Mostrando postagens com marcador Florianópolis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Florianópolis. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de novembro de 2012

Florianópolis abalando nas mídias com as ruas em chamas: e, eu com isso?


Florianópolis abalando nas mídias com as ruas em chamas: e, eu com isso?

Quando a polititicagem da ilha de “belezas sem par” e da Santíssima Catarina da Tríplice Aliança se prestarem a encarar e assumir suas responsabilidades pessoais/coletivas nos cargos que ocupam, prestando o necessário serviço à sociedade ao invés de apenas mamarem nas tetas cornucópicas dos poderes, vai que tudo não apenas se disfarce de “paz” e “tranquilidade pro nosso cidadão”, e a situação volte “a “normalidade”, “cessem” os “transtornos” e que “o bem já venceu o mal”...

Assim disseram, com cara de compungidos borocoxôs, as apresentadoras do Jornal do Almoço RBS/SC 17/11/12), e o presidente da SETUF – o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis – parecendo demonstrar infinita preocupação com a qualidade vida dos motoristas, cobradores e passageiros. Além disso, sabemos da preocupação em relação ao patrimônio (não segurado) de suas empresas. Cenas anteriores e seguintes, Carnafloripa, festival de música eletrônica, reforço da PM contra o “terrorismo”, uma outra notícia final sobre “solidariedade” para afagar o coração dos espectadores/consumidores tão “quiridos”.

Tudo normal para a mídia no papel dela de des-informar e manter a notícia quentinha na cabeça do povo sob os panos com suas chamadas urgentes, seus plantões de notititícia das fofocas que aquela “gente faz pra você”... O jornal foi muito, digamos, mixuruca, pois que não botaram mais fogo pelas ruas para que o show midiático fizesse as delícias da dieta informacional do dia. Ó céus, ó azar...

Que “normalidade” seria essa para esse “pedacinho de terra perdido no mar”? Que a polititica e os des-mandos continuem na paz da mesmice desse “amor” e solicitude dos poderosos pela ilha? Que se apagassem os focos de uns incêndios para que esses não revelassem outros?

No mais, que “bandidos” são esses cujos alvos são “aterrorizar” a população atacando os motoristas e cobradores dos ônibus, os PM nos postos guardando a serenidade dos que dormem sossegados pela madrugada? Esses pobre-coitados são tão explorados pelo “regime” quanto a população pé de chinelo que segue aflita pela vida e seus afazeres, quando era feriado nessa sexta (16/11) apenas para expressiva parte dos servidores públicos estaduais, e seus digníssimos representantes da elite de raposas velhas e novas da polititica regional...

E, de qual “bandidagem” estamos tratando? De laranjas pés de chinelo, explorados que entopem as cadeias e cumprem ordens de outros mandatários, ou dos que cometem os crimes de estelionato, prevaricação, improbidade administrativa, também soltinhos da silva que trabalham e moram muito bem, e muito além das zonas de maior “periculosidade”? Esses não andam de ônibus em comboio, escoltados pela PM solícita na defesa dos “cidadãos”.

Se por uma infelicidade e completa atrocidade fossem os alvos as lanchas e carrões importados, os domicílios nobres ou as cadeiras almofadadas de gabinetes de poderosos, aí sim, que o ”high society “ de uma Florianópolis em chamas teria abalada as mais sacrossantas bases da ordem e do progresso republicando tão formosamente representados pelos diligentes e dirigentes das santíssimas alianças que se fazem aqui na Capitania Hereditária há 500 anos.

Fazer promessas “Por uma cidade mais humana” é fácil, fácil, quando o real interesse dos nobres mandatários legitimados pelo voto parece ser manter a desordem, e a confusão generalizada, para que eles mesmos se apresentem como os salvadores da pátria e de tudo o que desassossega o cidadão/eleitor.

Será que os quase não eleitos César Júnior e João Amim vão se prestar a fazer mais que “sincronizar os semáforos” para resolver os problemas de trânsito do município ou, segundo seu folhetim eleitoreiro, ir além da constatação de que “a Guarda Municipal é uma fábrica de multas” e ele “vai cuidar das praças e da porta das escolas para a proteção de nossas crianças”? Aliás, nem deram ainda as caras para falar do assunto ao povo, ao cidadão aterrorizado...

Quem sobreviver às noites e dias de “terrorismo” verá o que virá: aumento das tarifas do transporte urbano, engarrafamentos de verão, acidentes e mortes, falta de infraestrutura, navios e cruzeiros que não atracam, falta de água, e a mesmice da “paz” na ilha da fantasia no verão que chega e das estações que se sucedem inalteradas.

Que os defensores do voto branco e nulo no segundo turno das eleições em Florianópolis sejam os primeiros da fila a enfrentar os cacetetes, bombas de gás lacrimogêneo e tirania, da PM e dos guardadores das virtudes republicanas que nessa semana saíram em prestimosa defesa dos cidadãos e cidadãs da Grande Florianópolis e do Estado da Santíssima e milagreira Catarina. Esse circo polititico e midiático armado com idiotas mal humorados, no picadeiro e nas arquibancadas, vai pegando fogo...

Sairá tudo no Jornal do Almoço e nos “shows da vida”, no prato feito da notícia entre sangue, ostras e champanhes importadas, com as inevitáveis matérias requentadas do arrozinho com feijão da mídia, como é feito todos os anos... e os borocoxôs seremos muitos de nós a assistir a mesmice, omissos e coniventes com tantas “belezas sem par” nos horrores que acontecem e arranham a imagem da “capital do turismo do Mercosul” com Índice de Desenvolvimento Humano e delírios de grandeza na estratosfera, afofando almofadas, esquentando travesseiros e assentos, acompanhando a propalada calamidade pública pelas telas. Vidiotas e cidadãos sem direitos, com indigestão crônica pelo que essa classe dominante nos enfia goela abaixo, alienados de qualquer traço de dignidade humana.

