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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Marilena Chauí: “qualquer coisa que se possa dizer sobre a mídia brasileira será obsceno”


Marilena Chauí: “qualquer coisa que se possa dizer sobre a mídia brasileira será obsceno”

A declaração da filósofa e professora Marilena Chauí sintetiza o estado atual da mídia brasileira. Um estado tão baixo que sequer pode ser pronunciado. E é esse tipo de mídia que (des)informa a maioria dos brasileiros.

Reproduzido de Educação Política
10 maio 2013

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Notícias diárias sobre as bolsas de valores na grande mídia funciona como uma ditadura ideológica da informação


Notícias diárias sobre as bolsas de valores na grande mídia funciona como uma ditadura ideológica da informação

Glauco Cortez
Educação Política

A informação sobre o sobe e desce das bolsas de valores todos os dias no rádio e na televisão funciona como uma lavagem cerebral e não tem nada de jornalismo. Todos os dias o Jornal Nacional nos mostra como estão as bolsas do Brasil, dos Estados Unidos, de países da Europa, do Japão etc… A Rádio CBN, por exemplo, expõe a situação da bolsa praticamente a cada meia hora. E para quê? Quantos brasileiros têm dinheiro aplicado em bolsas fora do pais? Ou melhor, quantos brasileiros tem dinheiro aplicado na bolsa no Brasil? Segundo informações do próprio mercado empresarial, menos de 1% da população investe na bolsa. Alguns sites especializados falam em 0,2% ou 0,3%.

Qual o motivo de se dar notícia diuturnamente sobre a bolsa em rádio e televisão abertas, fora de programas exclusivamente econômicos? Aparentemente nenhuma. Eles servem para criar uma expectativa de tensão na população. Em momentos especulativos, em que agentes financeiros podem apostar contra alguma moeda, as bolsas oscilam de forma mais intensa, provocando a sensação na população de que alguma coisa está errada.

Quando ocorre alterações bruscas há pelo menos a justificativa jornalística de que há algo anormal, mas a notícia diária das bolsas de valores são profundamente irrelevantes para o espectador ou ouvinte, assim como são enfadonhas. No entanto, lá estão essas notícias diariamente, como se fossem um dogma do jornalismo. Elas não tem novidade, não tem interesse (menos e 1% aplicam em bolsa), não tem empatia, não tem interesse público ou social, não tem ineditismo, não tem improbabilidade e não tem apelo, mas é um dogma.

Um dogma criado para sustentar a ditadura ideológica dos especuladores financeiros, que pelos meios de comunicação, expressam incessantemente (diariamente) que o interesse dos grandes apostadores das bolsas de valores são os mesmos interesses de toda a sociedade. Na maioria das vezes, em verdade, são o contrário. Eles apostam contra uma moeda e destroem a economia de um país, ou colocam esse país em condições financeiras de difícil solução e tendo de adotar medidas de austeridade fiscal contra a população, enquanto engordam seus lucros.

É certo que a ação da grande mídia hoje no Brasil está no nível mais baixo da intervenção. Ela atua politicamente, defendendo certos grupos políticos, mas a questão econômica são o seu grande triunfo ideológico, visto que cria uma espécie de chantagem sobre a vida política e cultural do país.

Reproduzido de Educação Política
17 jul 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"A violência é a única maneira de se sustentar a desigualdade social, econômica e cultural"...


Na sociedade construída sob a égide da violência e da intolerância, o amor e o afeto de dois irmãos precisam ser espancados

Numa noite, pai e um filho foram agredidos porque estavam abraçados; em outra, dois irmãos foram espancados, sendo um morto, por estarem também abraçados.

Nos dois casos, eles foram confundidos com homossexuais. Isso não são fatos isolados e nem fruto exclusivo da ignorância dos agressores, que pensaram erroneamente que se tratavam de relações homossexuais.

As agressões são os resultados históricos da sociedade sob o mando da intolerância e da violência para a manutenção da desigualdade. Afinal, que sociedade é essa em que o afeto e o carinho são transformados em ofensa e o amor se torna insuportável?

Quando nos deparamos com tamanha barbaridade, ficamos a pensar como as pessoas não percebem que está tudo errado na sociedade? Como as pessoas não percebem que construímos uma sociedade de ponta cabeça? Como não percebem que outra sociedade é possível?

Ficamos a pensar como as pessoas se convencem de que as coisas são assim mesmo? Como elas se convencem de que não há nada a fazer? O que faz com que as pessoas pensem que não há solução? Como não lhes parece tão evidente que certos grupos sociais se beneficiam da sociedade da violência? Como não lhes parece evidente que os que dificultam avanços são os responsáveis pela situação?

A sociedade da violência é uma sociedade animalizada, onde a razão presente no ser humano está a serviço da violência. A primeira violência é a manutenção da desigualdade social, levando pessoas a viverem em condições sub-humanas, diante de uma estrutura de opulência. As violências continuam com um sistema de saúde péssimo diante de uma sociedade perdulária e luxuosa. A violência persegue numa educação ruim, sem investimento, sem afeto, uma educação instrumental e imbecilizada pela objetividade do sucesso profissional. A violência continua na manutenção e sustentação da desigualdade por empresas de mídia que se beneficiam da associação com políticos conservadores e mantenedores dessa desigualdade.

A sociedade brasileira foi construída sob a égide da violência. A violência é legitimada em todos os sentidos, nas delegacias, na justiça, na legislação, na mídia. Isso fica explícito quando os crimes contra a vida são muito menos esclarecidos do que os crimes contra o patrimônio, quando não se investe em educação e saúde ou quando não se pune os drogados pelo dinheiro.

