicas e o conjunto de comunicação nos espaços do poder.

Por José Cristian Góes*

“O poder de controlar o fluxo de informação é o poder de controlar a forma como o povo pensa”.Oliver Stone, diretor de cinema.

O coronelismo ainda é uma dura realidade nas estruturas locais e regionais e a face da comunicação nesse esquema é fundamental para a construção e manutenção da hegemonia dominante, isto é, uma visão majoritária de uns poucos imposta como “verdade” para muitos.

Apesar de fortemente enraizada no Nordeste brasileiro, fruto do surgimento das figuras históricas dos coronéis, o coronelismo eletrônico reflete hoje mais a ação do poder em si, isto é, o modus operandi, a forma e os princípios de atuação de figuras e grupos, do que algum conceito restrito as delimitações geográficas. Assim, não é de todo estranho falar em coronelismo eletrônico tanto no Nordeste, quanto em qualquer outra região no País. O que pensar, então, dos Câmara, em Goiás; dos Sirotsky, no Sul; dos Barbalho e Maiorama, no Norte; dos Marinho, Saad, Macedo, Abravanel, no Sudeste?

É claro que se os coronéis nordestinos já rejeitam, de certa forma, esta patente, os coronéis do asfalto não admitiram tal comparação. Para atendê-los, intitulamos de e-coronel.

Fundamental assegurar que, não obstante o termo coronelismo remeter ao Brasil da chamada Primeira República (1889-1930), - ou até antes - esse fenômeno continua bastante atual e com configurações contemporâneas, modernas, digitais. O coronelismo eletrônico se consolidou e se sustenta tanto por um arcabouço político-legal, que parece sedimentado nas estruturas dos poderes no Brasil, quanto por um amplo sistema de mídias – de suas propriedades - que mantêm o ideário hegemônico dominante. Certamente a 1ª Conferência Nacional de Comunicação no País vai, necessariamente, chegar a esse debate.

FACES DESSE PODER

Antes mesmo de analisar as condições do coronelismo eletrônico hoje, é fundamental compreender, de forma bastante resumida, sobre as faces do poder. Sabemos que as primeiras manifestações de poder estão relacionadas à força física. Tinha poder apenas quem tinha força e vice-versa. A submissão e o controle impostos pela minoria sobre a maioria se davam pela ação física. A palavra não contava para se determinar quem dominava quem.

Quando o homem percebeu que dois ou mais dos seus são mais fortes que apenas um, questionou-se, então, o poder da força apenas pela força. Não era mais ela sozinha que determinava o comando e a imposição da visão totalitária. Assim, o poder da força recorreu ao sobrenatural e ao divino para resolver as disputas. Além da força, o poder é também uma dádiva suprema de “Deus”. É Ele quem diz que um homem tem ou não o poder de mandar e os demais de obedecer. O estágio da teocracia na humanidade fundamentou a naturalidade dos poderes de reinados e governos.

Vale lembrar que conceitos como dízimo, céu e inferno, além de muitos outros também vêm desse momento histórico, lá das civilizações mesopotâmicas, passando pelos reinados da Idade Média. Qualquer ser vivente que não temesse e fielmente cumprisse as determinações de governantes instituídos diretamente por Deus teria como fim o fogo mais ardente do inferno, ainda em terra. Vide as inquisições. Milhões foram mortos pela força e vontade do “Deus Celeste”, manifestada pelos soberanos em terra.

Mas os questionamentos ao absoluto poder divino que recaía apenas somente sobre as cabeças de monarcas produziram a superação, em parte, da teocracia. Montesquieu, no século XVIII, crítico do poder absoluto, sacramentou em seu “Espírito das Leis”, a idéia de que o poder vem do Estado e está dividido entre três esferas: Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos os homens devem estar enquadrados pelo Estado e suas leis, caso contrário, seriam o poder da força do próprio Estado.

Perceba que apesar do aspecto divino e, depois, com o surgimento do Estado moderno, a força física estará sempre presente. Esse poder – seja pela força dos músculos, seja pela dádiva celeste e pela força das leis – busca a hegemonia de uma classe dominante. As “instituições”, frutos desses poderes estão aí para fundamentá-lo, garanti-lo, mantê-lo, inclusive pela força. Em outras palavras, o poder continua existindo basicamente como força – forças armadas, polícia, conjunto de lei, aparelho judiciário e seus agregados, agentes da Fazenda e de outras áreas do Estado. A mídia é também componente vital na idéia de poder-força. É através dela que se estabelece a construção do consenso da normalidade pacífica da dominação de classe.

MEDO, LIMITE E CONSENSO

Nesta rápida e incompleta passagem pelas faces do poder, três componentes fundamentais são elos em todos esses momentos: o medo, o não limite e a construção de consenso hemegônicos. Não há poder sem medo. Seja pela força, pelo convencimento que o poder vem de Deus ou que é fruto da lei, o medo é peça-chave para tentar compreendê-lo. É o medo de perder, de ser punido, de ser expulso ou excluído da comunidade, o medo da morte, das conseqüências da ação do poder-força. Ele modela a ação do indivíduo e da comunidade. As complexas relações de poder e medo se estabelecem em todas as situações sociais, seja no micro ou no macro espaço.

Outra característica do poder é sua condição de não estar limitado, ou pelo menos, não querer ser limitado, ter amarras e obstáculos que possam dificultar toda sua ação de controle. Basta ver o capital e sua necessidade que tem de acumular e circular sem quaisquer limites. E, como já apontado anteriormente, poder tem uma relação de essência com hegemonia, com a construção de consensos, com a fabricação de verdades despejadas para manter o quadro de dominação. É aqui que o sistema de mídias ocupa papel central nessa discussão sobre o poder.

Ocorre que numa análise mais geral, podemos enquadrar, sem nenhum constrangimento e nem medo de errar, os coronéis nordestinos – tanto os mais antigos quanto os novos -, por exemplo, como aqueles que detêm o poder com uma peculiaridade. Ainda hoje, em plena supremacia de sistemas eletrônicos e da virtualidade, tragicamente, eles reúnem num mesmo composto os aspectos mais aparentes do poder-força ao longo da história. A concentração desses aspectos nos coronéis é fundamentada na história do Brasil e sustentada pelo conceito de propriedade e controle oligopolizado dos meios das engrenagens políticas, econômicas e sociais, entre elas e fundamental, a mídia.

“O poder dos coronéis teve início no período colonial quando fazendeiros recebiam a patente militar para cumprir o papel de autoridade estatal nas regiões de difícil acesso, compondo a Guarda Nacional. A partir da instalação da chamada Primeira República (1889-1930), estes coronéis incrementaram sua estrutura de poder baseados num sistema eleitoral que não previa a votação secreta. A dependência dos trabalhadores rurais em relação aos coronéis e a possibilidade de conferência dos votos criaram uma situação na qual o ‘voto de cabresto’ era praticamente obrigatório. Desta forma, os coronéis municipais se aliavam às oligarquias estaduais, representadas principalmente pelos governadores, e estas ao Governo Federal, numa intensa rede de favores”. (SANTOS, 2006).