Quando a consciência cidadã estiver no limite da azucrinação e indignada com tantos bandidos, malfeitos e mal-feitores da senzala política e midiática é que mais que um milagre acontecerá nessas bandas. Com tantas notícias muitas vezes bem plantadas, com requintes tecnológicos, cores e gostos para a persuasão do povo espectador de tantas des-ordens, há que se ir até as raízes dos fatos para des-cobrir o que produz tudo isso e, lutar para a vivência e plenitude dos direitos nesses mares, ilhas e desertos com suas “matas escuras” de caçadores e caças de culpados, de bandidos e mocinhos na luta do bem contra o mal nesse mundinho de falta de vontade de mudar, de não transformar nada.

E eu com isso?

Eu creio que sobra incêndio onde falta luz interior... e, o que seja bondade e ruindade começa ali, bem dentro da gente.

Então, vou me fazer, ser e sentir “caçador de mim”. Querer ser nessa vida nos faz assim, estar numa ilha e nesse mundo sem ser deles, “sem nada a temer, senão o correr da luta”, sonhando e realizando, dia a dia na des-coberta de uma vida, do bem conviver e do bem viver para todos... consciência cosmocidadã...

Seguir nesse caminho de amadurecimento e aprofundamento, na com-paixão, na paz e alegria com o Outro, na Educação vivida com amor, porque “ordem e progresso” num sentido mais profundo só virão quando formos conscientes de nossa dignidade, responsáveis com a devida coragem e boa vontade para mudar o que seja preciso na busca e na entrega a uma harmonia que promova a re-evolução, pessoal, comunitária, fraternal, verdadeira solidariedade que co-mova os corações e mentes numa comum-única-ação, ascensão numa luz que incendeia o universo...

As estrelas que o digam, e nos indiquem esses possíveis caminhos para nos e-levarmos a esse Outro Mundo tão querido...

Leo Nogueira Paqonawta

sábado, 27 de outubro de 2012

Mais alguma coisa das notititícias sobre as escolas e Educação nos meios de comunicação hegemônicos...

Foto: Guto Kuerten/RBS na matéria indicada*.

Mais alguma coisa das notititícias sobre as escolas e Educação nos meios de comunicação hegemônicos...

As Professoras e os estudantes falaram muito bem nesse vídeo (na matéria abaixo*), tanto sobre as realidades duras vividas por todos na escola pública, da postura do profissional da Educação, dos momentos de estudo quanto das horas de trocas amorosas e de amizade que vivemos nesse cotidiano, na interação de tantos que lutam pela humanização de nossas instituições.

Quanto às mídias hegemônicas, elas seguem fazendo o seu papel de criar sensacionalismo barato para aumentar e fidelizar audiência, gerar lucros exorbitantes às empresas que seguem des-reguladas monopolizando a “fala”, manipulando os recortes que fazem dos fatos para se fazerem de donas da verdade, inclusive sobre a Educação.

Essas empresas de anti-comunicação mal informam, mal falam e mal veem a sociedade. Elas des-informam nesse papel que escolheram para si nessa tarefa de distrair o público das verdadeiras questões, das que acontecem nos bastidores da super-regulação da Educação e do trabalho do docente, e da defesa da des-regulação dos meios de comunicação que fazem o que bem entendem no ditar a pauta das pseudo discussões sobre qualquer tema. E, chamam especialistas para dar palpites em seus telejornais, como que querendo legitimar suas posições conservadoras e tradicionais do mundo global que defendem na cor de rosa platinada do “tudo a ver”...

Nessas matérias e reportagens de des-infomação as mídias hegemônicas mordem e assopram quando querem nos fazer engolir goela abaixo o que escolhem para ser relevante nessa dieta informacional.

Vale mais ainda nesse caso colocado em pauta (pela mídia) que, como profissionais da Educação, somos nós, o povo, as escolas, alunos e professores, pais e responsáveis, as gentes desse imenso país é que devemos lutar para democratizar o acesso aos meios de comunicação.

Como professores, temos o dever não só o da simples mediação entre o conteúdo e forma do que fazem as mídias hegemônicas e o que os estudantes/comunidade espectadores assistem/veem/leem. Temos o dever de discutir as razões disso tudo ser assim, dessa maneira monopolizada dos discursos oficiais, de lutar para as escolas terem os seus próprios meios de comunicação, de propor e dar visibilidade ao infinito de possibilidades e ações desenvolvidas na comunidade escolar, dando nós mesmos as notícias e apresentando os fatos em reportagens e matérias construídas com a participação de todos, sobretudo do aluno como sujeito e ator social “do” e “no” que é a Educação e a Escola.

Devemos nos libertar das imposições das mídias hegemônicas e re-criar nossos canais de comunicação com a sociedade, e não ficarmos sob as determinações e imperativos do que essas empresas de anti-comunicação fazem.

Vamos à luta pela democratização, pela co-participação de todos nas decisões no que se refere à Educação e Meios de Comunicação!

Leo Nogueira Paqonawta

Leia e assista ao vídeo na matéria abaixo:

* "Professores e alunos de escola na Grande Florianópolis se posicionam a favor da docente que aparece em vídeo", no ClicRBS (26/10/12), clicando aqui.

