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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os líderes mentem e manipulam a sociedade. As mídias também...


Comentário de Filosomídia sobre notícia:

Colega de academia de José Sarney, o imortal jornalista Merval Pereira faz apresentação do livro "Por que os líderes mentem" (John J. Mearsheimer da Univ. de Chicago - Editora Zahar), onde o autor "explica a difusão do medo" e "conta a verdade sobre as mentiras na política internacional". A Livraria da Folha divulga, certamente com orgulho.

A notícia da Folha ressalta trecho em que Mearsheimer aborda a mentira para iludir não “apenas o cidadão médio nas ruas, mas também alcançar as elites educadas, incluindo especialistas independentes que poderiam estar inclinados a minimizar, de uma maneira um tanto perigosa, a relevante ameaça", na extinta União Soviética logo após a queda de Hitler. Este, junto com Goebbels, propagandista por excelência. Como se nos outros países “democráticos” não se fizesse o mesmo.

Faz tempo que sabemos que os líderes mentem, descaradamente, na política, na religião e, também nas mídias que, no mais das vezes, pertencem a eles.

E, felizmente já temos no Brasil autores que escrevem e debatem algo semelhante como "Por que as mídias mentem", contando a verdade sobre as mentiras na mídia internacional/nacional, tratando também sobre a difusão do medo pelos meios de comunicação patrocinada pela “economia terrorista" que tem nos barões das mídias, líderes e “polititicos”, seus braços para manipular a sociedade ao gosto do deus de meia tigela do mercado.

Quem não ler este livro de Mearsheimer não estará perdendo nada.

Assista aos vídeos abaixo (legendados) e tenha suas próprias conclusões.



The Century of Self
(O Século do Eu . O Século do Ego . O Século do Self)
Direção Adam Curtis
2002

Veja na página da BBC

Assista pelo Youtube

Episódio 1 de 4: Máquinas de felicidade. 
Título original: Happiness Machines.

Esse episódio fala como o sobrinho de Freud, Edward Bernays, criador da profissão de "relações públicas", usou a teoria freudiana para incentivar o consumo.

Episódio 2 de 4: A engenharia do consentimento. 
Título original: The Engineering of Consent.

Esse episódio fala como a filha de Freud, Anna Freud, divulgou a psicanálise nos EUA e no mundo.

Episódio 3 de 4: Há um policial dentro de nossas cabeças. Ele deve ser destruído. 
Título original: There's a policeman inside all our heads. He must be destroyed.

Esse episódio fala sobre Wilhelm Reich e de como a idéia de criar um "self" mais autônomo para mudar a sociedade foi usada pelo próprio capitalismo.

Episódio 4 de 4: Oito pessoas bebendo vinho em Kettering. 
Título original: Eight people sipping wine in Kettering.

Esse episódio fala sobre como a esquerda nos EUA e no Reino Unido usaram as técnicas de grupo focal para transformar a política num negócio e tratar os eleitores como consumidores, trocando suas políticas tradicionais por políticas que atendiam a desejos individualistas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma "emissora pública" como "prolongamento da mídia privada"...


Folha, TV Cultura e as más notícias

Alberto Dines
Observatório da Imprensa
14/03/2012

A inglesa BBC ou a americana PBS armariam parcerias de longo prazo com emissoras privadas dos respectivos países? Dificilmente. Mas sentem-se à vontade para associar-se entre si. A Fundação Ford, por sua vez, bancou o projeto de Fred W. Friendly (1915-1998) para a criação do Public Broadcasting System e anos mais tarde financiou a entrada da British Broadcasting Corporation nos Estados Unidos.

O sistema televisivo em países democráticos é um tabuleiro com vetores diferenciados, claramente identificados e distribuídos equitativamente com o objetivo de equilibrar conteúdos. A iniciativa privada disputa a concessão de canais para explorá-los comercialmente dentro de normas e regulamentos aprovados pela sociedade – e, para contrabalançar seu potencial econômico e político, o poder público cria canais públicos de TV (caso dos EUA e Reino Unido) ou estatais de interesse público (caso do Brasil). Uma terceira alternativa é o projeto de TV comunitária que ainda não conseguiu viabilizar-se como alternativa plena.

Cada vetor tem funções e papéis específicos funcionando dentro dos princípios democráticos de poder e contrapoder. Esse conflito funcional e orgânico funciona como a plataforma de uma sociedade estável, equilibrada e dinâmica.

Fato consumado

A parceria do Grupo Folha com a TV Cultura de São Paulo é, paradoxalmente, boa para o telespectador e ruim para a TV brasileira. Simplesmente porque anula as imperiosas diferenciações entre os parceiros. A TV pública é uma alternativa à TV comercial. Seu papel é eminentemente crítico, sua função é, digamos, “republicana” para promover um equilíbrio entre o interesse público e os demais interesses que envolvem a TV comercial. E esta também tem importante função crítica opondo-se aos interesses políticos, culturais ou religiosos das TVs públicas e/ou estatais.


