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sábado, 18 de outubro de 2014

#EuSou13


#EuSou13

Eu sou o negro, pardo, pobre, tingindo de pluralidade as brancas classes do Ensino Superior.

Eu sou a esperança clara da Reforma Política.

Eu sou a primeira conversa, do primeiro contato, do Invisível Social com um médico.

Eu sou a comida na boca de um povo que, pela primeira vez na história, saiu da linha da fome, mas não saiu nos jornais.

Eu sou a assinatura na carteira de trabalho da empregada doméstica e dos milhões de novos trabalhadores formais.

Eu sou a mãe que recebe auxílio para alimentar o filho e garantir o mínimo de cidadania e humanidade.

Eu sou a inflação controlada e a economia firme durante um terremoto econômico mundial.

Eu sou a desigualdade atingindo os menores índices da história do Brasil.

Eu sou os cofres públicos revigorados depois de uma desenfreada e desastrosa abertura para o capital estrangeiro.

Eu sou a memória olhando de frente para o passado.

Eu sou a Justiça com poder e autonomia para punir e investigar qualquer corrupção, independente da origem.

Eu sou o real como moeda forte e em proporção realista com o euro e o dólar.

Eu sou a inclusão de uma nova classe média que frequenta shoppings, compra carros, e exerce pela primeira vez o poder de escolha.

Eu sou o salário mínimo em nível recorde, garantindo a dignidade do trabalhador.

Eu sou o sono da primeira criança da família a dormir num quarto de verdade.

Eu sou o churrasco de domingo com os vizinhos, que agora também puderam financiar a sua casa e ter um lar.

Eu sou a viagem ao exterior do pesquisador sem fronteiras.

Eu sou o primeiro diploma da minha família, que nunca antes sequer tinha pisado numa universidade.

Eu sou o pré-sal e a perspectiva de um futuro ainda melhor para o nosso país.

Eu sou a cultura recebendo investimentos em toda a cadeia produtiva e sendo vista como bem simbólico e não só material.

Eu sou as estatais fortes, garantindo emprego e crescimento para o país.

Eu sou o jovem que pode optar por uma ampla oferta de formação técnica.

Eu sou o Estado presente e solidário.

Eu sou a travesti, funcionária pública, que pela primeira vez recebe o seu ordenado sob seu nome social.

Eu sou o pai e a mãe de família que puderam ter uma casa, através do maior programa habitacional do país.

Eu sou 13 por essas e por muitas outras razões.

Eu sou o meu voto.
O meu voto não é só pra mim.
O meu voto é para o Outro.
O meu voto é para Todos.

#EuSou13

Este vídeo foi realizado de forma independente por artistas por artistas do Rio Grande do Sul.

Via Muda Mais

18 out 2014

Confira o vídeo que artistas, produtores e cineastas produziram, de forma independente, no Rio Grande do Sul:

domingo, 25 de novembro de 2012

Educação superior sofre com indústria da pesquisa



Educação superior sofre com indústria da pesquisa

Luiz Felipe Pondé, filósofo e professor
Entrevista à Gazeta do Povo
19/11/2012

Ele é um dos polemistas mais lidos no momento. Com a acidez que lhe é peculiar, o filósofo, professor e escritor Luiz Felipe Pondé diz que além do patrulhamento ideológico, é a burocracia montada pela “indústria da pesquisa” o que sufoca a discussão aberta de ideias nas universidades, especialmente nas maiores.

Ele esteve em Curitiba no início do mês para falar sobre educação, a convite das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil). Na ocasião, divulgou seu último livro, Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, da Editora LeYa, que está há cerca de 30 semanas entre os mais vendidos no Brasil. Confira trechos da entrevista concedida à Gazeta do Povo.

Do que se trata o politicamente correto e como ele está presente na academia?

É um fenômeno que surgiu nos Estados Unidos e tem várias raízes. Uma delas vem do chamado pragmatismo, que entende que, se você muda o modo de falar, muda o modo de agir no mundo. Esse pensamento tem a intenção de introduzir o mal estar no uso de determinadas palavras para que isso se transforme no modo de você ver o mundo. Por exemplo, não usar o termo “ele” para Deus, porque isso dá a entender que Deus é masculino, e por isso as mulheres seriam inferiores. Isso se transformou numa espécie de patrulha ideológica que atrapalha a vida de todo mundo. Leva você a ter medo de dizer ou escrever determinadas coisas, sob o risco de te chamarem de racista, sexista. Na universidade, ele se transforma em grupos de domínio institucional que destroem a carreira de pessoas que adotam outra postura ideológica.

