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quinta-feira, 1 de março de 2012

Crítica à crítica (e aos críticos) da mídia


Crítica à crítica (e aos críticos) da mídia

Raphael Tsavkko Garcia*
Observatório da Imprensa
28/02/2012

O professor Gilberto Maringoni, em artigo recente amplamente divulgado pela blogosfera que compõe a chamada “mídia alternativa”, lembrou aos maiores críticos da “grande mídia” que esta era em grande parte financiada pelo governo federal, por meio de cotas de patrocínio que, apenas para a Veja, rendiam perto de 1,5 milhão de reais por semana. Sua intenção era a de criticar os contumazes críticos da mídia que, mais ou menos alinhados com o governo federal e com o PT, gastavam horas de seus dias a enxovalhar a mídia, seja chamando-a de PIG (Partido da Imprensa Golpista) ou, agora, de PUM (Partido Único da Mídia – com direito a trocadilho proposital).

O primeiro termo, popularizado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, soa ainda mais irônico se contarmos que este trabalha para um notório membro do... PIG: a Rede Record, do bispo Edir Macedo. O segundo termo vem sendo usado pelo insuspeito professor Laurindo Lalo Leal Filho e, ao menos de sua parte, há consistência no uso do termo.

Não se trata de debater a validade dos termos ou mesmo o caráter da grande mídia, mas talvez de se entender quais interesses estão por trás da crítica. Não posso colocar em dúvida a idoneidade e honestidade do professor Lalo, mas começo a suspeitar de jornalistas alinhados à grande mídia e mesmo que recebem – por um meio ou por outro – financiamento estatal (caso, por exemplo, do sempre presente e atuante Luis Nassif, funcionário da TV Brasil) e que gastam boa parte de seu tempo e de seu espaço em seus respectivos blogs/portais para criticar veículos “inimigos” e políticos não-alinhados com o atual governo.

É sintomático o desaparecimento de certas críticas a políticos que passam para o lado governista e é notável o tom brando empregado contra o governo quando de atuações semelhantes ou mesmo mais acintosas que as do governo anterior, ou mesmo totalmente diversas daquelas prometidas em campanha.

Timidez patológica

Há, por parte de um crescente contingente daqueles defensores da “mídia livre”, um alinhamento automático com o governo federal que mascara erros, que abranda problemas e realiza uma defesa intransigente e inconsciente de todas ou da maior parte das atitudes governamentais, sem matizes ou ponderações. Há, dentre muitos governistas que continuam a reclamar da necessidade de uma democratização das comunicações, profundo silêncio sobre o emprego de nossos impostos em revistas da Editora Abril, mas ao mesmo tempo esses mesmos indivíduos que silenciam neste assunto reclamam e bradam contra as compras e contratos feitos entre o governo de São Paulo (do PSDB) e a mesma editora.

Está claro que, em ambos os casos, há o que se investigar e reclamar, mesmo repudiar, mas apenas um dos casos, ou um dos lados, acaba veementemente criticado.

Fala-se muito que as redes de TV, concessões públicas, têm um lado. Alguns afirmam claramente que Globo, Band e outras apoiaram claramente o candidato derrotado tucano José Serra nas eleições passadas, mas quando são perguntados sobre por que o governo federal não se move para rever as regras para concessões públicas, calam-se – dão desculpas pouco críveis ou simplesmente apelam para o velho chavão da “governabilidade”. Termo este, aliás, usado para explicar toda derrapada ou desastre patrocinado pelo governo federal. Se faz algo, merece aplausos, se errou, faz-se silêncio ou tira-se da cartola a palavrinha mágica que tudo explica.

Há, dentre os vários críticos da mídia, uma falta patológica de autocrítica e um excesso de subserviência e mesmo de umbiguismo. Chego até a considerar um certo duplipensar. Para mudar a mídia, é preciso constante pressão, mas o que vemos é uma timidez patológica quando o assunto vira um problema para seu próprio lado. Podemos avançar apenas até o ponto em que os interesses de um ou outro grupo – e são cada vez mais grupos – passam a ser a “vítima”. Sempre, claro, que o grupo se coloca ao lado do governo.