O programa TV Folha que a TV Cultura passou a apresentar aos domingos anula a diferenciação e o contraditório. É mais um produto saído da nossa usina de “cordialidades” e complacências. Transforma uma emissora pública em um prolongamento da mídia privada, emascula afetivamente a sua independência, poda o seu DNA alternativo, contestador e cidadão. Simultaneamente, elimina da pauta de um jornal intransigente como a Folha de S.Paulo apreciável coleção de palpitantes assuntos na esfera cultural e política.

A anunciada adesão da Editora Abril a este perigoso esquema federativo (com um programa às terças-feiras) só confirma esta análise. O programa da Folha é pago pela montadora Renault, os comerciais exibidos não são de caráter institucional – como se espera da propaganda em redes públicas –, vendem carros ostensivamente.

Folha e TV Cultura certamente dividirão o faturamento, isso significa que não se trata de mero intercâmbio entre produtores de conteúdo e plataformas divulgadoras. A TV Cultura transfere-se com armas e bagagens para o campo comercial. É uma péssima notícia para todas as partes. Inclusive para as emissoras comerciais que passam a contar com concorrentes inesperados.

O Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta aprovou a metamorfose ou terá que engoli-la como fato consumado? Houve tentativas de aproximação da TV Cultura com a outra rede pública, a TV Brasil?


Leia também "Os novos parceiros da TV Cultura", por Luciano Martins Costa, clicando aqui.

sábado, 13 de agosto de 2011

BBC: outro jornalista surpreendido pelas declarações do entrevistado



BBC ou Globo: Lá, como cá, o jornalismo é o mesmo

"Não há diferença essencial entre a Rede Globo e a BBC. Os que querem “mídia” podem perder suas últimas ilusões liberalóides conservadoras. Nenhum jornalismo-que-há sempre será melhor que o jornalismo-que-há". Artigo assinado pelo coletivo Vila Vudu, reproduzido a partir do blog Redecastorphoto.

A matéria abaixo esteve no ar. Nunca aconteceria no Brasil, porque a Rede Globo nunca entrevista gente que seja realmente contra a posição da “mídia” e as convicções pessoais dos jornalistas.

Aliás, fazem todos muito bem, porque ouviriam o que não querem ouvir nem querem que ninguém ouça e vivem para impedir que as pessoas digam e, se alguém disser, para impedir que a opinião pública ouça. Mas o horror do jornalismo-que-há, que só existe para impor opiniões feitas, é muito parecido.

Para os que pensem que só a Rede Globo faz o que faz e que algum outro tipo de jornalismo-empresa seja algum dia possível ou pensável, aí vai bom exemplo de que a Rede Globo é, só, a pior do mundo, mas faz um mesmo e idêntico “jornalismo”, feito por jornalistas autistas, fascistas sinceros, absolutamente convictos de que “sabem mais”, só porque são donos da palavra e nunca ouvem o “outro lado”, sobretudo se o outro lado quiser falar DELES e das empresas para as quais trabalham.

O problema do mundo não é a Rede Globo (ou, pelo menos, não é mais a Rede Globo que a BBC). O problema do mundo é que o jornalismo (que é aparelho ideológico criado e mantido para uniformizar as opiniões e constituir mercados homogêneos, seja para o consumo uniforme de sabão em pó e remédio antipeido, seja para o consumo uniforme de ideias sobre ética e democracia e justiça) é o único dono da palavra social. Se se inventar mídia que não seja única dona, feudatária, da palavra social, acaba-se o jornalismo-que-há.

Leia a tradução e  assista ao vídeo via Portal Vermelho clicando aqui.

Trecho:

BBC: Posso interrompê-lo, por favor... O senhor está dizendo que não condena o que houve ontem? Que não está chocado com o que houve em nossa comunidade ontem à noite?

Entrevistado: É claro que não condeno! Por que condenaria? A coisa que mais me preocupa é que havia um jovem chamado Mark Dogan, tinha casa, família, irmãos, irmãs. E a poucos metros de sua casa, um policial rebentou sua cabeça com um tiro. 


terça-feira, 14 de junho de 2011

ONU declara acesso à internet como direito humano


Acesso à rede é direito humano básico, diz ONU

O acesso à internet é um direito humano básico, declarou as Nações Unidas na semana passada. Segundo um extenso relatório, em inglês, desconectar indivíduos da web é uma violação dos direitos humanos e vai contra a lei internacional. “O Relator Especial da ONU salienta a natureza transformadora e única da internet não apenas para permitir que indivíduos exercitem seu direito à liberdade de opinião e expressão, mas também de uma série de outros direitos humanos, e para promover o progresso da sociedade como um todo”, relatou o sumário. Em março, uma entrevista da BBC em 26 países havia apontado que 79% das pessoas acreditam que o acesso à internet é um direito fundamental.