A sociedade é violenta porque a violência é a única maneira de se sustentar a desigualdade social, econômica e cultural. É por isso que as pessoas não se indignam, porque sabem que podem sofrer com isso, serem agredidas, violentadas. O que foi a ditadura militar brasileira, tão festejada pelos meios de comunicação na época? Nada mais do que uma forma violenta de impedir que a desigualdade fosse diminuída e isso prejudicasse o interesse de setores da sociedade, setores que precisam da violência como padrão social de sustentação de privilégios.

É dito popular afirmar que agredir fisicamente outra pessoa é “partir para a ignorância”. Da mesma forma, o político que prioriza a ação policial é o político que prefere partir para a ignorância. É fácil notar quando o político é um ignorante e representante da violência para manter a desigualdade. O foco é sempre a necessidade de mais policiamento, de mais investimento em segurança pública, de mais armas para a polícia, é preciso pulso firme, etc etc etc…  Quando menos investe em educação, saúde e combate a desigualdade econômica e social, mais ignorante é o político. Ou seja, é um reprodutor da violência.

A violência contra o amor, o afeto e o carinho é uma construção social que, para alguns setores privilegiados da sociedade, vale a pena manter.

Reproduzido de Educação Política por Glauco Cortez
29 jun 2012

domingo, 17 de junho de 2012

Oswaldo Giacóia Jr.: a diáspora de convicções, mídia e filosofia


Vivemos uma diáspora de convicções e somos direcionados pela mídia, diz filósofo Oswaldo Giacóia Jr.

“Nós vivemos numa sociedade leiga, essencialmente marcada por um pluralismo de cosmovisões. Então não existe mais aquele tipo de mentalidade monolítica, que tinha uma certa garantia de verdade, chancelada ou religiosamente ou metafisicamente. Pelo contrário, nós vivemos hoje numa espécie de diáspora de convicções. Cada uma delas sustentando seu próprio direito, e esse direito efetivamente só pode ser assegurado no caso de uma sociedade multicultural como a nossa e essencialmente pluralista do ponto de vista ético, a partir da argumentação.

Desde que você não queira impor alguma coisa, nem pela força nem pela astúcia, a única via possível de legitimação de pretensões é a via argumentativa. Esse é um elemento que complica bastante nossas relações hoje. Nós não temos mais o recurso mais ou menos rápido e cômodo de invocar a vontade de Deus. Não, “eu creio” é uma afirmação que tem de exibir seus títulos de crédito. Se você não for capaz de exibir esses títulos de crédito não está suficientemente qualificado para participar do debate público.

Uma sociedade multicultural, eticamente plural como a nossa, mas uma sociedade de massa, tem necessariamente que conviver com certos riscos de manipulação em termos de formação, de formatação de opinião, que são capazes de engendrar uma espécie de aparência de liberdade, uma aparência de formação livre de convencimento, onde de fato há uma espécie de direcionamento prévio. O exemplo mais claro que posso oferecer para vocês disso é a formatação do debate cultural pela agenda da sociedade, digamos, ligada aos interesses da grande imprensa hoje.

Todas as questões fundamentais que estão sendo levadas à discussão não são questões que nascem fora do âmbito dos interesses mais importantes da indústria cultural. De tal maneira que nós não somos tanto autônomos e independentes na escolha dos temas que nós discutimos, porque aquilo já está dado antes. Já está pautado antes pela imprensa”.

Reproduzido de Educação Política por Glauco Cortez
17 jun 2012

(Texto integral na Revista E), reproduzido abaixo:

Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Oswaldo Giacóia Jr. dedica-se à pesquisa em filosofia moderna e contemporânea, com ênfase em história da filosofia e ética, ocupando-se de temas como teoria da cultura, filosofia do direito, filosofia social e política. É autor de Pequeno Dicionário de Filosofia Contemporânea (Publifolha, 2006), Nietzsche & para além de Bem e Mal (Zahar, 2005) e Nietzsche – Para a Genealogia da Moral (Scipione, 2001).

Em encontro realizado pelo Conselho Editorial da Revista E, o convidado desta edição falou sobre a importância de se compreender a filosofia em relação a outras esferas da cultura, das ciências, das artes e, sobretudo, da política, além de comentar sobre a demanda de filósofos em setores da sociedade civil. “Isso pode parecer uma espécie de consultoria de luxo, mas não é. Embora pessoas eventualmente nos procurem com demandas nesse sentido, como se fosse possível você dar soluções padronizadas para serem consumidas com uma certa facilidade. A filosofia não tem absolutamente nada o que dizer nesse sentido. Pelo contrário, a função da filosofia é colocar em questão esse tipo de convicção apressada”, diz. A seguir, trechos da conversa.

Filosofia e outras áreas do saber

Acho que filosofia é, fundamentalmente, uma relação com a linguagem. Destacaria aqui a relação com a psicologia, psicanálise, antropologia, sociologia e também com certos setores do direito – em particular, com a filosofia do direito. E com a filosofia política. Porque penso que as questões filosóficas não podem efetivamente ser compreendidas se forem amputadas de suas relações com outras esferas da cultura.

Penso que fazer filosofia hoje é um desafio muito grande porque exige daquele que se dedica a ela não somente esse domínio bastante específico da competência filosófica, mas também essa abertura para um enfrentamento das questões que são de natureza filosófica e que são colocadas para a filosofia do espaço propriamente das outras esferas da cultura, das ciências, das artes e, sobretudo, da política.

