sábado, 18 de maio de 2013

TV UFSC inaugurou canal aberto e digital


TV UFSC inaugurou canal aberto e digital

A TV UFSC estreou no dia 18 de maio, sábado, sua programação local com sinal aberto para a Grande Florianópolis, em transmissão digital a partir das 11 horas. A cerimônia será presidida pela reitora Roselane Neckel e teve a presença do presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Nelson Breve. A TV UFSC é mantida pela Universidade Federal de Santa Catarina, tem sede em Florianópolis e funciona desde 1998 como canal por assinatura.

Numa programação compartilhada com a TV Brasil, ligada à Empresa Brasil de Comunicação, o canal 63.1 terá conteúdo voltado à valorização de produções direcionadas à cultura, educação e costumes locais. A programação local é de responsabilidade da TV UFSC e a nacional da TV Brasil. O transmissor digital, adquirido pelo Instituto Nacional para Convergência Digital (INCoD) e localizado no Morro da Cruz, terá uma área de cobertura que pode alcançar cerca de um milhão de pessoas, dependendo da topografia de cada região. O telespectador que não tiver um aparelho de tv digital pode adquirir um sintonizador para HDTV.

Para a reitora Roselane Neckel, trata-se de uma tevê em avançado processo de consolidação. “Esta experiência acumulada será fundamental para nossa equipe, pois partilhamos princípios comuns. A TV Brasil tem hoje uma programação vasta, de qualidade, voltada para um público diversificado. A partir desta parceria, a comunidade terá acesso, inclusive, a programas regionais que contribuem para o melhor conhecimento da diversidade cultural do nosso país, ao mesmo tempo que a nossa produção também estará acessível a muito mais pessoas, de diferentes perfis. Isto só para citar alguns aspectos, porque os benefícios são muitos”.

 Parceria

Com a parceria com a TV Brasil, o canal universitário vai oferecer uma programação informativa, cultural, artística, científica e cidadã. Um dos grandes atrativos da emissora nacional são os programas direcionados para o público infanto-juvenil, como o “ABZ do Ziraldo”, que tem como ideia principal incentivar o hábito da leitura. Apresentado pelo escritor e cartunista Ziraldo, é exibido com participação de uma plateia repleta de crianças que estudam em escolas públicas. As animações, como “Batatinhas” e “Anabel”, também fazem parte da grade.

No entretenimento, programas como “Samba na Gamboa” dão ritmo à programação. A proposta de apresentar MPB às novas gerações também ganha espaço em “Musicograma”. Cada edição possui um tema voltado para o viés regional, herança musical, escolas de samba, duos e instrumentos. Mas é no “Viola, minha viola” que o altar da tradicional música de raiz se levanta. O programa é um dos mais antigos da televisão brasileira, com 31 anos de transmissão. Além da música, a grade também possui filmes e documentários nacionais e internacionais, com temas de várias épocas e gêneros.

Quem traz informações sobre o que acontece no Brasil e no mundo é o “Sem Censura”. As descobertas mais recentes da medicina, a preservação do meio ambiente, a busca pela melhoria da qualidade de vida, a informação cultural, as formas de lazer fazem do programa um sinônimo de diversão com responsabilidade. Já o “Roda Viva” é uma produção que, dentro de sua orientação para o Jornalismo Público, oferece aos telespectadores um dos mais importantes programas de entrevistas da televisão brasileira. O seu acervo conta com personalidades nacionais e internacionais na área das artes, política, economia, cultura, esportes, educação e saúde.

Pensamento crítico

“A TV aberta nos possibilita levar à comunidade de Florianópolis e região informação de qualidade sobre Ciência, Tecnologia, Inovação, Arte e Cultura. Este pode ser um instrumento essencial para democratizar a comunicação e ajudar a disseminar conhecimento, estimulando o pensamento crítico. Esta é, sem dúvida, uma das principais funções da universidade e com uma tevê aberta, o alcance é ainda maior. Também é preciso destacar que a tevê pode se consolidar como um excelente laboratório de ensino, pesquisa e extensão para os nossos alunos”, comemora a reitora Roselane Neckel.

Pensando nisso, a TV UFSC preparou uma programação especial para a semana de estreia do sinal aberto. No programa “Cinema Catarinense”, três filmes estreiam na tv aberta. O longa-metragem “A Antropóloga” retrata aspectos da cultura herdada dos colonizadores açorianos na Costa da Lagoa. O diretor, Zeca Nunes Pires, é um dos profissionais com produção cinematográfica mais representativa de Santa Catarina. Já o filme “Memórias de Jorge Lacerda” traz um resumo da vida e obra do político catarinense, contado através de imagens, discursos, obras literárias e memórias de um homem que conseguiu ser a um só tempo forte e atuante na política, sem deixar a intelectualidade de lado. E, por último, o documentário “De Saint Exupéry a Zeperri”. Autor de um dos maiores best-sellers universais, “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry, tido como o “poeta da aviação”, trabalhou na antiga companhia de correio aéreo francesa Aéropostale. Em suas escalas em Florianópolis, o piloto-escritor conheceu os pescadores e seu nome de difícil pronúncia incitou o apelido “Zeperri”, cristalizado na cultura e no folclore da região. Cruzando testemunhos de franceses e brasileiros, o documentário alia relatos orais à pesquisa histórica para reconstituir um capítulo praticamente desconhecido de um escritor cuja vida e obra remontam ao mito.

Além de apresentar notícias, entrevistas, trabalhos acadêmicos, shows de artistas locais e nacionais, filmes catarinenses e clássicos do cinema de domínio público, o canal universitário promete para este ano maior interatividade com o telespectador. Já nessa semana de estreia será exibido o especial “Memórias do Esporte Olímpico”. São dez documentários contando as histórias de luta e superação de atletas que, pouco a pouco, foram sendo esquecidos na história do esporte.

A programação, que continuará sendo transmitida pelo Canal 15 da NET (TV a cabo), pode ser conferida em www.tv.ufsc.br e www.tvbrasil.ebc.com.br.

Reproduzido de Portal UFSC Notícias
17 mai 2013

Foto: Leo Nogueira Paqonawta

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Marilena Chauí: “qualquer coisa que se possa dizer sobre a mídia brasileira será obsceno”


Marilena Chauí: “qualquer coisa que se possa dizer sobre a mídia brasileira será obsceno”

A declaração da filósofa e professora Marilena Chauí sintetiza o estado atual da mídia brasileira. Um estado tão baixo que sequer pode ser pronunciado. E é esse tipo de mídia que (des)informa a maioria dos brasileiros.

Reproduzido de Educação Política
10 maio 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Las 4 direcciones y la Cosmovisión Andina



En la cosmovisión andina, cada una de las 4 direcciones (Sur, Oeste, Norte, Este) están vinculadas con un animal de poder arquetípico que representa e inspira determinados valores. Cada uno de estos animales además irradia una vibración de energía diferente y nos ayuda en determinadas circunstancias de nuestra vida.

Serpiente (Sur): La serpiente (Sachamama) nos enseña a dejar atrás nuestro pasado, lo que ya no nos sirve, lo que no necesitamos, de una sola vez, como lo hace ella al mudar de piel, Alberto Villoldo dice que “la serpiente simboliza el conocimiento, la sexualidad y la sanación”. La invocamos cuando necesitamos sanar, desapegarnos de situaciones, personas, relaciones que no nos hacen bien. Está asociada al cuerpo físico y al Ukhu Pacha (“mundo de abajo”).

Jaguar (Oeste): El jaguar (Otorongo) nos enseña a caminar con gracia y belleza, sin miedo y sin enemigos, y a dar el salto hacia la próxima vida cuando llega el momento oportuno. Dice Villoldo “el jaguar implica la transformación súbita, vida y muerte (…) ayuda a desmembrar aquello que debe morir con el fin de que algo nuevo pueda nacer”. Está asociado a la mente y al Kay Pacha (“mundo del medio”).

Colibrí (Norte): El colibrí (Q´enti) nos enseña a obtener sabiduría de cada experiencia, tanto buena como mala, y a que tenemos la capacidad de cambiar de dirección en nuestro vuelo cuando le deseamos. Según Villoldo “representa el coraje que se requiere para embarcarse en un viaje épico” (cada año los colibríes migran de Brasil a Canadá, un viaje aparentemente imposible para aves de su tamaño). “La energía del colibrí nos impulsa a ese viaje épico que nos llevará de vuelta a nuestro origen, donde nació nuestro espíritu”. El colibrí está asociado al alma y al Hanaq Pacha (“mundo de arriba”).


Cóndor y Águila (Este): El Cóndor (Kuntur) y el Aguila nos otorgan el poder de la visión. Nos enseñan a elevarnos hacia las alturas para poder ver el todo, sin que los pequeños detalles de nuestra vida nos detengan o interfieran en nuestra misión. Villoldo afirma que “las energías del águila nos ayudan a encontrar la visión directriz de nuestra vida. Los ojos del cóndor ven el pasado y el futuro, y nos ayudan a saber de dónde venimos y en qué nos vamos a convertir”. Estos animales están asociados al mundo del espíritu y representan el poder autotrascendente de la naturaleza.





Reproduzido de Facebook SOL DEL SUR via Facebook Crónicas de la Tierra sin Mal
13 abr 2013.

Saiba mais:

"Chakana ordenador cósmico", em Caminos de Wayra, clicando aqui.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

IX Conferência Brasileira de Mídia Cidadã: agosto de 2013 em Curitiba



Mídia Cidadã em Curitiba

Estão abertas as inscrições para a IX Conferência Brasileira de Mídia Cidadã e IV Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã, que acontecem em Curitiba, nos dias 6, 7 e 8 de agosto de 2013, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). 


O evento deste ano tem como temática os marcos regulatórios da Comunicação na América Latina. A Conferência objetiva estimular o debate acerca da democracia através dos processos comunicativos. A comunicação cidadã pressupõe a existência de pessoas ativas na construção do conteúdo informacional, não apenas receptoras. A mídia cidadã, portanto, deve promover a participação dos agentes da sociedade, considerando suas características e demandas específicas. 


As submissões de trabalhos devem ser realizadas até o dia 31 de maio.


A IX Conferência Brasileira de Mídia Cidadã/IV Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã, realizada em Curitiba – PR, conta com quatro categorias de trabalhos. Dessa maneira, as propostas de apresentações podem ser enviadas observando a seguinte divisão:

. Comunicações Científicas (Artigos Científicos e Relatos de Experiência a serem apresentados em GTs),
. Mostra de Vídeo Cidadão,
. Feira de Experiências Inovadoras em Mídia Cidadã
. Festival de Arte Cidadã.

Para maiores informações, clique aqui.

Reproduzido de Midia Cidadã
Via Carla Rabelo . Facebook

sexta-feira, 29 de março de 2013

Lá_vem_aí...



Comentário de Filosomídia

Lá_vem_aí...

A rede hegemônica de televisão en-latou de vez com sua (re)programação de produtos - "nacionais" e internacionais - na exuberância daquele aparato estético globalizante característico dela.

Dieta de informação e entretenimento com visual, técnica e tempero de "primeiro mundo" é isso aí... plastificado, insosso, pra engolir o en-latado com catchupe nas 24 horas do dia. O supermercado midiático ao alcance do controle remoto.

Com o programa apresentado no Credicard Hall só faltaram aquelas cenas com os atores em pé, de braços cruzados e ventinho nos cabelos enquanto o plim-plim ressoasse retumbante.

Vidiotizante ao extremo!

Tsc.. tsc...

Filosomídia

segunda-feira, 25 de março de 2013

“O poder capitalista na Comunicação é contrário à dignidade humana”, diz Comparato


“O poder capitalista na Comunicação é contrário à dignidade humana”, diz Comparato

Unidade entrevistou o jurista Fábio Konder Comparato, professor doutor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, doutor em Direito pela Universidade de Paris e doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra sobre os meios de comunicação brasileiro.  

Unidade - Qual a sua análise sobre o poder dos meios de comunicação no Brasil. O senhor acredita que a Justiça brasileira tem atuado em benefício dos grandes veículos de imprensa?

Fábio Konder Comparato – Evidentemente, em todos os países capitalistas, os grandes meios de comunicação de massa se tornaram um poder concorrente ao poder estatal. E, de acordo com o espírito do capitalismo, este poder é exercido de modo oculto e dissimulado. Os grandes jornais, rádios, televisões nunca dizem que tem algum poder sobre o mercado ou sobre a esfera política. Mas, na verdade, este poder é exercido e a apresentação dos veículos de comunicação de massa como órgãos que obedecem a lei e que não fazem censura é profundamente falsa. Mas quem foi que aprovou a lei? Não foram aqueles que obedecem ao poderio dos grandes meios de comunicação de massa? E estes meios de comunicação empresariais de massa são contrários à censura? Eles mesmos exercem uma censura brutal em seu âmbito de atuação.

Unidade – Como o sr. vê o fim da Lei de Imprensa. Que consequências esta decisão do STF tem para a sociedade brasileira?

FKC  - A meu ver, todos os poderes públicos estão hoje submetidos à influência dominante dos grandes meios de comunicação de massa. O Poder Judiciário, em especial, teme muito os grandes jornais, as grandes televisões. E eu mesmo fui vítima de um caso paradigmático. Em fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo, publicou um editorial no qual, comparando o regime militar brasileiro com outros regimes militares da América Latina, sobretudo do Cone Sul, afirmava que no Brasil havíamos tido uma “ditabranda”. Como eu não leio editoriais, eu só tomei conhecimento dele no dia seguinte, por que um leitor do jornal, de Minas Gerais, mandou uma carta onde se dizia indignado com este neologismo. Eu, então, cedendo a meu impulso siciliano, enviei uma carta ao jornal na qual dizia claramente que o diretor de redação e o jornalista que redigiu o editorial deveriam ambos pedir desculpas ao povo brasileiro de joelhos em praça pública. É que eles ofenderam gravemente a consciência do povo brasileiro. Eles poderiam publicar ou não publicar a minha carta. Hoje esta possibilidade de não publicar se tornou muito forte. Por que, desde 2009, é que não existe mais Lei de Imprensa no Brasil.

Unidade – O sr. sofreu alguma represália por ter escrito esta carta à Folha de S. Paulo?

FKC - Sim. O jornal publicou a minha carta. Mas publicou embaixo da carta uma nota da redação dizendo que “o professor Fábio Konder Comparato é cínico e mentiroso, por que nunca criticou outros regimes ditatoriais como o cubano”. Para grande infelicidade do jornal, o então ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins e Silva, publicou uma nota em que dizia que aquela nota da redação continha um “equívoco”, por que o professor Comparato, em uma edição da mesma Folha, tinha publicado uma carta criticando o regime cubano. Evidentemente que o ombudsman foi convidado a se retirar. Confesso que fiquei muito abalado. Mas, uma publicação dessas, na época o jornal de maior circulação, dizer que eu era cínico e mentiroso me abalou muito. Então, eu movi uma ação por danos morais. Eu perdi em primeira instância e perdi no Tribunal por unanimidade. 

Unidade – O sr. acredita que tenha perdido por qual motivo. Pelo temor dos juízes de confrontar um veículo de comunicação?

FKC – Eu acho que sim, mas há também o fato do jornal ter se utilizado de um ex-desembargador para convencer os seus antigos pares de que deveriam votar contra mim. Eu entendo que esta posição do Tribunal foi de grande fraqueza. Eu não fiz a defesa pessoal no meu caso. Mas, se tivesse feito, subiria à tribuna e começaria dizendo: “Senhores desembargadores. Vossas Excelências são cínicos e mentirosos. E, diante do tumulto que isso ocasionaria, eu diria: foi exatamente esta reação que tive quando recebi estes epítetos.

Unidade - Como o sr. analisa o papel da imprensa no Brasil? Alguns colegas chegam a chamar a imprensa como Partido da Imprensa Golpista (PIG). O sr. acredita que a imprensa se preste a este papel?

FKC – Eu não tenho opinião sobre isso. Eu tenho uma convicção. Tanto que eu tomei a iniciativa da propositura de uma Ação de Inconstitucionalidade por omissão no Supremo Tribunal Federal. E a razão é simples: a nossa Constituição Federal foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988 e até hoje, passados mais de 24 anos, o Congresso Nacional não regulamentou dispositivos fundamentais da Constituição como, por exemplo, a proibição do monopólio e do oligopólio. Para dar um exemplo, a Rede Globo é a quarta maior rede de televisão mundial. O Congresso Nacional deixou de regulamentar o artigo 221 da Constituição que determina que a programação das emissoras de TV e de rádio obedeça alguns princípios fundamentais como preferência às matérias de conteúdo cultural, educativo e artístico. Essa ação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal em nome do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)e também da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade. E eu quero assinalar o fato que a Presidência da República, por meio do advogado geral da União, deu parecer contrário a esta ação, ou seja, confirmou que os poderes da República são submetidos à influência dominante dos meios de comunicação de massa. Mas a Procuradoria Geral da República deu parecer favorável. E nós estamos aguardando a decisão.

Unidade – O sr. chegou a acompanhar o que acontece na Argentina e no Equador em relação às empresas de comunicação. Os países da América Latina estão mais evoluídos em relação à regulamentação da mídia?

FKC – Isso corresponde à diferença de caráter entre os brasileiros e os demais povos hispano-americanos. O brasileiro tem caráter dúplice. Ele é fundamentalmente ambíguo. Ele tem uma aparência de respeito à Democracia, aos poderes constituídos. E, na verdade, há uma dominação capitalista dos empresários sobre os poderes públicos. Já no caso dos povos hispano-americanos, eles são muito mais claros e definidos nas suas opções. Inegavelmente, os regimes militares argentino, uruguaio e chileno foram mais cruéis que o regime brasileiro, o que não significa que tivemos uma “ditadranda”. Durante o regime militar daqueles países do Cone Sul, o Poder Judiciário foi afastado. Ele entrou em hibernação. E nós mantivemos o Poder Judiciário funcionando sob o tacão e a espada do Poder Militar. Isso é realmente uma vergonha nacional. Pois bem, terminados os regimes militares no Brasil e no Cone Sul, nós promulgamos uma Lei de Anistia e até hoje os assassinos, torturadores e estupradores do regime militar não foram sequer indiciados, sem falar em condenação penal. Enquanto que nesses outros países, por exemplo, como na Argentina, mais de 100 militares já foram condenados. E antigos chefes de Estado estão na cadeia até hoje. 

Unidade – Quais as alternativas que o sr. aponta para que a sociedade brasileira possa fazer frente ao grande poderio que as empresas de comunicação possuem no nosso país?

FKC – Eu acho que a principal missão hoje de todos aqueles que querem resgatar a honra deste país e instituir um regime claramente republicano e democrático, consiste em lutar contra o oligopólio empresarial dos meios de comunicação de massa. E isso tem que ser feito de forma organizada. Por exemplo, existe um setor da Comunicação Social que não foi oligopolizado pelo capitalismo, que é a internet. E nós temos que trabalhar neste setor para mostrar a generalidade da opinião pública e, sobretudo, aos jornalistas e às novas gerações, que este poder capitalista sobre os meios de comunicação de massa é absolutamente contrário à dignidade da pessoa humana. No momento em que desmoralizamos os titulares do poder, eles começam a cair. Não se trata de fazer revoluções. Trata-se simplesmente de mostrar como eles são sujos, da cabeça aos pés. E eu acho que isso deve ser feito. E eu acho que vocês jornalistas têm muito mais capacidade do que nós, não jornalistas, para organizar isso.

No SJSP

Reproduzido de Contexto Livre
22 mar 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Relator da ONU para Liberdade de Expressão critica concentração de mídia no Brasil


Marta Mauras, vice-presidente do Comitê da ONU sobre Direitos da Criança; María Dolores Souza, diretora do Conselho Nacional de Televisão do Chile; Frank William La Rue, relator das Nações Unidas para a Liberdade de Opinião e Expressão; Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça; e Mauro Porto, oficial de Programas para Direitos e Acesso à Mídia da Fundação Ford. Fotos: Daniel Santini

Relator da ONU para Liberdade de Expressão critica concentração de mídia no Brasil

Durante seminário sobre infância e comunicação em Brasília, Frank La Rue lamenta concentração e aspecto “excessivamente comercial” das comunicações no Brasil

Por Daniel Santini*
08/03/2013

Brasília - O relator da Organização das Nações Unidas para a Liberdade de Opinião e Expressão, o guatelmateco Frank William La Rue, fez críticas à concentração de imprensa no Brasil e na América Latina, e afirmou que pretende fazer uma visita oficial ao país em breve. A declaração aconteceu durante o Seminário Internacional Infância e Comunicação, realizado nos dias 6, 7 e 8 de março em Brasília. O evento reuniu alguns dos principais especialistas em infância, educação e comunicação do país, e contou com a presença do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso e da ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos Maria do Rosário.

“A concentração de mídias traz concentração de poder político e isso atenta não só contra o direito à diversidade, mas também contra a democracia”, destacou Frank William La Rue.

“Na América Latina, temos uma visão excessivamente comercial [da comunicação] e isso faz mal para a sociedade. Em outros lugares, a comunicação é prioritariamente pública com diversidade etno-social”, afirmou. “A mídia comercial é legítima, sem problemas, mas não deve prevalecer de forma absoluta. O direito à comunicação deve ser de todos”.

Os debates no encontro giraram em torno de responsabilidade social e comunicação. Na abertura o ministro José Eduardo Cardoso falou da importância do equilibrio entre liberdade de expressão e outros direitos, como os da criança e do adolescente, e levantou a questão que se repetiria em diferentes mesas nos três dias de discussões: até onde o Estado deve ir na regulação das comunicações?

A ministra Maria do Rosário também falou sobre concentração na mídia e criticou a maneira como o sistema esta estruturado no Brasil. Ela destacou que “comunicação em monopólio não é democracia” e questionou: “a quem interessará poder absoluto do mercado?”.

Especialistas em direitos da criança e do adolescente também manifestaram preocupação, criticando desde programas que favorecem a erotização precoce até propagandas voltadas para o público infantil. “Na comunicação, o que prevalece no Brasil é o direito empresarial em detrimento ao direito da criança e do adolescente”, disse Wanderlino Nogueira, do Comitê dos Direitos da Criança da ONU.

Regulação


Citando crimes midiáticos como incitação a genocídios e pedofilia, Frank La Rue, o relator da ONU, defendeu conselhos reguladores compostos por diferentes setores da sociedade. “Me dói dizer isso, minha função é defender a amplitude [da liberdade de imprensa], mas há casos extremos em que se deve intervir. São necessários órgãos reguladores independentes”, afirmou. “A desinformação pode provocar uma epidemia se a liberdade de expressão for mal utilizada. É claro que são exceções, mas é preciso intervir”.


Ele destacou que tal regulação deve ser prévia e não posterior, e composta de limitações de conteúdo (como a proibição de incitação a crimes de ódio ou de intolerância religiosa, por exemplo) e de restrições diretas (como o impedimento da exibição de conteúdo classificado como inadequado em horários em que crianças assistem à programação).

Ele também se disse surpreso com o fato de a classificação indicativa de programas de TV por parte do governo federal ser contestada por representantes de grandes grupos de mídia e ter virado uma briga jurídica que foi parar no Supremo Tribunal Federal. “Este é um assunto já resolvido no mundo todo, é algo que já não se questiona no exterior”.

Contexto


Em contraposição ao posicionamento do relator da ONU sobre a necessidade de maior regulação, o secretário nacional de Justiça, Paula Abrão, defendeu o modelo brasileiro, destacando como uma qualidade o fato de que o Estado não intervem em nada no conteúdo exibido e que o sistema de classificação indicativa apenas restringe horários de exibição. Ele lembrou que o processo de redemocratização é recente e que é preciso considerar este contexto. “A discussão no âmbito das restrições é difícil em razão do trauma da censura”, disse.


Sobre casos extremos, ele defende que são possíveis intervenções mesmo no modelo atual. “Modulações podem ser feitas por meio de ações complementares. O Ministério Público Federal também tem seu papel”, lembrou.

Jornalistas presentes nos debates expressaram diferentes pontos de vista sobre como conciliar liberdade de expressão com os demais direitos humanos. “Você não pode entrar em um evento pelado. Na mídia é o mesmo. Temos que considerar regras sociais e agir com responsabilidade”, defente o jornalista australiano Mike McCluster, que já foi CEO da Rádio Austrália.
Eugenio Bucci, colunista da revista Época, lembrou que “qualquer regulação para modular e dirigir é inaceitável”. Já Ricardo Corredor, jornalista colombiano diretor-executivo da Fundação Nuevo Periodismo, lembra que o momento é de “forte transformação da indústria” em que existe forte demanda por mais transparência e por diálogo com a sociedade. “Meios de comunicação que transparência dos poderes públicos devem ser transparentes”, ressaltou.

A concentração e nova configuração da mídia em nível mundial também foi debatida. Divina Frau-Meigs, assessora do Conselho da Europa e da Unesco e professora da Universidade da Sorbonne Nouvelle, da França, apresentou o conceito de Hollyweb, em que seis das maiores companhias de mídia (GE, Disney, Time Warner, News Corp, Viacom e CBS) se aproximam das seis gigantes da internet (Apple, Microsoft, Cisco, Google, Yahoo e Facebook).

No Brasil, além da crescente participação de empresas de telefonia no setor de comunicação, também foram debatidas a ligação de políticos com canais de TV e rádios, muitos deles beneficiados com concessões públicas.  Dados sobre a concentração de mídia, que preocupa o relator da ONU, foram reunidos no relatório “O país dos 30 Berlusconis” (clique para ler versão em PDF), lançado recentemente pela organização Repórteres Sem Fronteira. O estudo foi citado no evento pot Luiz Gustavo Pacete, representante da organização.

* O jornalista viajou a convite da organização do evento.

Reproduzido de Repórter Brasil
08 mar 2013


quinta-feira, 7 de março de 2013

Descaso com a Comissão de Direitos Humanos explica a ascensão de pastor


Descaso com a Comissão de Direitos Humanos explica a ascensão de pastor

A indicação do Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados gerou protestos e ganhou o noticiário nos últimos dias. Algo inédito até ontem para uma comissão que jamais foi tratada como prioridade pelos partidos políticos.

A distribuição do comando das comissões segue o tamanho da bancada de cada legenda; cada líder partidário escolhe quais comissões sigla deve presidir. Segundo reportagem do site Congresso em Foco, a Comissão de Direitos Humanos foi a penúltima a ser escolhida pelos líderes partidários na última semana. Ou seja, outras 19 comissões eram consideradas mais importantes.

Líder do PSC, André Moura (PSC-SE) disse a CartaCapital que presidir a Comissão não era uma prioridade nem para a sua legenda. “Não foi o PSC que quis a comissão, a gente só obedeceu ao regimento. Nós gostaríamos de permanecer presidindo, como a gente presidiu nos últimos anos, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Mas não foi possível,” diz o deputado. Devido à escolha dos líderes, o PSC trocou lugares em outras comissões e tem cinco titulares e três suplentes na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Pastores e militantes

Na distribuição das vagas dentro dos partidos, militantes de minorias, de um lado, e religiosos, de outro, foram os que mostraram mais interesse em participar. Isso se refletiu na reunião que elegeu Marco Feliciano nesta quinta-feira 7.

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Entre os deputados conhecidos pela atuação junto a minorias estão Erika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (Psol-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP). Eles se retiraram da comissão por não concordar que manifestantes fossem impedidos de entrar na sala em que a escolha foi oficializada.

Dentro da sala, Jair Bolsonaro (PP-RJ), defensor da ditadura, e líderes evangélicos como Pastor Eurico (PSB-PE) e Takayama (PSC-PR) defendiam suas posições, mesmo que alguns deles não tivessem direito a voto e fossem suplentes. São agora maioria num dos principais espaços de discussão sobre a diversidade, tão combatida, no País. Bolsonaro deu o tom de como o grupo será comandado a partir de agora: “Não assistiremos mais aqui seminário LGBT infantil, com crianças sendo estimuladas uma a fazer sexo com a outra.”

Abaixo, a lista de todos os que votaram na eleição de Marco Feliciano na comissão. Foram 11 votos a favor e um em branco (o voto foi secreto):

PSC:
André Moura (PSC-SE)
Antônia Lúcia (PSC –AC)
Costa Ferreira (PSC-MA)
Lauriete (PSC-ES)
Marcos Feliciano (PSC-SP)
Stefano Aguiar (PSC-MG)
PSD:
Liliam Sá (PSD-RJ)
PR:
Anderson Ferreira (PR-PE)
PSB:
Pastor Eurico (PSB-PE)
PDT:
Marcos Rogério (PDT-RO)
PV:
Henrique Afonso (PV-AC)
PSL:
Dr. Grilo (PSL-MG)

Reproduzido de Carta Capital
07 mar 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

WEBFOR 2013: Fórum Nacional de Comunicação Digital



WEBFOR 2013

Fórum Nacional de Comunicação Digital
Auditório do Anexo (6o. andar) Assembleia Legislativa do Ceará
Fortaleza . Ceará . Brasil
24, 25 e 26 de maio de 2013

Objetivando promover um espaço de discussão para a sociedade civil sobre comunicação digital visando intercâmbio, potencialização do uso das ferramentas das mídias sociais, inclusão digital, bem como dos assuntos relacionados à política de comunicação, especificamente à internet brasileira, o WebFor 2013 – Fórum Nacional de Comunicação Digital também buscará possibilitar uma discussão entre os comunicadores digitais de diversas regiões do país sobre a democratização das mídias, bem como as viabilidades legais; revelar e evidenciar as personalidades que se destacaram na defesa da democratização das mídias sociais no Brasil; propor políticas públicas para os meios digitais de comunicação que considerem a liberdade, a governança, a universalidade, a diversidade e a neutralidade do ambiente; elaborar um documento oficial  com as intenções dos participantes sobre as políticas de comunicação digital no Brasil, levando em consideração as especificidades de cada região.

Outrossim, são estabelecidas as seguintes metas para a realização do WebFor 2013 – Fórum Nacional de Comunicação Digital: Reunir 600 pessoas de todas as regiões do país; Homenagear 10 personalidades da política e da sociedade civil que se destacaram na luta em defesa da democratização das mídias sociais no Brasil; Elaborar 1 documento com intenções dos participantes sobre as políticas de comunicação digital no Brasil.

Os instrumentos de verificação a serem utilizados serão fichas de inscrição com informações que constituirão o mailing do evento, ficha de avaliação e listas de presenças das atividades. Também será feito o registro audiovisual das atividades, editado e transformado em mídia.

Com a expectativa dos acalorados debates sobre liberdade de imprensa, banda larga, mídias alternativas, blogs, twitter, facebook, orkut, sistema e mídias digitais, mídia convencional entre outros temas, estima-se receber mais de 600 inscrições, entre blogueiros, twitteiros, usuários de redes sociais da internet e internautas acima dos 13 anos de idade que se mostrem interessados no debate sobre a democratização da comunicação. Isso se deve ao fato de o Estado do Ceará apresentar não só um movimento organizado e coeso, apesar de se localizar numa região que ainda é muito desfavorecida no que diz respeito ao acesso às essas iniciativas, mas que demonstra em sua trajetória uma história de luta e resistência, mesmo quando a relação com as tecnologias ainda era precária.

O formato do evento será quase todo em "desconferências", com maior participação do público, debatendo com os palestrantes face a face, muito mais interativo e democrático.

Temas:

Marco Regulatório das Comunicações, Marco Civil da Internet, Fora do Eixo, Software Livre, Banda Larga, Liberdade de expressão, a internet em Cuba, Comissão da Verdade e outros.

Alguns convidados:

Altamiro Borges (SP), jornalista e presidente do Barão de Itararé;
Maria Frô (SP),  blogueira;
Renam Vinícius Carvalho Santos Brandão (RJ), Cultura Digital e Software Livre, membro da Associação Comitê Elos da Cidadania dos Funcionários do Brasil do Brasil;
Rodrigo Viana (SP), jornalista da Rede Record de Televisão;
Emiliano José (BA), deputado federal e jornalista;
Durval Ângelo (MG), deputado estadual e defensor dos Direitos Humanos;
Venícius Lima (DF), professor da Universidade de Brasília;
Maria Luiza Fontenele (CE), ex-prefeita de Fortaleza e da Crítica Radical;
Ivonísio Mosca (CE), (graduado em Ciência da Computação pela Universidade do Arizona-EUA), Sindicato de Processamento de Dados do Estado do Ceará;
Evaldo Lima (CE), professor, vereador do PCdoB e líder do Prefeito Roberto Cláudio na Câmara dos Vereadores de Fortaleza;
Messias Pontes (CE), jornalista e radialista da Rádio Cidade de Fortaleza;
Ermanno Allegri (CE), Diretor Executivo da ADITAL;
Emir Sader (SP), sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP/ Universidade de São Paulo;
Instituto Frei Titto (CE);
Curso de Sistema e Mídia Digitais da Universidade Federal do Ceará;
Laurindo Lalo Leal Filho (SP), sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA/USP;
Carlos Latuff (RJ), cartunista;
Lázaro Méndez Cabrera, Embaixador de Cuba no Brasil;
Marcelo Rodrigues Saldanha da Silva (RJ), presidente do Instituto Bem Estar Brasil;
Diassis Messias (CE), cantor – atração musical;
Alberto Perdigão (CE), jornalista;
Zé Modesto (CE), humorista;
Banda Bolacha Preta (CE), atração musical;
João Pedro Stedile (RS), líder nacional do MST;
Rosângela Basso (RJ); Cultura Digital;
André Guimarães(DF), Secretaria de Comunicação do PT Nacional e coordenador da #RedePT13;
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil (a confirmar);
Zé Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do Governo Lula;
Nilmário Miranda;
Márcio Pochmann;
Jean Wyllys, (Deputado Federal PSOL-RJ);
Lidyane Ponciano , jornalista, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e coordenadora do Comitê Mineiro do FNDC

As inscrições são gratuitas.

Pré-inscrição/confirmação pelo e-mail: 
Maiores informações: Daniel Pearl (Coordenador Geral do evento):
+55(85) 99640672 (TIM).

Página no Facebook:
Blog:
http://blogdadilma.com/index.php/lula/1697-webfor2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

“Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”


Neelie Kroes, with Prof Herta Daubler-Gmelin (left) and Prof Vaire Vike Freiberga

Depois de Leveson, a União Europeia

Venício A. de Lima *
Observatório da Imprensa
29/01/2013 na edição 731

Sob o ensurdecedor silêncio da grande mídia brasileira, foi divulgado em Bruxelas, no último dia 22, o relatório “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, comissionado pela vice-presidente da União Europeia, Neelie Kroes, encarregada da Agenda Digital [ver aqui a íntegra do relatório].

Preparado por um grupo de alto nível (HLG) presidido pela ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, e do qual faziam parte Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça alemã; Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro, ex-advogado geral na Corte de Justiça Europeia, e Ben Hammersley, jornalista especializado em tecnologia, o relatório faz 30 recomendações sobre a regulamentação da mídia como resultado de um trabalho de 16 meses que começou em outubro de 2011. As recomendações serão agora debatidas no âmbito da Comissão Europeia.

O relatório

O relatório, por óbvio, deve ser lido na íntegra. Ele começa com um sumário das principais conclusões e recomendações e, na parte substantiva, está dividido em cinco capítulos que apresentam e discutem as bases conceituais e jurídicas que justificam as diferentes recomendações: (1) por que a liberdade da mídia e o pluralismo importam; (2) o papel da União Europeia; (3) o mutante ambiente da mídia; (4) a proteção da liberdade do jornalista; e (5) o pluralismo na mídia.

Há ainda um anexo de 12 páginas que lista as autoridades ouvidas, as contribuições escritas recebidas e os documentos consultados. A boa notícia é que quase todo esse material está disponível online.

Para aqueles a favor da regulamentação democrática da mídia, da mesma forma que já havia acontecido com o relatório Leveson, é alentador verificar como antigas propostas sistematicamente tachadas pela grande mídia e seus aliados da direita conservadora de autoritárias, promotoras da censura e inimigas da liberdade de expressão são apresentadas e defendidas por experts internacionais, comissionados pela União Europeia.

Fundamento de todo o relatório são os conceitos de liberdade de mídia e pluralismo. Está lá:

“O conceito de liberdade de mídia está intimamente relacionado à noção de liberdade de expressão, mas não é idêntico a ela [grifo meu]. A última está entronizada nos valores e direitos fundamentais da Europa: ‘Todos têm o direito à liberdade de expressão. Esse direito inclui a liberdade de ter opiniões, de transmitir e receber informações e ideias sem interferência da autoridade pública e independente de fronteiras’ (…).

“Pluralismo na mídia é um conceito que vai muito além da propriedade. Ele inclui muitos aspectos, desde, por exemplo, regras relativas a controle de conteúdo no licenciamento de sistemas de radiodifusão, o estabelecimento de liberdade editorial, a independência e o status de serviço público de radiodifusores, a situação profissional de jornalistas, a relação entre a mídia e os atores políticos etc. Pluralismo inclui todas as medidas que garantam o acesso dos cidadãos a uma variedade de fontes e vozes de informação, permitindo a eles que formem opiniões sem a influência indevida de um poder [formador de opiniões] dominante”.

Encontram-se no relatório propostas como: (1) a introdução da educação para a leitura crítica da mídia nas escolas secundárias; (2) o monitoramento permanente do conteúdo da mídia por parte de organismo oficial ou, alternativamente, por um centro independente ligado à academia, e a publicação regular de relatórios que seriam encaminhados ao Parlamento para eventuais medidas que assegurem a liberdade e o pluralismo; (3) a total neutralidade de rede na internet; (4) a provisão de fundos estatais para o financiamento da mídia alternativa que seja inviável comercialmente, mas essencial ao pluralismo; (5) a existência de mecanismos que garantam a identificação dos responsáveis por calúnias e a garantia da resposta e da retratação de acusações indevidas.

Pelo histórico de feroz resistência que encontra entre nós, vale o registro uma proposta específica. Após considerações sobre o reiterado fracasso de agências autorreguladoras, o relatório propõe:

“Todos os países da União Europeia deveriam ter conselhos de mídia independentes, cujos membros tenham origem política e cultural equilibrada, assim como sejam socialmente diversificados. Esses organismos teriam competência para investigar reclamações (…), mas também se certificariam de que as organizações de mídia publicaram seus códigos de conduta e revelaram detalhes sobre propriedade, declarações de conflito de interesse etc. Os conselhos de mídia devem ter poderes legais, tais como a imposição de multas, determinar a publicação de justificativas [apologies] em veículos impressos ou eletrônicos, e cassação do status jornalístico.”
E no Brasil?

A publicação de mais um estudo oficial sobre regulamentação da mídia, desta vez pela União Europeia, menos de dois meses depois do relatório Leveson na Inglaterra, revela que o tema é pauta obrigatória nas sociedades democráticas e não apenas em vizinhos latino-americanos como a Argentina, o Uruguai e o Equador, mas, sobretudo, na Europa.

No Brasil, como se sabe, “faz-se de conta” que não é bem assim e o tema permanece “esquecido” pelo governo, além de demonizado publicamente pela grande mídia como ameaça à liberdade de expressão.

Quem se beneficia com essa situação? Até quando seguiremos na contramão da história?

* Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros. Este artigo foi publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

Reproduzido de Observatório da Imprensa
29 jan 2013 via clipping FNDC


Leia também:

"A free and pluralistic media to sustain European democracy" (“Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”), clicando aqui.


“EU Publishes Report – “A free and pluralistic media to sustain European Democracy”, clicando aqui.

"The Leveson Inquiry", clicando aqui.

Comentário de Filosomídia:

“Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”? Deus está vendo...
Tsc... tsc...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Com o fim da ditadura, os donos passaram a monopolizar a voz



 Quando os barões saíram da sombra: o que aconteceu com a imprensa brasileira nos últimos 50 anos
  

Por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo
Blog do Saraiva
07/02/2013

É interessante o que aconteceu no jornalismo brasileiro nos últimos 50 anos.

Na época da ditadura militar, os donos das grandes empresas mantinham perfil baixo. Por motivos óbvios: havia risco. Ditaduras têm relação sempre áspera com o jornalismo. A exceção conspícua aí era Roberto Marinho, da Globo. Ele era “absolutamente confiável”, para os militares. Podia dizer que “dos seus comunistas” cuidava, e era verdade. Os comunistas que trabalhavam com Roberto Marinho não escreviam nada que pudesse alimentar sua causa.

Os demais donos não gozavam da mesma confiança dos militares. Os Mesquitas, que tinham apoiado a Revolução de 1964, exigiram depois que os militares voltassem logo para os quartéis. Mas os generais tinham gostado do poder, e terminaram por censurar o Estadão por muitos anos. Na Folha, sob Octavio Frias de Oliveira, você teve um jogo duplo. Frias não era um “pensador” como os Mesquitas.

Durante muitos anos ele manteve um jornal que era seu gesto de confraternização com o regime, a Folha da Tarde. Iniciei minha carreira nele. Você parecia às vezes estar não numa redação, mas num quartel. Antogio Aggio Filho, o editor-chefe, era de extrema-direita. O secretário de redação, Rodrigão, era militar. O redator-chefe, Torres, tinha livre trânsito no Dops. Não vi isso, mas contavam na redação que Torres uma vez subira numa cadeira para defender a morte de guerrilheiros – ou terroristas, como ele os chamava. A meu lado, na redação, trabalhavam um coronel, apelidado exatamente assim, Coronel. Era discreto, simpático. Guardo boas lembranças das conversas supérfluas que travávamos ali no fechamento.

Aggio foi posto no cargo de diretor da Folha da Tarde em 1969 por Frias, segundo quem a decisão se devia à competência do jornalista e não a seu trânsito com os militares. Ele varreu da redação as pessoas de esquerda. O jornalista Jorge Okubaro, que mais tarde se tornaria editorialista do Estadão, viveu a transição. “Alguns foram demitidos sob alegação de incompetência, mas o verdadeiro motivo da demissão foi o fato de terem, em algum momento, feito ou participado de alguma manifestação que os caracterizava como de esquerda, seja pelas conversas pessoais, seja pelos textos que eventualmente publicaram”, lembra Okubaro.

Em 1984, quando a democracia já era visível, Aggio foi demitido. Num texto memorialístico, escrito alguns anos atrás num blog que mantinha, Aggio afirmou que Frias dizia que ele era seu “braço direito”. Havia aí uma alusão ao direitismo de Aggio. Era um jogo de palavras.

O “braço esquerdo” era Claudio Abramo, diretor da Folha de S. Paulo, um jornalista de formação trotsquista que Frias tiraria do cargo abruptammente a mando do general Hugo Abreu na crise provocada por uma crônica (bela) em que Lourenço Diaféria notou que as pessoas mijavam na estátua do patrono do exército, duque de Caxias, no centro de São Paulo.

A Folha era relativamente preservada. Mesmo assim, Frias uma vez pediu a meu pai que escrevesse um editorial no qual dissesse que não havia presos políticos. Todos os presos seriam iguais. Era uma resposta ao Estado de S. Paulo, que vinha cobrindo uma greve de fome de presos políticos em 1972.

Papai não topou, e pagou o preço do congelamento. Meu pai me contou o episódio, mas só fui ver há pouco tempo, pelo arquivo, o teor do editorial pedido por Frias — que afinal foi publicado, escrito imagino a que custo emocional por Claudio Abramo. Várias vezes Claudio passara por papai, na redação da Folha, para comentar sua preocupação com amigos que tinha entre os grevistas de fome.

Um trecho: “É sabido que esses criminosos, que o matutino (Estado) qualifica tendenciosamente de presos políticos, mas que não são mais do que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítima toda promiscuidade.”

Ter jornalistas importantes em cargos de destaque era conveniente, na ditadura, para os momentos mais complicados. Quando o regime imprensou a Folha depois que o cronista Lourenço Diaféria escreveu que o povo “mijava” na estátua do Duque de Caxias, uma absoluta verdade como sabe quem a conhece, Frias pôde oferecer a cabeça de Claudio Abramo, o diretor de redação, para apaziguar as coisas.

Terminada a ditadura, o quadro mudou. Ter redações sob o comando deixou de ser um risco. Passou a ser o que é sempre em situações normais: fonte de prestígio e status.

Os jornalistas deixaram de ser um escudo. Foi quando eles, lenta, segura e gradualmente, foram perdendo espaço e voz nas corporações. A voz dos donos foi avultando. Sem entender esse processo, ninguém conhece compreender o que aconteceu com a mídia brasileira no último meio século.

Daí a semelhança no tom mesmo de empresas aparentemente tão diferentes, como a Folha e a Globo. De Arnaldo Jabor a Clóvis Rossi, de Ali Kamel a Merval Pereira, os colunistas reproduzem com mínimas variações o pensamento conservador. Os jornalistas, como indivíduos independentes de suas empresas, só voltariam a encontrar microfone com a internet. O mundo digital, com sua anarquia incontrolável, romperia o domínio das opiniões. Mais do que por razões econômicas, que existem de resto, este é o principal motivo pelo qual a internet incomoda tanto as grande empresas.

Reproduzido de Diário do Centro do Mundo 06 fev 2013
Divulgado no clipping FNDC 07 fev 2013