O documento foi divulgado no mesmo dia em que uma empresa de monitoramento revelou que 2/3 do acesso à internet na Síria foi bloqueado, sem aviso. “A recente onda de protestos em países do Oriente Médio e África do Norte mostrou o papel-chave que a internet pode desempenhar em mobilizar a população para pedir por justiça, igualdade e mais respeito aos direitos humanos. Sendo assim, facilitar o acesso à internet para todos os indivíduos, com a menor restrição ao conteúdo online possível, deve ser prioridade”, ressaltou o relatório.

Muitos ditadores e líderes no Oriente Médio reconhecem o poder da rede e tentam cortar seu acesso. Na maioria dos casos, no entanto, os cidadãos encontram uma maneira de furar o bloqueio. No Egito, por exemplo, centenas de indivíduos usaram modens e linhas de telefone antigos para conseguirem acesso por meio de uma rede global.

Bons exemplos

Alguns países já derem um passo à frente no reconhecimento da importância do acesso à rede. A Estônia aprovou, em 2000, uma lei que declara o acesso à internet um direito humano básico. Em 2009, a França fez o mesmo. Legisladores na Costa Rica tomaram uma iniciativa semelhante no ano passado. Já a Finlândia determinou, em 2009, que toda conexão à internet deve ter uma velocidade de, no mínimo, um megabyte por segundo. Informações de Nicholas Jackson [The Atlantic, 3/6/11].

Por Larriza Thurler (edição)
07/06/2011 na edição 645

Reproduzido do Observatório da Imprensa


Acesse o relatório clicando aqui.

Leia também "Liberdade na Internet está sob ameaça dos governos" clicando aqui.

sábado, 29 de janeiro de 2011

 

"Confrontada com a necessidade de fazer cortes drásticos em seu orçamento, o governo britânico reduziu em 20% os custos da BBC (British Broadcasting Corporation). A emissora, por sua vez, anunciou o fechamento de parte de seu serviço mundial, assim como a extinção de 200 sites do serviço online. As demissões, ao longo dos próximos três anos, podem chegar a 650, de um total de 2.400 funcionários no Serviço Mundial da BBC.

Os cortes ilustram a gravidade da crise econômica no Reino Unido. Refletem também a tentação, sempre presente no último século de reduzir a presença midiática da emissora fora do país, conforme afirmou ao Opera Mundi Laurindo Leal Filho, professor do Departamento de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). Autor dos livros BBC, a Melhor TV do Mundo e Vozes de Londres, dedicados ao serviço brasileiro da emissora, Leal Filho explicou que, para Londres, levar para o mundo os valores e a cultura britânica não é mais uma prioridade.

A filosofia de ser presente no mundo inteiro mudou frente às dificuldades?


Ao longo da história da BBC, duas correntes estiveram sempre presentes nas discussões sobre seu papel no mundo. Uma que entendia que o serviço mundial só justificava sua existência se falasse para localidades onde as liberdades democráticas estavam suprimidas e, quando restabelecidas, não haveria mais motivo para a emissora continuar. A outra, por sua vez, defendia a permanência do serviço em qualquer circunstância, como forma de levar ao mundo as formas de vida, os valores e a cultura britânica, além de prestar um serviço informativo o mais imparcial e independente possível. Esta segunda corrente vinha tendo sucesso, mas parece que, agora, começa a perder alguma força. Não toda, é verdade, tanto é que o Serviço Brasileiro permanece intacto.

O senhor acredita que o Reino Unido está perdendo um instrumento de “soft power” (utilização da estrutura do país para influenciar indiretamente o comportamento ou interesses de outras nações)?

Acredito que sim. Esses serviços funcionavam para mostrar, simbolicamente, o poder britânico para o mundo. Mesmo sofrendo forte concorrência de outras mídias, suponho que eles ainda tivessem um público fiel, que os acompanhava no rádio ou que, como acontece com o Brasil, na internet. É bom lembrar que o Serviço Mundial surgiu, no início do século passado, como Serviço Imperial. Era o centro do império falando para as colônias e para o mundo. Hoje, a situação é diferente e o serviço mundial – além das pressões econômicas internas – luta para se adaptar de um lado às novas tecnologias e de outro, ao papel atual que o Reino Unido desempenha no mundo".


Leia o texto completo com entrevista a Lalo Leal, por Lamia Oulalou da Redação do Opera Mundi, clicando aqui.