CORONELISMO HOJE

Esse quadro apontado por Suzy dos Santos mudou? Muito pouco ou quase nada. Talvez os mecanismos de poder se sofisticaram. A farda deu lugar ao terno, o cavalo deu lugar a jatinhos, a fazenda se modernizou, o negócio do campo ganhou multipossibilidades, globalizou-se e chegou ao asfalto e ao mundo virtual. No entanto, a essência continua: a propriedade e concentração das terras, o controle do Estado, da economia e da comunicação. Tudo isso sob a base dos interesses privados, com troca de favores, clientelismo, patrimonialismo, nepotismo. O fim do controle hegemônico justifica qualquer meio.

“A história brasileira mantém viva a imagem dos coronéis desde o período colonial, adquirindo, a cada etapa, novas distinções por serviços prestados. (...) se a modernização foi vista como uma ameaça a essas práticas, os coronéis vêm demonstrando uma enorme capacidade de sobrevivência, mesmo em governos ditos populares” (SANTOS e CAPPARELLI, 2006).

Os braços desse e-coronelismo se concretizam hoje num tripé evidenciado no monopólio econômico, político e de mídia em seus âmbitos locais e regionais. No que pese a urbanização da vida, os coronéis detêm o poder sobre as terras. No Nordeste, por exemplo, são amplas as propriedades tomadas pelos canaviais, fazendas de gado e imensos latifúndios improdutivos. Mas esse controle econômico ultrapassou as fronteiras agrícolas e hoje, em alguns casos, modernizadas pelas ações do agronegócio, chegou ao asfalto com indústrias, comércios e comunicação.

Não é por acaso que grandes latifundiários nordestinos também espalharam seus “negócios” em indústrias de bebidas, de alimentos, empreiteiras e construtoras, shopping Center, concessionárias de veículos, entre outros ramos. O Grupo Paes Mendonça, em Pernambuco, é dono de terras, indústrias e seis shoppings, jornais, portais e emissoras de rádio e TV, espalhados em vários estados nordestinos. Assim e de forma idêntica são os grupos ACM (Rede Bahia), na Bahia; Franco e Alves, em Sergipe; Collor, em Alagoas; Garibaldi Alves e Agripino Maia, no Rio Grande do Norte; Sarney, no Maranhão; Grupo Calmon e outros, na Paraíba; Jereissati, no Ceará; Pereira e Alves, no Piauí.

Além do controle do aspecto econômico e do monopólio dos meios de produção: terra, indústria e comércio, o coronelismo eletrônico tem a segunda perna sedimentada na estrutura política. Estão presentes desde as capitanias hereditárias no controle de partidos políticos, governos, Legislativos, Judiciários, associações de classe e igrejas. Em razão da ocupação dos espaços econômicos, logo assumiram os partidos políticos apenas como um instrumento ideológico e legal de chegar aos poderes institucionais nas prefeituras, Câmara de Vereadores, Assembléias Legislativas, Governos de Estados e no Congresso Nacional.

Apesar de 21 anos depois da Constituição Federal de 1988, onde, em tese, delimitaram-se com clareza os campos privados e públicos na sociedade e em função da ação de Estado, a ação cotidiana coronelesca não permite essa separação. O que valem, na concepção do coronelismo eletrônico, são os interesses privados e o controle de poder. A administração pública estaria aí para beneficiar os interesses desses grupos, os interesses do capital. Prefeitos, governadores, legisladores, magistrados seriam agentes para o atendimento desses interesses, com vista à ampliação e proteção ao patrimônio privado.

São ainda muito comuns, por exemplo, a contratação no serviço público da parentada sem a menor cerimônia. Obras e serviços públicos são realizados por suas próprias empresas. Dão nomes a prédios e espaços públicos com “homenagem” a suas mulheres e filhos. Mobilizam os recursos públicos para que beneficiem suas fazendas, suas indústrias e comércios, e as suas empresas de comunicação. Ora, se a terra é privada, tem dono; se a indústria, o comércio, os meios de produção são privados, se o Estado é instrumento para o privado, a comunicação também é ação privada. Essa história de concessão pública dos meios de mídia, na prática, não funciona. Os meios têm donos e não há limites para eles.

NORMALIDADE PACÍFICA

Com o controle dos meios de produção – a economia, e dos meios de poder institucional – a política, o e-coronelismo ganha contornos que parecem de eternidade quando ele assume, controla e oligopoliza os meios de comunicação, fechando o círculo privado da dominação. Observe que as pernas dessa estrutura estão profundamente interligadas. É o coronel dono da terra, que detém a indústria e comércio, que detém o poder em todas as esferas do Estado e que passa a controlar com o mesmo espírito de “dono” os meios de comunicação – jornais, rádios (inclusive as comunitárias), sites e principalmente a tv. Talvez essa perna da comunicação seja uma das principais hoje porque é ela quem constrói o consenso sobre a vida da maioria, impede transformações, pacifica a normalidade do status político, econômico e social.

A relação entre mídia e poder é absurda. Não é por acaso e nem por mera coincidência que, no Brasil, segundo levantamento do site Donos da Mídia, são 271 políticos com mandato que aparecem como sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. Estes números não levam ainda em conta os resultados das eleições municipais de outubro do ano passado. A Agência Repórter Social realizou uma pesquisa no banco de dados dos Tribunais Regionais Eleitorais e descobriu que um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio 2007-2010 controlam rádios ou televisões. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o senador Garibaldi Alves (PMDB), que foi presidente do Senado, é dos de várias emissoras de tv e rádio e uma delas, curiosamente, chama-se “Trampolim da Vitória”.

César Veiga Arruda apresentou um trabalho em 2006 onde ele aponta que “o Brasil é profundamente marcado pela prática do coronelismo eletrônico que teve como marco o regime militar nas décadas de 60/70 que o utilizou como moeda de troca para saldar dívidas políticas com os que apoiavam a ditadura. Assim, numa ponta, concessões de rádio e TV há muito são usadas como escambo para compra de apoio no Parlamento. Na outra, perpetuam o poder econômico e a influência social de seus beneficiários que são ainda brindados com um instrumento de fantástico potencial eleitoral: um excelente e virtual palanque eletrônico”.

Quem não se lembra da farra de distribuição de “concessões públicas” de emissoras de rádio e tv no Governo Sarney? Apenas em três anos (1985 a 1988), o então presidente concedeu 1.028 concessões de emissoras de rádio e TV. Pelo menos 168 foram entregues a parlamentares que o ajudaram a aprovar a emenda que lhe deu cinco anos de mandato. O ministro das Comunicações era exatamente Antônio Carlos Magalhães, que foi indicado para o cargo pelo então Roberto Marinho, dono da Rede Globo. E para passar o projeto de reeleição de FHC, como foi? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso distribuiu, por portaria do Ministério das Comunicações, as estações retransmissoras de televisão que podiam ser entregues aos aliados sem necessidade de aprovação do Congresso. Em setembro de 1996, outorgou 1.848 licenças de RTVs, das quais pelo menos 268 beneficiaram entidades ou empresas controladas por 87 políticos. A generosidade coincidiu com a aprovação da emenda constitucional que permitiu a sua reeleição. São os coronéis da Colônia, da República Velha, que se consolidaram na Ditadura Militar e que navegam com desenvoltura nos esquemas de poder ainda hoje.