Como você lida com seus colegas, professores universitários, que veem preconceito em muito do que você diz?

Eles não veem preconceito, eles mentem. Sabem que não é preconceito. O principal motivo de inimizade é o de que você não pode fazer sucesso na vida acadêmica. Não pode ter sala cheia na pós-graduação, porque fica todo mundo irritado. A reação piora quando você vai para a mídia e começa a vender livro.

As universidades estão “infestadas” de política?

A vida universitária é quase toda política e quase nada conhecimento. Você tem de garantir a carreira, a verba de pesquisa, a influência institucional. Isso é pior nas grandes universidades, porque elas estão mais inseridas na indústria da pesquisa, que envolve CNPq, lista Qualis, Scielo e todo um emaranhado de coisas.

Entre os que criticam você, há quem diga que não se pode abrir mão de certa polidez na educação, especialmente no ensino fundamental, sob o risco de tornar os alunos pessoas insensíveis e menos tolerantes.

Polidez e politicamente correto não são a mesma coisa. Vamos dizer que eu quero combater o preconceito contra índios. Aí eu digo que [Hernán] Cortez era um cara malvado e os astecas eram vítimas. É claro que o Cortez não devia ser um santo, mas dizer que os astecas eram bonzinhos é conversa pra boi dormir. Quando você chega na educação com a intenção de combater o preconceito contra os índios e inventa histórias como essas, isso não é polidez, é má educação. Eu aprendi a ser educado, polido, sem que ninguém precisasse mentir para mim.

Em um dos capítulos do seu último livro você é bastante duro com os cursos de ciências humanas ao dizer que neles há “hordas de inseguros, medíocres e covardes”. Por quê?

Esse argumento da insegurança não é meu, é de um pensador canadense chamado Northrop Frye. Ele diz que nas ciências humanas estão inseguros e ressentidos que se escondem atrás de uma teoria para não correr nenhum risco. Muita gente faz ciências humanas por que é fácil, mas também há muita gente que faz porque pensa ser um Marx ou um Nietzsche. Depois vira apenas professor, passa o resto da vida dizendo que fez doutorado e escrevendo textos que ninguém lê.

Parte do que eu digo é fruto da irritação que eu tenho com a burocracia acadêmica. Tem um pouco de romântico ressentido nisso.

Você influencia seus alunos para que sejam con­­­­­­­servadores?

Esse conceito de conservador é bastante problemático, porque o usam com muita imprecisão. Conservador, em política, é quem se identifica com uma tradição filosófica que duvida de qualquer teoria que diz poder mudar o mundo a partir de um punhado de ideias. Edmund Burke, um dos pais dessa tradição, critica as “closet theories” (teorias de gabinete, em português), típicas de gente que fica numa sala pensando como a humanidade é, como deveria ser e o que fazer para mudá-la. Na prática, quase sempre, significa matar um monte de gente que não concorda com você. Do ponto de vista conservador, autores como Marx, Rousseau e Foucault são aquele tipo de gente que ama a humanidade e detesta seu vizinho. Adora a ideia de homem e tem muita dificuldade em lidar com a pessoa real.

Eu sei que influencio muita gente, mas não tenho a preocupação de fazer com que os alunos pensem como eu. Não gosto de pregar em sala de aula, mas já aconteceu de alunos se espantarem ao se descobrirem conservadores. Aí eu digo que não é preciso agir como se descobrisse que tem leucemia.

Reproduzido de Gazeta do Povo
19 nov 2012

Saiba mais do "Guia do politicamento incorreto na Filosofia", clicando aqui.



Comentário de Filosomídia:

Este senhor deveria ter um programa de televisão só dele... Eu até arriscaria um nome para tal: "Filosoidiotização em foco".

domingo, 22 de julho de 2012

Os Três Porquinhos: "As ideologias que ensinamos às crianças"...

As ideologias que ensinamos às crianças...

Ligia Deslandes

Hoje, fiquei tentada pelo meu filho de 25 anos a escrever sobre a consciência política e os valores das novas gerações. No caso, as nossas crianças e os nossos jovens e adolescentes. Sou mãe de quatro filhos e avó de dois netos. Fora isso, sou sindicalista e professora! Além disso, promovo um projeto cultural de dança voltado a jovens e adolescentes.