Somos frequentemente confrontados por questões que surgem no âmbito da física, da mecânica, da matemática, da informática, das ciências médicas, em particular no entrecruzamento que se faz, por exemplo, entre a neurofisiologia e as ciências informáticas, que colocam questões filosóficas absolutamente incontornáveis.

Questões éticas, por exemplo, no caso das práticas clínicas, como itens da genética e da biologia molecular, que constituem para nós hoje um campo muito fértil. Além de questões que nos são colocadas e que sempre nos acompanharam ao longo desses milênios de história, por exemplo, no campo da religião – nessa confluência que há entre o desenvolvimento técnico-científico e os valores éticos, morais e religiosos de uma sociedade como a nossa.

Consultoria filosófica

Outro exemplo de onde surge um pulso bastante forte, bastante motivador em relação a filosofia e sociedade, é a demanda que cada vez se torna mais expressiva e mais intensa por parte de setores organizados da sociedade civil que nos buscam a fim de ajudá-los a pensar algumas questões postas em suas próprias práticas. Por exemplo, organizações como a OAB, a escola da magistratura da justiça federal, a escola da magistratura da justiça estadual, a escola do ministério público.

Acho que as questões mais importantes que surgem hoje para a filosofia política nascem do campo do direito, sobretudo o debate atual sobre direitos humanos. Questões relativas, por exemplo, a Estado, soberania, cidadania, teorias da justiça ou então ligadas à discussão de princípios, como o constitucionalismo, os impasses atuais do estado nacional.

Quando disse que somos procurados por setores organizados da sociedade civil, isso pode parecer uma espécie de consultoria de luxo, mas não é. Embora pessoas eventualmente nos procurem com demandas nesse sentido, como se fosse possível você dar soluções padronizadas para serem consumidas com uma certa facilidade. A filosofia não tem absolutamente nada o que dizer nesse sentido. Pelo contrário, a função da filosofia é colocar em questão esse tipo de convicção apressada.

Manipulação da opinião pública

Nós vivemos numa sociedade leiga, essencialmente marcada por um pluralismo de cosmovisões. Então não existe mais aquele tipo de mentalidade monolítica, que tinha uma certa garantia de verdade, chancelada ou religiosamente ou metafisicamente. Pelo contrário, nós vivemos hoje numa espécie de diáspora de convicções. Cada uma delas sustentando seu próprio direito, e esse direito efetivamente só pode ser assegurado no caso de uma sociedade multicultural como a nossa e essencialmente pluralista do ponto de vista ético, a partir da argumentação.

Desde que você não queira impor alguma coisa, nem pela força nem pela astúcia, a única via possível de legitimação de pretensões é a via argumentativa. Esse é um elemento que complica bastante nossas relações hoje. Nós não temos mais o recurso mais ou menos rápido e cômodo de invocar a vontade de Deus. Não, “eu creio” é uma afirmação que tem de exibir seus títulos de crédito. Se você não for capaz de exibir esses títulos de crédito não está suficientemente qualificado para participar do debate público.

Uma sociedade multicultural, eticamente plural como a nossa, mas uma sociedade de massa, tem necessariamente que conviver com certos riscos de manipulação em termos de formação, de formatação de opinião, que são capazes de engendrar uma espécie de aparência de liberdade, uma aparência de formação livre de convencimento, onde de fato há uma espécie de direcionamento prévio. O exemplo mais claro que posso oferecer para vocês disso é a formatação do debate cultural pela agenda da sociedade, digamos, ligada aos interesses da grande imprensa hoje.

Todas as questões fundamentais que estão sendo levadas à discussão não são questões que nascem fora do âmbito dos interesses mais importantes da indústria cultural. De tal maneira que nós não somos tanto autônomos e independentes na escolha dos temas que nós discutimos, porque aquilo já está dado antes. Já está pautado antes pela imprensa.

Essa questão, por exemplo, do Big Brother. Há uma série de perguntas a serem feitas acerca da autenticidade, da revolta ou da suscetibilidade moral popular a respeito do estupro ou não, questões que antecedem a essa. Em que medida um tipo de programação como essa é imposta à sociedade brasileira sem que haja discussão sobre os critérios que determinam esse tipo de imposição, como os critérios mercadológicos?

Por que as cotas de mershandising desse programa são tão altas e tão caras? Por que esse programa ainda está no ar? Por que as pessoas que demonstram indignação em relação ao possível estupro que houve continuam validando o mesmo tipo de relação mercantil? Isso não é discutido. O que é discutido é se houve ou não estupro.

“Todas as questões fundamentais que estão sendo levadas à discussão não (...) nascem fora do âmbito dos interesses mais importantes da indústria cultural. (...) Nós não somos tanto autônomos e independentes na escolha dos temas que nós discutimos porque aquilo já está dado antes (...) pela imprensa”

Reproduzido de Revista E 179 SESC SP
Via Educação Política por Glauco Cortez
17 jun 2012

Foto: O professor e doutor em Filosofia Oswaldo Giacóia Jr. esteve presente na Reunião do Conselho Editorial da Revista E em 16 de fevereiro de 2012. Foto de Adriana Vichi


sábado, 16 de junho de 2012

Brasil tem mais de 4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando


Brasil tem mais de 4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando

Marcelo Pellegrini
Carta Capital
13 jun 2012

Há dez anos as Nações Unidas celebram, no dia 12 de junho, o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. No Brasil, não há muitos motivos para comemorar. Nos primeiros cinco meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no País.

De acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, Luiz Henrique Lopes, a região Nordeste lidera as autuações do MTE em 2012, com 48% dos afastamentos, seguida pela região Centro-Oeste (24%), Norte (13), Sudeste (8%) e Sul (7%).

O percentual do ranking das regiões brasileiras está relacionado com a atividade econômica e com os níveis de renda e escolariadade.

De acordo com a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa Oliveira, a pobreza e a baixa escolaridade das famílias estão entre as principais causas do trabalho infantil no País. Segundo ela, o principal motivo para que as crianças permaneçam trabalhando é o fato de as famílias não considerarem a escola uma alternativa viável. “Principalmente na área rural, há uma grande precariedade educacional, acrescida da precariedade no transporte para que essas crianças cheguem à escola”, diz Isa. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no mundo, 59% do trabalho infantil encontra-se na zona rural.

Prevenção

Apesar da legislação brasileira proibir qualquer forma de trabalho exercido por crianças com idade entre 5 a 14 anos, este tipo de prática ainda é comum. Hoje, 1,4 milhão de crianças brasileiras de 5 a 14 anos trabalham. Em estados como a Bahia, o Piauí e o Maranhão o percentual de menores no trabalho chega a cerca de 17%, segundo a OIT.

Segundo o MTE, só ações integradas com órgãos do governo e da sociedade civil conseguem combater de forma efetiva o trabalho infantil. “Hoje, o ministério tem protagonismo na Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil que congrega órgãos do governo, organizações civis e associações de trabalhadores e empregadores, mas não temos como combater essa prática sozinhos”, diz Luiz Henrique Lopes, da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE. Para Lopes, sem ações conjuntas com o Ministério Público, com o Ministério da Justiça e do Desenvolvimento Agrário, o trabalho infantil não poderá ser erradicado. “Estamos com ações em diversas frentes para aumentar a fiscalização nos estados e combater as causas do trabalho infantil”, afirma.

Atualmente, as crianças flagradas em situação de trabalho são afastadas e encaminhadas para os serviços de proteção. Já os empregadores são autuados com uma multa que gira em torno de um salário mínimo por criança. Além disso, o Ministério Público Federal também abre uma ação penal contra a empresa. O Brasil assumiu um compromisso internacional de erradicar as piores formas de trabalho infantil até 2015 e todas as formas até 2020. “O número de flagrantes de crianças em situação de emprego vêm caindo”, diz Lopes. “Estamos trabalhando para erradicar o trabalho infantil no País até 2015″, conclui. O objetivo é nobre, mas, como se vê, não será uma tarefa fácil.

*Com informações da Agência Brasil

Reproduzido de Carta Capital . 12 junho 2012
Via Educação Política por Glauco Cortez . 13 junho 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Projeto Criança e Consumo (Instituto Alana) defende proibição de publicidade voltada ao público infantil


ONG defende proibição de publicidade voltada ao público infantil

Suzana Vier
Rede Brasil Atual

São Paulo – A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse na sexta-feira (27/04/12) que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida. A especialista participou do seminário “Regulação Sanitária e Desenvolvimento Econômico e Social”, promovido pela Revista Carta Capital, em São Paulo.

“Defendemos que a população de menos de 12 anos não receba nenhum tipo de comunicação de mercado, nenhum tipo de publicidade, de merchandising, de marketing que fale com ela, que tente incentivá-la a consumir produtos e serviços”, apontou 

Segundo a coordenadora do Alana, até a faixa de 12 anos as crianças não têm condições de analisar criticamente as mensagens que recebem. “A criança é muito vulnerável, é muito suscetível a esses apelos publicitários. Elas também são 'muito literais' e recebem as mensagens como dados da realidade, porque não têm os filtros que os adultos possuem.”

O ideal é que a publicidade de produtos e serviços voltados para esta faixa de público seja direcionada aos seus cuidadores.  “Que pais e responsáveis façam a mediação dessa criança com o universo comercial”, disse. “Porque o pai pode fazer análise crítica dessa mensagem e definir dentro do poder familiar que ele tem, inclusive legalmente, se é adequada ou não.”

Isabela aponta que o problema é justamente a falta da presença de um adulto para mediar a comunicação entre o mercado e os pequenos “A mensagem publicitária fala diretamente com a criança e passa por cima do poder familiar”, explicou. 

Isabela ressaltou que a responsabilidade de regular o que pode ser direcionado ou não ao público infantil é do Estado. A autorregulação das empresas  – normas definidas pelo próprio setor – não é suficiente.

Além de cobrar ações efetivas do governo federal para diminuir o impacto da publicidade sobre as crianças, ela lembrou a importância das brincadeiras e atividades recreativas, melhoria geral da qualidade dos alimentos e a necessidade de campanhas educativas voltadas a pais e educadores. “Faltam ações concretas na ponta, no dia a dia, com as crianças”, apontou.

Reproduzido de Rede Brasil Atual

Anvisa promoveu seminário em São Paulo para discutir regulação sanitária

Regulação Sanitária e Desenvolvimento Econômico e Social é o nome do seminário que a Anvisa realizado em São Paulo, dia 27 de abril, sexta-feira, para discutir ações de promoção econômica e social no âmbito da saúde pública, previstas nos programas Brasil Maior e Brasil sem Miséria. A abertura do seminário será feita pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O evento aconteceu das 09h às 18h, no Espaço Rosa Rosarum, rua Francisco Leitão, Pinheiros.

