sábado, 16 de abril de 2011

O campeonato midiático-macabro sobre a tragédia acontecida na escola do Realengo


"Perguntas, mortos e feridos

Manhã do dia 7 de abril de 2011, uma quinta-feira como outra qualquer na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio. Passos apressados levam Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, a entrar por volta das 8h20m na sala de aula nº 4 do 2º andar dizendo que vai fazer uma palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

As 96 palavras que escrevi no parágrafo acima fazem uso de 444 caracteres sem espaço para contar que foram assassinados 12 jovens em Realengo e feridos 190 milhões de brasileiros. O resto da história ficará estampado nos telejornais e nos programas de auditório da televisão. Continuará pendurado nos portais noticiosos e também nos blogues da internet. E será recitado por apresentadores e comentaristas de rádio do Brasil.

Saímos da tragédia para investir com armamento pesado na repercussão. Em um primeiro momento a corrida pela emoção nublava de vez qualquer iniciativa de investigação jornalística. Não importa sabermos que a “objetividade” deve ser perseguida a todo custo, em casos como o de Realengo a própria objetividade se encontra presa de pesares e aflições indizíveis. Havia 10 caminhos a percorrer:

1. Testemunhos dos alunos sobreviventes;

2. Testemunhos do policial militar que cumpriu a missão de sua vida: interromper o massacre matando o autor;

3. Testemunho passivo das câmeras de vigilância da Escola colocadas no corredor do 2º andar;

4. Testemunhos dos pais e parentes das jovens vítimas e também das que se encontram em tratamento intensivo nos hospitais cariocas e testemunhos da professora e de outros funcionários da Escola Municipal Tasso da Silveira;

5. Carta do assassino: sinais de distúrbio mental, sociopatia, fundamentalismo religioso, provável vítima de bullying, angústia sexual;

6. Visita exploratória à casa do assassino: tudo destruído, computador quebrado e destruído por fogo e depoimentos de familiares, vizinhos e conhecidos do alucinado Wellington Menezes de Oliveira;

7. Depoimentos de psicólogos sobre como tratar os sobreviventes da chacina e familiares das vítimas;

8. Depoimentos de defensores da tese do Desarmamento Total com convocação de novo plebiscito;

9. Depoimentos da presidenta Dilma Rousseff, do governador Sergio Cabral e do prefeito Eduardo Paes e decretação de luto oficial por três dias no país, no estado e na cidade do Rio de Janeiro;

10. Homenagens às vítimas nos campos de futebol (minuto de silêncio antes do início de vários jogos pelo Campeonato Brasileiro de Futebol; camisas de jogadores trazendo o nome de cada criança assassinada; balões brancos carregando seus nomes e cobrindo as torcidas; Bono Vox do U2 em show no Morumbi, em São Paulo, pedindo desarmamento e telão passando os nomes das 12 vítimas).

(...) Continuo pensando que os profissionais de imprensa, principalmente os que trabalham para emissoras de tevê, deveriam fazer algum curso para saber se portar com um mínimo de decência, um pouco que fosse de humanidade em uma situação como essa da escola em Realengo. Não preciso fazer cinco anos de faculdade de psicologia para compreender que situação tendo um franco atirador em sala de aula é mais que suficiente para gerar trauma profundo. E sei que ser induzido a desabafar suas emoções ao vivo e em cores, para todo o Brasil, em um, dois ou três diferentes telejornais certamente não faz parte de nenhum curso de primeiros socorros psicológicos para vítimas testemunhais de pesada violência.

Queremos apelar? Vamos lá, então. Se fosse a escola onde estudassem os filhos dos editores, dos apresentadores de telejornais, dos donos de revistas, das repórteres mais reconhecidas por seu talento e profissionalismo... será que seus filhos seriam obrigados a passar por todo aquele batalhão com agendas claramente inquisitoriais? Sei que a resposta é não. Não faltaria quem lhes dissesse algo como: “Não, minha filha não vai dar entrevista coisa nenhuma. Nem vem que não tem. O que ela precisa agora é de descanso, uma viagem, esquecer tudo isso e não lembrar tudo isso!”