No bojo de tudo isso o que estou tentando fazer é empreender esforços para que crianças e jovens possam ter uma educação de qualidade. A qualidade não da informação, que isso hoje existe aos borbotões, de várias nuances e com vários significados, mas, a qualidade da formação política, da consciência cidadã, a educação descolonizada, que nos falta a muitos.

Meus professores universitários foram importantíssimos para ajudar a despertar em mim o que já existia desde tenra idade, mas, meus professores da escola básica, esses, foram fundamentais junto com meus pais a me incutir os valores e crenças sociais. Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos...

Mas, voltando ao meu filho, que foi quem me provocou a fazer esse texto, reproduzo aqui a história que ele contou a seu filho, meu neto, dos Três Porquinhos. Confesso que fiquei orgulhosa da inovação dele e vivenciei de outra forma (como se não soubesse) a responsabilidade que os pais tem nas crenças dos filhos.

"Era uma vez um lobo solitário que queria muito ter amigos. Nas suas andanças procurando um amigo encontrou um porquinho que vivia numa casa de palha. O porquinho olhou o lobo pela janela e ao ver sua aparência, preto, alto, forte, uma boca enorme e cheia de dentes, ficou desconfiado e não abriu a porta.

O lobo gritava para o porquinho. Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo! E de tanto gritar e por ser forte e grande, a força de seu grito fez desmoronar a casa de palha do porquinho que já estava discriminando o lobo por sua aparência, mais assustado ainda ficou e fugiu. O lobo foi atrás do porquinho gritando: Eu quero ser seu amigo!  Eu quero ser seu amigo!

O porquinho entrou na casa de madeira de seu irmão e lá ficou. O irmão do porquinho olhou o lobo e julgando-o como seu irmão pela aparência não abriu a porta! O lobo continuou a gritar: Quero ser seu amigo! Quero ser seu amigo! E de tanto gritar e seu grito era forte, derrubou a casa de madeira do irmão do porquinho, que abrigava os dois porquinhos que também não tinha alicerces como a casa de palha. Os dois porquinhos fugiram para a casa de tijolos de seu outro irmão e o lobo foi atrás, sempre gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O terceiro irmão também discriminou o lobo pela sua aparência e não deixou ele entrar na casa. E o lobo continuou gritando. Depois de algum tempo, começou uma chuva torrencial. E o lobo lá fora gritando: Eu quero ser seu amigo!

Só então, os porquinhos admirados pela constância do lobo em continuar ali gritando na chuva, resolveram sair para saber o que ele queria. Ouviram então o lobo emocionado dizer: Eu quero ser seu amigo! Juntos podemos mais!

Ainda desconfiados, chegaram perto do lobo, que todo molhado os abraçou e só então, só então mesmo, eles deixaram o lobo entrar na casa. E dali em diante lobo e porquinhos se tornaram amigos inseparáveis cada um fazendo o que sabe para tornar a vida na floresta um pouco melhor."

Vou restringir aqui os comentários do meu filho com o filho dele a respeito da história. Pois, ele tece comentários junto com o texto. Ah, esse meu neto só tem 10 meses. Mas, segundo ele presta muita atenção a história e só dorme quando ele termina. Vou restringir também meus comentários. Vocês leram a história e podem tirar suas conclusões!

A consciência política começa desde pequenino.

Reproduzido de Ligia Deslandes
22 jul 2012

Comentário de Filosomídia:

Essa linda estória de amizade e solidariedade, e compromisso e amor pela educação entre avó, filho e netos me deixou co-movido...

Lígia, falou e disse, toca numa ferida aberta que não cicatriza...

“Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos”...

E, fantástica a estória dos Três Porquinhos contatada por seu filho aos netos. Compartilho contigo, Lígia, o orgulho que tive também ao ler o texto. Sim, “juntos podemos mais” e é desse jeito que vamos re-evolucionar o mundo, provocar re-vira-voltas!

Lindo, lindo, co-movente...

Obrigado a vocês e um abraço, um beijo e um pedaço de queijo para seus netos.

(...)

Os Três Porquinhos é um conto de fadas cujos personagens são exclusivamente animais. As primeiras edições do conto datam do século XVIII, porém, imagina-se que a história seja muito mais antiga. Wikipedia

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A vassalagem nas editorias de política e economia da grande mídia corporativa...