Leia também texto relacionado:

"As notititícias da dieta informacional de cada dia...", por Leo Nogueira Paqonawta no Blog Telejornais e Crianças no Brasil (02/10/12) clicando aqui. Trecho abaixo:
As escolas como aparato ideológico do mercado - capitalista, diga-se de passagem - são no mais das vezes des-merecedoras de recursos constitucionalmente determinados para a Educação, e professores fazem o que podem, e até onde têm forças, para que os projetos políticos pedagógicos de cada unidade escolar contribuam para a boa formação das crianças e adolescentes em nosso país. Tantas outras vezes acabam se rendendo à reprodução desse estado de coisas des-humanizante que muitos polititicos fazem questão de perpetuar, esses mesmos que se fazem vassalos do sistema hegemônico e consagrado ao consumo desmedido. Eles até são pagos para isso...

E, as notititícias, como fofocas e futricas diárias desse mundo agonizante, vão e vêm em todos os horários, nobres e plebeus de todas as classes de consumidores, trazidos pelas empresas e grandes corporações que controlam os meios comunicação.

Salve-se quem puder dessa dieta informacional cada vez mais intragável e, quanto pudermos, muito bom ter os olhos críticos muito maiores que o que nossa barriga, e paciência, possa suportar. Chega um dia, ou uma hora, em que não dá mais pra ficar chupando o dedo, até o osso, olhando tudo isso passar à nossa frente e, é preciso agir e re-agir, indignar-se contra isso, contra qualquer forma de opressão e agressão, seja das mídias e, até mesmo quando no caso ela venha no que aparentemente seja por uma adolescente que age “sozinha” nas redes sociais.

Em sã consciência, nós não devemos ser cúmplices disso, dessa liberdade de opressão e opinião que com o tempo enche tanto o saco - o de plástico do supermercadinho da mídia e o metafórico - que é preciso dizer basta! Basta de re-produzir a opressão, a agressividade legitimada pela mídia que diz saber das coisas e ser a dona da verdade! “Hay que endurecerse” contra qualquer tirania...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

COEB 2012: Congresso de Educação Básica . Aprendizagem e Currículo


Em 2011 a Secretaria de Educação do Município de Florianópolis realizou a primeira edição do Congresso de Educação Básica – COEB 2011, tendo como eixo a temática “Aprendizagem em Contexto”. As discussões estabelecidas movimentaram as práticas político-pedagógicas, tanto no âmbito da formação continuada, quanto na atuação dos profissionais da educação nas unidades educativas. Em decorrência, percebeu-se a necessidade de ampliar os debates sobre a aprendizagem na interface com o currículo, compreendendo que a Educação é, na contemporaneidade, um objeto de estudo fundamental para a edificação da cidadania e a construção de uma sociedade socioambientalmente sustentável.

O Município de Florianópolis tem apoiado e sido parceiro das políticas educacionais nacionais, corroborando o regime de colaboração entre os entes federados. Destacamos aqui, a atuação da CAPES no fomento à formação dos profissionais da educação básica. A segunda edição do COEB marca uma estreita sintonia com as discussões fomentadas pelo Ministério da Educação sobre aprendizagem e currículo. É necessário um amplo processo de estudo e formação, com o objetivo de discutir os princípios e diretrizes de uma educação integral de qualidade social, no esforço de construirmos as diretrizes pedagógicas e matrizes curriculares do município de Florianópolis.

Faz-se necessário continuar investindo na formação continuada dos profissionais da educação, com o intuito de garantir uma avaliação e um aperfeiçoamento contínuos do trabalho educativo.

Finalidadades do Evento

1. Ampliar o espectro de abrangência da reflexão e do envolvimento dos processos educativos, visando à qualificação da prática pedagógica no cotidiano escolar e à integração entre as diferentes etapas e modalidades de ensino, que compõem a Educação Básica, no município de Florianópolis.

2. Promover o aperfeiçoamento contínuo dos profissionais da educação, no intuito de refletir sobre diferentes temáticas relacionadas com a aprendizagem e currículo, para consolidação das diretrizes municipais e nacionais da educação básica, destacando-se: O professor na sociedade contemporânea: contradições e desafios; Docência e Mediação da Aprendizagem; Aprendizagem nas Diferentes Dimensões; Currículo e Infância; Aprendizagem e Linguagens; Currículo em Rede; Docência e Alteridade; Educação, Ética e Sustentabilidade; Gestão e Aprendizagem; Resiliência na Educação.

Público Alvo

Profissionais das Redes Públicas de Ensino da Educação Básica.

Mais informações na página do evento, clicando aqui.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Coisas da des-magia da Ilha de Santa Catarina...


Desbafo da Família Lorenzo*

"Viemos para o Brasil com o coração aberto, prontos para fazer dele a nossa segunda pátria e, como forma de gratidão, deixar a nossa contribuição com tudo que temos de melhor: o amor que nos une, a coragem de recomeçar do zero, a vontade de ser útil e de fazer amigos, o valor do trabalho. Foram anos difíceis com muita luta pela sobrevivência e adaptação. Mas foram eles que nos fizeram merecedores da oportunidade de um terreno e, a partir dele, o lugar adequado para colocarmos em prática um dom de família: a culinária. O preço era muito bom, principalmente porque ninguém, até então, tivera arrojo suficiente para explorar, de uma forma ecologicamente correta, aquele paraíso. Até então, porque nós, da família Lorenzo, tivemos. Colocamos cada tijolo de uma forma respeitosa com a natureza, atitude que nos é culturalmente familiar e, inclusive, porque sabíamos que ela seria o palco ideal para desenvolvermos a nossa arte, entregando a Florianópolis um belo e precioso cartão de visitas. Assim foi feito: não demorou muito e o Restaurante João de Barro tornou-se referência, não só na gastronomia, mas também na belíssima paisagem que todos desfrutam enquanto saboreiam um delicioso jantar. Mais felizes ficam todos quando prestamos uma homenagem a esta ilha que tão bem nos acolheu.

