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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A imprensa entorpecida: “Todo mundo diz que crack basta experimentar uma vez só e a pessoa fica viciada”


A imprensa entorpecida

Luís Fernando Tófoli
Observatório da Imprensa
03/07/2012

Na edição do Jornal Nacional de 24 defevereiro de 2012 – um momento marcado pelas ainda recentes ações higienistas de retirada dos chamados “noias” das ruas de São Paulo e Rio de Janeiro –, após uma longa reportagem de sete minutos sobre o crack para discutir a internação compulsória de seus usuários, o âncora William Bonner arrematou, diante das sobrancelhas graves de sua colega Patrícia Poeta: “Todo mundo diz que crack basta experimentar uma vez só e a pessoa fica viciada”.

Infelizmente, Bonner não citou fontes nem apresentou referências. Mesmo com as fantasias apocalíptico-epidêmicas associadas ao crack, ainda assim é necessário corrigir a informação do jornalista e alertar ao leitor que “todo mundo”, nesse caso específico, está errado. Não existe uso de droga sem usuário e sem contexto. Por mais que uma substância possa ter, por sua farmacologia, um maior ou menor potencial para induzir dependência, não existem drogas com propriedades “mágicas”. É a combinação entre a substância, o momento de vida da pessoa e o contexto de consumo que causam ou impedem a adição. Nenhuma droga vicia por si e nem instantemente, e isso vale tanto para o crack e a heroína quanto para uma das drogas de maior potencial de dependência, o tabaco.

A redução da criminalidade em Portugal

É uma tarefa árdua para o jornalista se mover dentro deste campo. Drogas, incluindo o álcool, são um assunto polêmico e complicado, que afeta as pessoas de formas diferentes e envolve campos distintos do conhecimento – Direito, Sociologia, Antropologia, Farmacologia, Neurociências, Psicologia, Religião, Saúde e Segurança Pública – áreas que usam termos mutuamente incongruentes e expressam visões frequentemente antagônicas entre si. Para complicar ainda mais, os jornalistas são uma categoria profissional cujo contato com as drogas legais e ilegais não é, definitivamente, menor do que na população em geral.

A segurança do profissional de imprensa, portanto, diante da dificuldade deste tipo de pauta, do peso do prazo e da necessidade de que a notícia também venda o meio onde ela circula, acaba sendo o lugar onde a classe política viceja diante da questão das drogas: o senso comum. Não ofenda, não contorne, não surpreenda o senso comum: enquanto as pessoas acreditarem que as drogas são um mal em si, mantém-se a zona de segurança.

Em um painel organizado pela Organização Mundial da Saúde em Washington para marcar o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas, na terça-feira (26/6), especialistas defenderam as estratégias de redução de danos e até a legalização de substâncias ilícitas como formas de reduzir o impacto social de seu uso. Até onde a imprensa nacional chegará sobre este assunto, além de reproduzir as notas de agências internacionais e mencionar as “campanhas” oficiais? É fato que Portugal tem uma história de já 10 anos de sucesso na redução da criminalidade e do abuso ao tornar o uso de drogas legal. O que ficamos sabendo disso em nosso país? O que ouvimos por aqui do impacto das narcossalas da Europa para usuários de drogas que têm o mesmo perfil de nossos dependentes de crack?

Estimulante cerebral

O que lemos, assistimos ou escutamos são, quase invariavelmente, visitas dramáticas às “cracolândias” reais ou imaginárias e incursões a um único tipo de tratamento – internações compulsórias nas ditas comunidades terapêuticas – cuja efetividade é questionável. Monocordicamente, a imprensa reforça o que todo mundo já pensa sobre o assunto e, colateralmente, além de não contribuir socialmente no debate, capitaliza política e financeiramente pessoas e modelos que estão atrelados a, no mínimo, violações aos direitos humanos, segundo demonstrou um recente relatório do Conselho Federal de Psicologia.

Quando assisti à manifestação de William Bonner em cadeia nacional e horário nobre, fiquei pensando se o âncora dispararia expressões de tamanho senso comum se o assunto fosse, por exemplo, a pena de morte (“todo mundo diz que bandido bom é bandido morto”) ou a conduta de algum político (“todo mundo diz que o deputado fulano é ladrão”). Claro que não – apesar de ser, neurologicamente, um estimulante cerebral, só o crack é capaz de entorpecer a imprensa a esse ponto.