Os temas discutidos foram:

• A relação do Regulador com o Setor Privado (Dirceu Barbano, Diretor presidente da Anvisa; Paulo Skaf, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo; Jorge Gerdau, Coordenador da Câmara Técnica de Políticas de Gestão, Desempenho e Competividade da Presidência da República; Laurie Garret, jornalista norte-americana e membro do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos e representante da Organização Mundial de Saúde);

• Segurança Sanitária X Liberdade de Mercado (Omilton Visconde Jr, Sindusfarma; Sussumu Honda, ABRAS; Lia Hasenclever, UFRJ; Jaime Oliveira, Diretor da Anvisa);
• Regulação e Desenvolvimento (Tereza Campello, MDS; Luiz Barreto, Sebrae; José Agenor Alvares, Diretor da Anvisa);

• Os Limites da Propaganda (Gilberto Leifert, CONAR; Eduardo Klotz, ABIA;  Laís Fontenelle, ONG Alana).

Responsável por monitorar a fabricação, a comercialização, o uso e a divulgação de quaisquer produtos e serviços capazes de influenciar na saúde humana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem uma abrangência de atuação que corresponde a cerca de 25% do PIB brasileiro.

Indústrias e revendas de alimentos, cosméticos, produtos de limpeza, laboratórios farmacêuticos, hospitais e empresas de importação e exportação integram o âmbito de atividades diretamente regulados pela Anvisa, responsável por fiscalizar operações e autorizar a abertura de estabelecimentos comerciais e fabris, além de conceder registros.

Foram colocadas lado a lado, em quatro mesas temáticas, as principais autoridades de governo, representantes do setor privado e especialistas no assunto. Os palestrantes fizeram suas apresentações e, na sequência, responderam às questões encaminhadas pelo público.

Adaptado de Utilidade Pública

Veja lâminas de apresentação da ANVISA clicando aqui.

O insustentável peso da democracia para a mídia cartelizada está no editorial do jornal O Globo


O insustentável peso da democracia para a mídia cartelizada está no editorial do jornal O Globo

Glauco Cortez
Educação Política
09 maio 2012

O editorial do jornal O Globo de ontem (08/05/12) foi muito mais significativo do que uma aparente defesa corporativa de uma outra empresa de mídia. O editorial  revela representações importantes para a democracia brasileira e, por incrível que pareça, estamos avançando. Isso se não for uma defesa da própria pele, visto que muita coisa pode aparecer na CPI.

A primeira delas é a própria exposição do grupo de mídia diante de uma posição inegável.  Desde o início da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito),  do Carlinhos Cachoeira, as organizações Globo se postaram de uma forma bastante comum aos meios de comunicação e o que é um pouco natural, ou seja: dá como notícia o que interessa e oculta o que não interessa. Mas isso parece não ter bastado. A Globo, por meio do jornal, teve de se posicionar e o fez em defesa das práticas mais abomináveis do jornalismo, que é a associação ao crime organizado.

Uma segunda é o reconhecimento da blogosfera e de outras empresas de comunicação. O Globo faz o editorial para o leitor, mas reconhece, mesmo criticando, a existência da blogosfera e de outros concorrentes. Bons tempos aqueles em que era fácil ignorar totalmente o que não interessava. O que não saía nas organizações Globo não era notícia ou, simplesmente, não era um acontecimento, então não havia a necessidade nem de se posicionar.

Agora está um pouco diferente. Se a Globo não deu, algum motivo tem e aí a necessidade de um editorial, porque todo mundo tá sabendo e a Globo não deu uma linha. Na verdade, o editorial é uma forma de poder continuar omitindo as informações que não interessa ao grupo.

Nesse sentido, surge uma terceira representação, que é colocar a Globo e outras empresas que cartelizam a informação, denominadas de PIG (Partido da Imprensa Golpista) pela blogosfera, em uma defensiva muito semelhante às situações vividas por essa mídia durante o processo eleitoral nos últimos anos. Tem havido uma contra-informação muito forte nos períodos eleitorais sobre a manipulação ou a partidarização da informação promovida pelos grandes grupos de mídia, de modo que são até forçados a manifestar explicitamente uma preferência partidária, como fez o Estadão nas últimas eleições presidenciais.  A CPMI de Carlinhos Cachoeira parece eternizar esse período de contra-informação, tornando a mídia cartelizada em uma situação desconfortável fora do período eleitoral também. Essa talvez seja a mais interessante representação do editorial.

Uma última representação é o que tudo isso nos indica, ou seja, parece que já vivemos uma relativa democracia da comunicação, ainda que muito favorável à mídia cartelizada. No entanto, não é tão fácil como antigamente ignorar solenemente algumas informações ou outros meios de comunicação.

Há muito ainda que se fazer para se avançar na democracia da comunicação brasileira, mas o peso da democracia pluripartidária torna-se a cada dia mais insustentável para a mídia cartelizada.

Reproduzido de Educação Política
09 mai 2012

Comentário de Filosomídia:

Os Três Midiopatéticos

Roberto Civita não é Rupert Murdoch, claro que não. Ele é mais provinciano, tosco e arrogante ao pensar que sua imagem construída como impoluta, empresário de moral ilibada passaria incólume sem ser desmascarada à medida que se amplia a discussão da democratização dos meios de comunicação, o marco regulatório do setor. Vai na mesma linha   as empresas Globo. O Roberto Marinho não é ou era o Rupert Murdoch.