A jornalista Andréa Vianna é certeira ao tratar por coronelismo eletrônico: “Um dos traços determinantes do poder oligárquico nacional é a propriedade de estações de rádio e televisão por grupos familiares e pelas elites políticas locais ou regionais. A ciência política trata como “coronelismo” a relação entre os coronéis locais, líderes das oligarquias regionais, que buscavam tirar proveito do poder público, no século XIX e no início do século XX. Hoje, não há como deixar de se associar esse termo aos atuais impérios de comunicação mantidos por chefes políticos oligárquicos, que, por isso mesmo, acabam exercendo forte influência nacional. O compadrio e o patrimonialismo modernizaram-se com o recurso dos meios de extensão do poder da fala: o rádio e a televisão”.

“O grupo de José Sarney detém emissoras de rádio e televisão que cobrem 80% do território maranhense – um fenômeno típico do Norte e Nordeste. Segundo o Ministério das Comunicações, o grupo tem 04 emissoras de televisão que retransmitem a Rede Globo (afiliadas da TV Globo em São Luís, Imperatriz, Santa Inês e Codó), 14 emissoras de rádio (FM e AM), controlam o jornal diário de maior circulação, O Estado do Maranhão, é beneficiário direto e indireto de 21 RTVs – é o Sistema Mirante de Comunicação – “o mais notável exemplo de gestão da informação. (...) Possui ainda o Sistema Meio Norte de Comunicação, que se estende no Piauí onde publica o jornal Meio Norte, e repete a programação do SBT, a partir de Timon. O império funciona sob o comando de Fernando Sarney, filho de José Sarney, e de sua mulher, Teresa Murad, que é irmã do marido de Roseana Sarney. O governo estadual destinava 64% da verba publicitária televisiva às empresas da família Sarney, apontou o repórter Maurício Lima. José Sarney não tem seu nome incluído no cadastro de concessionários de emissoras de rádio e televisão do Ministério das Comunicações”. (ARRUDA, 2006)

Se em um dos maiores estados em termos territoriais no Nordeste a situação é essa, imagine no menor. Em Sergipe, praticamente todos os veículos de comunicação que absorvem quase a totalidade dos meios pertencem a dois grupos: Franco e Alves/Amorim, comandados por dois ex-governadores que se revezavam no comando do Executivo nos últimos 40 anos. Das quatro únicas emissoras de tv abertas (consumida por 90% de toda população) duas são dos Francos (Globo e Record), uma é da igreja Católica (Canção Nova) e uma do Governo do Estado. Os Francos ainda detêm o maior jornal diário, emissora de rádio e portal na internet. Os Alves (família) têm jornal diário e emissoras de rádio espalhadas pelo interior que chegam a cobrir quase 100% de todo Estado. Alves/Amorim e Franco detêm amplas terras, cana-de-açúcar, indústrias e construtoras.

O Governo de Sergipe gasta, numa média histórica dos últimos dez anos, cerca de R$ 40 milhões, por ano, com a mídia local. Diretamente João Alves Filho e Albano do Prado Franco governaram Sergipe por 16 anos e nesse período todo enviaram em linha direta os vultosos recursos públicos para as suas empresas de comunicação. Tudo “dentro da maior normalidade possível”. Nenhum, absolutamente nenhum órgão de controle institucional local foi movido para questionar essa aberração. Mesmo depois de uma alternância de grupo político, com a eleição do prefeito Marcelo Déda (PT) para governador, esse quadro não mudou muito. A diferença é que o atual governador não é detentor de veículos de comunicação, mas os vultosos recursos públicos continuam a ser canalizados para os veículos de comunicação dos velhos e novos coronéis locais.

“A família e alguns aliados do atualmente senador Antônio Carlos Magalhães são proprietários da Rede Bahia que domina todos os segmentos de comunicações no estado, incluindo: seis geradoras de TV aberta e 311 retransmissoras do Estado, todas afiliadas à Rede Globo a partir do episódio conhecido como “CPI da NEC”; 22 uma emissora de TV UHF; parte da única operadora de TV a cabo da capital, com outorga também em Feira de Santana; parte de uma operadora de MMDS com outorgas na capital, em três cidades do interior da Bahia e em PetrolinaPE, afiliadas à franquia Net Brasil, também da Rede Globo; duas emissoras e uma rede de rádio FM; um selo fonográfico; uma editora musical; um jornal diário; uma gráfica; e, por fim, uma empresa de conteúdo e entretenimento. (...) “A expressiva dependência da televisão brasileira às índoles políticas locais e regionais é extensiva à televisão estatal. No caso baiano, se somarmos aos veículos da Rede Bahia a geradora e as 197 retransmissoras do IRDEB – Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, vinculado à Secretaria de Cultura e Turismo do Estado, teremos sete das treze geradoras e 508 das 703 retransmissoras do Estado sob influência direta do senador”. (SANTOS e CAPPARELLI, 2006).

Para esses estudiosos, “a rede de clientelismo que configura as comunicações brasileiras passa por distintas formas de associações de interesses, apadrinhamentos e parentescos. O que pode parecer um mercado concorrencial, às vezes, revela-se uma espécie de divisão de bolo entre amigos”.

FORMAÇÃO DE QUE OPINIÃO?

O coronelismo eletrônico é uma realidade local e regional, de ampla conseqüência nacional, mas se engana quem pensa que ele está preso ao passado, fechado em um ciclo, apartado do processo mais global. A linha ideológica do capital é a mesma e as opiniões dos grandes grupos do mercado são disseminadas e chegam à base social justamente em razão dos poderes dos meios dos coronéis. O que divulga e defende a Veja, a Globo, o Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo são fielmente reproduzidos e defendidos pelos veículos de comunicação dos coronéis nos municípios e estados e todo esse conteúdo jamais coloca em risco seus poderes locais, muito pelo contrário, constrói consensos e reforça-se a hegemonia do capital, assegurando uma cadeia de comando de classe, autoritária, prepotente e concentradora.

Basta observar os temas como são tratados pelas redes nacionais de comunicação e as regionais/locais. Eles têm o mesmíssimo enfoque. “Desenvolvimento”: ocorre pela liberdade total de mercado, pela liberdade sem limites ao capital. O Estado tem que entrar apenas para prover a estrutura e a segurança, mas nada de regulação ou interferência. Sindicato de Trabalhadores só serve se for para ajudar ao capital, se for para onerar deve ser criminalizado. Trabalhadores são importantes para produzir e fortalecer o capital, o mercado. “Assim, todos ganham”. Reforma Agrária, nem pensar. É coisa de criminoso. Aliás, pode até ser no caso de terras completamente imprestáveis que o Governo pode adquirir por preços superfaturados. Qualquer lei que constranja o capital e a liberdade de empresa, seja ela local ou internacional, deve ser duramente combatida. E assim seguem as “verdades” despejadas a toda hora nas mídias para “formar a opinião pública”.

Diante desse quadro, onde há uma sociedade sob influência quase total do coronelismo eletrônico, o que pensar sobre a formação da opinião pública, especialmente nos municípios e nos pequenos municípios? Que conteúdo informativo recebem as pessoas em lugares onde quase todos os canais de tv, emissoras de rádio, jornais, sites pertencem a um mesmo grupo político que domina o Governo, a prefeitura, a Câmara, a Assembléia, o Judiciário, e estabelece uma teia de relações clientelistas com o comércio, a indústria, o serviço e outros setores? O que pensa, do dizem, como agem, como votam aqueles que somente recebem um tipo de informação, aquela postadas nos veículos coronelescos?