Links para as matérias no JN, aqui e aqui.

Luís Fernando Tófoli é professor de Psiquiatria na Universidade Federal do Ceará

03 jul 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

“Gilmar Mendes monta um esquema de repercussão na mídia”


“Gilmar Mendes monta um esquema de repercussão na mídia”, diz repórter da Carta Capital

Priscila Fonseca

O jornalista Leandro Fortes afirma que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, está montando um “esquema de repercussão na mídia”. A declaração do repórter da Carta Capital foi sobre a relação das denúncias de envolvimento do ex-presidente Lula em suposta tentativa de coerção ao integrante do STF, conforme noticiado na última edição da revista Veja.

Fortes avalia as notícias sobre o caso como “confusas”. Segundo o jornalista, a publicação da Editora Abril tem “cara de armação” e tem forte ligação com o ministro do Supremo. Para o repórter da Carta Capital, a imprensa está sendo “totalmente parcial” na cobertura sobre o encontro entre Mendes e o ex-presidente. “A mídia é contra o Lula”, diz.

Desde que a edição da Veja chegou às bancas no último sábado, 26, com a matéria que relata a reunião entre os dois em abril, o ministro concedeu entrevistas para o Zero Hora e para o 'Jornal Nacional', da Globo, além da "coletiva" realizada na última terça, 29. Até o momento, Lula apenas comentou o caso por meio de uma nota enviada à imprensa na segunda-feira, 28, na qual fala ter ficado indignado com a notícia de que estaria pressionando para o adiamento do julgamento dos réus do mensalão.

Sobre a estratégia adotada por ambas as partes, Fortes elogia a postura do ex-presidente e considera que ele não precisa falar. “O Gilmar quer chamar o Lula para um bate-boca, já o Lula não quer se envolver, não julgo a atitude dele”, argumenta o jornalista que ataca setores da comunicação. “A mídia é reacionária e observadora. Atualmente, em muitos casos ela está sendo lamentável e manipuladora, alguns até trabalham a favor de Gilmar Mendes”.

Reproduzido de Portal Comunique-se
31 mai 2012

Leia também:

“Bate-boca de Gilmar Mendes na mídia incomoda ministros do STF”, no Correio do Brasil (01/06/12), clicando aqui.

“PSOL vai à Procuradoria Geral contra Gilmar Mendes”, no Portal Vermelho (31/05/12), clicando aqui.

"Altamiro Borges: o ventilador no esgoto de Demóstenes" no Portal Vermelho (31/05/12) clicando aqui.

“Quem Gilmar e Demóstenes foram paraninfar em Goiânia?” no Conversa Afiada (31/05/12), clicando aqui.

"Blogueiro Sujo vai ao Supremo por Gilmar", por Paulo Henrique Amorim (31/05/2012), clicando aqui.


“Dalmo Dallari sobre Gilmar Mendes: “Eu não avisei?”, no Brasil 247 (29/05/12), clicando aqui.

“Gilmar Mendes na cachoeira: Demóstenes 'trabalhou' com Gilmar Mendes por ação da CELG, diz PF”, no Blog A Máscara caiu (29/04/12), clicando aqui.

Uma conversa para entrar na história”, por Alberto Dines no Observatório da Imprensa (29/05/12), clicando aqui.

“Senado exonera enteada de Gilmar Mendes do gabinete de Demóstenes”, no Blog do Décio (08/04/12), clicando aqui.


Ministro "Barbosa chamou Gilmar às falas: Vossa Excelência me respeite! (...) Vossa Excelência está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro". Assista ao vídeo abaixo.



PS: este blog Filosomídia não recebe dinheiro de estatais, nem de bicheiros, nem de construtoras, nem de banqueiros, tampouco ataca instituições. Também não se coaduna com mentiras, com os monopólios nas mídias e com os corruptos na Polititica. Este blog apoia os blogs sujos, insurgentes, ativistas e progressistas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O escândalo do livro que não existia


"Durante dias e dias o país inteiro discutiu uma miragem, um não-fato, algo que não existia. E na discussão se leu de tudo, analistas com julgamentos definitivos sobre a questão, acadêmicos soltando sentenças condenatórias, jornalistas atirando flechas na miragem. E tudo em cima de uma nuvem, uma sombra, um ectoplasma que nunca existiu.