Roberto, Rupert, Roberto, são todos mesmos é farinha do mesmo saco dos donos das mídias em decadência. Três Midiopatéticos.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os Mervais, Doras e Mirians da vida e o que constitui a opinião pública nacional


Os  Mervais, Doras e Mirians da vida e o que constitui a opinião pública nacional

Educação & Política
Glauco Cortez
30 abril 2012

Opinião pública nem sempre é um conceito fácil de exprimir, visualizar e localizar precisamente. Isso porque há nele algo de abstrato, afinal, qual é de fato a opinião pública brasileira, por exemplo, a opinião que traduz o que pensa a maioria dos brasileiros sobre diversos assuntos?

Sobre isso, um interessante texto de Mino Carta, publicado pela Carta Capital, expõe que nossa opinião pública certamente não seria aquela dos Mervais, Doras e Mirians da vida, referindo-se a Merval Pereira, Dora Kramer e Miriam Leitão. No máximo, eles representam os seus leitores ou aqueles que concordam com o que eles dizem, mas a opinião pública brasileira, para Mino, nem seria aquela que de fato tem contato com a mídia nativa e que, na ocasião de uma eleição, por exemplo, vota sem necessariamente sofrer influência desta última.

Poderíamos discurtir alguns pontos, pensando que a influência dessa mídia é sim expressiva em diversas camadas sociais, no entanto, muitos continuam dedidindo seus destinos políticos quase que por instinto, por uma preferência ou outra, não abalada pelos discursos de Mervais e Mirians…

Mino é preciso ao afirmar o tipo de opinião pública que tais discursos de Mervais e Mirians querem personificar. Justamente o discurso que foi e vai contra as mudanças importantes para o país, quem é adepto da democracia sem povo e de um país de 20 milhões de brasileiros, o discurso mais egocêntrico possível.

Radiografar a opinião pública brasileira é sem dúvida um desafio, mas não é difícil identificar qual é o perfil da opinião pública que responde à mídia nativa e seu “jornalismo onírico” (que faz dos seus sonhos verdade). Sobre este, restam poucas ou nenhuma dúvida.

Veja trecho do texto:

Opinião pública, o que é?

Por Mino Carta

Pergunto aos meus reflexivos botões qual seria no Brasil o significado de opinião pública. Logo garantem que não se chama Merval Pereira, ou Dora Kramer, ou Miriam Leitão. Etc. etc. São inúmeros os jornalistas nativos que falam em nome dela, a qual, no entanto, não deixa de ser misteriosa entidade, ou nem tão misteriosa, segundo os botões.

A questão se reveste de extraordinária complexidade. Até que ponto é pública a opinião de quem lê os editorialões, ou confia nas elucubrações de Veja? Digo, algo representativo do pensamento médio da nação em peso? Ocorre-me recordar Edmar Bacha, quando definia o País -como Belíndia, pouco de Bélgica, muito de Índia. À época, houve quem louvasse a inteligência do economista. Ao revisitá-la hoje, sinto a definição equivocada.

Os nossos privilegiados não se parecem com a maioria dos cidadãos belgas. A Bélgica vale-se da presença de uma burguesia autêntica, culta e naturalmente refinada. Trata-se de tetranetos da Revolução Francesa. Só para ser entendido pelos frequentadores do Shopping Cidade Jardim em São Paulo: não costumam levar garrafas de vinho célebre aos restaurantes, acondicionadas em bolsas de couro relampejante, para ter certeza de uma noite feliz. Até ontem, antes do jantar encharcavam-se em uísque.

Em contrapartida, a minoria indiana, sabe das coisas e leu os livros. Já a maioria, só se parece com a nossa apenas em certos índices de pobreza, relativa ou absoluta. No mais, é infelicitada por conflitos, até hoje insanáveis, étnicos e religiosos. Nada de Bélgica, tampouco de Índia. Nem por isso, a diferença, ainda brutal, existe entre brasileiros ricos e pobres, embora desde o governo Lula tenha aumentado o número de remediados.

Leia o texto completo de Mino Carta na Carta Capital clicando aqui.

Reproduzido de Educação e Política por Glauco Cortez
30 abr 2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Livro eletrônico: Arquivo, Memória e Resistência dos Trabalhadores no Campo e na Cidade


Livro eletrônico reúne documentos sobre organização dos trabalhadores no campo e na cidade e sua resistência durante a ditadura

O livro "Arquivo, Memória e Resistência dos Trabalhadores no Campo e na Cidade" já está disponível para consulta na internet por meio dos portais do Centro de Documentação e Memória Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Arquivo Nacional e do Centro de Referência Memórias Reveladas.

A obra contém 18 artigos sobre experiências de organização de trabalhadores a partir de arquivos sindicais, arquivos rurais, da Justiça trabalhista, e sobre a memória da resistência ao regime de exceção que o Brasil vivenciou de 1964 a 1985, diz notícia da Agência Brasil Atual, e revela como os arquivos e documentos são extremamente importantes para reconstituir a história dos trabalhadores e, também, a história do Brasil em um contexto específico como foi o da Ditadura Militar.

O livro sem dúvida será uma ótima fonte de informação para quem se interessa pela memória e lutas trabalhistas e por esse fragmento da história recente do Brasil.

Reproduzido de Educação Política por Glauco Cortez
05 abr 2012

domingo, 4 de dezembro de 2011

Fernando Pessoa e a vida em linhas tortas...


Em meio ao "esbanjamento de felicidade e perfeição" nas redes sociais a busca por alguém que se faça "gente no mundo" nunca foi tão necessária

A partir dos versos do Poema em Linha Reta, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa – “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo” – Cynara Menezes escreve um ótimo texto na Carta Capital em que faz uma espécie de elogio e resgate da figura do “loser”, situando-o dentro dos limites do mundo contemporâneo.