Alguém imagina de que lado está a mídia em sua cidade quando o tema é sindicato de trabalhadores, greves, manifestações populares, reforma agrária, democratização da comunicação, educação e saúde públicas? Será apenas uma mera coincidência que políticos em Sergipe, Maranhão, Ceará, Alagoas, Bahia e em outros estados cheguem a 30, 40, 50 anos de mandatos em governos e câmaras locais e nacionais e também sejam donos de importantes meios de comunicação? Como atuam os novos coronéis quando políticos de grupos não alinhados assumem o poder momentaneamente? Alinham-se e se enquadram aos “novos” governos? Por que governos eleitos justamente na crítica à concentração a esses meios acabam se rendendo à força dos coronéis?

“(...) a força dos interesses ideológicos, acima dos interesses dos movimentos sociais ou das pressões do mercado de comunicações, tenta manter o status quo que vigora. A este importante ator, o coronel eletrônico, interessa essencialmente a capacidade massiva de disseminação do seu poder de influência. Embora haja exemplos de elites políticas proprietárias de serviços de televisão por assinatura e/ou provedores de conteúdo para Internet, é claro que, na lógica coronelista, o caráter fragmentado destes meios não compensa o volume de investimentos necessários para a sua implantação. Na lógica clientelista estabelecida nas comunicações brasileiras, a adoção do ideário neoliberal acontece de forma cautelosa. A flexibilidade da regulamentação, bem como a livre competição dos mercados, limita-se ao espaço que não altere os domínios dos coronéis eletrônicos” SANTOS E CAPPARELLI (2006).

“(...) O imaginário brasileiro das últimas décadas vem sendo ampliado consideravelmente com a expansão da oferta de opções audiovisuais. Resta, entretanto, verificar até que ponto e de que forma a hegemonia de um conglomerado sólido, como é o caso das Organizações Globo, tem participado da construção desse imaginário. Mais que isso, é fundamental observar que os espaços para a regionalização da produção (o que equivale a falar sobre a necessidade de disseminação da fantástica diversidade cultural brasileira) vêm sendo reduzidos a cada dia em proveito de uma discutível linearização dos conteúdos em direção à malfadada formação de um pensamento uniforme” (CUNHA, 2002, p.221).

QUAIS OS PAPÉIS?

Em um texto intitulado “O projeto popular”, Ademar Bogo (2004), diz que “na sociedade capitalista o poder sempre está com um grupo ou com uma classe; no nosso campo, com a classe burguesa, que controla os meios de produção e por isso elabora as leis civis e morais para ordenar as relações sociais. Resumindo, a centralidade do poder está na força do capital, no Estado, nas relações sociais e de produção. Sem modificar estes três campos conjuntamente, por mais que se conquistem pequenos territórios no espaço social e na vida política, jamais se conseguirá derrotar a classe dominante capitalista. (...) Não é por nada que os capitalistas temem tanto a revolução e não temem as eleições. Porque a revolução desestrutura o poder de propriedade dos meios de produção, juntamente com o poder político e, assim, modifica as relações sociais”.

E escreve ele ainda: “Isto posto, não significa dizer que não devemos lutar por conquistas localizadas que aumentem o poder popular. Todas as lutas que fazemos vão construindo o poder da classe trabalhadora e explorada, modificando hábitos e criando novo conteúdo para valores (...)”.

Ainda bem que a história não é um bloco monolítico, homogêneo. Desde o nascimento das figuras dos coronéis na colônia até o mais sofisticados deles em atuação hoje nas realidades regionais, há belíssimos processos de resistência seja em associações, partidos, grupos, sindicatos de trabalhadores. Se o coronelismo eletrônico é uma dura e inequívoca realidade no Brasil, há também ao mesmo tempo e com força crescente, os movimentos populares de resistência ao autoritarismo que minam as poderosas bases do poder coronelesco.

É impossível deixar de lembrar a importância estratégica nessa luta contra-hegemônica e em defesa da democratização dos meios do jornal Brasil de Fato, das revistas Carta Capital, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Fórum, Revista do Brasil, dos inúmeros sites e blog, como o da Carta Maior, Correio da Cidadania, do MST, da Adital, do NPC, do Intervozes, do Fazendo Media, assim como a TV Comunitária de Brasília, e uma série de editoras de esquerda como a Boitempo, Contraponto, Expressão Popular, Mauad, Perseu Abramo, entre tantas outras ações extraordinárias dos movimentos social, sindical e popular nesse campo da comunicação.

A verdadeira liberdade de expressão e de imprensa só começa a ser concretizada se e quando as organizações do público tiverem completo acesso aos meios. Enquanto não houver no Brasil uma Rede dos Trabalhadores, com o olhar dos trabalhadores, e enquanto as verbas publicitárias do Estado (fruto da arrecadação de impostos de todo o povo) não forem distribuídas com alguma justiça, contemplando mais efetivamente veículos e publicações populares, não se pode chamar o nosso sistema de democrático.

Vale a pena destacar o esforço tímido e tardio, mas nunca desprezível, do Governo Lula em tomar a decisão de criar a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), de buscar estabelecer uma rede nacional fora dos esquemas coronelescos de mídia e de estimular em todo País, oficialmente, o debate sobre a democratização dos meios do sistema de Comunicação com a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação da história do Brasil. Os passos do Governo brasileiros nessa área são muito mais tímidos quando se comparados com as ações tomadas por governos na América Latina, como as dos presidentes Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, e mais recentemente da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que, na prática, abrem amplas possibilidades de maior democratização dos meios.

É claro que apenas a resistência firme e constante não modifica esse quadro de profunda injustiça, mas ela é fundamental para animar os setores progressistas, de esquerda, revolucionários na busca por romper com essas estruturas latifundiárias da terra, do Estado e da Comunicação. Como já foi escrito anteriormente, quem sabe a 1ª Conferência Nacional de Comunicação na história do Brasil não seja o sinal de que um dia teremos um sistema de mídia verdadeiramente democrático que priorize a vida, o meio ambiente, a pluralidade das várias vozes sociais, principalmente as mais excluídas dos processos comunicativos.

REFERÊNCIAS:

ARRUDA. César Veiga. “CORONELISMO ELETRÔNICO?” – a construção política do Grupo Sarney e o uso do aparelhamento da mídia no Maranhão. Trabalho apresentado no VI Encontro Humanístico, promovido pelo Centro de Ciências Humanas/UFMA, realizado de 11 a 15 de Dezembro de 2006, durante a mesa redonda “Práticas políticas midiáticas, cultura e virtualidade”. Disponível aqui.

Reproduzido de Portal Vermelho
04 nov 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Atílio Boron: Monopólios midiáticos na América Latina



Atílio Boron: Monopólios midiáticos na América Latina

“Não há erro: os meios de comunicação simplesmente são grandes conglomerados empresariais que têm interesses econômicos e políticos. Na América Latina, os monopólios midiáticos têm um poder fenomenal que vêm cumprindo na função de substituir os partidos políticos de direita que caíram em descrédito e que não têm capacidade de chamar a atenção nem a vontade dos setores conservadores da sociedade”. Assim o politólogo e cientista social argentino Atilio Boron caracteriza a canalha midiática.