O que move o partido-imprensa

Gilson Caroni Filho*

MervalPereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro.

A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.

Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso "modernizante" pretendia - e ainda pretende - substituir o "arcaísmo" do fazer político pela "eficiência" do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?

O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.

O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.

O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em "ganhos de eficiência", com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.

Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.

Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência, endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.

* É professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Reproduzido de Carta Maior
08/01/2012

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mídia, poder e política: pactos nos anos de FHC no planalto


Análise de Luis Nassif, no artigo “PSDB, a impossível reconstrução”. Muito bom o texto, especialmente na parte que - para mim esclarece muito sobre - o papel do Ministério das Comunicações na pessoa do Sérgio Motta durante o governo FHC, contribuindo para o que está acontecendo com "aquele" partido agora. Até Wikipedia detona o antigo ministro das Comunicações.

Reparem, no texto completo, os parágrafos seguintes a "Essa imagem garantia adesão de segmentos amplos da classe média, um pacto com a mídia e permitia ao partido ser um imã, atraindo boas ideias dos segmentos modernizadores do país. Nem precisava se esforçar".

Parece que após 2002 começamos a viver uma lenta, mas progressiva desconstrução da influência desse pacto em nossa sociedade, e creio que muita coisa boa virá pela frente, com a participação da sociedade menos manipulada, e lutando pela democratização nos meios de comunicação, regulação do setor etc. 


“O drama do PSDB – que compromete seu futuro político – é enorme. Tinha uma imagem pública que se esboroou no período FHC-Serra.

Essa imagem garantia adesão de segmentos amplos da classe média, um pacto com a mídia e permitia ao partido ser um imã, atraindo boas ideias dos segmentos modernizadores do país. Nem precisava se esforçar.

Grosso modo, no período pré-Internet três grupos participavam da formação da imagem de partidos, personagens, produtos.

No primeiro nível, os formadores de opinião, conjunto restrito de economistas, acadêmicos, jornalistas, empresários, lideranças civis, especialistas setoriais que identificam virtudes ou defeitos e formavam o primeiro e mais consistente julgamento.
No segundo nível, os propagadores de opiniões, influenciados pelo primeiro grupo. Integram esse conjunto colunistas da velha mídia (alguns poucos são do primeiro nível), editores, âncoras de rádio e TV e, num plano mais amplo, a estrutura de opinião de rádios e TVs por todo o país, operando como caixa de ressonância.

No terceiro nível, o eleitor propriamente dito, a maior parte dos quais se escuda em ideias vagas sobre o tema analisado, impressões apenas, formadas a partir de ecos do debate no segundo nível.

Apesar do circuito se mover muito mais por impressões e formação superficial de imagem, se não tiver bem alicerçado no primeiro nível, dança”.

Leia o texto completo em Luis Nassif Online clicando aqui.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Razão & Sensibilidade: o porão da universidade?


"Não é novidade que para refletirmos sociologicamente sobre a universidade pública hoje, devemos levar em conta as tendências de boa parte da sociedade civil e as diretrizes que o Estado tem levado a adotar desde sua criação. Que existem formulações e perspectivas que de uma forma ou de outra querem redefinir a correspondência desejável entre a civilização emergente e a “universidade necessária”. Pois enquanto a sociedade civil está predominantemente determinada pelo jogo das forças sociais internas, o Estado e os governos locais parecem estar crescentemente determinados pelo jogo das forças sociais e políticas que operam de fora para dentro do Brasil.

(...) Platão (427-347 a. C.), o pai da filosofia política ocidental, tentou de várias formas se opor à polis e ao que ela entendia por liberdade por meio de uma teoria política na qual os critérios políticos eram derivados não da política, mas da filosofia, de uma Constituição detalhada cujas leis correspondiam a ideias somente acessíveis ao filósofo e, finalmente, influenciando um governante para que transformasse essa legislação em realidade – intento que quase lhe custou a liberdade e a própria vida. A fundação da Academia foi outro de tais intentos, ao mesmo tempo em oposição à polis, por situá-la fora da arena política, e em consonância com o conteúdo desse espaço político especificamente greco-ateniense, que é o fato de falarem os homens uns com os outros. Com isso emergiu, ao lado da esfera da liberdade política, um novo espaço de liberdade que sobrevive até a nossa época na forma da liberdade das universidades e da liberdade acadêmica.