Enquanto os críticos da mídia forem apenas isso – críticos daquilo que não gostam, do outro lado – e não críticos de todo um conjunto de instituições, indivíduos, partidos e indústria, não haverá qualquer mudança significativa no caminho da democratização das comunicações no país.

* É jornalista, blogueiro e mestrando em Comunicação

segunda-feira, 28 de março de 2011

O "entretenimento" inútil e absurdo em ônibus e metrô


O "entretenimento" - leia-se TV's e só - em ônibus e metrôs de São Paulo mascaram uma triste realidade, a do tempo que passamos sem fazer nada, presos no trânsito, em meio a grandes multidões, espremidos, esperando 5, 10 trens passarem para poder embarcar em algum sem nenhuma garantia de conforto.

Ao invés de resolver o problema - ao menos de tentar, investindo pesadamente em metrô, corredores de ônibus e não em transporte individual - a solução encontrada foi a de aumentar os lucros e a de "entreter" o passageiro.

De que importa passar 3 horas dentro do ônibus se você tem a maravilhosa oportunidade de ver Malhação e as novelas com descrição ou milhares de vinhetas sem qualquer graça e "dicas culturais" absolutamente inúteis? No metrô a diversão é, espremido, tentar enxergar alguma coisa em meio às centenas de propagandas repetidas nos pequenos monitores.

A idéia é fazê-lo esquecer do suplício pelo qual você está passando. Mas a idéia falha miseravelmente. Seja pela qualidade duvidosa da programação, pela intenção clara em muitos casos de simplesmente vender propaganda ou pela obrigação de assistir à Globo em pleno engarrafamento.

O cerne da questão, o e resolver o problema do trânsito e das inúmeras horas apertado, suando e desconfortável, não está em questão. Tampouco reverter para os usuários - através de redução do preço da passagem - a grana em propaganda (pelo menos isso) que as empresas de ônibus e o metrô recebem.

Poderíamos até pensar em ler um livro, ou as empresas poderiam incentivar a leitura de livros, jornais e revistas, mas é complicado com quase 10 pessoas por metro quadrado no metrô ou em ônibus em que as portas só não ficam abertas porque é proibido. Impensável para a maioria pensar em ler em ambiente tão inóspito e em situação mais  desagradável. Mas sempre encontramos um ou outro resistente se equilibrando precariamente com um livro nas mãos.

Somos perseguidos por programinhas de conteúdo duvidoso, por pseudo-entretenimento global enquanto perdemos horas de nossas vidas em engarrrafamentos sem solução. Sofremos em dobro.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Raphael Tsavkko: o papel fundamental da mídia hoje


Entrevista exclusiva com Raphael Tsavkko

Raphael Tsavkko Garcia é militante dos Direitos Humanos e da Rede Livre, membro do Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo. Blogueiro, jornalista, formado em Relações Internacionais (PUCSP) e Mestrando em Comunicação (Cásper Líbero). Mantém o Blog do Tsavkko – The Angry Brazilian, escreve e traduz para o Global Voices Online e tem uma coluna semanal no Diário Liberdade chamada Defenderei a casa de meu pai.

Na entrevista a seguir, exclusiva ao Jornalismo B, Tsavkko fala de suas impressões sobre o momento da mídia alternativa, da blogosfera e da luta anticapitalista a partir da comunicação.

(...) Jornalismo B – Qual a avaliação do momento atual da mídia dominante?