Por Fernando Arellano Ortiz
no Observatório Sociopolítico Latino-Americano

Nesse sentido, explica, "cumpre-se o que muito bem profetizou Gramsci há quase um século, quando disse que diante da ausência de organizações da direita política, os meios de comunicação, os grandes diários, assumem a representação de seus interesses; e isso está acontecendo na América Latina”. Em praticamente todos os países da região, os conglomerados midiáticos converteram-se em "operadores políticos”.

A Crise do Capitalismo e o triunfo de Chávez

Boron, que dispensa apresentação por ser um importante referente da teoria política e das ciências sociais em Iberoamérica, foi um dos expositores principais do 6º Encontro Internacional de Economia Política e Direitos Humanos, organizado pela Universidad Popular Madres de la Plaza de Mayo, que aconteceu em Buenos Aires, entre os dias 4 e 6 de outubro.

Tópicos como a crise estrutural do capitalismo, o fenômeno da manipulação dos monopólios midiáticos e o que significa para a América Latina o triunfo de Hugo Chávez foram tratados com profundidade por esse destacado politólogo, sociólogo e investigador social, doutorado em Ciências políticas pela Universidade de Harvard e, atualmente, diretor do Programa Latino-americano de Educação a Distância em Ciências Sociais do Centro Cultural da Cooperação Floreal Gorini, na capital argentina.

Para aprofundar sobre alguns desses temas, o Observatorio Sociopolítico Latinoamericano (www.cronico.net) teve a oportunidade de entrevistá-lo no final de sua participação no fórum acadêmico internacional.

Rumo a um projeto pós-capitalista

No desenvolvimento de sua exposição no encontro da Universidad Popular de Madres de la Plaza de Mayo, Boron analisou o contexto da crise capitalista.

"Hoje em dia é impossível referir-se à crise e à saída da mesma sem falar do petróleo, da água e das questões meio ambientais. Essa é uma crise estrutural e não produto de uma má administração dos bancos das hipotecas subprime”.

Recordou que, recentemente, foram apresentadas propostas por parte dos Prêmios Nobel de Economia para tornar mais suave a débâcle capitalista. Uma, a esboçada por Paul Krugman, que propõe revitalizar o gasto público. O problema é que os Estados Unidos estão quebrados e o nível de endividamento das famílias nos Estados Unidos equivale a 150% dos ingressos anuais. "Krugman propõe dar crédito ao Estado para que estimule a economia. Porém, os Estados Unidos não têm dinheiro porque decidiram salvar os bancos”.

A outra proposta é de Amartya Sem, que analisa a situação do capitalismo como uma crise de confiança e é muito difícil restabelecê-la entre os poupadores e os banqueiros devido aos antecedentes desses últimos. Por isso, essas não deixam de ser "pseudo explicações que não levam à questão de fundo. Não explicam porque caem os índices do PIB e sobem as bolsas. Ambos índices estariam desvinculados e as bolsas crescem porque os governos injetaram moeda ao sistema financeiro”.

A crise capitalista serviu para acumular riqueza em poucas mãos, uma vez que "o que os democratas capitalistas fizeram no mundo desenvolvido foi salvar os banqueiros, não os endividados, ou seja, as vítimas”.

Exemplificou com as seguintes cifras: enquanto o ingresso médio de uma família nos Estados Unidos é de 50 mil dólares ao ano, o daqueles de origem latina é de 37 mil e o de uma família negra é de 32 mil, o diretor executivo do Bank of America, resgatado, cobrou um salário de 29 milhões de dólares.

Então, é evidente que cada vez mais há uma tendência mais regressiva de acumular riqueza em poucas mãos. Em trinta anos, o ingresso dos assalariados foi incrementado em 18% e o dos mais ricos cresceu 238%.

"No capitalismo desenvolvido houve uma mutação e os governos democráticos transformaram-se em plutocracias, governos ricos”. Porém, além disso, "o capitalismo se baseia na apropriação seletiva dos recursos”.

Por isso, citando o economista egípcio Samir Amin, Boron afirma sem medo que "não há saída dentro do capitalismo”.

Como alternativa, Boron sustenta que "hoje, pode-se pensar em um salto para o modelo pós-capitalista. Há algo que pode ser feito até que apareçam os sujeitos sociais que darão o ‘tiro de misericórdia’ no capitalismo. O que se pode fazer é desmercantilizar tudo o que o capitalismo mercantilizou: a saúde, a economia, a educação. Assim, estaremos em condições de ver o amanhecer de um mundo mais justo e mais humano”.

A reeleição na Venezuela

Sobre a matriz de opinião que os monopólios midiáticos da direita têm tentado impor no sentido de que a reeleição do presidente Chávez é um sintoma de que ele quer se perpetuar no poder, a análise de Boron foi contundente:

"Há um grau de hipocrisia enorme nesse tema, porque os mesmos que se preocupam com o fato de Chávez estar por 20 anos no governo, aplaudiam fervorosamente a Helmut Kohl, que permaneceu no poder por 18 anos, na Alemanha; ou Felipe González, por 14 anos, na Espanha; ou Margaret Thatcher, por 12 anos, na Inglaterra”.

"Há um argumento racista que diz que somos uma raça de corruptos e imbecis; que não podemos deixar que as pessoas mantenham-se muito tempo no poder; ou há uma conveniência política, que é o que acontece ao tentarem limar as perspectivas de poder de líderes políticos que não são de seu agrado. Agora, se Chávez instaurasse uma dinastia onde seu filho e seu neto herdassem o poder, eu estaria em desacordo. Porém, o que Chávez faz é dizer ao povo que eleja; e, em âmbito nacional, por um período de 13 anos, convocou o povo venezuelano para 15 eleições, das quais ganhou 14 e perdeu uma por menos de um ponto; e, rapidamente, reconheceu sua derrota. Então, não está dito em nenhum lugar sério da teoria democrática que tem que haver alternância de lideranças, na medida que essa liderança seja ratificada em eleições limpas e pela soberania popular”.

*Tradução: Adital

Reproduzido de Portal Vermelho
25 out 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Lalo Leal: Quem pratica censura no Brasil é a mídia



Lalo Leal: Quem pratica censura no Brasil é a mídia

“Existe censura no Brasil, mas ela é feita pela imprensa, uma imprensa que é majoritária que não abre espaço, por exemplo, para os movimentos sociais”. Esse foi o tom dado por Laurindo Leal Filho, professor e pesquisador da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, ao falar sobre a 68° Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a luta por um novo marco regulatório das comunicações no Brasil.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo

Durante a entrevista Lalo Leal fez uma ampla reflexão sobre os debates levantados durante a assembleia da SIP, dentre eles refletiu sobre a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que durante sua participação no evento da SIP falou: “vivemos hoje uma espécie de democracia ditatorial na América Latina”.

Para Lalo essa afirmação do ex-presidente “é totalmente equivocada”. Segundo o pesquisador, “observamos hoje na América Latina uma total liberdade de expressão, basta ver as campanhas que a mídia faz contra o governo no Brasil e na Venezuela, por exemplo”.

Lalo lembra que “a liberdade de expressão no Brasil ficou resguardada a poucas famílias que detém o controle, a muitos anos, dos meios tanto eletrônicos como impressos”.

Sobre a necessidade de um novo marco regulatório, o pesquisador reafirmou que não como continuar com uma legislação que possui 50 anos e que foi concebida em um momento cultural muito distante.

