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sábado, 12 de julho de 2014
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Nota de repúdio sobre a ESCRAVIDÃO MIDIÁTICA nos tempos atuais da farsa do “stand up News” telejornalístico da Rede Globo
Nota de repúdio sobre a ESCRAVIDÃO
MIDIÁTICA nos tempos atuais da farsa do “stand up News” telejornalístico da
Rede Globo
Na TV aberta,
repetida no canal fechado e disponibilizado pela Internet, a Rede Globo se antecipa
da maneira mais infeliz e mau humorada possível às reflexões do Dia da Consciência
Negra , data celebrada em memória da morte de Zumbi dos Palmares.
Segundo consta dos registros históricos, em 20 de Novembro de
1695, “Zumbi, então aos 40 anos, foi traído e denunciado por um antigo
companheiro (Antonio Soares), ele é localizado
pelo capitão Furtado
de Mendonça, preso, tem a cabeça cortada, salgada e
levada, com o pênis dentro da boca, ao governador Melo e Castro. Ainda
no mesmo ano, D.
Pedro II de Portugal premia com cinquenta mil réis o capitão Furtado de
Mendonça por ‘haver morto e cortado a cabeça do negro dos Palmares do Zumbi".
Querendo se
passar por humor inteligente, num programa fantástico e numa rede com linha
editorial questionável, o quadro retrata muito bem o desrespeito da empresa e seus
empregados ao que essa data e questão representam, com as piadas em que se
misturam alfinetadas aos programas governamentais que atendem milhões de
famílias descendentes dos negros do tempos passados.
Demonstração
exemplar do que seja “stand up news” na farsa telejornalística coordenada por
Vocês-Sabem-Quem, o episódio certamente merecerá o maior repúdio das pessoas do
bem por esse Brasil.
A poderosa
rede da manipulação das consciências não resistirá por muito tempo como
hegemônica em seu ofício de promover a des-informação e a anti-comunicação.
Regulação dos
meios de comunicação, já: "nada além da Constituição!"
Um basta à
escravidão midiática!
Assistindo ao vídeo fico pasmo de como a Rede Globo tem o hábito infeliz de tratar questões de forma achincalhada, debochada, violenta e, em geral nos seus programas de entretenimento e de des-informação, travestindo com a máscara de humor um discurso que em nome da liberdade de expressão que arroga a si mesma veicula de forma sutil a ideologia que a move. É uma infelicidade também perceber a mediocridade e opção de cada um de seus "artistas" a defender a causa do patrão a que estão escravizados pela fama e projeção. Desde aquele "caso" da assalariada e vassala Regina Duarte (vídeo abaixo), namorando o Collor em nome de seus chefes, eu não via tamanha vidiotice a querer globobocalizar o povo! Inaceitável, e isso vai dar pano pra manga.
Assistindo ao vídeo fico pasmo de como a Rede Globo tem o hábito infeliz de tratar questões de forma achincalhada, debochada, violenta e, em geral nos seus programas de entretenimento e de des-informação, travestindo com a máscara de humor um discurso que em nome da liberdade de expressão que arroga a si mesma veicula de forma sutil a ideologia que a move. É uma infelicidade também perceber a mediocridade e opção de cada um de seus "artistas" a defender a causa do patrão a que estão escravizados pela fama e projeção. Desde aquele "caso" da assalariada e vassala Regina Duarte (vídeo abaixo), namorando o Collor em nome de seus chefes, eu não via tamanha vidiotice a querer globobocalizar o povo! Inaceitável, e isso vai dar pano pra manga.
Leo Nogueira Paqonawta
O infeliz mau humor na Rede Globo
“Neste
domingo 3 de novembro (2013) o programa Fantástico, em seu quadro
humorístico “O Baú do Baú do Fantástico”, exibiu um episódio cujo tema é
muito caro para a história da população negra no Brasil.
(...) O
quadro, assinado por Bruno Mazzeo, Elisa Palatnik e Rosana Ferrão, faz uma
sátira do momento histórico da abolição da escravidão no Brasil. Na
“brincadeira” o repórter entrevista Joaquim Nabuco, importante abolicionista,
apresentado como líder do movimento ‘NMS – Negros, mulatos e simpatizantes’!
Princesa
Isabel também entrevistada, diz que os ex-escravos serão amparados pelo governo
com programas como o ‘Bolsa Família Afrodescendente’, o ‘Bolsa Escola – o
Senzalão da Educação’ e com Palhoças Populares do programa ‘Minha Palhoça,
minha vida’!
‘Mas por
enquanto a hora é de comemorar! Por isso eles (os ex-escravos) fazem festa e
prometem dançar e cantar a noite inteira…’ registra o repórter, quando o
microfone é tomado por um homem negro que, festejando, passa a gritar: ‘É
carnaval! É carnaval!”
Texto
completo por Douglas Belchior na Carta Capital clicando aqui.
Abaixo a Regina Duarte com medo do Lula (eleição de 2002), e comentário de Gilberto Dimenstein se referindo ao caso e ao apoio a Serra noutra eleição, clicando aqui.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Imobilismo do Governo é obstáculo ao avanço da comunicação
Imobilismo do Governo é
obstáculo ao avanço da comunicação
Bruno Marinoni
Observatório do Direito
à Comunicação
11/01/2013
Se
por um lado o movimento pelo direito à comunicação se fortaleceu em 2012, com o
lançamento da campanha “Para expressar a liberdade”, a realização de encontros
nacionais (como o I Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação em Recife) e
de atos públicos, por outro, deparou-se com a resistência do Governo Federal em
enfrentar os interesses privados e fazer avançar as demandas sociais na área de
comunicação. De acordo com João Brant, do Intervozes, “as promessas de
lançamento de uma consulta pública sobre um novo marco regulatório das
comunicações foram frustradas, o debate retrocedeu e o governo parece decidido
a não tomar nenhuma atitude para fazer avançar este debate”.
Na
área específica de internet não tem sido diferente. Segundo Veridiana Alimonti,
do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), “o ano de 2012 consolidou ainda
mais a posição do governo contrária a uma alteração de regime na prestação da
banda larga e demonstrou de forma contundente a inexistência de participação
social estruturada na decisão das políticas”, ao contrário do que vem sendo
reivindicado pela sociedade civil que cobra a exploração do serviço em regime
público e democratização das decisões. Soma-se a isso o fato que “projetos de
inclusão digital construídos em gestões anteriores, como os Telecentros.BR, vem
sendo explicitamente deixadas de lado”, afirma Veridiana.