Raphael Tsavkko – A mídia dominante, tradicional, é vergonhosa. Por aqui não conseguimos sequer chegar ao nível dos EUA e Europa, onde os jornais ao menos declaram sua posição política e/ou seu candidato nas eleições, a fim de evitar enganar e mentir para seu leitor/eleitor. Aqui no Brasil temos uma mídia de direita – em alguns casos de extrema-direita – absolutamente parcial, que defende única e exclusivamente os interesses dos grupos privados que a financia e, acima de tudo, jamais admitem o fato. Mais que esconder a verdade, a mídia tradicional fabrica sua verdade. As tentativas legítimas e democráticas de regulação da mídia – que existem em boa parte dos países ditos de primeiro mundo – são rechaçadas não por medo de censura, o que não existe ou é proposto, mas simplesmente pela forma tendenciosa e partidária que a mídia adota e que teria de ser revista, para desespero das famílias (poucas) que controlam os meios de comunicação e que tem agendas clara, porém distantes das do interesse popular.

Jornalismo B – De que forma o governo e a sociedade organizada podem atuar na defesa de uma comunicação mais democrática?

Raphael Tsavkko – Acima de tudo, defendendo uma política de regulação ampla da mídia. Obrigando através de pressão popular e institucional que a grande mídia respeite os direitos humanos e mantenha abertos espaços para múltiplas opiniões. O incentivo à blogosfera, seja através de editais para que seja possível o acesso à propaganda institucional, ou meramente através de campanhas de visibilidade, é um caminho a ser perseguido. Os veículos alternativos, como a Revista Fórum, o Jornal Brasil de Fato, a revista Caros Amigos e outros devem ter garantidos os meios necessários para sua sobrevivência.

Jornalismo B – Como uma mídia anticapitalista deve se estruturar para ampliar seus espaços?

Raphael Tsavkko – Levando em conta que estamos em meio ao capitalismo, deve-se ter em mente que a luta deve ser por dentro, e não alienada da realidade. Por mais que bloguemos e escrevamos por prazer, sem dinheiro temos limites claros, seja de visibilidade, tempo e afins. A formação de portais, a união de blogs e mesmo da blogosfera são caminhos a serem perseguidos.  Individualmente temos pouco poder de fogo contra a grande mídia e a direita, mas unidos podemos fazer barulho – e fazemos! É preciso apoiar a mídia alternativa, seja comprando aquela que sai nas bancas, fazendo doações, escrevendo e dando máxima publicidade.

Jornalismo B – Qual é o papel fundamental da mídia hoje?

Raphael Tsavkko – Da mídia alternativa é de ter uma posição de esquerda, ligada aos movimentos sociais. Eu não diria de “dizer a verdade”, mas de fazer contraponto à grande mídia, de defender interesses populares e dos movimentos sociais. Ma, além do contraponto, tem a obrigação de correr atrás de matéria,s fazer análises e buscar pautar a grande mídia. Já o papel da mídia tradicional, que deveria ser o de informar, acaba sendo o de fazer o papel da oposição inconsequente e, em muitos casos, mentirosa. Mas é inegável que, em geral, ainda tenha um papel junto à sociedade pelo seu alcance e capacidade de mobilização. Nem sempre suas intenções vão de encontro com os da sociedade,  na maioria das vezes o interesse dos donos do jornal é apenas o de seguir aquilo que ditam seus patrocinadores e mesmo o interesse das famílias que controlam esses meios, mas em outros casos ela ainda desempenha um relevante papel como unificador nacional.

Jornalismo B – Quais as perspectivas para o futuro do midia brasileira?

Raphael Tsavkko – Imagino que a mídia tradicional verá a diminuição de seu peso e relevância. O posicionamento golpista muitas vezes acaba (ou acabou) por afastar uma significativa parcela da população, que agora procura se informar nos blogs. A mídia alternativa tem muito espaço para crescer, mas deve ser inteligente e buscar se unir para conseguir não só visibilidade como credibilidade e acessos. É preciso buscar evitar os rachas que podem acontecer devido às desavenças sobre o governo Dilma e seus retrocessos, mas em geral o futuro da imprensa alternativa, ao menos em termos de qualidade e de penetração, tem tudo para ser brilhante. É um movimento sem volta.

Alexandre Haubrich . Jornalismo B

Leia a entrevista completa clicando aqui.