Poucas vezes na história contemporânea se viu manifestação tão atrasada do que seja opinião pública latino-americana. Parecia mais um daqueles contos do realismo fantástico de um Garcia Marques, uma parábola familiar de Julio Cortazar.

Refiro-me a esse episódio sobre o suposto livro que ensinaria as crianças a ler a escrever errado.

Esse livro, sobre o qual tantas mentes brilhantes despejaram esgoto puro, não existe. Inventaram um livro com o mesmo nome, com a mesma autora e imputaram a ele um conteúdo inexistente no livro original.

O livro massacrado não defendia a norma "inculta". Apenas seguia recomendações do Ministério da Educação, em vigor desde 1997, de não desprezar a fala popular. Era uma recomendação para que os jovens alfabetizados, que aprendem a falar corretamente, não desprezem pessoas do seu próprio meio, que não tiveram acesso à chamada norma culta.

No entanto um país que aspira a ser potência, conduzido por um tipo de jornalismo típico de países atrasados, caiu de cabeça na interpretação de que o livro ensinava a escrever errado. Criado o primeiro tumulto, personagens ilustres caíram de cabeça na versão vendida. O país inteiro repetiu a ficção criada, as melhores cabeças da mídia de massa embarcando em uma canoa furada, apenas repetindo o que ouviram falar.

Sem que um só tivesse ao menos lido o capítulo, deram o que lhes era pedido: condenações do livro e da autora, pela discutível vantagem de saírem em jornais e programas de TV... dizendo bobagens.

De repente, uma professora séria foi achincalhada, ofendida, tornando-se inimigo público, merecendo longos minutos no Jornal Nacional.

Episódio semelhante ocorreu alguns anos atrás com uma professora de psicologia que fazia pesquisas sobre "redução de danos" – um tipo de política de saúde visando ensinar os viciados a não se matarem. Foram apontadas – ela e sua orientadora de 68 anos – como traficantes em blogs de esgoto de portais de grande visibilidade. Depois, essa acusação leviana repercutida no Jornal Nacional.

Em alguns setores, o país vive momentos de trevas, de um atraso similar ao macartismo americano dos anos 50, como se toda a racionalidade, lógica, valores da civilização tivessem sido varridos do mapa. E tudo debaixo do álibi de uma luta política implacável, que ideologiza tudo, transforma qualquer fato em campo de batalha, escandaliza qualquer coisa, fuzila qualquer pessoa em nome de uma guerra que já não tem rumo, objetivo. É como um exército de cruzados voltando das batalhas perdidas e destruindo tudo o que veem à sua frente apenas porque aprenderam a guerrear, a destruir e, sem guerras pela frente, praticassem o rito da execução sumária por mero vício."

Luis Nassif . AdVivo
25 mai 2011

Reproduzido do FNDC

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Atriz Carolina Dieckmann critica programação de TV aberta para crianças


Carolina Dieckmann: "Meus filhos não assistem televisão aberta. Hoje não há motivos para isso"

Na gravação do programa Vídeo Game, de Angélica, Carolina Dieckmann e Preta Gil enfrentaram Cleo Pires e Suzana Pires. Nos bastidores, Carolina Dieckmann foi perguntada se esse programa se encaixava entre aqueles que seus filhos assistiam.

Meus filhos não assistem televisão aberta. Hoje não há motivos para assistirem. Os canais pagos fazem uma programação específica para o gosto deles", contou a atriz para o site da revista Contigo!

Ela ainda acrescentou que José, seu filho de dois anos, só quer saber de Batman e Davi, de 11, prefere assistir futebol: “Nada além de SporTV”.

Já a apresentadora Angélica discordou: "Meus filhos podem assistir o que eles quiserem. Claro que no Jornal Nacional, por exemplo, não vou deixar verem nada que possa assustar. Mas eles assistem, adoram". Sobre opções de programas para crianças assistirem em TV aberta, ela garantiu: "Claro que tem! O Vídeo Game, por exemplo, é uma opção".

Para apimentar a história, o diretor Boninho deu sua opinião: “Escreve aí: a Carol é chata”. Ops...

Debora Luvizotto . Vírgula UOL . Famosos
08/04/2011 09h00

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