“O nosso marco regulatório precisa, urgentemente, ser atualizado. Precisamos de uma nova lei que dê conta de todas as modificações tecnológicas e culturais. E enquanto essa lei não vem a democracia brasileira não avançará, pois quando garantimos o amplo, plural e diverso debate é que, efetivamente, estamos dando espaço para todos e ratificando a democracia”, externou Lalo Leal.

Ouça a entrevista na íntegra clicando aqui.

Reproduzido de Portal Vermelho
21 out 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Precisamos regulamentar imprensa no Brasil, afirma Lula



Precisamos regulamentar imprensa no Brasil, afirma Lula


Vanessa Silva/ Portal Vermelho
Portal CUT
18/10/2012

Ex-presidente se soma à mobilização “por um novo marco regulatório da comunicação”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na Argentina, onde cumpre intensa agenda política: almoçou com a presidenta Cristina Kirchner, na quarta (17) e participa, nesta quinta (18) de um congresso empresarial. Em entrevista ao jornal La Nación, ecoando o amplo debate a respeito da entrada em vigor da lei dos meios naquele país, Lula foi taxativo ao avaliar a situação do Brasil: “aqui precisamos instalar uma discussão política sobre um novo marco regulatório da comunicação”.

Lula também falou sobre o menor crescimento econômico do Brasil neste ano e destacou a necessidade de uma reformulação no FMI e nos organismos internacionais como a ONU. Com relação ao polêmico julgamento do mensalão e a possibilidade de ele também ser julgado, é categórico: “eu já fui julgado. A eleição de Dilma foi um julgamento extraordinário. Um presidente com oito anos de mandato sair com 87% de aprovação é um tremendo julgamento”.

Meios de comunicação

Eu penso que poucos líderes políticos do mundo foram e são tão criticados pela imprensa como eu. No entanto, não reclamo. Eu nunca tive a imprensa a meu favor, e não é por isso que deixei de ser presidente com a maior aprovação de meu país. Me parece que devemos acreditar na sabedoria dos leitores, dos ouvintes de rádio e dos telespectadores. Eles saberão julgar os valores do comportamento de um político, e também do comportamento da imprensa.

Acredito que no Brasil precisamos instalar uma discussão política sobre um novo marco regulatório da comunicação. A última regulação é de 1962, não há nenhuma explicação para que no século 21 tenhamos a mesma regulação que em 1962, quando não havia telefones celulares, nem internet. A evolução que teve nas telecomunicações não está regulada. Essa briga existe na Argentina, na Venezuela, no México, onde Ricardo Salinas e Slim estão em guerra todo santo dia. E no Brasil preparamos uma conferência nacional – na qual participaram partidos, meios de comunicação, telefonia – e elaboramos uma proposta de regulação, que precisa ser discutida com a sociedade. Não há modelo definitivo, não há o modelo de O Globo, da Folha, de Lula ou de Dilma, isso não existe. Então vamos começar uma discussão com a sociedade para saber o que é o mais importante para que os meios de comunicação sejam cada vez mais retransmissores de conhecimento, de informação, cada vez mais livres e sem ingerência do governo.

Relações internacionais

O fato de querermos fazer uma reforma nas instituições multilaterais não depende da crise. A crise apenas agravou este debate. O Brasil, há pelo menos 15 anos luta para que a ONU seja reformada, e que tenha uma representação do mundo geográfico correspondente a 2012 e ao século 21 e não que represente o mundo de 1948. Não há explicação para que apenas cinco países tenham o controle dos assuntos mais importantes do mundo, sem que haja um representante da América Latina, da África, sem um país de 1 bilhão de habitantes como a Índia ou mesmo a Alemanha.

Queremos que a ONU e o Conselho de Segurança sejam representativos da realidade de hoje, e não do passado.

O FMI também tem que ser reformado para que possa funcionar como um banco que possa ajudar os países em crise e não como um banco para fazer pressão nas economias dos países pobres. Na crise atual dos Estados Unidos e Europa, o FMI não sabe o que fazer. Ninguém sequer quer escutar o FMI! É como se não servisse para nada! Dá a impressão de que foi criado para Argentina, Brasil, Bolívia ou México e não para a Alemanha nem Grécia. É por isso que nós queremos fazer um debate.

Integração

Sonho com a integração da América Latina. A integração não é um discurso, deve transformar-se em um ato cotidiano de cada cidadão e de cada governante. E ainda nos resta muito por fazer.

Irã

Vejamos o caso do Irã. Todos os dias vejo notícias que dizem que o Irã quer construir uma bomba atômica. Eu não acredito nisso. Eu desejo para o Irã o mesmo que desejo para o Brasil: utilizar a energia nuclear para fins pacíficos. E com esta ideia eu fui ao Irã. Os membros do Conselho de Segurança nunca tinham conversado com [Mahmoud] Ahmadinejad. A política foi terceirizada, colocam assessores para conversar e os presidentes nunca conversam. E quando eu disse que ia conversar com Ahmadinejad para que ele se comprometesse a aceitar as regras que eram impostas pela AIEA, disseram que era ingênuo. Fomos ao Irã, estivemos dois dias juntos com a Turquia, e conseguimos que o Irã se comprometesse com o que os norte-americanos e a União Europeia queriam. Para a minha surpresa, quando Ahmadinejad aceitou e nós apresentamos um documento assinado, o que aconteceu? Sancionaram o Irã. Por quê? Porque não era aceitável que um país do terceiro mundo tivesse conseguido o que eles não conseguiram.

Chávez

É necessário analisar a Venezuela não em comparação com o Brasil ou Argentina, nem com a Europa. Tem que analisar a Venezuela de Chávez em comparação com a Venezuela antes de Chávez. E melhorou muito a Venezuela. O povo pobre ganhou dignidade. A América do Sul ganhou muito com o Chávez. Porque antes até os vasos sanitários eram importados dos Estados Unidos. Hoje importa de outros países: Brasil, Argentina… A Venezuela começou a olhar a América Latina e por isso defendi a entrada da Venezuela no Mercosul. Pela importância estratégica da Venezuela, é uma das maiores reservas de petróleo do mundo e de gás, tem um potencial energético extraordinário. Nós precisamos, enquanto Unasul, discutir como nos tornar sócios dessa riqueza que temos. Por isso penso que Chávez foi importante para a Venezuela. (…) Com a minha chegada ao poder, a de Kirchner, de Chávez, de Evo Morales, foi que as pessoas começaram a perceber que gostamos de nossos países, que começamos a ver nossos países a partir de nossa própria realidade. Isso mudou. Quando cheguei ao governo, a relação comercial entre Brasil e Argentina era de 7 bilhões. No ano passado, foi 40 bilhões de dólares.

Mercosul

Penso que o que fizemos na América do Sul já é muito. O problema é que éramos países com uma cultura colonizada, com uma mente colonizada. Fomos doutrinados para que nos víssemos como adversários, como inimigos e os amigos estavam no norte. Quando na verdade, não tem que ter inimigos nem no Norte, nem aqui, temos que construir o que for bom para Argentina e Brasil. Lembro que há muito tempo realizamos reuniões onde muitos países diziam que o Mercosul já não interessava, que o Mercosul tinha acabado, e que havia que implementar a Alca. Hoje, nem o governo norte-americano fala da Alca. Sequer eles.