Trata-se de um momento mágico, à luz de velas, ao som de violão e voz numa belíssima interpretação do Rancho de Amor à Ilha, e com um final apoteótico colorindo o céu com os antigos fogos de artifício, hoje com uma adaptação deles. Não há quem não se emocione e não espere por este momento. Neste clima amistoso e familiar, 16 anos se passaram e, há 8 anos, integrou-se a nós a Lorenzo´s Pizzaria, outro patrimônio formado pelo nosso esforço e suor.

A pizzaria é um lugar pitoresco, onde as crianças têm espaço para fazerem a sua própria pizza, para usar livros de história e brinquedos, o que elas adoram, e os adultos se sentem em casa. Se cometemos erros? Sim, quem nunca os cometeu? Mas, todos eles foram passíveis de correção e de conciliação. Em contrapartida, os acertos e benefícios são infinitamente maiores, a começar pela geração de empregos, sendo a maioria dos funcionários antigos de casa, além de uma clientela fiel que mantém as casas o ano todo, o que atesta, sem sombra de dúvida, a qualidade dos nossos serviços prestados.

Agora, desde o final do ano passado, eis que passamos a ser vítimas do que podemos chamar de perseguição gratuita ou por intenção que até agora nos é desconhecida, tamanha é a fúria das acusações, que nos chegam de surpresa, uma atrás da outra, nos fazendo reféns - financeira e emocionalmente – de situações que não condizem com a realidade soberana e das quais temos que nos defender. Afinal, não podemos deixar que destruam tudo o que nós construímos e que, hoje, nem é só nosso: é também uma conquista de Florianópolis. Nós, e todos os nossos funcionários e clientes, não fazemos outra coisa, desde então, do que suportar todos os bombardeios que, cada vez mais, nos perturbam e fogem do nosso entendimento.

Como explicar, aplicando a Justiça, que um casal com um filho escolha para morar, por livre e espontânea vontade, uma casa próxima a dois restaurantes, num mesmo terreno que lhes é comum, inclusive sendo de trânsito público, já que é considerado uma Servidão, e, depois, se sintam incomodados e se achem tão poderosos a ponto de acreditar que a Justiça vá dar ganho de causa a eles, fechando os dois restaurantes? Ou que nos vençam pelo cansaço, diante de tanta pressão? A última surpresa desagradável nos chegou véspera de feriado e de recesso no judicial para dificultar a nossa defesa, com a proibição de que carro algum poderia subir naquela servidão que servem os dois restaurantes e a casa do casal, exceto o carro dos proprietários das residências. Resultado: nem assim os clientes desistiram de freqüentar os dois restaurantes e estão subindo a pé ladeira acima, na chuva, de salto, senhoras idosas, portadores de necessidades especiais, fornecedores, funcionários, mulheres com crianças no colo, etc. Com certeza, só essa postura da sociedade de Florianópolis e seus visitantes já traduz TUDO em favor do Restaurante João de Barro e da Lorenzo´s Pizzaria.

Enfim, podemos estar perdendo dinheiro; podemos estar perdendo energia emocional, mas, jamais perderemos a confiança na Justiça, que sabe e defende o valor do trabalho e a importância de locais propícios para que as famílias, profissionais liberais e turistas possam desfrutar de momentos de lazer e de confraternização.

Somos uma família do BEM, que só fez construir neste país sagrado, no qual investimos todo o nosso suor, plantamos todo o nosso amor e gratidão, vimos crescer e formar em universidades de Florianópolis nossos filhos; vimos nascer nossos netos; vimos despedir da vida terrena o nosso chefe de família, Gustavo Lorenzo; vimos nosso patrimônio tornar-se patrimônio da cidade inteira que o exibe – com muito orgulho - aos seus convidados, familiares e amigos de fora. Não merecemos, depois de 26 anos de posse do terreno e 16 anos de perfeito funcionamento, ser incomodados desta forma insensata e desregrada, sem limites, sem motivos consistentes, sem fim. Não merecemos ser tratados como marginais e bandidos, porque não o somos. Não mereço, eu, Diana, proprietária do Restaurante João de Barro, aos 71 anos, não poder receber em minha própria casa nem mesmo as minhas amigas já idosas e que não conseguem subir a pé. Não merecemos esta situação insustentável de perseguição ao nosso trabalho, ao nosso único meio de sobrevivência, ao nosso ninho.

Por tudo isso, pedimos a todos que se solidarizam com a nossa causa, principalmente aos órgãos da Justiça, que nos ajudem a continuar a ser o que sempre fomos: uma família de estrangeiros, apaixonados pelo Brasil, que só percebe a vida fazendo amigos, praticando o bem, compartilhando o prazer das boas coisas de uma forma familiar e sem algazarras, e divulgando a arte, a literatura, a música, Florianópolis. Só queremos o direito de viver e trabalhar em paz, e o dever de cumprir com nossas obrigações com dignidade e respeito.

Obrigada

Família Lorenzo

* Proprietária do Restaurante João de Barro no Cacupé/Florianópolis/SC


A servidão que não serve

Eleito pela Revista Veja como o Melhor Restaurante de Cardápio Variado de Florianópolis em três anos consecutivos, o João de Barro, no Cacupé, está proibido de permitir o tráfego dos veículos de seus clientes na via de acesso ao estabelecimento. A gerência colocou uma equipe de plantão para explicar aos frequentadores o porquê de precisarem estacionar os carros na rodovia Haroldo Soares Glavan e dirigir-se a pé até o estabelecimento: é que, em meados de outubro, o desembargador Domingos Paludo deferiu uma decisão liminar em favor dos moradores da residência na esquina da servidão - a única edificação da via, além do restaurante - que se incomodam com a movimentação do local em função da existência do restaurante.

O casal argentino Gustavo (falecido em janeiro) e Diana Lorenzo comprou a área em 1990 - já com aquela via de acesso. Anos depois ela foi pavimentada pela Comcap, que na época era a responsável por esse serviço. Desde 1996 o restaurante funciona no local, mas os problemas começaram com a ocupação do terreno da esquina da servidão (o portão, na foto), e se acirraram no ano passado, quando a Loki Participações Ltda., sediada em São Paulo, adquiriu o imóvel para residência de um executivo canadense - diretor-responsável pela empresa Loki -, a esposa brasileira e um filho pequeno. O casal inconformou-se com a presença do Restaurante João de Barro e a Loki solicitou na Justiça a declaração de inexistência da servidão, solicitando em medida liminar que apenas os carros da família Lorenzo possam trafegar pela via, até a decisão de mérito da ação principal, em que também são réus a Prefeitura e a Floram.

Reproduzido de Jornal Ilha Capital
01 nov 2011

Enquanto isso, nas salas da Justiça catarinense...

RELATOR EXPEDIENTE N.º 460/2011 - CÂMARA CIVIL ESPECIAL_MM
Exp.460/2011 - Agravo de Instrumento - 2011.046195-8/0000-00

Capital Agravante :Loki Participações Ltda ADVOGADO: Édson Carvalho Agravados : Lorenzo & Lorenzo Ltda ME e outros ADVOGADO: Agravo de Instrumento n. da CapitalAgravante: Loki Participações Ltda ADVOGADO: DR. Édson Carvalho (20267/SC) Agravados: Lorenzo & Lorenzo Ltda ME e outros DESPACHO O agravo discute a decisão de fl. 214-7, que indeferiu pedido de liminar para que os agravados providenciem em seu imóvel saída para a via pública, no prazo de 30 dias. Alega aagravante que a decisão é nula por ausência de fundamentação; o terreno da recorrida possui acesso para via pública; a ideia de servidão de passagem estaria diretamente ligada à noção de necessidade; a ação reivindicatória 0, julgada improcedente, foi ajuizada por terceiro contra o agravado para dirimir a pretensão de propriedade sobre o imóvel, e não a existência de servidão; inexiste registro imobiliário de instituição de servidão de passagem, ou mesmo consentimento seu ou de proprietário antigo do imóvel; no máximo, deve ser limitada a passagem apenas aos agravados, e não a toda clientela que frequenta os estabelecimentos comerciais (restaurantes), em torno de 160 pessoas diariamente; e a manifesta perturbação da tranquilidade e uso nocivo da propriedade (acesso ao imóvel obstruído com veículos de clientes da agravada) causa prejuízos imensuráveis. Requer antecipação da tutela para que os agravados providenciem em seu imóvel saída para via pública. Alternativamente, a utilização da passagem seja restrita aos agravados.


Pg. 505. Diário de Justiça do Estado de Santa Catarina DJSC de 14/06/2011
ADV: ÉDSON CARVALHO (OAB 020.267/SC)
Processo 023.11.004079-4 - Ação Ordinária / Ordinário - Autor : Loki Participações Ltda - Réus : Lorenzo & Lorenzo Ltda - ME e outros - ... III - Ante o exposto, INDEFIRO a pretendida antecipação dos efeitos da tutela pleiteado pela parte autora na exordial, tendo em vista a falta dos requisitos essenciais para a sua concessão. Citem-se. Intimem-se. Notifique-se o Ministério Público, conforme pleiteado na Promoção Ministerial retro.


Pg. 205. Diário de Justiça do Estado de Santa Catarina DJSC de 22/09/2011
19-Ed.3743/11-Agravo de Instrumento nº 2010.048527-8, da Capital
Relator: Desembargadora Sônia Maria Schmitz
Juiz(a): Haidee Denise Grin
Agravantes: Loki Participações Ltda e outro
Advogada: Dra. Simone Jardim Mortola (24925/SC)
Agravado: Lorenzo & Lorenzo Ltda ME
Advogados: Drs. Orídio Mendes Domingos Júnior (10504/SC) e outro Agravados: Gustavo Horácio Ramon Lorenzo e outros
Advogadas: Drs. Cátia Cristine Kempf Zanotto (22300/SC) e outro DECISÃO: por votação unânime, conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento, nos termos do acórdão. Custas legais.



Comentário de Filosomídia:

Loki, por acaso, é o deus Asgardiano da trapaça, derrotado na série de HQ da Marvel Comics, por "Os Vingadores". Vai saber o que é essa empresa canadense com filial em São Paulo... E, espero que a turma do Bem dessa Ilha apoie a Família Lorenzo a resolver essa questão absurda e estranha. O João de Barro é um restaurante de infinitas estrelas, tanto pela gentileza de todo o seu pessoal quanto pela qualidade dos pratos e ambiente da casa. Ora, a Família Lorenzo há anos encanta a Ilha com sua presença, e agora chegam essas pessoas que parecem não querer "ser incomodadas"  com o restaurante? Sugiro a eles que envidem esforços para a construção de uma ponte desde o aeroporto até sua casa, sem passar pela servidão que dá acesso ao João de Barro...

domingo, 27 de novembro de 2011

A ponta do iceberg sobre a Ponta do Coral...


A beleza não é só para os ricos

Elaine Tavares*

Florianópolis é uma cidade que vive da beleza. Esse é o principal “produto” que seus governantes põem à venda para atrair milhares de turistas em todas as temporadas de verão. Não é sem razão que ano após ano as gentes veem subir dezenas de prédios e hotéis, destinados a abrigar aqueles que vêm para a ilha em busca da beleza. E assim, tal qual Hípias na Grécia antiga, os agentes de turismo vendem a beleza de Florianópolis como coisa. “A praia bela, a areia bela, a paisagem bela, a comida bela”. Mas, quem nasceu aqui ou os que aprenderam a amar a cidade como um espaço onde se vive a vida cotidiana, a beleza tem outro sentido. Não é coisa, é ser. Assim, para esses, o que é belo não é a praia, a areia, a paisagem ou a comida, mas sim a ideia que comunica o caráter das coisas. E se beleza é ideia, não pode ser objetivada, nem vendida.

Ainda assim, o que acontece é que os que amam a cidade precisam conviver/com e batalhar contra com os vendilhões capitalistas, os que apenas enxergam a coisa a ser vendida, sem se preocupar com aqueles que vivem e sofrem a cidade no dia-a-dia. Vai daí que aparecem os conflitos.

Um deles acontece bem agora, nesses dias de quase verão. De novo, os vendilhões decidiram atacar mais um espaço de beleza da cidade, transformá-lo em coisa e vendê-lo aos que também só conseguem conceber a beleza como um objeto.  A ponta do Coral. Esse lugar é uma pequena ponta de terra que avança sobre a Baia da Beira Mar, isolada da cidade pela via-expressa e os arranha-céus. Ali, desde os anos 80, os movimentos sociais, estudantes e militantes de toda a ordem vêm lutando para que seja construído um parque e um espaço de atividades culturais. Ou seja, é a proposta da beleza democratizada, entregue a toda cidade. Uma coisa muito justa uma vez que o aterro da Baia é hoje o espaço de moradia da classe alta, que acabou privatizando a vista, a terra e tudo mais.

Pois não satisfeitas com isso, agora as forças do capital querem se apropriar da Ponta do Coral, lugar que historicamente pertenceu aos pescadores, às gentes simples da cidade. O projeto das empreiteiras – tendo a frente a empresa Hantei, é fazer um aterro, descaracterizando completamente o lugar, e construir ali uma marina para que os iates e barcos de turismo possam atracar. Também propõem, no lugar do centro cultural público – como é desejo dos movimentos – construir um hotel de luxo. Será o Parque Marina Hotel.

Hoje a Ponta do Coral é espaço conflagrado, uma vez que a cidade luta há décadas para que aqueles 14 mil metros quadrados, onde vive uma fauna exuberante (garça-branca, biguá, baiacu, garça-azul, socó-dorminhoco, bem-te-vi, quero-quero) possa ser utilizado pela comunidade, de forma livre e democrática. Ninguém aceita a conversa de que aquela é uma área privada e que, portanto, o dono pode fazer o que quiser. Não é assim. A propriedade também deve cumprir uma função pública.

A Ponta do Coral, por ser um terreno à beira-mar, deveria ser terreno de marinha, embora conste em documentos que o dono é Realdo Guglielme, empresário de Criciúma. No passado esse terreno pertenceu a Standart Oil Company que ali tinha um depósito, o qual as entidades queriam ver tombado para a concretização da proposta de um casarão cultural. Com a construção do aterro da Beira Mar (nos anos 80), o Estado acabou comprando o lugar e, depois, com a via expressa concluída, a ponta ficou afastada do resto da cidade e foi vendida outra vez. Mas, a população queria preservar o lugar como área verde e fez um grande movimento. Tudo isso foi em vão. A Ponta do Coral seguiu em mãos privadas e logo já apareceu o projeto da construção de um hotel. Houve manifestações, protestos, luta, mas, como quem manda na cidade é o dinheiro, em 1998 Guglielme conseguiu derrubar o prédio da Standart Oil e frustrar uma luta de anos.  Ainda assim, os movimentos sociais seguiram lutando e inviabilizando a construção do hotel.

Agora, a queda de braço é com a construtora Hantei, contratada para levar adiante a proposta do hotel e da marina. A Ponta do Coral, velho espaço de pescadores e área de lazer do povo da Agronômica é coisa vendável, é paisagem/objeto, é privilégio para poucos. Na cidade, os movimentos que se levantam contra o empreendimento são tratados como os “inimigos do progresso” ou os “do contra”, como é comum aos capachos do poder tentar ridicularizar e diminuir aqueles que pensam no bem público. O fato é que o “progresso” que a marina e o hotel se propõem a trazer não será para todos. Apenas os donos do empreendimento se encherão de dinheiro com a proposta. O que as empresas envolvidas no processo dizem é que o povo de Florianópolis vai ganhar porque haverá muitos empregos. Outra bobagem. Os empregos que um empreendimento como esse geram podem ser gerados em outros lugares e o serão, uma vez que a vocação da ilha é o turismo. Assim, a vida de nenhuma pessoa será inviabilizada se o projeto não vingar. Pelo contrário. Com um parque cultural, toda a gente da cidade poderá se favorecer e desfrutar de qualidade de vida.

A compra das consciências e as ilegalidades

Como sempre acontece em situações como essas, a empresa construtora iniciou um trabalho de compra de consciências. Contando (ou comprando?) com o apoio de grandes empresas de comunicação a empresa fez um agressivo trabalho de relações públicas, afirmando que a Ponta do Coral não será um espaço privado. Será construído o hotel de luxo e a marina, mas o povo poderá disfrutar de uma série de equipamentos públicos como pracinha para crianças, anfiteatro e praça. O que a empresa não diz é que esse espaço público ficará de cara para a rua, ou seja, completamente desprovido da beleza do lugar. As pessoas terão um lugar, mas ele será de segunda categoria. A beleza da ponta ficará de uso exclusivo dos turistas, hóspedes e navegadores. Para os empresários da construção “a plebe” deve ficar satisfeita com esse acordo e pegar o que pode.

Não bastasse esse engodo de “espaço público”, a empresa ainda anda pela comunidade espalhando a promessa de emprego, o que não deixa de ser algo tremendamente cruel, uma vez que é óbvio que não haverá empregos para todos, e os oferecidos não passarão dos cargos de arrumadeira, garçom ou, quem sabe, de atracadores de barco. E, as gentes, premidas pelas necessidades da vida, acabam embarcando nessa conversa furada.

Isso ficou patente na última audiência pública que aconteceu no dia 22 de novembro, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A Hantei, buscando criar falsa uma empatia junto aos deputados convocou moradores da Agronômica, empregados da construtora e até das imobiliárias para se manifestarem favoravelmente ao projeto. E o povo lotou a sala. Mas, para surpresa de todos, três horas depois do início da audiência foi descoberta a razão de tanta gente. A maioria havia recebido dinheiro para comparecer. As mulheres levaram 15 reais e os homens 20. Boa parte das pessoas não sabia absolutamente nada do que estava acontecendo ali, apenas seguiam as instruções para bater palma ou se manifestar quando alguém mandasse. Tiveram até direito a um lanche. O blogueiro Mosquito conseguiu a gravação da fala de um grupo de mulheres e denunciou a trama.

A audiência acabou sendo uma rica experiência de desvendamento de máscaras, como bem lembra Loureci Ribeiro, um dos estudantes que participou dos primeiros atos em defesa da Ponta do Coral e que, hoje, como arquiteto, segue defendendo a proposta comunitária. Poucos políticos da cidade compareceram (nenhum vereador), mostrando o quão pouco se importam com os assuntos da comunidade. E o que se viu foi o claro conluio que existe entre os grandes empreendimentos, a mídia, a administração municipal e os órgãos ambientais para o loteamento geral da cidade e da beleza.

Além dos movimentos sociais que historicamente tem lutado contra o projeto de privatização da beleza da Ponta do Coral, apenas a voz solitária da representante do Ministério do Planejamento, Isolde Espíndola, se fez ouvir, dizendo que a lei 180/2005 – que doa 12 mil metros de terra para a Hantei e permite o aterro de mais 30 mil – é ilegal e precisa ser anulada. “A área onde será feita o aterro é federal. A câmara de vereadores não tem ingerência. Essa é uma lei ilegal”. Mas, ainda assim, foi ignorada.

Enfim, a audiência cumpriu seu papel, expôs as feridas, as ilegalidades, as irresponsabilidades e os desejos obscuros das empreiteiras e dos maus políticos. Agora, é hora de a cidade se posicionar. Mas, essa posição precisa ser precedida do conhecimento. Ninguém pode acusar os movimentos sociais de ser “do contra”, sem saber antes contra o quê eles estão.

Nesse caso, os militantes sociais estão contra a apropriação indevida da beleza da Ponta do Coral por um pequeno grupo de empresários. O que os movimentos sociais querem é que aquele seja um lugar de todos, com todo o seu esplendor de flora e fauna, e não apenas uma praça perdida no meio do asfalto. A Ponta do Coral é um pequeno trecho de terra que avança na baia e que condensa uma vida rica e farta. É um lugar de beleza, de simplicidade, de ternura. É um vestígio isolado da velha cidade que foi cedendo passo aos arranha-céus, ao asfalto, aos espaços privados e elitizados. E por isso mesmo deve ser preservada como um patrimônio das gentes, de todos.

Agora, a luta segue, e precisa se encarnar na vida de todas as pessoas que amam de verdade essa cidade “perdida no mar”. Todo o esforço deve ser empreendido para a anulação da lei que entrega a ponta para a Hantei. E lá, naquele ínfimo espaço de pura beleza deve nascer o Parque há tanto tempo sonhado. Porque é direito do povo desfrutar da beleza que essa ilha tem. E que venham muito mais daqueles que são contra o progresso dos bandidos/grileiros do mar e da beleza.

* Elaine Tavares é Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos, inaugurando o esperado pachakuti.

Reproduzido de Palavras Insurgentes
27 nov 2011

Leia mais sobre a Ponta do Coral: "Hotel de luxo será construído em Ponta do Coral", publicado por Hotéis em Florianópolis clicando aqui. Leia também "Ponta do Coral", pelo ex-vereador Mauro Passos, em Floripa Amanhã, clicando aqui. E, "Projeto prevê a construção de hotel cinco estrelas, lojas, restaurantes, marina para 300 barcos e parque público em Florianópolis" com fotos fabulosas de tal empreendimento, na página de Skycrapercity, clicando aqui.


Comentário de Filosomídia:

Mas que luxo, que coisa mais linda a tal "Praça do Ócio Criativo" (11) bem em frente à marina, pra gente ficar sem fazer nada, ou criativamente olhando os iates, observando a movimentação dos pescadores "encantoados" ali na foto, bem à esquerda, longe dos olhos e janelas do pretensioso hotel de R$ 275 milhões (no papel, óbvio)... Tudo dependendo dos tais moedeiros verdes de plantão repartirem a verba entre si, digo, aprovarem projeto tão importante para o turismo manezinho...


Obs: A tal Construtora Hantei é da família e do manezinho mais famoso internacionalmente - mais ainda que Cruz e Souza -,  o tenista Guga Kuerten.


Confira o vídeo de Marcelo Gevaerd abaixo, e leia no Youtube mais informações e "breve histórico sobre a Ponta do Coral", clicando aqui.



Assista também a matéria do "Tijoladas do Mosquido" abaixo e leia mais sobre como se compra pessoas em Florianópolis com moeda verde clicando aqui...


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis


10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

23 de junho a 10 de julho de 2011
Teatro Pedro Ivo
Florianópolis . SC . Brasil

A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis tem como principal objetivo exibir filmes que traduzem a multiplicidade cultural do Brasil e do mundo. A diversidade é fundamental para o desenvolvimento da consciência e, conseqüentemente, da cidadania. É no contato com as diferenças que nos enxergamos.

As imagens exercem um grande poder na formação das crianças. A qualidade do conteúdo que apresentamos a elas, sejam filmes, programas de TV ou estímulos artísticos ajudam na construção de valores e saberes.

O cinema é uma expressão que incorpora a música, a literatura, as artes cênicas e plásticas, além de outras áreas do conhecimento, como história, geografia, ciência. A sétima arte pode ser um suporte para a formação cultural de um indivíduo mais crítico e consciente.

A Mostra acredita que o cinema que valoriza a cultura (a ‘nossa’ e a do ‘outro’), incentiva a auto-estima, gera curiosidade e, acima de tudo, que diverte as crianças, pode ser a chave para um mundo melhor. Um mundo que aceite as diferenças como parte da riqueza cultural.

Confira a programação do evento clicando aqui. Siga a Mostra no Facebook clicando aqui.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Declaração de Amor aos Seres Humanos


Declaração de Amor aos Seres Humanos

Recordando e reafirmando os princípios declarados na Carta Universal dos Direitos Humanos da ONU nós, seres humanos que decidimos livre e amorosamente nos encontrar nestes três dias mágicos para semear a Paz, fazemos a seguinte Declaração de Amor aos Homens e Mulheres da Terra:

1.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de viver e de sonhar com um planeta mais justo e pleno de dignidade e de amor.

2.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de brincar na chuva e soltar barquinhos de papel nas sarjetas e enxurradas.

3.    Todas as pessoas do mundo têm o direito a uma educação que forme seres humanos livres, criadores, inventores e produtores de novos conhecimentos.

4.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de construir a sua própria  “Constituição”,  escolhendo os valores para nortear uma conduta pessoal solidária e fraterna.

5.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de estabelecer relações humanas amparadas na fraternidade e no respeito à diferença.

6.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de se encontrar pelos caminhos que levam à festa e à fruição da vida e da alegria.

7.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de escutar o Outro e comungar de suas esperanças e sonhos.

8.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de plantar girassóis para que todas as tardes sejam de primavera.

9.    Todas as pessoas do mundo têm o direito de descobrir o sorriso ou a dor que mora no Outro.

10. Todas as pessoas do mundo têm o direito de ser, ao mesmo tempo, flor e beija-flor, para provar da doçura que é a natureza do Outro.

11. Todas as pessoas do mundo têm o direito de habitar em casas que sejam como corações abertos, acolhedoras e sem trancas, onde sempre brilhe a luz da fraternidade.

12. Todas as pessoas do mundo têm o direito de construir dentro de si mesmas um templo para o seu Deus, na forma em que O conceberem.

13. Todas as pessoas do mundo têm o direito de se embriagar de paixão e de se “jogar nos precipícios para colher morangos”, somente saboreados por aqueles que ousam se atirar para além de todas as limitações impostas.

14. Todas as pessoas do mundo têm o direito de não morrer de saudade e de percorrer os caminhos que levam ao encontro e aos beijos dos amantes.

15. Todas as pessoas do mundo têm o direito de que o trabalho seja um campo em que floresça a dignidade humana, sempre no horizonte de servir e amar o Outro.

16. Todas as pessoas do mundo têm o direito de serem os guardiões dos portões do Jardim da Humanidade.

17. Todas as pessoas do mundo têm o direito de saborear os frutos coloridos e suculentos da sabedoria, da arte e da ciência sem precisar dar dinheiro em troca.

18. Todas as pessoas do mundo têm o direito de não serem medidas por suas posses.

19. Todas as pessoas do mundo têm o direito de se expressar livremente, impregnando a palavra de paixão transformadora.

20. Todas as pessoas do mundo têm direito à comunicação e à informação para construir um mundo baseado na igualdade entre homens e mulheres.

21. Todas as pessoas do mundo têm o direito de acreditar que a unidade, com respeito às diferenças dos povos,  é não somente possível, mas inevitável para alcançar a paz mundial.

22. Todas as pessoas do mundo têm o direito de saber a verdade sobre os caminhos e os roteiros que levam à liberdade e à dignidade.

23. Todas as pessoas do mundo têm o direito de conviver amorosamente com os animais e com  todos os seres da natureza que estão na Terra.

24. Todas as pessoas do mundo têm o direito de transformar os muros que as separam em praças onde todos se encontrem para celebrar a cidadania e a solidariedade.

25. Todas as pessoas do mundo têm o direito de errar e serem amparadas carinhosamente na retomada da vontade de crescer e aprender mais e mais.

26. Todas as pessoas do mundo têm o direito a não mais ter medo das palavras Paz e Amor.

27. Todas as pessoas do mundo têm o direito de cultivar a terra e dela receber o alimento sagrado para o sustento do corpo e da alma.

28. Todas as pessoas do mundo têm o direito de chorar de alegria.

29. Todas as pessoas do mundo têm o direito de receber tratamento humano na saúde e na doença e de fazer escolhas livres e conscientes sobre tudo que envolva a vida e a morte.

30. Todas as pessoas do mundo que não sonham estes sonhos têm o direito de serem tocadas no coração para que desejem também caminhar na beleza...

Encontro de Jornalistas para a Paz*
UFSC . Florianópolis, 08, 09 e10 de dezembro de 1998...

*Declaração sentida/escrita/vivida/compartilhada pelos participantes do Encontro de Jornalistas para a Paz, evento realizado durante as celebrações do Cinquentenário da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. A Declaração de Amor foi declamada por estes aos transeuntes, debaixo de chuva, das escadarias da Catedral da Praça XV de novembro em Florianópolis, no final da tarde do dia 10 de dezembro de 1998. Alguns daqueles participantes já partiram para a Pátria Maior, e sua Declaração de Amor, no entanto, ainda permanece no ar inspirando tantos outros...