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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Classificação Indicativa: o que estamos assistindo pela TV?


Os pais vão agradecer. E, os filhos também

Depois de monopolizar os veículos de comunicação com o falso argumento de que qualquer regulação da mídia é censura, os coronéis da radiodifusão agora querem que o Supremo Tribunal Federal (STF) aprove a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin 2404) 2404 que pede o fim da obrigatoriedade da classificação indicatória nos programas de rádio e TV, conforme prevê o artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Quatro ministros já haviam votado favoravelmente à Adin quando um pedido de vistas do ministro Joaquim Barbosa interrompeu a votação e a sessão de julgamento.

A Classificação Indicativa foi implantada em 2007 com o objetivo de informar às famílias sobre a faixa etária para a qual obras audiovisuais como a programação da TV, filmes, DVDs e jogos eletrônicos são recomendadas. A autoclassificação das obras é feita pelas próprias emissoras ou produtoras, que a enviam para o Ministério da Justiça para analisar o seu conteúdo (cenas de sexo, drogas e violência) e dizer se condiz com a classificação proposta.

A prática sempre foi considerada importante pela sociedade civil, setores acadêmicos e movimentos sociais, que vêm na classificação uma das raras ferramentas para regular a programação da TV aberta. No entanto, desde fevereiro de 2001, está na pauta do STF uma ação movida pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) pedindo a inconstitucionalidade da medida.

Na semana passada, durante uma audiência na Câmara com representantes do governo, emissoras e sociedade civil a argumentação sustentada por representantes da Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores - Band e Rede TV!) e Rede Globo, de que classificação deve ser apenas "indicativa e não vinculativa", trouxe bastante preocupação para os movimentos sociais. Heloísa Almeida, da Abra, chegou a dizer que toda forma de controle da programação da televisão deve ser repelida e que "o papel de educar é dos pais".

Argumento totalmente contraditório com a sociedade da informação, pois é inquestionável o papel que a comunicação pela TV ou internet exerce sobre a sociedade no geral e nas crianças em particular, até porque estas são mais suscetíveis a influências diversas. Prova disso é a pesquisa divulgada recentemente pela Viacom. Sob o título "O poder de influência da criança nas decisões de compra da família", a pesquisa apresenta números assustadores que mostram como a internet e a TV se tornaram os meios de maior confiabilidade das crianças na hora de buscar informações sobre produtos e marcas. De acordo com o estudo, 82% confiam na internet; 70% em comerciais de TV; 62% em programas de TV; 61% na indicação de amigos e 44% nos próprios pais.

Sendo a prestação do serviço de televisão uma concessão pública, é evidente que precisa obedecer a regras e estas não podem ficar simplesmente a critério das emissoras.

A Adin 2404 e a movimentação dos radiodifusores comprovam mais uma vez que é urgente o debate público sobre o Marco Regulatório das Comunicações. Não dá para deixar que o mercado impeça ou desvie o foco desta discussão, pressionando para que a classificação indicativa se torne inconstitucional.

O Marco Legal, a Lei 12.485 (que abre o mercado da TV paga para as teles), a reivindicação civil pela universalização da banda larga, o direito à TV por assinatura, serviços de telefonia fixo e móvel com qualidade e preços justos são questões determinantes para que todos os setores da população tenham assegurado seu acesso a conteúdos educacionais, culturais e de utilidade pública.

A Classificação Indicativa não é uma invenção de brasileiros saudosos da censura, como querem fazer crer os que atacam a medida. É uma realidade em países como os Estados Unidos, a Argentina, o Chile, a Áustria e a França. Mantê-la é garantir o respeito às nossas crianças.

XVI plenária do FNDC

A realização da XVI plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) nos últimos dias 9 e 10 de dezembro reafirmou os 20 pontos fundamentais para um marco legal para a comunicação no Brasil. O que foi cobrado, e o que se espera, é que o governo apresente imediatamente a proposta de um novo marco regulatório. O ministro Paulo Bernardo, com grande especulação sobre a sua mudança de Ministério, deve deixar como seu legado a coragem de ter apresentado uma nova perspectiva para as comunicações no país. Todos – pais, filhos, avós - agradecem.