Mensalão

Não me manifesto sobre esse processo, primeiro porque naquela época eu era presidente da república e creio que um ex-presidente não pode opinar sobre a Suprema Corte. Principalmente quando o processo está em desenvolvimento. Vamos esperar que termine o processo e então com certeza poderei emitir minha opinião.

Eu já fui julgado. A eleição de Dilma foi um julgamento extraordinário. Um presidente com oito anos de mandato sair com 87% de aprovação é um tremendo julgamento e não me preocupo com nada. Cada poder: Executivo, Legislativo ou Judicial, tem suas próprias responsabilidades e cada um deve cumprir com a mesma.

Economia

Sejamos sinceros. Há uma desaceleração econômica promovida pelo próprio governo. Obviamente há problemas com a crise econômica, mas acontece que em 2010 nós crescemos muito, o consumo era exageradamente alto e era necessário diminuir um pouco esse ímpeto da economia. Essa redução do governo também foi afetada pela crise internacional. Houve uma diminuição das exportações. As exportações da Argentina caíram quase 20%, houve uma diminuição importante, e no nível mundial a diminuição foi somente 6%. Era necessário controlar a inflação. As informações que tenho da presidência e do ministro da Fazenda é que a inflação está controlada e para o próximo ano, Brasil voltará a crescer mais ou menos 4,5%.

Volta à presidência

Um político não pode nunca descartar [esta hipótese]. O problema é que cada vez que fazem esta pergunta... se eu digo que não o descarto, a imprensa diz: “Lula admite que será candidato”. Se eu digo o contrário, dizem “Lula nunca mais será presidente”. Eu sou um político, e creio que já cumpri minha parte. Toda a minha vida tive vontade de provar que era capaz de fazer o que eu reivindicava, e creio que conseguimos fazer muito mais. Hoje, o principal legado que deixamos para a sociedade brasileira, além dos 40 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média, além do aumento do salário mínimo, dos 17 milhões de empregos formais criados, o principal legado é a relação entre o Estado e a sociedade. Realizamos 73 conferências nacionais. As principais políticas de meu governo foram decididas em plenários, onde havia debates no âmbito municipal, estatal e nacional. Eram políticas de todas as áreas, tudo foi discutido. Queria provar a mim mesmo que um governante nunca, em hipótese alguma, deve ter medo de conversar com a sociedade. Não podemos ver em cada pessoa que nos cerca na rua um inimigo. Porque muitas vezes temos que nos perguntar por que é inimigo agora se votou em mim.

Reproduzido de clipping FNDC
18 out 2012

Foto: Foto: Juani Roncoroni/Estadão . Via Portal Vermelho
O ex-presidente Lula visita a presidente argentina, Cristina Kirchner, no Palácio do Governo, em Buenos Aires, nesta quarta-feira (17)

Leia também:

"PT retomará debate sobre a mídia?", por Altamiro Borges (20/10/12) do Blog do Miro, via clipping FNDC clicando aqui.

"Chávez e a derrota dos barões da imprensa", por Roberto Amaral (22/10/12) no Brasil de Fato, via clipping do FNDC clicando aqui.

"Venezuela: ministro quer construção coletiva da comunicação", por Prensa Latina no Portal Vermelho (22/10/12) via clipping do FNDC clicando aqui.

sábado, 23 de junho de 2012

Altamiro Borges: Merval Pereira é uma “farsa histórica”


Altamiro Borges: Merval Pereira é uma “farsa histórica”

Merval Pereira se acha mesmo um “imortal”. Em seu artigo de ontem no jornal O Globo, ele insinuou que o ex-presidente Lula é uma “farsa histórica”. O motivo de mais este ataque histérico é a famosa foto de Lula junto com Maluf, superexplorada pela mídia demotucana. Para o “talentoso” integrante da ABL, a imagem “é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula”.


Por Altamiro Borges

O colunista da famiglia Marinho nunca entendeu os altos índices de popularidade do ex-presidente, num caso doentio de ódio de classe. Daí sua excitação com a tal foto. A imagem seria, caso o tucano Jose Serra vença as eleições em São Paulo, “a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral”.


A torcida pelo tucano Serra

Merval até justifica os acordos políticos feitos pelos tucanos. “Até o momento, as alianças com Maluf eram feitas por baixo dos panos, de maneira envergonhada, como a negociação em que o PSDB paulista fechava um acordo com o PP em busca de seu 1m30s de tempo de propaganda eleitoral”. Mas ele não tolera a participação do ex-presidente no jogo bruto da política.

Para ele, Lula está obcecado pelo poder, não tem escrúpulos na política de alianças e ruma para o declínio. “A sucessão de erros políticos que Lula parece vir cometendo nos últimos meses – a escolha de Haddad, o encontro com Gilmar Mendes, a CPI do Cachoeira, o acordo com Maluf – só será superada se acontecer o que hoje parece improvável, uma vitória de Fernando Haddad”.

Os bastidores das alianças na ABL

Merval Pereira, tão preocupado com a política de alianças nos últimos anos, só não consegue explicar porque o Lula, com a sua “sucessão de erros”, conseguiu se eleger e reeleger presidente e ainda garantiu a vitória de sua sucessora, Dilma Rousseff. Isto apesar de toda a campanha de satanização da mídia hegemônica, a quem ele presta serviços.

Já que está tão indignado com a crise das alianças, “que explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre”, Merval poderia expor os bastidores da campanha que o levaram a ser um “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ou será que a poderosa Rede Globo não se meteu nesta eleição? O que ela ofereceu? Como se justifica esta autêntica “farsa histórica”?

Reproduzido de Portal Vermelho (21/06/12) via Blog do Miro

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A mídia usa a mentira como norma e arma contra os povos


A mídia usa a mentira como norma e arma contra os povos

Vermelho
Redação
28/05/2012

O jornalista José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho, participou na última sexta-feira (25) de uma mesa de debates sobre a campanha midiática contra Cuba, durante a 20ª Convenção Nacional de Solidariedade realizada de 24 a 26 de maio em Salvador (BA). Leia a íntegra da sua intervenção.

A guerra midiática, que podemos igualar a uma espécie de terrorismo, o terrorismo midiático, constitui a “guerra fria” da atualidade, a continuação, no terreno da luta de ideias, da ofensiva do imperialismo e das classes dominantes retrógradas em todo o mundo contra os países e forças políticas empenhados na batalha pela emancipação nacional e social.

É uma guerra que tem a mentira como norma e arma. Os meios de comunicação a serviço do imperialismo estadunidense, das demais potências aliadas e das classes dominantes retrógradas se transformaram em uma verdadeira usina de mentiras.

Esses veículos de comunicação se transformaram em grandes conglomerados privados que, além de auferirem grandes lucros, se põem a serviço do sistema como um todo, defendendo políticas conservadoras, neoliberais e antipopulares.

No seu arsenal de mentiras e engodo, está um inesgotável repertório propagandístico por meio do qual procuram apresentar os Estados Unidos e demais países imperialistas como modelos de democracia. Querem impor seu modelo político como o único democrático, sua ideologia como o pensamento único a ser seguido, seus valores como a quintessência da civilização.

Contudo, nunca se atentou de maneira tão intensa, flagrante e abrangente contra as maiores conquistas civilizacionais: a democracia, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, os direitos humanos, os direitos sociais, a soberania nacional e autodeterminação dos povos, o direito internacional e a paz.