Os
comunicadores populares também sentiram em 2012 a intensificação da
perseguição. Um dos principais obstáculos à liberdade de expressão das rádios
comunitárias foi a implementação da Portaria n. 462 instituída pelo Ministério
das Comunicações em 2011. Para Jerry de Oliveira, da Abraço-SP, em decorrência
desse dispositivo, “no ano que passou, a ABRAÇO precisou apresentar mais de 200
recursos às multas aplicada às emissoras de rádio comunitárias”, além de
enfrentar a fiscalização da Anatel que tem tratado “as rádio comunitárias como
gatinhos e se acovardado diante dos leões que são as grandes emissoras
comerciais”.
Os
atores que têm se beneficiado das características comerciais, extremamente
concentradas e excludentes das comunicações no Brasil se mostraram também em
processo de intensa mobilização. Dois desses exemplos que marcaram 2012 foram a
realização da 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)
em São Paulo, em que se fez alarde sobre o que eles tentam pintar de “ameaças
contra a liberdade de imprensa nas Américas”, e a condução de novos membros ao
Conselho de Comunicação Social. Embora esta última seja uma reivindicação da
sociedade civil por maior participação, esta se viu surpreendida por uma ação
de parlamentares apoiados por grupos de pressão no Congresso que do dia para a
noite empossaram os novos representantes sem o devido debate público que o
órgão necessita para cumprir sua função democrática.
Os
sucessivos adiamentos de votação no Congresso e as alterações feitas no texto
proposto com ampla participação para um Marco Civil da Internet são mais um
exemplo do poder de pressão do setor privado sobre os processos políticos no
Brasil, inviabilizando a ampliação da democracia. A garantia da manutenção da
neutralidade de rede e do direito ao livre compartilhamento de dados foram os
principais alvos dos lobbies nesse setor.
Uma
crítica também importante feita em 2012 foi a que o relator especial da ONU
para a liberdade de expressão, Frank de La Rue, dirigiu aos grupos comerciais
que pressionam o Supremo Tribunal Federal para considerar inconstitucional a
classificação indicativa na TV. “Não posso entender que em algum país uma Corte
Suprema esteja disposta a prejudicar os direitos das crianças por conta de
outros interesses”.
Reproduzido
de clipping FNDC
11
jan 2013
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Rafael Patto: Por um marco regulatório das comunicações
Por
um marco regulatório das comunicações
Rafael
Patto
06/12/12
Existe
no Brasil uma contradição muito hipócrita: a mentalidade liberal, ou
neoliberal, é contra os monopólios do Estado, e, com base nesse argumento, se
justificaram as PRIVATARIAS da década de 1990 (que são injustificáveis do ponto
de vista ético, moral, legal e até mesmo lógico). Mas curiosamente os
monopólios privados dos meios de comunicação não são alvos de questionamentos.
Apenas seis famílias
neste país, representantes da minoria das minorias da nossa sociedade, se
arvoram ao direito de falar por TODOS, e consideram que esse direito é um
direito natural, divino, absoluto e que não pode ser contestado. O Marco
Regulatório das Comunicações é um instrumento necessário à quebra da
concentração de poder das empresas de comunicação. Diluir essa concentração é
condição necessária à democratização desse setor. Uma mesma empresa não pode
ser dona de tevê, rádio, jornal, revista, portal de internet, tudo ao mesmo
tempo. Essas propriedades cruzadas retidas nas mãos dos mesmos donos
representam uma ameaça à diversidade e à pluralidade. Afinal, são sempre as
mesmas vozes, as mesmas idéias, as mesmas opiniões circulando em diferentes
meios e canais. É preciso distribuir melhor, repartir esse latifúndio
midiático, para que mais vozes, mais idéias, mais opiniões também possam
circular, a bem da diversidade e da democracia.
Nos EUA, por exemplo, é
terminantemente proibido que uma única empresa tenha, num mesmo estado, canal
de tevê, de rádio e jornal impresso. Por quê? Porque isso é elementar para a
democracia! Quando, num mesmo domínio territorial, circula apenas a visão de
mundo impregnada dos interesses de um único grupo, todos os que ali vivem
estarão submetidos a um filtro, e terão seu contato com o mundo sempre mediado
por essa filtragem, que pode ser tendenciosa, enviesada e que pode também
manipular, bloquear ou censurar informações, sem que haja contraponto. E é
exatamente isso o que acontece aqui no Brasil. A Rede Globo, por exemplo, é um
império que engordou com o dinheiro dos governos ditatoriais, e hoje detém o
controle de um verdadeiro conglomerado multimidiático. Se fossem uma empresa
estadunidense, as Organizações Globo JAMAIS poderiam possuir emissoras de tevê,
rádio, jornais, revistas, portais de internet, tevê a cabo, como ocorre aqui.
Porque isso é sabidamente atentatório à democracia e à liberdade de expressão.
Porque enquanto somente os Marinho falam por todos esses canais, e em nome de
uma minoria ínfima da nossa sociedade que compartilha dos mesmos interesses que
eles e comunga da visão de mundo deles, outros milhões e milhões de brasileiros
com outras visões de mundo são silenciados e têm castrado o seu direito de
expressão porque não dispõem de acesso aos meios sociais de comunicação
necessários ao exercício da liberdade de expressão. Isso é justo?
Na Argentina, a
presidenta Cristina Kirchner está enfrentando com muita coragem essa realidade
injusta. O Grupo Clarín, uma espécie de Globo argentina, terá até o dia 08 de
dezembro para se desfazer de seu império oligopólico. Absurdamente, esse Grupo
detém o domínio de 254 canais de tevê no país. Com a nova lei, só poderá ter
24. Se antes 254 canais expressavam as mesmas idéias e as mesmas opiniões e
visões de mundo, com a nova lei, estarão abertas 230 vagas para que outras 230
visões de mundo também se expressem. Isso não é maravilhoso para a diversidade
cultural e para a pluralidade política de uma nação? É disso que precisamos
aqui no Brasil! Na Argentina, o governo não está estatizando as empresas de comunicação.
Apenas está exigindo que os oligopólios se desfaçam, a fim de que os meios de
comunicação não estejam mais concentrados nas mãos de tão pouca gente. Se isso
fosse feito aqui no Brasil, toda a sociedade ganharia. Afinal, a gente sabe que
os veículos de comunicação submetidos a esse controle tão restrito não
representam nem a maioria do nosso povo, quanto mais a sua totalidade. O Brasil
da tevê se resume ao sudeste do Brasil, e, mesmo assim, um sudeste fake,
“higienizado”, sem os traços e as marcas da diversidade, que são tratadas como
sujidades pela estética televisiva.
Para que tenham fim
esses mecanismos de exclusão, de apagamento das diferenças, que produzem a
invisibilidade de grupos étnicos e suas formas de ser e viver, e o
silenciamento de formas de falar e pensar da maioria do povo deste país, é que
precisamos com urgência de um Marco Regulatório das Comunicações, a exemplo dos
que já existem nas principais democracias do planeta.