Ao considerar os diferentes significados que o termo foi ganhando ao longo do tempo, desde o inicial que significava perdedor, até uma noção um tanto insuficiente que dizia ser loser um infeliz digno de pena, sem sorte, sem valor, a autora lembra que “loser não é apenas o cara que não ganha, e sim o que não se importa em ganhar. Ao contrário do que muitos pensam, o loser pode chegar lá – mas o que o moveu não foi chegar”.

O fato é que os “loser” ocupariam, segundo Cynara, um lugar privilegiado no imaginário americano, onde o termo surgiu propriamente, inspirando inclusive alguns emblemáticos personagens de Woddy Allen, dos irmãos Coen, dentre outros. Isso porque existiria um certo charme em ser loser, ou simplesmente encarar a vida de outra forma, olhá-la sob um ângulo diferente.

Parar enquanto todos correm, fazer-se complexo em meio às dúvidas e incertezas e não superficial e seguro de absolutamente tudo que faz ou vai fazer. Admitir-se triste às vezes. Dar-se ao luxo de observar o tempo passar, olhando o horizonte, deixando-se viver mais. Em tempos onde a exibição da felicidade se dá de forma absurda pelas redes sociais, financiada pela propaganda e pelos apelos multiplicados por aí,  os versos de Álvaro de Campos nunca foram tão atuais.

Porque o loser na verdade é o que há de gente no mundo, ele sabe que não há possibilidade em ter certeza de tudo, sendo que sequer sabemos porque estamos aqui ou para onde vamos. E percebe que há muito mais vida em ser humano em linha reta,em admitir fraquezas, dúvidas e porque não misérias, do que em iludir-se em uma verticalidade que é pura vaidade vazia, chafurdando-se em um pedantismo rasteiro.

Aos “losers” que ainda restam em um mundo de pressa, competição e exigência de felicidade e certeza, nada como o desabafo do poeta português:



Reproduzido de Educação Política, por Glauco Cortez
04 dez 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Jesus ocupa Wall Street...


Filme “Jesus era comunista” faz sucesso em festivais, gera polêmica nos EUA e cita dom Helder Câmara

Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.

Quando os tempos estão difíceis, parece que a religião volta a ficar popular. Enquanto o mundo está em turbulência, com os mercados econômicos parecendo entrar em colapso e o meio-ambiente degradado, Jesus volta a ser o centro da atenção.

O premiado ator Matthew Modine já participou de filmes de sucesso no cinema e de séries televisivas. No momento ele está envolvido nas gravações do novo filme sobre Batman. Entre uma filmagem e outra, ele produziu um curta-metragem de 15 minutos que mostra o Filho de Deus como um líder socialista, oferecendo um argumento convincente em favor dos pobres.

Modine escolheu um título polêmico: “Jesus era um comunista”. Seu filme  oferece uma discussão das mensagens do Novo Testamento no contexto da pobreza, da poluição e da agitação política.

Selecionado para participar de vários festivais de cinema em todo o mundo, a discussão que o veterano ator propõe já está chamando atenção. O movimento político direitista Tea Party tem usado a Bíblia como seu “cabo eleitoral e justificativa para mudanças na política”. Sites cristãos como o Truth Vanguard já fizeram pesadas críticas ao curta metragem.

O filme de Modine parece ter um endereço certo. Algumas semanas atrás, o movimento “Ocupar Wall Street” iniciou um debate sobre a relação entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Rapidamente iniciativas similares se espalharam por vários lugares do mundo.

Vários meios de comunicação compraram a iniciativa com o início do Cristianismo, quando a igualdade entre todos os homens ajudou a desfazer a estrutura social do antigo Império Romano. Imediatamente líderes religiosos e teólogos começaram a debater o tema. Enquanto alguns apoiaram a ideia dizendo que Jesus estaria ao lado dos que ocuparam Wall Street, outros criticaram veementemente, afirmando que a revolução que Jesus queria nada tinha a ver com distribuição de renda.

Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.

Falando sobre o curta, Modine explica: “Embora o título seja propositadamente provocativo, é importante às pessoas entenderem que o filme não é um ataque a Jesus ou à fé cristã e nem mesmo uma apologia ao comunismo. Trata-se de um filme com uma mensagem muito positiva, de responsabilidade e de esperança”.

Durante uma entrevista, no lançamento do filme semana passada, Modine foi mais longe: “O movimento Ocupar Wall Street não tem uma só voz, um líder. Essa é uma extraordinária demonstração de liberdade civil e de democracia. Mas acho que se houvesse um homem barbudo, de pés descalços falando sobre paz, liberdade, amor e virasse a mesa dos especuladores de Wall Street acabou ele seria crucificado pela mídia. O prefeito exigiria sua prisão. [Alguns meios de comunicação] iria incitar o ódio contra ele e declará-lo uma ameaça para o capitalismo”.

Vindo de uma família muito religiosa, o diretor explica porque os ensinamentos de Jesus o motivaram: “Estou preocupado com os eventos que ocorrem em todo o mundo. A população chegou aos 7 bilhões. Existe muita fome no mundo. Há escassez de água potável. A poluição ameaça o meio-ambiente. Vemos os dos resíduos nucleares. Mudanças climáticas em todo o mundo… Há tanta confusão, culpa e falta de responsabilidade no mundo de hoje. Muitas guerras e assassinatos usam como justificativa o nome de Deus. Não foi isso o que Jesus ensinou”.

Confira um trailer do filme que curiosamente inicia com a declaração do teólogo brasileiro Dom Elder Câmara “Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”.