Embora criada, como é sabido, à imagem de uma liberdade originalmente experimentada como política e presumivelmente entendida por Platão como cerne ou gênese da definição da vida em comum da maioria no futuro, essa liberdade resultou efetivamente na introdução de um novo conceito de liberdade no mundo. O fato é que, em contraposição a uma liberdade puramente filosófica válida somente para o indivíduo, para o qual tudo que é político é tão remoto que somente o corpo do filósofo habita a polis, essa liberdade da minoria é política por natureza. Melhor dizendo, o espaço livre da Academia devia ser um substituto plenamente válido da praça do mercado, a ágora, o espaço central da liberdade na polis. Para se manter como tal, a minoria tinha de exigir que sua atividade, seu falar uns com os outros, fosse dispensada das atividades da polis da mesma forma como os cidadãos de Atenas eram dispensados das atividades destinadas a ganhar o pão de cada dia.

Para Hannah Arendt ela precisava ser libertada da política no sentido grego, isto é, para ser livre no espaço da liberdade acadêmica, da mesma forma como o cidadão tinha de se libertar das necessidades práticas da vida para estar livre para a política. Para entrar no “espaço acadêmico”, os poucos tinham de sair do espaço da política real, da mesma forma como os cidadãos tinham de deixar a privacidade de seus lares para ir à praça do mercado. Assim como a libertação do trabalho e das preocupações cotidianas era um pré-requisito para a liberdade do homem político, a libertação da política era um pré-requisito para a liberdade do acadêmico.

A fundação da Academia, porém, revelou-se extraordinariamente importante para aquilo que ainda hoje entendemos por liberdade. Platão talvez acreditasse que a Academia pudesse algum dia conquistar e governar a polis. Mas sua única consequência efetiva, para os sucessores de Platão e os filósofos subsequentes, foi que a Academia garantiu à minoria o espaço institucionalizado de uma liberdade entendida desde o começo como contraposta à liberdade da “praça do mercado”. Ou seja, ao mundo das falsas opiniões e dos discursos enganosos se deveria opor o seu correlato, o mundo da verdade e do discurso compatível com a verdade, a ciência da dialética em oposição à arte da retórica".

Ubiracy de Souza Braga . Espaço Acadêmico

Leia o texto completo clicando aqui.

Foto: A Escola de Atenas, pintura de Rafael Sanzio (1483-1520), pintura que se encontra no Colégio Apostólico, Vaticano. Platão, ao centro vestido de vermelho, segura um tratao ( o Timeu) e aponta para o alto.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Blindagem político-informacional na abordagem jornalística a políticos sobre a tragédia no Rio de Janeiro "causada" pelas chuvas


"(...) Bem, já que político vive de retórica, cabe aos jornalistas procurarem formas de extrair respostas mais objetivas, que, ao menos, possam dar conta de questões como 1) por quê não foi investido o montante de recursos que deveria ter sido aplicado nos últimos anos nessa sensível região, a fim de prevenir a recorrência de casos como o de agora?; 2) por quê cargas d’água (com o perdão do trocadilho) o crescimento desordenado em morros e encostas continuou?; 3) quando será elaborado um programa de habitação que possa realocar pessoas que vivem em áreas de risco, sem que isso signifique uma substantiva perda de qualidade de vida para elas?, etc...

Claro que, dito assim, parece fácil. Imagino que tais perguntas tenham sido feitas de fato. O que talvez esteja faltando é adotar novas estratégias de apuração, que envolvam uma reformulação da “agenda setting”, isto é, da própria pauta, alterando, por exemplo, os modelos de seleção de fontes e hierarquização da informação, e, consequentemente, as próprias perguntas que deverão ser feitas. E, como complemento, resultado ou mesmo causa (depende do ponto de vista) é necessário rever a exigência por leads que contenham ações de visibilidade e espetaculares, cifras ou frases de efeito, por mais vazias que sejam.

Com a proliferação de assessorias de imprensa que ocorre nos dias de hoje, é fundamental que os repórteres se reciclem e reavaliem até os mais consolidados paradigmas. Do contrário, as respostas prontas, estilo ready-made, prevalecerão nos holofotes, ofuscando amiúde as informações de real interesse social".

Leia o texto completo na página do ConsciênciaNet clicando aqui.