Na França, que é um país
de dimensão inúmeras vezes menor do que o Brasil, o sinal de uma mesma emissora
de tevê não pode ter um alcance superior a 30% de seu território. Aqui no
Brasil, o sinal da Globo chega a quase 100% dos lares brasileiros, do Oiapoque
ao Chuí, sem nenhum tipo de restrição. Isso é um fator de empobrecimento para o
próprio país, que não tem a oportunidade de ser apresentado à sua
grandiosidade, diversidade e diferenças locais e regionais. Sempre é só o
sudeste: uma só paisagem, um só sotaque, um só estilo de vida. O Brasil não é
uma coisa só. É preciso que as concessões públicas para emissoras de tevê sejam
mais democráticas, para que mais pessoas tenham acesso e oportunidade de
produzir conteúdos no Brasil e difundi-los, irradiá-los, pelos meios de
radiodifusão. Isso contemplaria a demanda social por liberdade de expressão e,
ao mesmo tempo, atenderia ao direito do consumidor de contar com uma oferta
diversificada desse serviço de radiodifusão que lhe asseguraria uma efetiva
liberdade de escolha, com opções realmente diferentes, e não mais essa situação
que ocorre hoje em que mudar o canal da tevê não significa absolutamente nada.
Qual a diferença entre Gugu e Faustão? É a mesma idiotia! Qual a diferença
entre Arnaldo Jabor, Alexandre Garcia, Nêumanne Pinto e Boris Casoy? É a mesma
depravação reacionária! É preciso diversificar!!!
Por isso, é preciso um
Marco Regulatório das Comunicações!
REGULA, DILMA!!!!
Se quem não deve não
teme, porque querem impedir que mais vozes falem??? Quem teme a pluralidade de
idéias??? Tem gente que quando vai falar contra o Marco Regulatório não diz
nada mais do que um fraseado vazio e do tipo "pro-forma". A pessoa
nem se contextualiza no debate para dar uma opinião, nem procura aprofundar
seus conhecimentos sobre o tema. Apenas joga o PRE-conceito PRE-concebido
PRE-fabricado na conversa, empurrando esse lero-lero de “liberdade de
imprensa”, como se regulamentação da mídia se confundisse com censura. Aonde é
que a regulamentação do setor midiático se choca com os princípios de liberdade
de expressão???
É o desregramento do
setor que frustra o direito de expressão da ampla maioria da sociedade. A
questão é essa: as pessoas confundem liberdade de expressão com liberdade de
imprensa (e essa é uma confusão provocada pela desinformação que a própria
imprensa produz). Esses conceitos são muito diferentes. E liberdade de
expressão é muito mais amplo e abrangente. Não podemos achar que só a imprensa
pode se expressar. A liberdade de expressão é para todos, é um direito
universal e não de apenas meia dúzia de EMPRESAS.
O espectro
eletromagnético por meio do qual vibram as ondas de rádio e tevê, cada uma na
sua frequência, é limitado, não é infinito não. E está praticamente todo tomado
pelos conglomerados que se formaram em torno de propriedades que têm sempre os
mesmos donos. São redes de emissoras de rádio e televisão de pouquíssimos
proprietários que ocupam praticamente a totalidade desse espectro
eletromagnético, que é um bem público. Não dá pra um "novato" se
inserir nesse "mercado" se ele não for regulamentado e submetido a
reformulações. Não existe livre concorrência nesse segmento absolutamente monopolizado,
dominado por empresas que se fizeram verdadeiros impérios às custas do Estado e
do Erário (empréstimos, financiamentos de bancos públicos, camaradagens de
sucessivos governos, perdões de dividas, isenções fiscais, etc. etc. etc.) Não
dá!!! Tem que regular. Ou seja, tem que pôr regulamento, regra. O campo das
comunicações no Brasil é absurdamente desregrado, como em nenhum outro lugar do
mundo civilizado.
Não podemos continuar
admitindo que exista uma "casta" na sociedade que paire acima do bem
e do mal e acima das leis. Se há leis para todo mundo, porque as empresas de
comunicação não vão se submeter a elas também???
Não há argumento que
consiga justificar de modo racional a não regulamentação desse setor. Quem se
opõe a isso deve recorrer a preconceitos, inverdades ou simplismos.
Reproduzido
de Facebook de Rafael Patto
06
dez 2012
Conheça a página "Donos da Mídia" clicando aqui.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Marco regulatório da mídia no Reino Unido pressiona a discussão no Brasil
Marco
regulatório da mídia no Reino Unido pressiona a discussão no Brasil
Correio
do Brasil . Redação
30/11/2012
A divulgação do
relatório produzido pela Justiça britânica acerca dos abusos cometidos pela
imprensa, naquele país, desperta a proposta que dorme no Congresso e no
Executivo brasileiros, de se estabelecer, aqui também, um marco regulatório
para a mídia. A proposta formulada por Franklin Martins, ex-titular da
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no governo do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bombardeada por veículos de
comunicação de grande porte, foi arquivada na gestão da presidenta Dilma
Rousseff.
O ex-ministro, no
documento que sintetiza o pensamento da sociedade civil, em diferentes
oportunidades, estabeleceu as bases de um projeto de lei capaz de substituir
uma lei editada em meados do século passado. A legislação em vigor, segundo
Martins, “promove o vale tudo no setor, desconsidera a convergência de mídia,
não leva em conta que entramos na era da sociedade da informação e,
principalmente, ignora a Constituição de 1988″. Em entrevista exclusiva ao Correio
do Brasil, nesta sexta-feira, Martins disse acreditar que “o governo, em algum
momento, irá liderar o indispensável debate público, aberto e transparente
sobre o tema”.
– É uma necessidade para
o país – frisou o jornalista.
Para o jornalista, a
chamada ‘grande mídia’ apenas defende seus interesses econômicos ao
opor-se à criação de regras para a sua conduta.
– O marco atual está
integralmente ultrapassado e não dá conta dos problemas atuais – afirmou, em
outra recente entrevista.
Martins citou que a
convergência de mídia faz com que a radiodifusão e as telecomunicações se
confundam e exige urgentemente uma regulação para que as teles não detenham
todo o poder sobre a informação. E citou o faturamento dessas companhias para
exemplificar.
– Em 2009, todas as
rádios e TVs faturaram R$ 13 bilhões, enquanto as teles, R$ 180 bilhões. Não
havendo regras, a regulação ocorre pelo mercado e aí teremos o pior dos
cenários, porque teremos um setor controlando todos os meios e todo o conteúdo
– lembrou. O quadro existente em 2009, segundo levantamento do CdB, em
pouco ou nada se alterou ao longo dos últimos dois anos.