Mais informações sobre o filme no site www.jesuswasacommiefilm.com (do Gospel Prime)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ONGs se queixam da repressão da Anatel a rádios comunitárias


Entidades se posicionam contra o fechamento de cerca de 150 rádios comunitárias pela Anatel em dois meses

A Associação Mundial de Rádios Comunitárias e aAssociação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), organizações não governamentais (ONGs) que defendem a democratização da comunicação e a legalização da situação das rádios comunitáriasque, em sua maioria, funcionam de forma clandestina no país, criticaram as operações de fiscalização empreendidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nos últimos meses.

As entidades alertam para o fato de que, entre agosto e setembro, 153 rádios que funcionavam de forma clandestina foram fechadas no Brasil, sem que o poder público fizesse algo para regularizar a situação dessas e de outras rádios comunitárias. O problema alegado por eles é que uma legislação específica e uma efetiva política pública direcionada ao serviço de radiodifusão comunitária não é colocada em prática, portanto, o governo não pode condenar as rádios por funcionarem de forma ilegal e prestarem um serviço à comunidade de forma totalmente gratuita.

Além disso, as entidades se queixam da diferença na hora da fiscalização. As rádios comunitárias que estão em fase de licenciamento, segundo elas, são o alvo preferido da Anatel que, dificilmente, fiscaliza emissoras comerciais ou de políticos. Ou seja, dois pesos e duas medidas.

As queixas das organizações que lutam para garantir os direitos das rádios comunitárias revelam que não adianta existir uma fiscalização enquanto políticas de funcionamento específico não forem definidas para as rádios comunitárias e elas não forem definitivamente inseridas enquanto atores reais da comunicação no país. Esse é o primeiro passo para que se possa pensar em uma fiscalização mais igualitária e justa que, por sua vez, possa conduzir à efetiva democratização das comunicações no país.

Veja mais sobre o assunto no texto de Isabela Vieira, publicado pela Agência Brasil clicando aqui.

Reproduzido do Blog Educação Política, por Glauco Cortez.
03/10/2011

Saiba mais sobre a Associação Mundial de Rádios Comunitárias clicando aqui.



Confira o documentário feito pelo Coletivo Intervozes

sábado, 10 de setembro de 2011

Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história

Neste vídeo, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala de forma emocionada, lúcida e coerente sobre a sua própria história, desfiando as várias outras histórias que fizeram parte dela e que, aos poucos, foram tecendo a sua personalidade e forma de ver o mundo e as coisas.

O vídeo de Chimamanda mostra como qualquer tipo de preconceito ou estereótipo pode ser extremamente perigoso quando se conhece apenas ele e não o outro lado das coisas, das pessoas, da história. A precisão e graça de sua fala revelam que nunca existe apenas uma única versão para os fatos, as coisas são acima de tudo construções de discursos, sentidos, sensações. A variedade de formas e discursos é tão vasta quanto os interesses e pontos de vista dos seres humanos.

No entanto, ela lembra que ao construir uma história ou ao lançar um olhar peculiar sobre uma realidade dizendo ser ela isto e não aquilo, aos poucos, corre-se o risco de ver aquela realidade se transformando de fato naquilo que se imaginou ou se disse a respeito dela. Assim, se eu digo que um povo é inferior ao outro e insisto nessa ideia e essa ideia é a única vista e ouvida à respeito daquele povo e se, com o passar do tempo, todos insistem nessa ideia, aquele povo primeiro se sente de fato como inferior e, depois, se a única história continua, ele realmente se torna inferior.

Daí a importância das várias histórias, de conhecer os diversos olhares. Reside aí a riqueza do homem em poder contar as suas histórias, reside aí a sabedoria de olhar para o outro sem pré-conceitos, despindo-se de si mesmo e atingindo, como diz Chimamanda, uma espécie de paraíso na terra.



Reproduzido de Educação Política, por Glauco Cortez.

sábado, 11 de junho de 2011

Liberdade na Internet está sob ameaça de governos


Liberdade na internet está sob ameaça dos governos

Novo relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos pelo relator especial sobre a liberdade de expressão da Organização das Nações Unidas (ONU), Frank La Rue, advertiu que nos últimos anos o desejo e as ações do governo direcionadas a controlar o fluxo de informações na internet aumentou consideravelmente.

Segundo o relator são justamente as características da internet, rapidez no acesso e na troca de todos os tipos de informações, que estão incomodando governantes por todo mundo. Recentemente, assistimos ao controle exercido pelos ditadores árabes sobre a internet depois de perceberem que esta estava ajudando as manifestações de civis contra seus regimes e a favor da democracia.

Além da prisão de alguns blogueiros no ano passado, La Rue aponta que os métodos utilizados para bloquear conteúdos estão cada vez mais sofisticados o que conduz a uma situação onde os direitos humanos mais básicos do cidadão de fato estão sendo desrespeitados.

Essa realidade exige que leis bem claras protegendo o conteúdo da internet e a liberdade de expressão funcionem de fato e sejam respeitadas. Procedimentos invasivos sem dúvida devem ser considerados crimes e os controladores é que devem ser presos, não os controlados como vem acontecendo. Nos países democráticos não deve haver sequer discussão a esse respeito, afinal, se a liberdade começar a ser controlada, ficará difícil sustentar o paradoxo em que se transformará a própria democracia.


Veja texto sobre o assunto publicado pelo FNDC “Liberdade na Internet está sob ameaça de governos” da página do Observatório do Direito à Comunicação, clicando aqui.


Acesse o relatório clicando aqui.