E que ninguém tenha dúvida: seriam imediatamente atendidos."

Washington Araújo

Leia o texto completo no Observatório da Imprensa clicando aqui.

Maria Izabel Azevedo Noronha: um ataque à democracia e à educação pública


"Um ataque à democracia e à educação pública

Maria Izabel Azevedo Noronha

Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação
Membro do Fórum Nacional de Educação

As opiniões expressas pelo economista Gustavo Iochpe na revista Veja de 09/04 surpreendem pela virulência com que este articulista investe contra os sindicatos de profissionais da educação. Ele simplesmente propõe que as representações sindicais do magistério e demais profissionais sejam ignoradas nas discussões sobre educação! Na prática, quer uma caça às bruxas contra os sindicatos, incompatível com o atual estágio da democracia brasileira.

Em seu artigo ele “acusa” os sindicatos de lutarem pelo bem-estar de seus associados. Extravangante seria se não o fizessem. Mas ele omite que os sindicatos de professores e demais profissionais da educação têm uma longa tradição de luta pela melhoria da educação pública e que parte expressiva de suas propostas vem se tornando realidade nos últimos anos.

Há no Brasil hoje um forte movimento de valorização do magistério, que compreende de forma clara a relação que existe entre essa valorização e a qualidade do ensino. Esta tendência já se refletiu na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar constitucional o piso salarial profissional nacional como vencimento básico da carreira do magistério, ou seja, sem acréscimos de qualquer natureza. O mesmo certamente irá ocorrer quanto à nova composição da jornada de trabalho, com 33.3% dedicados a atividades extra-classes, cujo julgamento foi suspenso com cinco votos a favor e quatro contra, devido a interpretações regimentais.

O Brasil vem formulando e implementando políticas educacionais que apontam para a melhoria da qualidade do ensino, valorização dos profissionais da educação, gestão democrática e a superação de déficits acumulados ao longo de décadas graças ao diálogo entre as autoridades educacionais e as orgaizações da sociedade civil, entre elas os sindicatos dos profissionais da educação. O que Gustavo Iochpe expressa é a reação da direita mais conservadora e de uma certa elite que auto-intitula “social-democrata” a esses avanços.

A Conferência Nacional de Educação (CONAE) representou um momento importante neste processo, envolvendo milhares de profissionais da educação, estudantes, gestores, especialistas, pais, trabalhadores dos mais diversos segmentos e centenas de organizações sociais na discussão dos rumos da educação brasileira. Foram realizadas reuniões, debates e encontros nas escolas e outros espaços, culminando em conferências municipais, intermunicipais, estaduais e, finalmente, na CONAE, em Brasília, no mês de abril de 2010."

Leia o texto completo na página do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, APEOESP, clicando aqui.

Leia o texto da Revista Veja de Gustavo Iochpe, "Hora de peitar os sindicatos",  clicando aqui, e outro relacionado ao tema, "Falência educacional: complô ou lógica? "clicando aqui.

Escola estilo bunker e outras questões sobre violência, segurança e educação


"Escola de segurança máxima?

Para educador, a tragédia de Realengo pode reforçar estilo bunker que já entrincheira a sociedade

Um velho apresentador de TV costumava dizer que não tinha vindo para explicar, e sim para confundir. Na quinta-feira, ainda na quentura dos acontecimentos em Realengo, o professor Julio Groppa Aquino, da Faculdade de Educação da USP, ecoava metade daquele bordão. Ele não queria explicar o atirador que matou pelo menos 12 crianças em uma escola no subúrbio do Rio e depois se suicidou. Desconfiava que explicações viriam às pencas, inevitáveis, nauseantes. E nenhuma delas nos convenceria. Na sexta pela manhã, ao responder às perguntas do Aliás, ele mantinha a vontade de não explicar e, dando passagem à outra metade do bordão, adicionava ao tema grossas pitadas de confusão (e provocação), para daí extrair reflexões e nos fazer pensar além.

Psicólogo de formação, pesquisador da violência e da indisciplina no ambiente escolar e um dos críticos mais contundentes dos rumos educacionais do País, Aquino se debruçou sobre o que vem agora, depois da tragédia e do luto. Ele acha, por exemplo, que o estilo bunkerista das escolas, reproduzido das casas, dos condomínios e centros comerciais, será desgraçadamente reforçado. "Estaremos ensinando às crianças e jovens que só é possível conviver com seus concidadãos se houver um policial ao lado", lamenta. Na entrevista a seguir, Aquino também fala da sociedade que se nutre de violência e do papel dos professores na identificação de tendências violentas nos alunos: "Sala de aula não é consultório médico, e o alunado não é um corpo doente".

(...) Você falou em bunker. As escolas se parecem cada vez mais com eles, não é? Grades, portões, cadeados, vigias, câmeras... Depois do que aconteceu no Rio, como evitar que esse estilo bunker se acentue nos colégios? Será o fim do ideal de integrar as famílias na vida escolar dos filhos, tornar os pais mais participativos, etc.?

O estilo bunker apenas será reforçado, já que se trata de uma realidade muito bem instalada entre nós. Por exemplo, o bunkerismo escolar da classe média (e também das residências, dos centros comerciais, das instituições privadas como um todo) é contemporâneo à instalação generalizada das películas nos vidros dos automóveis. Trata-se de uma mostra de como a ideia de segurança já está completamente enraizada no imaginário social como um serviço indispensável - vital, para ser mais preciso - a uma parcela crescente da população. O problema é que quanto mais nos isolamos do contato com as outras parcelas da população (mais numerosas, por sinal) maiores são os riscos de confronto nesse encontro, a rigor, inevitável. Ora, as escolas públicas são exatamente esse ponto de contato entre diferentes parcelas da população. E isso nada tem a ver com a maior participação das famílias na vida escolar, no sentido de pacificar esse encontro. Família e escola, a meu ver e diferentemente dos clichês habituais empregados na discussão, são instâncias sociais paralelas e incidentais, e assim devem permanecer.

Abrir fogo contra inocentes dentro de uma escola tem algum significado especial? Por que na escola e não no supermercado, na academia de ginástica, na feira, no metrô?

Se for correta a hipótese da espetacularização da violência e também a da escola como figura institucional emblemática da contemporaneidade democrática, entende-se que as unidades escolares passem a ser alvos privilegiados de ataque, quando o que está em questão é o rompimento do pacto social. O curioso é que isso costuma acontecer nos ditos países desenvolvidos, e não em países periféricos. Já aconteceu na Finlândia, no Canadá, na China e, sobretudo, nos Estados Unidos. Seria um indício do ingresso do Brasil na rota do dito desenvolvimento socioeconômico?

(...) Cabe aos professores identificar tendências violentas nos alunos?

Imaginar que professores deveriam fazer diagnóstico psicológico/psiquiátrico é uma aberração. Sala de aula não é consultório médico, e o alunado não é um corpo doente, portador de anomalias. No entanto, os professores demandam diagnósticos desse tipo com regularidade, o que não impede que tenhamos a educação miserável que temos. Ou seja, a resposta propriamente pedagógica para isso é nula.

Que relação as crianças sobreviventes terão com a instituição escola depois de sofrer um trauma desse tamanho lá dentro?

Prospecções dessa natureza me parecem sempre inócuas e, por isso, fadadas ao fracasso. Mais ainda, no fito de antever efeitos, elas podem causá-los ou intensificá-los. Há, por exemplo, um sensacionalismo injustificável da mídia na cobertura do evento ao entrevistar os jovens envolvidos de uma maneira que beira a irresponsabilidade, convertendo todos, eles e nós, em reféns da espetacularização. O momento exige sobriedade e certo distanciamento, à moda dos antigos, de modo que seja possível decantar as informações, e não ser assediado por elas. Se quisermos honrar os mortos de fato, precisaremos mais do que alguns minutos de silêncio. Precisaremos nos aquietar. Outra questão: nem sempre as pessoas que sobrevivem a determinado acontecimento-limite desenvolvem esse ou aquele tipo de trauma e quetais. Não esqueçamos que as crianças são resistentes. Essas, em particular, tiveram de se defrontar com a crueza máxima da vida ainda quando jovens, mas sobreviverão. Já são fortes.

(...) Há explicação para o que aconteceu?

A meu ver, o melhor analista da questão da violência da/na escola não é um teórico, mas o cineasta Gus Van Sant, responsável pela obra mais impactante já realizada sobre o assunto: Elephant. Trata-se de uma retomada ficcional do massacre de Columbine, a partir do ponto de vista dos alunos envolvidos. Uma obra sem precedentes, indubitavelmente. O título do filme refere-se a uma parábola budista segundo a qual um grupo de cegos tenta descrever um elefante a partir das diferentes partes de seu corpo. Daí que ninguém logra ter uma visão do animal em sua totalidade, restando a cada um uma apreensão parcial, embora se imagine generalizante. Com isso, quero dizer que, a despeito de toda a tagarelice explicativa que virá à tona, as razões do que se passou em Realengo permanecerão incógnitas. Aos que creem no sobrenatural, cabe rezar pelos que se foram. Aos demais, resta-nos apenas um nó na garganta, um nó que não desata."

Christian Carvalho Cruz . Aliás/Estadão Online
09 abr 2011

Leia o texto completo clicando aqui.

Leia os textos "A indisciplina e a escola atual" clicando aqui e "A Educaçao segundo Julio Groppa Aquino" aqui.

Informação e poder: a evolução da grande imprensa


"Temos um sistema em que a grande mídia se esforça para ser ética pela mesma razão que o governo e as grandes empresas o fazem: o advento de nova tecnologia torna impeditivo o controle da informação da maneira como estávamos acostumados a ver.

(...) A internet torna possível que milhões de pessoas (eu, por exemplo) "criem" seu próprio veículo de comunicação, garantindo maior repercussão para sua voz. O resultado é uma explosão de jornalismo de ponta e de crítica de mídia que, se antes não tinha como se manifestar, hoje parece algo mais que natural ler alguém comentando que a revista X pecou por excesso de parcialidade (sim, excesso de parcialidade!) e o jornal Y resolveu se engajar de vez na promoção de seu candidato à presidência da República abandonando por completo qualquer idéia de isenção, de interesse pelo contraditório.

Pode parecer paradoxal, mas podemos também afirmar que a grande mídia tem ajudado a tornar esta uma época de ouro do jornalismo, porque só ela dispõe dos meios para realizar grandes negócios – e de maneira consistente – com os governos federal, estadual e municipal. A escolha do modelo de tevê digital no Brasil tem as digitais da grande imprensa. A proibição do comércio de armas de fogo mediante plebiscito tem também suas digitais: que interesses a grande imprensa deseja atender quando se posiciona contra esta proibição?

(...) A grande imprensa tem também o olhar no termômetro da opinião pública. Divulga o que o público deseja ou tem interesse em saber. Não à toa alguns dos grandes jornais dispõem até de seu próprio instituto de pesquisa, como é o caso no Brasil do Datafolha, que é uma costela do grupo Folha. Se por um lado todo governo deseja agradar a opinião pública –  afinal é daí que deriva sua legitimidade (e sua carreira política) – , a grande imprensa também está sempre sequiosa para atender seus leitores, sua audiência.

Sem leitores e sem audiência não existe imprensa e, menos ainda, grande imprensa. O que não impede que existam "conglomerados de mídia", empresas que mesmo distanciadas de seu objetivo principal – divulgar informação, ajudar a formar opinião etc. – servem como escoadouro natural para informes publicitários, o que em outras palavras significa o que o jargão popular chama "dinheiro entrando no caixa". E também não impede seu intento para atuar como grupo de pressão político-partidário sobre o governo, analisando suas políticas públicas, criticando duramente aquelas com que não concorda ou as que não servem para criar condições de alternância no poder."

Washington Araújo
15 abr 2011

Leia o texto completo no Observatório da Imprensa, clicando aqui.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Classificação Indicativa em debate online até o dia 27 de abril de 2011; participe!


O Debate é público e a participação de todos é desejada. O protagonista dos debates é a sociedade e, o Ministério da Justiça, seu facilitador.

Faça parte dos debates, discutindo a Norma e os Critérios da Classificação Indicativa entre os dias 18 de novembro a 27 de Abril de 2011. Colabore com processo de construção participativa deste importante instrumento de regulamentação de proteção dos direitos da criança e adolescente.


Fonte: Cultura Digital . Classificação Indicativa

Cobertura jornalística de tragédias vs. Publicidade para criminosos vs. Manifestações de leitores e telespectadores


COBRINDO TRAGÉDIAS

Publicidade para criminosos

Por Luciano Martins Costa em 15/4/2011

Comentário para o programa radiofônico do OI, 15/4/2011

A imprensa de modo geral deu publicidade a manifestações antissociais que pipocam desde o início desta semana em comunidades da internet, relacionadas ao assassinato coletivo ocorrido numa escola do Rio de Janeiro.

Do Cratonotícias, no Ceará, à redação da Folha Online, em São Paulo, editores decidem que é bom jornalismo dar repercussão a criminosos que se expressam no anonimato da rede.

Desde pelo menos o dia 10 deste mês, portanto apenas três dias após o massacre que deixou 12 crianças mortas, tais notícias se reproduzem na internet, para glorificação de seus autores.

Na quinta-feira, dia 14, quando se completava uma semana do crime hediondo, as manifestações de desequilibrados em apoio ao assassino ganharam espaço em sites de grande reputação.

Ainda que os textos, de modo geral, condenem liminarmente tais manifestações, informando que a polícia especializada está investigando sua autoria, a questão permanece: a imprensa, seja através de seus sites, blogs, seus diários de papel ou revistas semanais, deve dar platéia a esses indivíduos?

Delicadeza e bom senso

Há muito se discute o que deve fazer o jornalista diante de pessoas ou grupos que têm comportamentos claramente patológicos associados à necessidade de publicidade.

Aprende-se nas escolas de jornalismo que notícias sobre suicídio, quando publicadas com destaque, podem estimular ações semelhantes.

Da mesma forma que não se deve divulgar nomes completos de crianças e adolescentes quando envolvidos em episódios degradantes, também é ponto comum ao bom jornalismo que não se reproduz o nome de vítimas de ações deletérias quando a notícia, em si, representa um agravamento da injúria.

Os casos de estupro, por exemplo, exigem extrema delicadeza por parte dos jornalistas.

No caso desse episódio que ainda choca a opinião pública, a publicação do nome do criminoso não poderia estimular outras mentes doentias a repetir o gesto insano? Não seria o caso de um pacto entre os jornalistas para omitir, daqui para a frente, o nome ignominioso?

Esse é um assunto para reflexões cuidadosas nas redações e nas diretorias das empresas de comunicação.

Reproduzido do Observatório da Imprensa

Leia também no Blog "Notícias da TV brasileira": "Fantástico e Domingo Espetacular perdem a mão ao disputar detalhes escrabosos da chacina", e outros textos  clicando aqui.

Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação


Frente parlamentar por democratização da mídia será lançada terça, 19 de abril de 2011


"Fóruns, entidades, institutos e organizações variadas ligadas à pauta da democratização da comunicação convocam para o lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação, que será feito na próxima terça-feira (19), às 14 horas, na Câmara dos Deputados (Auditório Nereu Ramos), em Brasília.

A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação é uma iniciativa de membros da Câmara dos Deputados, em parceria com entidades da sociedade civil, que visa a promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão e do direito à comunicação.

Entre os deputados e as deputadas que compõem a comissão provisória da frente, estão nomes já bem conhecidos dos blogueiros, twitteiros e defensores da mídia livre no país, como Luíza Erundina (PSB-SP), Brizola Neto (PDT-RJ) e Luciana Santos (PCdoB-PE).

Na convocatória para o ato de lançamento da frente, as entidades defendem que os movimentos sociais brasileiros se mobilizem para garantir "exemplos de experiências vitoriosas de mobilização pela reforma do sistema de mídia na América do Sul, como ocorreu na Argentina, onde a sociedade organizada conseguiu ser um ator decisivo na proposta de reforma da 'Ley de Medios'". Para os ativistas, a mobilização é um instrumento importante de pressão sobre o parlamento." 

Leia o texto completo na página do Fórum Nacional da Democratização da Comunicação, FNDC, clicando aqui. Leia a íntegra da Convocatória clicando aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

UNESCO lança guia contra violência escolar


Publicação, direcionada principalmente a professores, denuncia uma série de castigos físicos e psicológicos promovidos contra alunos, como tapas e puxões de orelha. Documento traz ainda práticas para combater o problema em colégios de todo o mundo.

Saiba mais clicando aqui.

Os desafios para a construção de outra comunicação


Uma outra comunicação é absolutamente imprescindível, e passa necessariamente pela liberdade digital. Não essa liberdade defendida há 24 anos pelos participantes do Fórum da Liberdade, essa liberdade seletiva, que só torna livre as elites financeiras. Liberdade para todos, liberdade com igualdade. São setores da própria direita que, através do AI-5 digital do senador Eduardo Azeredo querem destruir a liberdade na internet. São setores dessa mesma direita que patrocina, apóia e cobre o Fórum da Liberdade que, através de processos recorrentes, tenta calar diversos blogueiros críticos ao status quo e às práticas levadas a cabo pela velha mídia. Exemplos não faltam. É preciso uma regulação da internet, mas sobre marcos democráticos. Essa regulação, além de coibir os excessos que sempre acabam acontecendo, impediria que qualquer juizeco determinasse, a seu bel prazer, medidas de censura, como tem ocorrido de forma constante.

Mas a necessidade de uma outra comunicação não passa apenas pela liberdade na internet. Passa também pela verdadeira liberdade em todas as formas de comunicação, que só pode ser alcançada através da democratização radical da mídia:

- Fiscalização independente e séria das leis já existentes para a comunicação;
- Regulamentação dos itens da Constituição que versam sobre comunicação;
- Fim das concessões de rádio e TV para políticos e seus apadrinhados;
- Revisão de todas as concessões de rádio e TV;
- Distribuição equitativa das verbas publicitárias;
- Descriminalização das rádios comunitárias e aceleração dos processos de legalização;
- Criação de mecanismos de controle social sobre o que é veiculado nas concessões públicas;
- Aprofundamento obrigatório da pluralização e diversificação social da programação das concessionárias;
- Proteção aos comunicadores acossados pelos grandes veículos de comunicação;
- Fim imediato da propriedade cruzada (disfarçada ou não).

Esses são apenas alguns dos itens necessários para construirmos a necessária “outra comunicação”. Esse caminho passa também por ações diretas dos próprios comunicadores, através da pressão sobre o governo para que este apóie e também construa essas mudanças, mas também através de um novo entendimento sobre o seu papel como jornalista. A mídia independente ainda precisa se qualificar muito, especialmente na internet. Precisa despartidarizar-se e entender que falar apenas para os próprios ouvidos adianta muito pouco. Precisa entender seu papel de agente social imprescindível para o avanço democrático e, a partir desse entendimento, reduzir, ao menos no exercício jornalístico, seu papel de agente partidário.

Mas essas são apenas decisões a serem tomadas. O grande desafio é o que tenta fugir ao nosso alcance: a produção de conteúdo desvinculada das pautas impostas pela grande mídia. Abordar pautas tradicionalmente ignoradas ou inverter a lógica do que é tratado costumeiramente é a mais pura subversão jornalística. Mas, com as dificuldades financeiras enfrentadas pela quase totalidade da mídia contra-hegemônica, a produção de conteúdo primário informativo torna-se complicada. O trabalho coletivo é, nesse sentido, uma alternativa interessante, mas ainda pouco amadurecida entre esses comunicadores, e, especialmente, entravado por vinculações partidárias. Se queremos outra comunicação, é preciso outra atitude. É preciso repensar esses caminhos e repensar prioridades.