Ele pontua, também, que
a alegação de que estipular compromissos fere a liberdade de imprensa, esconde
o desejo de manter a concentração do poder.
– No mundo inteiro há
regulação de técnica e conteúdo. Tem que ter produção regional, nacional,
independente e precisa buscar um equilíbrio – disse.
Mesmo o Reino Unido,
onde praticamente inexistia qualquer regulamentação ao setor da mídia, passa
agora à fase de criação de um conselho independente, formado pela sociedade,
equidistante do governo e das empresas, para que abusos sejam contidos e, por
exemplo, possam ser coibidas as associações entre jornalistas e malfeitores.
Na Inglaterra, a
disseminação de grampos telefônicos ilegais levou à prisão, entre outros, a
ex-editora-chefe do diário londrino News of The World, Rebekah Brooks. No
Brasil, o conluio entre jornalistas e criminosos, a exemplo do que ocorreu nos
fatos investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira,
entre o diretor da revista semanal de ultradireita Veja, Policarpo Júnior,
e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foram
barradas na CPMI.
– A sociedade civil
apresentou todas as suas contribuições, o governo agora é quem deve apresentar
uma proposta. De qualquer forma, temos a força da razão, da liberdade de expressão
e da democracia ao nosso lado – afirmou Martins em outra entrevista à página
paulista na internet Rede Brasil Atual.
Regras
claras
O estabelecimento de
regras claras para o segmento da Comunicação Social no país é também o que
espera a deputada Luiza Erundina, integrante da Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. Ela, que falou com
exclusividade ao CdB, espera que a gestão da presidenta Dilma seja capaz
de liderar esta discussão no país.
– Se depender do
Congresso, infelizmente, o assunto não sairá da gaveta – alerta a parlamentar,
que aponta a ação de um pesado lobby, nas duas casas do Parlamento, que
trabalha para vetar qualquer ameaça ao poder estabelecido por um pequeno grupo
de jornais, revistas e concessões de canais de TV que, na prática, domina o
setor – afirmou.
Para a deputada, que
lidera a discussão sobre um novo marco regulatório para a mídia no país, “a
Argentina está anos-luz do Brasil nessa matéria”.
– O estabelecimento, na
Argentina, da Ley de Medios, supera a velha discussão entre o marco
regulatório e a liberdade de imprensa, simplesmente porque a ausência de regras
para o segmento facilita apenas a concentração do poder nas mãos de poucos,
como ocorre no Brasil. Um marco regulatório permitirá o retorno à diversidade
da informação e a gestão adequada dos recursos públicos e das concessões,
acabando com o apadrinhamento – ressaltou.
Erundina, no entanto,
acredita que ainda há uma árdua batalha pela frente, pois o poder desses meios
de comunicação ligados aos segmentos mais retrógrados da sociedade é tamanho, e
tão concentrado, que apenas a mobilização popular permitirá um avanço na
discussão da matéria, tanto no âmbito do Executivo, quanto do Legislativo.
– O que ocorreu na área
da Comunicação Social, nos últimos dois anos, durante a atual gestão da
presidenta Dilma, foi um grave retrocesso nos avanços conquistados ao longo dos
dois mandatos do presidente Lula. É preciso rever isso. E com urgência –
concluiu a parlamentar, sobre a reforma nas regras da mídia.
Reproduzido
de Correio
do Brasil
31
nov 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Blog Filosomídia: 100 mil visitas dos 99%
Blog Filosomídia: 100 mil visitas dos 99%
“Nós precisamos libertar a mídia – e vamos
fazê-lo”.
Amy Goodman .
The exception to the rulers (2004)
Inspirado nos textos e conceitos socializados por Enrique Dussel e sua
“Filosofia da Libertação”, o blog Filosomídia iniciou sua série de postagens e
abertura à visitação pública em dezembro de 2010, depois da qualificação do
projeto de mestrado “Telejornais e crianças no Brasil: a ponta do
iceberg”, dissertação defendida no PPGE/UFSC, na linha de Educação e
Comunicação no final de 2011. Quando criado no início de meus caminhos na
pós-graduação em 2009, o blog se propôs a fazer um clipping de notícias,
indicação de documentos, eventos, grupos, associações, centros de pesquisa,
artigos e outras referências aos temas abordados no percurso do meu próprio texto.
Assim, ao longo do tempo, ele acabou se tornando um verdadeiro mapa pelos
lugares por onde passei nessa viagem que parece não ter fim.
Neste final de semana passado (24/25 nov 2012) o blog alcançou a marca
de 100 mil visitas de navegadores talvez em busca das mesmas referências que
foram importantes para mim, cuja origem pode ser conferida nos “pontos” do
globo terrestre ao pé da "página", no "menu" da barra
lateral direita.
Com muito orgulho, nesse meio tempo o blog foi considerado uma fonte de
consultas aos temas estudados por mim, e colaborou para divulgar questões como
a luta pela democratização dos meios de comunicação, as políticas públicas para
o setor, os esforços de tantos outros insurgentes (críticos, blogueiros
progressistas e blogueiros sujos) que defendem o marco regulatório para o setor
e o reconhecimento da comunicação como um direito humano, temáticas debatidas
hoje contidas no caderno de propostas da I CONFECOM (2009).
O blog Filosomídia também pontua questões recentes levantadas ao debate
do setor por articulistas, pesquisadores, comunicadores, jornalistas,
educadores e professores, notadamente por aqueles que defendem um
"basta" à atual situação onde mega corporações e oligarquias querem
defender a manutenção da ordem e da ideologia imperante, a lógica do mercado
determinando tudo nesse capitalismo des-humanizador, ou seja, aprisionando
consciências a uma ideia hegemônica, que disfarça de lazer, entretenimento e
infotenimento, o que seja exploração do outro por uma elite encastelada nos
poderes, legitimada pelo que chama de democracia, liberdade de expressão e da
imprensa etc. Algo muitas vezes defendido até nas elites do meio acadêmico
re-produzindo tal pensamento em seus discursos que passam ao largo das
reivindicações dos movimentos sociais e populares. Regula, Dilma!
As mídias, entendidas como os aparatos e veículos de comunicação das
corporações e famílias que controlam os meios de produção dessa cultura
internalizada e naturalizada por muitos, estão concentradas nas mãos de
pouquíssimas famílias e suas empresas pelo planeta, o que também acontece no
Brasil, talvez de maneira mais acirrada nessa selva midiática, visto o grau de
profunda dependência e colonização do pensamento característicos no país. Suas falsas caras, páginas e telas estão em toda parte.
