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sábado, 24 de novembro de 2012

Estados Unidos: O controle do que vemos, ouvimos e lemos



Estados Unidos: O controle do que vemos, ouvimos e lemos

Salvador Capote
Observatório do Direito à Comunicação - ALAI-NET
21/11/2012

Nos últimos anos se produziu nos Estados Unidos um avanço espetacular na monopolização da mídia. Pode-se tomar como ponto de partida deste processo a Lei de Telecomunicações (Telecommunications Act) de 1996. Esta lei suspendeu as restrições que existiam sobre a propriedade de estações de rádio. Antes dessa data, uma companhia só poderia ser proprietária de duas emissoras de rádio AM e duas FM dentro do mesmo mercado e não mais de 40 em escala nacional. Com o fim desta limitação se desencadeou una onda de concentrações.

 Nos seis anos que seguiram-se à promulgação da lei, Clear Chanel Communications, por exemplo, obteve o controle de 1.225 estações de rádio em 300 cidades. Atualmente sua propriedade ou controle se estendeu a mais de 6.600 estações, mais da metade das que existem nos Estados Unidos, incluindo uma rede nacional (Premiere Radio Networks) que produz, distribui ou representa uns 90 programas, serve a cerca de 5.800 emissoras e tem por volta de 213 milhões de ouvintes semanais. Inclui também Fox News Radio, Fox Sport Radio e Australian Radio Network, entre outras. Sua receita em 2011 alcançou a cifra de 6.2 bilhões de dólares.

Eliminadas as restrições para a concentração vertical, só faltava suprimir as limitações que existiam à concentração horizontal estabelecidas pela regra da FCC (Federal Communications Commission) de 1975 (cross ownership rule) que proibia ao que possuía um periódico a posse de uma estação de rádio (ou de televisão) e vice-versa no mesmo mercado. O objetivo da regra era impedir que uma só entidade se convertesse em voz muito poderosa dentro de uma comunidade. Em 2003 a FCC flexibilizou estas restrições, mas o Terceiro Tribunal de Apelações bloqueou a implementação das mudanças. