sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Deu$ $eja louvado: "cultos, missas e pregações já tomam mais tempo nas grandes redes do que telejornais"


Ministério Público abre inquérito para investigar ocupação de TVs por igrejas

Daniel Castro
Notícias da TV/UOL

O procurador da República Sérgio Suiama instaurou um inquérito para investigar a ocupação de horários por igrejas nas grades da Record, Band, RedeTV! e TV Gazeta. Suiama, que atua no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, quer saber se os espaços são arrendados ou se são tratados como publicidade ou como programação. O inquérito foi aberto com base em estudo da Ancine (Agência Nacional de Cinema) que revelou, em junho, que cultos, missas e pregações já tomam mais tempo nas grandes redes do que telejornais.

A legislação brasileira proíbe a locação de horários. A televisão, como uma concessão de serviço público, não pode ser subconcedida. Também por lei, as redes não podem superar 25% do tempo que ficam no ar com publicidade.

As emissoras não admitem oficialmente que vendem horários para igrejas. Elas preferem tratar a cessão de espaço como "coproduções", o que caracteriza programação e não é ilegal. Mas, reservadamente, seus executivos confessam que a cessão de espaço às igrejas não é gratuita e que, muito pelo contrário, o púlpito eletrônico é uma das principais fontes de receitas. Na crise, com a queda dos investimentos dos grandes anunciantes e redução de programas de televendas, as igrejas se tornaram ainda mais importantes.

Na Record, a Igreja Universal do Reino de Deus aporta mais de R$ 500 milhões por ano, um quarto do faturamento declarado da rede de Edir Macedo. Em junho, a RedeTV! cortou uma hora de um telejornal vespertino que havia acabado de estrear para exibir conteúdo da Universal. O espaço foi vendido por cerca de R$ 2,5 milhões mensais e salvou algumas dezenas de empregos.

De acordo com o estudo da Ancine, o tempo tomado pelas igrejas na TV cresceu 55% de 2012 para o ano passado. Em 2015, de cada cem minutos de programação de TV aberta, 21 foram estrelados por padres e pastores. Nessa mesma comparação, os telejornais ocuparam 13 de cada cem minutos de transmissão de TV no ano passado. Em algumas emissoras, como na CNT, as igrejas ocupam até 90% do espaço. Na RedeTV!, quinta maior rede do país, o conteúdo religioso é o principal segmento de programação _ocupa 43,4% da grade. O SBT é a única emissora que não tem programação religiosa.

O procurador Suiama excluiu a CNT e a Rede 21 do inquérito porque essas emissoras já são alvo de uma ação civil pública, protocolada no final de 2014, pedindo a cassação das concessões. Suiama já enviou questionários às emissoras e requisitou documentos, como contratos. Dependendo do resultado da apuração, o inquérito poderá virar uma ação na Justiça Federal.

Procuradas pelo Notícias da TV, Record, Band e Gazeta preferiram não se pronunciar. A RedeTV! enviou a seguinte nota: 

"A RedeTV!, assim como o Brasil, é laica em sua programação, transmitindo programas de diversas Igrejas evangélicas e a missa da Catedral da Sé da Igreja Católica, dentre outras. Seus programas discutem abertamente temas de todas as religiões, do espiritismo, do candomblé e de qualquer outra motivação religiosa. Entende que como agente de comunicação não tem o direito, nem a vontade, de cercear ou discriminar qualquer manifestação religiosa, garantindo a mais ampla liberdade de expressão.

Programas religiosos existem em todos os países democráticos, sendo vistos por milhões de telespectadores. No Brasil, as coproduções, religiosas ou não, são agentes fundamentais na garantia da pluralidade das comunicações.

A RedeTV! respeita integralmente toda a legislação do setor e sempre esteve à disposição para prestar qualquer esclarecimento."


Reproduzido de Notícias da TV UOL
05 ago 2016

Bispo Edir Macedo ensinando como roubar os fiéis (Igreja Universal): "Ou dá ou desce!"


segunda-feira, 28 de março de 2016

Blogosfera ativista, progressista e independente: jornais, revistas e colunas


BLOGOSFERA ATIVISTA, PROGRESSISTA E INDEPENDENTE:
JORNAIS, REVISTAS E COLUNAS VIRTUAIS

Nesse momento em que os cinco maiores conglomerados da grande mídia controlam 99% das notícias que circulam nos meios de comunicação sobre política, economia, sociedade, etc. torna-se importantíssimo divulgarmos canais críticos, independentes e alternativos à informação veiculada por esses grupos hegemônicos de mídia.

Desliguem-se da Globo, Band, Record, SBT, Rede TV!, TV Cultura.
Não assistam Globo News, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional, Jornal do Almoço, Band News, Jornal da Band, Jornal da Noite, Record News, Jornal da Record, Balanço Geral etc.
Não leiam Veja, Isto é, Época, Estadão, Folha de São Paulo, O Globo, Zero Hora, Diário Catarinense, Estado de Minas, Exame etc.
Não ouçam Bandeirantes, Eldorado, Jovem Pan, CBN, Antena 1, Rádio Globo etc.
Fujam de navegar pelos portais UOL, GShow, Terra, Abril etc.

Quem não quer se alienar, se desinformar e ser manipulado pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), seguem as dicas de endereços para leitura numa breve lista da blogsfera progressista, ativista e independente.

Compartilhem!

BLOGOSFERA, JORNAIS, REVISTAS E COLUNAS VIRTUAIS

A Pública
Agência de reportagem e jornalismo investigativo

Balaio do Kotscho
Ricardo Kotscho

Blog da Cidadania
Eduardo Guimarães

Brasil 24/7

Brasil Debate

Brickmann & Associados Comunicação
Carlos Brickmann

Carta Capital

Carta Maior

Conversa Afiada
Paulo Henrique Amorim

Diário do Centro do Mundo

Educação Política
Glauco Cortez

Escrevinhador
Rodrigo Vianna

Fundação Perseu Abramo

Luís Nassif Online
Luís Nassif

Le Monde Diplomatique Brasil

Marcelo Auler, Blog do
Marcelo Auler

Maria Frô - Ativismo é por aqui
Conceição Oliveira

Mário Magalhães, Blog do
Mário Magalhães

Melhores Links da mídia alternativa

Memórias Reveladas

O cafezinho
Miguel do Rosário

Observatório de Imprensa

Outras Palavras - Comunicação Compartilhada e Póscapitalismo

Passa Palavra

Paulo Moreira Leite - 24/7
Paulo Moreira Leite

Pragmatismo Político

Projeto Brasil Nunca Mais

Revista Fórum

Sakamoto, Blog do
Leonardo Sakamoto

Tijolaço - “A política, sem polêmica, é a arma das elites”
Fernando Brito

..........

Projeto Donos da Mídia

Conheça o Projeto Donos da Mídia, que reúne dados públicos e informações fornecidas pelos grupos de mídia para montar um panorama completo da mídia no Brasil:

Rede
TV
FM
OC
OM
OT
TVC
MMDS
DTH
TVA
Canal TVA
Jornal
Revista
Radcom
Total
Globo
105
76
11
52
4
9
2
1
2
17
33
27
1
340
SBT
58
70
1
39
2
1
10
1
12
1
195
Band
39
48
5
44
3
13
1
2
11
166
Record
46
51
2
31
3
9
142


© Copyleft Projeto Donos da Mídia

Este Blog retirou a EBC da tabela acima.

sábado, 19 de março de 2016

Discurso completo de Lula na Av. Paulista dia 18/03/2016



#NãoVaiTerGolpe

“Sim, eu uso o poder”, já dizia Roberto Marinho


“Sim, eu uso o poder”, já dizia Roberto Marinho

Trechos de “A história secreta a Rede Globo, de Daniel Herz.

"( ...) Nos anos da ditadura, os jornais do dr. Roberto chamavam Médici de democrata, negavam a tortura e expurgavam dom Paulo Arns e dom Helder Câmara. Nos tempos da Nova República, o chefão, pessoalmente, desce ao Departamento Pessoal com a demissão dos funcionários graduados que haviam aderido à greve geral do dia 12 de dezembro (de 1986) - ante a oposição meio constrangida de outros diretores"[1].

"Sim, eu uso o poder"[2], admitiu publicamente o presidente das Organizações Globo nos primeiros dias de 1987, ano em que ele – associado com o banqueiro Amador Aguiar, dono do maior banco privado nacional pretende passar a controlar telecomunicações via satélite no Brasil[3]. No cenário da Nova República, parece não haver, de parte do dono da Globo, mais limites para a sede de poder e o apetite por vantagens e favores. A existência da Globo parece seguir uma regra tão simples, quanto aterradora, coma observou a revista alemã Der Spiegel: "engolir, tudo o que é possível engolir"[4]. A origem deste desmesurado poder de Roberto Marinho, obtido através da sua Rede Globo, é o
objeto deste livro.

HERZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo. Porto Alegre: editora Tchê!, 1986. P. Página 27 no PDF,clicando aqui.

Leia também, “Uma história da Rede Globo: “Sim, eu sou o poder” e “um modelo de sedução”, no Blog do Manuel Dutra - Jornalismo Ciência Ambiente, clicando aqui.



[1] SENHOR. O atacado do Globo. São Paulo. N. 306. 27 jan. 1987. P.44-S.
[2] O ESTADO DE SÃO PAULO. "Globo" e o poder, nos EUA. São Paulo. Op.cit. 1987. P.9.
[3] SENHOR. O atacado do Senhor Globo. Op. cit. P.45. E CHACEL, Cristina. Jornal do Brasil. Engenheiro teme Embratel privatizada. Rio, l8jan. 1987. P. 31.
[4] DER SPIEGEL, op. cit. p 259.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Democracia em Risco, por Mario Novello


Democracia em Risco

Mario Novello*

Os últimos acontecimentos estão levando a acreditar que no Brasil estamos assistindo à elaboração e execução de um golpe de estado pós-moderno: sem o exército nas ruas, mas com uma parte considerável da Justiça cooptada por políticos revanchistas que não aceitaram o desfecho das urnas e a vontade soberana da população brasileira na última eleição presidencial.

Imaginar que um juiz, que deveria estar subordinado às Leis da República, possa ter a ousadia de interferir, como um reles espião de folhetim, em conversas privadas da Presidência da República, constitui gravíssimo crime de lesa-pátria.

Com que então esse juiz se acha acima das Leis em conluio estreito com o perverso sistema midiático, com jornais e canais de televisão, colocando-se ao lado de setores retrógrados, iludindo a população através de uma sistemática e maciça enxurrada de notícias falsas e de orientação nitidamente golpista.

Anne-Cécile Robert, no número de fevereiro do Le Monde Diplomatique, refere-se ao sucesso midiático de certas mentiras travestidas de notícias e com muita propriedade chama esse procedimento de “A estratégia da Emoção”. Trata-se de retirar ou diminuir a reflexão racional sobre os fatos corriqueiros, substituindo-os por cenários onde a emoção e a ideologia predominam sobre qualquer reflexão racional.

O que a imprensa brasileira capitaneada pela Rede Globo, vem fazendo nos últimos meses, se insere perfeitamente nessa interpretação.

Senão, como entender que pessoas comuns, brasileiros, vivendo nesse país, possam aplaudir e demonstrar satisfação quando um juiz, indigno desse nome, investiga sub-repticiamente, escondido através de uma máquina policialesca, as comunicações privadas de nossa presidente? Como se orgulhar de um ato irregular, proibido pela constituição?


Estamos deixando de ser homens completos, razão e emoção, ao nos subjugarmos a instintos básicos, a ideologias ditatoriais, manipulados por um perverso e poderoso sistema de informação.

Quando não atentamos para o rigor ético e jurídico das ações de nossos juízes, é porque já fomos consumidos pelas práticas mais perversas e irracionais.

Esse procedimento tem nome: Fascismo.

É contra a ascensão do fascismo, com uma cara nova, que devemos terçar armas.

Quando a imprensa e a mídia em geral se associam a uma parcela, não-pequena do poder judiciário e policial, uma face nova do fascismo aparece. Ela não requer policiais às nossas portas, mas sim, a presença contínua e ininterrupta de informações falsas.

Triste o povo que não aprendeu com sua história. Pior do que os militares de 64, os fascistas de hoje, Jornal O Globo à mão, não querem permitir nenhuma forma de reflexão e de alternativa ao que consideram sua verdade, arrogante e poderosamente montada sobre um sistema de desinformação. Numa eficácia que deixaria Goebbels orgulhoso.

Reproduzido de Cosmo e Contexto
17 mar 2016

Créditos da imagem:
Manifestação do movimento Diretas Já, em 1984
Foto, parte da exposição “O Museu e a Cidade Sem Fim, em comemoração aos 70 anos do o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) que aconteceu de 27/11 a 31/12.
https://www.flickr.com/photos/agenciasenado/12745266813


* Foi nomeado em setembro de 2012 Professor Emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas por sua atuação como cientista e formador de cientistas durante os 40 anos que trabalhou como pesquisador no CBPF. Recebeu em 2004 o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lyon (França) por seus estudos sobre modelos cosmológicos sem singularidade. Recebeu em 2006 um prêmio do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas por ter sido o cientista que mais orientou Teses de mestrado e doutorado na história do CBPF. Elaborou em 1979 o primeiro modelo cosmológico com solução analítica que possui "bouncing" (ricochete), isto é, neste modelo o Universo possui uma fase anterior de colapso, onde o volume total do espaço diminuiu com o tempo, atingido um valor mínimo e, depois, passado a se expandir. Foi nomeado em 2008 "Cesare Lattes ICRANet Professor" pelo Comitê Científico do International Center for Relativistic Astrophysics (ICRANet), presidido pelo Prêmio Nobel da Física (2002) Riccardo Giacconi. Em novembro de 2010 foi homenageado pela Comunidade Científica Internacional com o I Symposium Mario Novello on Boucing Models. Em agosto de 2012 foi homenageado com o 70th Anniversary Symposium Mario Novello. Criou em 1976 o grupo de Cosmologia e Gravitação no CBPF, inaugurando em nosso país o estudo sistemático da Cosmologia. Em 2003 criou o Instituto de Cosmologia Relatividade e Astrofisica (ICRA) que foi alocado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia sob o guarda-chuva institucional do CBPF. Possui doutorado em Física - Université de Génève (1972) sob a orientação do Professor J. M. Jauch. Possui mestrado em Física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (1968) sob orientação do Professor José Leite Lopes. Escreveu, entre outros livros, "O que é Cosmologia?" pela Editora Jorge Zahar, onde identifica a função da Cosmologia como uma re-fundação da Física. Fonte: Lattes

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Livro "O quarto poder" de Paulo Henrique Amorim lançado na UFSC em 27/11/15


Livro de Paulo Henrique Amorim será lançado dia 27/11/15 (sexta-feira) no 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de SC,  no auditório Elke Hering da BU/UFSC

O 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de SC será realizado no dia 27 de novembro (sexta-feira), no auditório Elke Hering, da Biblioteca Universitária.

A proposta é discutir o processo de democratização da mídia no contexto das novas tecnologias e o aparecimento de outros atores no campo da comunicação. A jornalista do Instituto de Estudos Latino-Americanos (Iela), Elaine Tavares, participa da mesa sobre mídia catarinense.

O Encontro é aberto a todos os interessados, além de blogueiros, ativistas digitais, profissionais e estudantes da área de comunicação e  sindicalistas.

Na programação está definido o lançamento do novo livro do jornalista Paulo Henrique Amorim, o Quarto Poder – uma outra história.

Programação:

13h30 – Credenciamento

14h – Mesa 1 – Conjuntura Estadual da Mídia catarinense — Com o professor Nilson Lage, a jornalista Elaine Tavares e o advogado e político Milton Mendes (a confirmar)

15h30 – Coffee-break

16h – Mesa 2 – Conjuntura Nacional da Mídia brasileira — Com o blogueiro Eduardo Guimarães do blog da Cidadania e o jornalista Altamiro Borges do Barão de Itararé

18h – Lançamento no Núcleo Catarina do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

18h30 – Mesa 3 – Palestra com Paulo Henrique Amorim

19h30 – Lançamento do livro O Quarto Poder – Uma outra história, de Paulo Henrique Amorim

As inscrições poderão ser feitas gratuitamente pela página do Encontro no facebook ou no próprio local.

Mais informações: (47) 8835-8635 ou na página do Encontro.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil

Personagem Romero Rômulo, da novela "A Regra do Jogo", irritou Anistia Internacional

Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil

Vanessa Barbara*
Em São Paulo - International New York Times
11/11/2015

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos.

Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde – a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood – e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário"Jornal Nacional" a Homer Simpson – incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água".

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar – assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

*Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".

Reproduzido de Notícias UOL
11 nov 2015


Texto original “Escaping Reality With Brazil’s Globo TV” (inglês) clicando aqui.


Leia também, “Nove mestres da USP e William Bonner”, O dia em que William Bonner traçou o perfil do telespectador do Jornal Nacional para nove pesquisadores da USP: são Homers Simpsons