Como Dussel que defende a libertação de todas as formas de
exploração/opressão e também Amy Goodman, concordo que “precisamos libertar as
mídias” desse estado de coisas, já que ao longo de minhas investigações percebi
e defendo a tese de que é o “Mercado” e os mega-empresários quem mandam; a “Política”
e os “polititicos” quem obedecem; a “Educação” e os professores quem “formatam”
as pessoas para esse mundo capitalista determinado por uma “elite” e, a
“Comunicação” e os formadores de opinião é quem fazem a propaganda desse mundo
do livre mercado, literalmente cercando as pessoas por todos os lados, por
(quase) todos os veículos de comunicação, (quase) todas as mídias, (quase)
controlando o que cada um e a sociedade devem pensar, saber, obedecer.
Considerando o conhecimento “acumulado” pela humanidade nas esferas do
pensamento religioso, filosófico e científico perfazendo uma pirâmide
des-equilibrada na balança dos banqueiros e nas bancas acadêmicas que terminam
por legitimar informações que fizeram uma versão unilateral da história,
defendo que essa “libertação” dos meios de Educação e Comunicação se dará à
medida que cada um e muitos forem se auto-conhecendo e auto-conscientizando,
tomando conhecimento de sua dignidade humana, seguindo juntos nas fileiras que
ganham as ruas e abraços em cada um dos quatros cantos do planeta,
organizando-se para fazer o mundo que queremos, com Sabedoria e pela plenitude
da cidadania e cosmocidadania do Bem Viver para todos.
Mil batalhas estão sendo vencidas dia a dia, e um Outro
Tempo/Espaço de fazer/saber/poder/poder e amar se anuncia também pela
libertação das vozes e rostos até então en-cobertos pelas mídias controladas e
controladoras. Sorrisos de alegria se abrirão no Bem Con-viver por mil outrora anônimos cidadãos entristecidos...
Que venham às mídias as criancinhas...
Passo re-evolutivo nessa história sem fim de buscas e entregas à
harmonia, cósmica...
O Blog Filosomídia está nessas fileiras que ajuntam gentes para
libertas as mídias. E vamos conseguí-la. Em breve, seremos os 100%! E, temos um nome: Liberdade!
Leo Nogueira Paqonawta
sábado, 30 de junho de 2012
“A ética do jornalista é igual à ética do marceneiro”...
O que não pode ser medido não pode ser avaliado, diz Nelson Breve sobre a TV Pública
EBC discute indicadores de qualidade nas emissoras públicas
28/06/2012
Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
Brasília – Os indicadores de qualidade nas emissoras públicas foram o tema de um seminário realizado hoje (28) pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), transmitido ao vivo pela internet. O debate foi em torno da publicação Indicadores de Qualidade nas Emissoras Públicas – uma Visão Contemporânea, lançada durante o seminário pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A publicação lista cerca de 200 sugestões de indicadores, que vão desde o grau de satisfação da audiência até o controle de qualidade das reportagens produzidas, passando por critérios de transparência e independência editorial e acesso ao sinal.
Participaram da discussão dois dos três autores do texto, Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobras, que deu origem à Empresa Brasil de Comunicação, e Marco Chiaretti, jornalista especializado em comunicação digital, além do presidente da EBC, Nelson Breve, do professor Murilo César Ramos, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília e também membro do Conselho Curador da empresa, e a secretária de Audiovisual do Ministério da Cultura, Ana Paula Dourado Santana.
“O que não pode ser medido não pode ser avaliado”, disse o presidente da EBC. Para ele, os indicadores serão úteis na finalização do planejamento estratégico da empresa para os próximos dez anos.
“O planejamento estratégico precisa de objetivos, metas e indicadores. Aqui estão indicadores que podem fazer com que a gente desenhe um mapa para saber se está no caminho certo, ou para saber é preciso fazer ajustes, se é preciso correr mais, corrigir os rumos... É fundamental um trabalho como esse de indicadores, não só para nós, mas para toda comunicação pública”, afirmou Nelson Breve.
A complementariedade dos sistemas de comunicação (privado, público e estatal, conforme previsto na Constituição Federal) também foi avaliada pelos debatedores. “A TV pública e a comercial são gêneros da mesma espécie”, disse Murilo Ramos. Já Eugênio Bucci destacou que “as emissoras comerciais [sozinhas] não dão conta do debate saudável em uma democracia”.
A diferença entre os tipo de comunicação faz com que alguns teóricos brasileiros e estrangeiros defendam o conceito de jornalismo público como uma forma mais engajada de noticiário e com foco na cidadania, mas os debatedores discordaram. “O conceito de jornalismo público é muito vazio”, criticou Bucci. “Jornalismo só tem um”, acrescentou Marco Chiaretti, ao lembrar que jornalismo é aquilo que se conta, sem que necessariamente queira revelar, como ocorre com o anúncio publicitário.
“Jornalismo público é uma tautologia”, disse Murilo Ramos, ao assinalar que a expressão é repetitiva (pois jornalismo é uma atividade pública) e que “o conceito consagra a ideia de que há jornalismo não cidadão”, um entendimento, segundo ele, que pode “criar guetos”. Para esclarecer sua posição, Ramos mencionou o livro A Regra do Jogo, do jornalista Cláudio Abramo (morto em 1987), que defendia não existir uma ética específica para a profissão. “A ética do jornalista é igual à ética do marceneiro”, ressaltou.
Um aspecto que chamou a atenção no debate foi a necessidade de autonomia das emissoras públicas de televisão. “Só podemos falar em comunicação pública quando não está sujeita a uma autoridade externa”, afirmou Bucci. Ele defende que a direção da EBC não mais seja escolhida pela Presidência da República e que empresa seja vinculada ao Ministério da Cultura. “As atribuições da Secretaria de Comunicação [da Presidência], às vezes, podem guardar conflitos”, explicou Bucci.
Edição: Nádia Franco
Reproduzido de Democracia na Mídia por Victor Zacharias . 29 jun 2012
Foto: apoiadores do "Regula, Dilma", por Victor Zacharias. Paul Singer,
sábado, 23 de junho de 2012
Mulher, mídia e bens comuns
Mulher, mídia e bens comuns
Terezinha Vicente
O conhecimento, a cultura, o saber popular e tradicional e a comunicação são bens comuns fundamentais, ainda que o senso comum e os meios de comunicação de massa falem apenas dos bens dados pela natureza, como a água, a terra, a biodiversidade, o ar.
“Queremos colocar na agenda os bens comuns imateriais, os bens em forma de cultura, memória, história, que não está contada do ponto de vista das mulheres”, falou Rita Freire, fundadora e editora da Ciranda na abertura do painel “Mulher, Mídia e Bens comuns”, dentro da programação do II FMML (Forum Mundial de Mídias Livres), que acontece na Cúpula dos Povos, Rio+20. “A História é um bem comum e temos que lutar pela nossa identidade”, continuou a midialivrista, acrescentando sobre a metodologia desta Cúpula, o compromisso das mulheres em colocar o machismo e o patriarcado como causa estrutural da crise sistêmica em que o capitalismo nos colocou. Pela primeira vez, o Fórum de Midias Livres organiza um painel específico com a visão das mulheres, parceria desta Ciranda, do Instituto Patricia Galvão (IPG) e da Rede Mulher e Mídia.