A mídia se tornou cúmplice de crimes, de golpes de Estado, da contrarrevolução, do terrorismo de Estado e de guerras de agressão e rapina contra os povos e nações independentes. É a mídia quem prepara o terreno para essas agressões, é ela que constrói, com artifícios e o engodo, opiniões favoráveis à guerra, naturalizando-a, tornando-a acontecimento banal, e conquista a opinião pública para suas posições. Foi assim com a preparação das guerras da Bósnia e do Kossovo, na antiga Iugoslávia, nos anos 1990, no Afeganistão, em 2001, no Iraque em 2003, na Líbia em 2011 e é assim agora na Síria. As coberturas ditas jornalísticas sobre esses episódios dramáticos são sempre parciais, unilaterais e arbitrárias.

A mídia age da mesma maneira contra Cuba e a Venezuela. Quanto à Ilha revolucionária caribenha, sempre foi assim desde que a Revolução triunfou. A mídia coadjuvou as agressões, o bloqueio, os atentados contra Fidel, os esforços para estrangular o país.

Vale dizer também que, quando o assunto é a Revolução cubana, a mídia sempre fracassou e se mostrou ignorante. Quem não se lembra de quanto tempo passaram em Cuba, praticamente acantonados, batalhões de jornalistas, depois da queda do muro de Berlim (1989), esperando o momento espetacular em que no chamado efeito dominó cairia a última pedra. Na sua estupidez, faziam vaticínios: “É hoje”, “é amanhã”, “na próxima semana é inevitável a queda”, “deste mês não passa” (...) .

Mais de 20 anos transcorreram desde então e Cuba segue mais forte do que nunca, mais revolucionária e socialista do que nunca.

Relembro um episódio edificante e ilustrativo sobre o tema de que estamos falando. No dia 3 de abril de 1990, teve lugar em Havana, o líder da revolução, Fidel Castro, concedeu uma entrevista coletiva. Compareceram 246 jornalistas, dos quais 110 se credenciaram e foram a Cuba especialmente para o evento, 53 representantes de 22 órgãos da imprensa norte-americana, 57 jornalistas da Alemanha, França, México, Espanha, Inglaterra, Japão, Índia, Suíça, Brasil, Itália, Portugal, Bélgica, Nicarágua e Austrália, além de 60 jornalistas permanentemente credenciados em Havana.

Entre outros assuntos, Fidel tratou da firmeza ideológica do PC Cubano, em contraste com a vacilação de outros. “Cuba é o símbolo da resistência. Cuba é o símbolo da defesa firme e intransigente das ideias revolucionárias. Cuba é o símbolo da defesa dos princípios revolucionários. Cuba é o símbolo da defesa do socialismo” (...) “O povo cubano vai saber estar à altura de sua responsabilidade histórica”... “E aqueles que mudaram de nome, não sei a quem vão enganar com isso! Imaginem que amanhã nós mudemos de nome e digamos: Senhores, o congresso aprovou que em vez de Partido Comunista de Cuba nos chamemos Partido Socialista de Cuba, ou Partido Social-Democrata de Cuba. Vocês creem que realmente mereceríamos algum respeito? Porque os que mudam de nome são os que mudaram de ideias ou perderam toda a sua confiança nas ideias, perderam suas convicções.”

Agora, lhes pergunto, alguma dúvida sobre por que atacam Cuba do ponto de vista político e ideológico? Não perdoam Cuba, seu povo, o Partido Comunista, sua liderança por se manterem fiéis às suas convicções.

É ilustrativo também mencionar os episódios da criação da “Rádio Martí” em 1985 e da “TV Martí” em 1990, engendros infames do império, para difamar o país, fazer propaganda contrarrevolucionária na Ilha. Na mesma entrevista coletiva aqui referida, Fidel chamou essa rádio e essa TV de ”lixo”, um “insulto à honra do país”, condenando ao mesmo tempo o inescrupuloso uso do nome do Apóstolo da Independência, José Martí.

Dizia Fidel na coletiva de imprensa: “Toda a concepção da ‘Rádio Martí’ – com amargura pronuncio este nome – era uma concepção agressiva, de propósito subversivo contra nosso país. Isto tinha todo um objetivo político. É ademais também violadora das leis internacionais”.

E mais adiante, o comandante da Revolução cubana demonstrava que o objetivo do imperialismo norte-americano com a criação da “Rádio Martí” era “estabelecer uma estação de rádio subversiva, de caráter político, dirigida a desestabilizar o país, a influir nos acontecimentos políticos”.

Nos dias de hoje, o imperialismo continua com o uso do seu lixo, distorcendo e mentindo, fomentando a contrarrevolução, transmitindo uma visão distorcida como se em Cuba reinasse o caos, transformando delinquentes em heróis, financiando e concedendo prêmios internacionais a blogueiros e blogueiras, falsos jornalistas e organizações subversivas.

A mídia mancomuna seus esforços com a Usaid e o Instituto Internacional Republicano, com sede nos EUA, o qual atua em cooperação com a chamada Solidariedade Espanha, para financiar blogueiros e “ativistas sociais”, com computadores e outros meios eletrônicos, a fim de realizar ações de caráter subversivo, clandestino e secreto, para fazer propaganda negativa de Cuba e organizar manifestações oposicionistas, que não passam de pequenas reuniões de mercenários a serviço da contrarrevolução.

O imperialismo norte-americano estendeu o bloqueio a Cuba à área da internet, vedando ao país o acesso à banda larga, ação na qual também demonstrou ignorância e desconhecimento da força da Revolução e de sua capacidade para mobilizar a solidariedade. A Venezuela bolivariana, numa demonstração do seu internacionalismo, está ajudando Cuba também na solução deste problema.

Por tudo isso, considero urgente a organização de um movimento para se contrapor à ofensiva da mídia contra Cuba, ao cerco midiático, ao terrorismo midiático, o que pode e deve ser uma das tarefas desta Convenção de Solidariedade.

Compartilhamos a resolução da BrigadaMundial contra o Terrorismo Midiático, realizada de 22 a 26 de novembro do ano passado em Cuba, por convocação do Icap, com a presença de comunicadores de 19 países da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, que expressou a firme vontade de defender as ideias da Revolução Cubana pela nova via da informática. A Brigada decidiu desenvolver estratégias, propor objetivos, recomendar ações e iniciativas e organizar novos encontros.

Compartilhamos a proposta de criar a Rede Internacional de Ciberativistas da Solidariedade e o Jornalismo Solidário.

Em nossa concepção de jornalismo, uma publicação, impressa ou virtual, um site, um blog, uma rede, são instrumentos de resistência, de luta para transformar o mundo, veículos da luta de ideias. Como disse Fidel, é como se a Internet tivesse sido feita para Cuba.

Acreditamos no poder mobilizador e transformador do Jornalismo Solidário, de resistência e de luta. Por esta razão, o Portal Vermelho sente-se partícipe deste movimento de solidariedade e das suas campanhas. Deste modo, pertencemos também à Revolução cubana e somos porta-vozes das nobres causas que defende. Somamo-nos ao amplo movimento de solidariedade a Cuba, à luta contra o bloqueio e pela libertação dos cinco heróis cubanos que cumprem longas e pesadas penas em cárceres do império.

Reproduzido de Portal Vermelho via Clipping FNDC
28 mai 2012