Alexandre Haubrich

Leia o texto completo na página do Jornalismo B clicando aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crianças e tecnologias de trinta anos atrás que já viraram "peças de museu"


Crianças brasileiras dão o seu pitaco, sobre o que acham que são e para que servem "as tecnologias do passado". Em um mundo onde muitas crianças aprendem a digitar antes mesmo de aprender a escrever, o que elas achariam de objetos que foram grandes novidades ontem, mas já viraram peças de museu hoje? O Itaú fez o teste ;-)



Via @educultdigital do Youtube usuário BancoItau.
Baseado no Vídeo “Une disquette? C’est quoi ça?”, com crianças canadenses, abaixo.



Au Canada, le journaliste Jean-Christophe Laurence du site Cyberpresse a réalisé une petite expérience plutôt sympa avec des jeunes enfants. L’idée  consiste à confronter ces bambins à des objets du passé et leur demander à quoi cela peut-il bien servir. La phrase finale de la vidéo résume bien le tout : À peine 30 ans et déjà des antiquités”. Fonte: Zigonet

Governo e Congresso vão elaborar novas regras sobre concessão de TV


Governo e Congresso vão elaborar novas regras sobre concessão de TV

Câmara dos Deputados

O Ministério das Comunicações, a Câmara e o Senado vão elaborar novas regras para as concessões de rádio e televisão, com o objetivo de assegurar mais transparência e evitar o uso de laranjas nos processos de radiodifusão. O anúncio foi feito ontem, após reunião do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com os presidentes das comissões de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), e do Senado, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e com o senador Walter Pinheiro (PT-BA).

Segundo reportagens publicadas em março passado pela Folha de S.Paulo, há comércio ilegal de concessões de rádio e TV no País e também o uso de laranjas para encobrir a identidade dos verdadeiros donos das emissoras. Algumas pessoas teriam confirmado ao jornal que emprestaram seus nomes. Além disso, foi constatado que pessoas de baixa renda estariam registradas como proprietárias de emissoras que têm valor milionário.

O deputado Bruno Araújo informou que grupos técnicos criados no Executivo, na Câmara e no Senado vão trabalhar em conjunto para propor as novas regras. Entre os novos critérios em estudo está a exigência de que os candidatos às concessões apresentem cópias das declarações do Imposto de Renda e comprovem capacidade financeira.

O assunto será novamente discutido no dia 27 de abril, em audiência pública no Senado.

Análise suspensa

Por causa das denúncias, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara suspendeu na semana passada a votação mais de 400 projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão.

Na segunda-feira (11), a comissão instalou o grupo de trabalho para avaliar os procedimentos de análise dos atos de outorga e renovação de concessões. O grupo terá prazo de duas semanas para apresentar um estudo, que será elaborado com o apoio da Consultoria Legislativa da Câmara.

Inicialmente, a comissão vai retomar apenas a votação das concessões de emissoras educativas concedidas a fundações públicas.

Redação/PT
13/04/2011

Via Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, FNDC.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Da sociedade dos mídias à sociedade em midiatização


"A sociedade em midiatização constitui o caldo cultural onde os diversos processos sociais acontecem. Ela é uma ambiência, um novo modo de ser no mundo, que caracteriza a sociedade atual. Comunicação e sociedade, imbricadas na produção de sentido, articulam-se nesse caldo de cultura que é resultado da emergência e do extremo desenvolvimento tecnológico. Mais do que um estágio na evolução, ele é um salto qualitativo que estabelece o totalmente novo na sociedade." 

A trajetória da sociedade dos mídias à sociedade em midiatização é um processo lento e gradual que se desenvolve em dois eixos profundamente interligados. De um lado, temos o eixo do tempo que nos insere na perspectiva de uma evolução cronológica que vai dos primórdios da consciência e chega aos dias atuais. O segundo eixo situa-se na dimensão qualitativa, de complexidade cada vez mais crescente nas relações, inter-relações e interconexões humanas. É a bissetriz de ambos que espelha a flecha simbólica da evolução humana.