Contra a mercantilização da vida e em Defesa dos bens comuns, como se define esta Cúpula dos Povos na Rio+20, é tema privilegiado para as mulheres que sempre tiveram esses objetivos na sua agenda, pois conhecem bem o que é ter até seu corpo mercantilizado. “A comunicação e a cultura estão colonizadas pelo poder econômico”, seguiu Rita Freire. “Estamos aqui debatendo a descolonização de nossas redes sociais, para nos libertarmos do ‘jardim murado’ que é o Facebook. Descolonizar a comunicação é construir as nossas próprias redes”. A ativista destacou o fato das mulheres também desenvolverem tecnologia da informação, anonimamente, sem colocar um ritmo competitivo, talvez por isso sejam sempre chamados homens a falar sobre o assunto.
A voz pública das mulheres
Mulheres sempre trabalham para dar voz às pessoas e às lutas que estão nas ruas, como o exemplo das convidadas para este painel do FMML. Maria Pia, da AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias), diz que o feminismo a ensinou a falar das práticas das mulheres, olhar o lugar de expressão pública das mulheres. “Ainda que o senso comum diga o contrário”, acredita Maria Pia, “a diferença entre homens e mulheres ainda é muito grande; devemos fazer dessas diferenças uma potencialidade política pra mudar um mundo tão desigual”. Ela destaca a atuação voltada para a comunidade por parte das mulheres, a importância de “fazermos nossas audiências entenderem que os bens comuns devem ser compartilhados e não tratados apenas como questão de ganância financeira”.
A comunicadora elogiou os princípios da Ciranda como fundamentais neste processo de entendermos a comunicação como um direito, para “além da questão de mercado e da titularidade de quem faz comunicação. Quando falamos em frequências de rádios, estamos falando de um bem comum da humanidade, falamos de um direito que não conseguimos praticar pela intolerância dos governantes, desconhecimento dos políticos tradicionais e desconhecimento até dos movimentos sociais”. A liderança da AMARC falou ainda das questões colocadas pelo movimento feminista, “mas que não são temas bem compreendidos, e esse buraco que tem a ver com a grande mídia que captura as consciências. Queremos fazer radio que fala para a maioria, que se escute e que tenha a ver com políticas públicas”.
Maria Cienci, da ALER - Associação Latinoamericana de Educação Radiofônica, que atua com os movimentos sociais, diz que “na radio de onde venho, sempre parece que temos que justificar como mulheres alguns temas, é preciso desconstruir que os homens sabem de política e nós mulheres das compras!” Indignada com a visão dicotômica do mundo, a ativista venezuelana defende a desconstrução do nosso modelo de desenvolvimento e acha que muitas vezes deixamos decisões para outros, nos vitimizamos e acredita na importância de incidirmos com os nossos temas nos espaços de luta geral.
Da Comunicação dependem outros bens comuns
Lottie Spade, ativista da comunicação em Detroit (EUA), defende que “comunicação é direito humano, não só a mídia mas a tecnologia, que continua mantendo comunidades afastadas e com as suas vozes silenciadas”. Ela atua em diversas organizações na sua cidade, em defesa da justiça política, ambiental e alimentar, que tem por princípios o acesso desses direitos, bem como da informação, deve ser para todos, a infraestrutura e todas as formas de comunicação. Lottie diz que faz um trabalho intergeracional, onde os jovens ensinam os idosos sobre os benefícios, mas também sobre os malefícios da Internet e a propriedade pública é um princípio, como também criar nossas próprias ferramentas. “Desmistificamos a tecnologia, falamos da pegada tecnológica, ensinamos as pessoas e toda a quadra pode partilhar um acesso”, por exemplo. “Fizemos um trabalho com as mulheres para elas criarem mensagens de segurança alimentar para as crianças, provocamos a discussão de porque é tão mais fácil encontrar McDonald e assemelhados do que comidas naturais em Detroit”. A feminista afro-americana diz que devemos usar e mudar a internet, ferramenta que grandes empresas estão usando para tomar decisões em nosso nome. “Precisamos compreender que nada substitui a comunicação, não basta a ferramenta”.
Ora, as mulheres sempre foram responsáveis pela “administração” dos bens naturais. Sobretudo na escassez destes, é a mulher que “tem que se virar” para garantir água e alimento para sua família, especialmente os filhos. Entretanto, o capitalismo invisibiliza o trabalho das mulheres, as soluções criadas por elas e a gestão que conseguem fazer dessa escassez. Assim como invisibilizam a história, a memória e as lutas de vários povos oprimidos sem direitos políticos, como os palestinos, os curdos e os saarauis, com participação neste II FMML. Como disse Rita Freire, “os povos que não tem território vieram aqui para se expressar, pois é clara a relação entre a falta de solidariedade política e a necessidade da comunicação”.
“Nas guerras”, diz Soraya Misleh, ativista da comunicação e pela libertação da Palestina, “em que estão em disputa os bens comuns, as mulheres são as que mais sofrem, na Palestina elas nem conseguem fazer pré-natal, tem os filhos nas zonas de controle”. Ela fala também do estereótipo que é vendido pela mídia da mulher árabe e dos árabes em geral. “Orientais e ocidentais são contrapostos e os primeiros são os bárbaros, terroristas. A mulher árabe é sempre um ser exótico, submisso, com algo escondido por trás dos véus”, lamenta Soraya. “Toda árabe é muçulmana, outra generalização irreal. A mídia reproduz essa forma de retratar os árabes para manter o sistema hegemônico global”. A militante palestina lembra que a mídia tratou como fenômeno as mulheres indo para a rua na “Primavera Árabe” e conta que as mulheres palestinas sempre estiveram lado a lado com os homens, muitas vezes na linha de frente, os movimentos feministas árabes existem desde o início do século XX e as lutas também. “Nas revoluções sociais, a mídia teve papel importante, mas foi ferramenta”, diz Soraya, contando que hoje há uma blogueira tunisiana em greve de fome, mostrando que a revolução continua seu curso, mas essa informação não chega até nós.