Reproduzido de Instituto Telecom
13 dez 2011

Leia também por Vilson Malacrida, "Pais restringem acesso dos filhos à TV, diz pesquisa" (22/05/2011) na Portal de Notícias R7 clicando aqui.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Partidarização da mídia: o silêncio sobre o escândalo revelado na "Privataria Tucana"


Grande mídia esconde "A Privataria Tucana", mas obra faz sucesso nas livrarias

A grande imprensa tenta esconder as denúncias do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., mas o assunto é bastante comentado na internet e a obra rapidamente se esgotou nas livrarias. Apenas a revista Carta Capital, além da Record, deu destaque ao assunto. Para Nirlando Beirão, o caso deixou evidente a partidarização da mídia.



Reproduzido de R7 em 16/12/2011

Comentários de Filosomídia:


Ressalto a frase do comentarista Nirlando Beirão: "a gente não está sendo bem informado no Brasil"...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Magnata da mídia diz que seu tabloide inglês não fez escutas ilegais


Magnata da mídia diz que seu tabloide inglês não fez escutas ilegais

Caso levou primeiro-ministro britânico a pedir investigação contra o News of the World

O magnata das comunicações Robert Murdoch, dono da rede americana Fox e do jornal britânico News of the World, criticou nesta quarta-feira (6) as manchetes de jornais do mundo todo que acusam seu tabloide inglês de ter feito escutas clandestinas no telefone celular de uma garota de 13 anos desaparecida em 2002. Murdoch chamou as reportagens de “deploráveis e inaceitáveis”.

O diretor da companhia News Corporation, que administra os veículos de comunicação, publicou um comunicado depois que o pai de uma vítima dos ataques terroristas ao metrô de Londres em 2005 afirmou ter tido seu telefone grampeado. Isso levou o primeiro-ministro britânico David Cameron a pedir que a polícia investigue jornalistas do News of the World.

O documento da News Corporation classificou as acusações como “absolutamente deploráveis”.

O caso das escutas ilegais foi revelado nesta segunda-feira (5) pelo jornal britânico The Guardian. A reportagem acusa jornalistas do News of the World de terem interceptado ilegalmente o celular de Milly Dowler, desaparecida em 2002, além de terem apagado mensagens SMS enviadas por ela aos seus familiares.

Desde então, supostas vítimas acusam o jornal de ter roubado informações pessoais e violado a privacidade de e-mails e telefones. Entre os afetados estariam a família real britânica e o ator Hugh Grant.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro britânico David Cameron pediu uma investigação completa sobre o caso, que ainda pode envolver pagamentos de propina a policiais.

Redação . R7
06/07/2011

Reproduzido de FNDC

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Televisão e a falta de crítica especializada


"O blog do jornalista Daniel Castro, abrigado pelo portal R7, publicou em 13/01/2010 uma entrevista com Silvio de Abreu, autor da telenovela Passione, que afirma que "a crítica de TV no Brasil é despreparada". Silvio de Abreu tem toda a razão.

A falta de crítica especializada em TV no Brasil decorre de um preconceito que, infelizmente, ainda persiste: "Televisão não é coisa para intelectual; intelectual de verdade deve se dedicar a temas mais nobres, como a literatura, ou a questões mais prementes, como as sociais." A mídia, nesse sentido, é deixada de lado porque é considerada um "luxo dos pobres", uma "fuga da realidade", segundo a ideia do senso comum, que, por sua vez, é uma corruptela de teorias da metade do século passado.

Seguindo esse raciocínio, para ser crítico de TV no Brasil basta ser jornalista e gostar dessa coisa (tida como) "menor" que é a TV. As coisas pioram muito quando se misturam a chamada crítica de TV com os resumos de telenovela e fofocas no mesmo espaço. Em outras palavras, a pífia e suposta crítica de televisão perde ainda mais em credibilidade. Não que não deva haver espaço para fofoca sobre artistas e resumos de novela. Todos esses são produtos da mídia e sobre a mídia e, portanto, se justificam. Minha questão é que, ao se promover tal mistura, até mesmo por questões do mercado (pois, na prática, uma coluna que publique furos sobre os próximos acontecimentos da novela ou sobre a intimidade dos artistas vai ser muito mais lida/acessada), a crítica perde em força e em importância. Passa a ser apenas a opinião daquele ou daquela jornalista".

Conrado Mendes . Observatório da Imprensa

Leia o texto completo clicando aqui.