Pedro Gilberto Gomes
IHU - Instituto Humanitas Unisinos

Leia o artigo acima completo na página do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, FNDC, clicando aqui.


Leia também do mesmo autor "A nova versão do meio como mensagem", na página do FNDC clicando aqui.

Comportamento de risco pode ser influenciado por imagens de filmes e televisão


Dando o exemplo: comportamento de risco pode ser influenciado por imagens de filmes e televisão

Um estudo que revisou mais de 25 anos de pesquisa na área aponta que ser exposto a imagens de atividades arriscadas – incluindo filmes, videogames e televisão – aumenta a incidência de comportamento de risco.

A metanálise buscou os dados colhidos em diversas pesquisas feitas entre 1983 e 2009 e que, juntas, somavam mais de 80 mil entrevistados entre 16 e 24 anos. Os estudos usavam diversos métodos, formatos de mídia e focavam diferentes tipos de comportamentos de risco. Os resultados da metanálise, liderada por Peter Fisher, pesquisador da Universidade de Regensburg, na Alemanha, foram publicados no periódico Psychological Bulletin.

De acordo com o autor, os efeitos desse tipo de exposição midiática podem ser sentidos em curto e longo prazo, ou seja, os comportamentos ligados a essa exposição podem aflorar anos depois e quanto maior o tempo de exposição, maior o nível de riscos assumidos.

“A partir de nossa metanálise, a ‘glorificação do risco’, como aparece na TV e nas mídias de uma forma em geral, pode ter consequências e contribuir para aumentar os limites para os comportamentos arriscados e isso, como sabemos, também envolve consumo de álcool e outras drogas e, consequentemente, pode levar a fatalidades diversas, como as vistas no trânsito, por exemplo”, diz Fisher. “Nossos resultados vão à direção de diversas linhas de pesquisas atuais que corroboram a ligação entre risco e influência midiática e como isso afeta nossa cognição e nossas emoções.”

UOL Notícias . 08 abr 2011


A mídia e o caso da Escola Tasso da Silveira no Realengo: visibilidade de vilão e heróis


“O homem não é lobo do homem. O homem é irmão do homem.”

A psicóloga Lidia Aratangy, entrevistada no Jornal da Manhã, falou sobre a importância que a mídia dá para os assassinos nos casos de violência. Em entrevista, ela afirma que as ações de solidariedade entre os seres humanos são maiores do que as de criminalidade.

Por José Armando Vannucci . JP News . 11 abr 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Análise: marcas e desafios do governo Dilma em mídia


"Especialistas analisam marcas e desafios do governo Dilma em dez áreas

Em uma conferência organizada pelo King's College, da Universidade de Londres, especialistas em dez áreas diferentes avaliaram o início de governo da Dilma e fizeram uma projeção do que se pode esperar pela frente. Confira a seguir um resumo das suas análises.

Mídia

Carolina Matos*

Há a necessidade de mudar o papel da TV pública no país, para ser um meio de qualidade, sem interferência política. As concessões não são transparentes e são poucos os “players” dominantes. Cinco canais detêm 82% do mercado e mostram o mundo sob as perspectivas do Rio de Janeiro e de São Paulo. É preciso ter uma programação de qualidade para atrair audiência e, assim, os anunciantes. O grande desafio do governo Dilma será regular o que é público e comercial, além de definir como será a distribuição dos novos canais de TV digital.

A mídia é importante para o desenvolvimento do país. Mas é preciso desenvolver novas maneiras de identidade, que fuja do ponto de vista único do Sudeste e ofereça novas alternativas de qualidade. Por uma questão cultural, muita gente só assiste TV Globo e não troca de canal. A TV Brasil, criada em 2007 por Lula, merece receber atenção."

Fernanda Calgaro
Especial para o UOL Notícias
Em Londres
10 abr 2011

Leia o texto completo sobre as análises desses especialistas em diversas áreas, no UOL Notícias, clicando aqui.

* Carolina Matos é fellow (equivalente a membro honorário) em comunicação política na London School of Economics (LSE). Atualmente, trabalha num livro sobre mídia e política na América Latina, que deve ser lançado no início de 2012.