Produtoras e reprodutoras da vida que são, as mulheres sempre defenderam uma relação harmoniosa com a natureza. São elas as conservadoras das sementes, as cultivadoras das plantas medicinais, as defensoras das fontes de vida, da água, da segurança alimentar, da paz. Mas isso só é possível com o direito à comunicação democratizado e com liberdade de expressão para todos e todas. Sabemos que da informação e da comunicação depende a mudança dos paradigmas em que estamos vivendo ou a continuidade da destruição da vida e do planeta. As mulheres estão em muitas atividades desta Cúpula, inclusive atuando na Rádio Cúpula, fazendo a cobertura de tudo o que acontece, sendo protagonistas da grande manifestação lilás realizada hoje no Rio de Janeiro. Estaremos defendendo fortemente a inclusão da comunicação e a cultura como prioridades no eixo de convergência em defesa dos bens comuns contra a mercantilização.
Via Regula Dilma
19 jun 2012
domingo, 10 de junho de 2012
Novo Código de Telecomunicações disponível para consulta pública
Novo Código de Telecomunicações disponível para consulta pública depois de erro da Folha
Victor Zacharias
Democracia na Mídia
10 junho 2012
Depois de publicar a polêmica matéria de que horários nas TV e no Rádio, que são concessões públicas, não poderiam ser sub locados cujos maiores clientes são igrejas e programas de vendas, vem um esclarecimento do Ministério da Comunicação e o anúncio de que será colocado para consulta pública uma minuta do decreto que moderniza o Código deBrasileiro de Telecomunicações de 1962.
O Ministério das Comunicações esclareceu que a matéria confunde a proposta para uma lei de comunicações eletrônicas, que somente pode ser apresentado sob a forma de Projeto de Lei, com o decreto que o Ministério das Comunicações vem preparando com o objetivo de modernizar as regras do Código Brasileiro de Telecomunicações, que é de 1962. O decreto moderniza os procedimentos adotados pelo Ministério para outorga de serviços de radiodifusão.
Embora os dois temas possam ter relação, cumpre informar que a proposta de decreto do Ministério das Comunicações não trata de cessão de horário da programação. Por mais importante que seja o tema, ele não pode ser regulado por meio de decreto.
A editora Tele.Síntese, especialista em TCI, analisou o Código e fez alguns destaques:
A proposta de regulamentação da radiodifusão une as regras para emissoras comerciais, educativas, institucionais, com fins científicos e experimentais e comunitárias.
O pagamento do valor da concessão de emissora comercial, definido em processo licitatório, deve ser pago integralmente no prazo de 60 dias.
A transferência da outorga não pode ocorrer antes do prazo de cinco anos, após a assinatura do contrato de concessão.
As sanções aplicadas às emissoras poderão ser trocadas por obrigação de fazer, a julgamento do Ministério das Comunicações.
Ficam ampliadas os motivos para cassação das emissoras.
Aqui vai um comentário: não sendo a publicação do jornal verídica, dá para deduzir que a veiculação tinha objetivo político de enfraquecer as alianças do PT tanto no parlamento, bancada das igrejas, como nos movimentos sociais.
Não que o debate da sub locação não deva ser feito, talvez seja um dos itens discutidos quando for iniciada a consulta pública, sendo de competência deste novo Código ou não.
O Marco Regulatório da Comunicação, quer regulamentará a Constituição e todo o setor de forma mais abrangente, continua parado, portanto a pressão da campanha #reguladilma, continuará.
Clique aqui para ler a minuta do Novo Código na íntegra.
Reproduzido de Democracia na Mídia
10 jun 2012
Leia também:
"A necessária mobilização pelo marco regulatório", por João Brant no Observatório da Imprensa (31/01/12) clicando aqui.
sábado, 9 de junho de 2012
Minutas e decretos falsos das mídias hegemônicas versus a Nota à Impren$a do Ministério da Comunicação e a vontade do Povo Brasileiro
Minutas e decretos falsos das mídias hegemônicas versus a Nota à Impren$a do Ministério da Comunicação e a vontade do Povo Brasileiro
“Como saiu essa notícia na Folha [de S. Paulo], nós resolvemos acelerar o processo de consulta pública da minuta de decreto”, disse Bernardo. Mas reafirmou que o que saiu na imprensa, como a locação de horários nas emissoras, não faz parte e nem nunca fez da proposta do ministério. “É uma minuta pirata”, afirmou.
In: Minuta pirata da Folha de São Paulo apressa a consulta pública sobre a regulamentação da mídia
In: Minuta pirata da Folha de São Paulo apressa a consulta pública sobre a regulamentação da mídia
08 jun 2012
O caso é que, já fazem anos e anos que os veículos de anti-comunicação, como a Folha de S.Paulo e companhia limitada, fazem de tudo para confundir a população, criam factoides, plantam notícias, reforçam o disse-me-disse e trololós que eles inventam justamente para melar qualquer iniciativa a favor da regulação dos meios, e do reconhecimento da comunicação como um direito humano.
Historicamente se construíram mesmo é como defensores dos interesses do empresariado da área, se colocando na linha de frente dos interesses do mercado do qual se fazem porta-vozes, pontuando notícias/informações que atendam o mínimo necessário aos interesses/necessidades da informação de qualidade da população.
Mais recentemente, misturam tanto informação com entretenimento que, no meio da poluição informacional que enche os montes de páginas e telas, literalmente colam intencionalmente notícias sobre fatos que não existem para que a população mal interprete, nesse caso aqui, os esforços genuínos para a chamada à consulta pública sobre a regulação.
Como empresas que detêm os meios de produção da notícia, monopólio de poucas famílias no país interessadas em se manter numa situação privilegiada que vive às custas de um poder ilegítimo que se perpetuou no tempo/espaço da anti-democracia, essas “agências de notícias” vão na mesma intenção e objetivos de suas congêneres no mundo: manter a sociedade completamente des-informada, alienada, ignorante de seus direitos, enchendo todos os sentidos com tolices que descaracterizam a dignidade humana.
Esse modo de fazer as coisas é meticulosamente planejado por altas equipes de profissionais, entre eles da psicologia, neurociência, marketing, publicidade, enfim, fazendo propaganda de um mundo em que eles – os meios de comunicação/empresas – se fazem baluartes de uma (falsa) democracia necessária para a sociedade presente.
O caso bem orquestrado do in-digníssimo anti-ministro Gilmar Mendes com a revista Veja é um exemplo claro disso. Interesses de uma elite que vai des-alojada do poder central no Governo Federal se metem e se expressam pelos veículos de anti-comunicação que mantêm estreitos vínculos com os até hoje paladinos da ditadura midiática.
Mal fez a Presidenta Dilma ir celebrar o aniversário da Folha de S.Paulo como quem fosse para a cova dos leões. Mas, sabe-se lá o que se passa também nos corredores e gabinetes de Brasília, o que aliás, é uma crítica que faço ao PT no poder. O partido não pode reproduzir o mesmo modo de fazer daqueles que rejeitaram por tanto tempo quando estavam na oposição antes da Era Lula, sob pena de cometendo os mesmos erros da arrogância perder a credibilidade da sociedade.
Numa das postagens do “Regula, Dilma”, aqui nesse espaço do grupo, um comentário dias atrás chamava a atenção para que é o povo quem convoca e faz a regulação dos meios. Uma “vírgula” precisa ser colocada nesse ponto:
“Todo poder emana do povo”, mas ele é exercido “por meio dos representantes eleitos” e, “nunca antes na história desse país” foi exercido “diretamente” pela população. O parágrafo único do Artigo 1º. da Constituição Federal é belíssimo ideal, tanto quanto ainda fica no plano de ideal mal formulado o de participação política da população na discussão do que quer que seja, que não seja pautado pelas mídias hegemônicas causando des-entendimento, mistificação de democracia.
São poucos, mas os autores críticos dos meios de comunicação alertam para isso faz tempo: os meios de comunicação nas mãos dessas famílias brasileiras é quem criam a pauta da agenda de discussão política na sociedade brasileira. É o mesmo que dizer que é o tititi do mundo do entretenimento juntando ao trololó da polititica da anti-democracia porca é que vai ficar na cabeça do povo acostumado a ser “pensado”, a ser manipulado, a ser embobecido e vidiotizado pelas páginas e telas controladas por uma mão que se agita acima de nossas cabeças e, com a outra, roubam nossa dignidade e dinheiro. Quase que controle total não fossem as mídias alternativas e a sociedade civil organizada soltando voz e formando frentes de resistência a esse império de coisas mal feitas.
A concidadã indignada que escreveu tal comentário sobre o “poder do povo” tem um pouco de razão, e também tem nos todos os demais artigos da Constituição que estão des-regulados motivos para lutar e engrossar filas nessa frente pela verdadeira democratização dos meios de comunicação.
Nós que já fazemos parte dessa frente popular e democrática temos o dever de desmistificar tudo o que as grandes mídias tradicionais tenta fazer por enganar a sociedade, ao mesmo tempo que não podemos perder muita energia tratando dessa conversa fiada sem fim da enganação do povo. A indignação é uma força que contagia mais e mais as pessoas pelo país, e tanto as redes sociais quanto as ruas vão se enchendo de des-contentes que levantam sua voz e braço para fazer a queda desse império que a “polititica” e a “notititícias” ergueu ao custo da manipulação das consciências.
Nos tempos da colonização brasileira os piratas que saqueavam os navios carregados de ouro roubado da Terra Brasilis estavam a mando da Grã Bretanha. Os piratas das mídias de hoje estão a mando do mercado neoglobobolizado no Império Sistema Capitalista, que não quer perder um centavinho sequer do que roubam cotidianamente da dignidade e do dinheiro dos cidadãos e cidadãs. Informação, hoje mais que nunca, é ouro. E, nem toda informação que reluz nos meios de anti-comunicação piratas do sistema é verdadeira, mesmo que pareça ouro aos tolos e embobecidos pelos efeitos da des-informação e infotenimento. A “grande” Impren$a mundial e brasileira não perdoa: essa máfia midiática mente e rouba. Manipula!
Quem não se sente mais manipulado, e nem que queria mais deixar-se ser roubado, que venha a se juntar ao grupo dos des-contentes e indignados, e porque somos força popular e, é prerrogativa do Poder Executivo convocar a sociedade para esse debate para o marco regulatório do setor de comunicação no Brasil, e dentre outros conceder outorgas para os serviços de radiodifusão, nós queremos e temos o poder para exigir e lutar por isso: Regula, Dilma!
Leia também:
“Nota à Imprensa” do Ministério da Comunicação a respeito da anti-informação veiculada pela “grande” Impren$a, clicando aqui.
Minuta VERDADEIRA do "Decreto que aprova o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão" que será enviado para consulta pública, divulgada pelo Ministério das Comunicações, clicando aqui.
Minuta VERDADEIRA do "Decreto que aprova o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão" que será enviado para consulta pública, divulgada pelo Ministério das Comunicações, clicando aqui.
"Governo acumula forças para enfrentar debate sobre a mídia", por Maria Inês Nassif, Najla Passos e Vinicius Mansur da Carta Maior (30/04/12), reproduzido em Filosomídia clicando aqui.
“Encontro de entidades pró-democratização da comunicação pressionará governo Dilma por nova lei da mídia”, por Carta Maior (08/02/12), reproduzido em Filosomídia clicando aqui.
“O poder de influência da mídia”, por Washington Araujo no Observatório da Imprensa (04/01/11), reproduzido por Filosomídia clicando aqui.
“Direito à informação como dever do Estado”, sobre a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom), e texto da deputada Luiza Erundina (23/04/11) publiciado por Glauco Cortez em Educação Política (26/04/11), reproduzido em Filosomídia, clicando aqui.
“A pauta única das agências internacionais de notícias”, por Laurindo Lalo Leal Filho na Carta Maior (11/03/11), reproduzido por Filosomídia/Telejornais e Crianças no Brasil clicando aqui.
“O partido único da mídia”, por Laurindo Lalo Leal Filho na Carta Maior (02/01/2012), reproduzido em Filosomídia clicando aqui.
“Lei de meios precisa de apoio popular”, por Laurindo Lalo Leal Filho na Revista do Brasil (09/03/12), reproduzido em Filosomídia clicando aqui.
Assista também aos vídeos "Entenda como funciona a máfia midiática" (01, 02 e 03):
Vídeo espetacular mostra jornalistas debatendo o impressionante poder da grande mídia brasileira que, manipulando, mentindo ou omitindo, age em favor dos grandes conglomerados econômicos dos quais, aliás, ela faz parte. Por isso, em vez do compromisso com a notícia que abarque a verdade factual, a mídia simplesmente elege as pautas que venham a se encaixar nos interesses dos seus proprietários, todos alinhados com a direita retrógrada; o neoliberalismo que está ruindo em todo o mundo.
Mais que o poder econômico que ela representa, a máfia midiática deixou de ser um mero instrumento do poder oligárquico - para se firmar como o próprio poder. Assim, em vez de praticar a saudável concorrência em favor da notícia, os veículos de comunicação da máfia passaram a atuar de forma coordenada para dar corpo a qualquer factóide que sirva para passar como um trator por cima dos interesses dos poderosos. Por essas e outras a blogosfera passou a chamar a mídia simplesmente de "PIG" - o Partido da Imprensa Golpista.
Mediado por Beto Almeida, do programa Brasil Nação, o programa foi ao ar em 2009 - mas continua atual como nunca. Integram o debate os experientes jornalistas Leandro Fortes, Luis Carlos Azenha e Alípio Freire.
Tal a clareza didática com que os debatedores expõem o lado perverso do jornalismo, este vídeo deveria ser matéria obrigatória para estudantes de comunicação social.
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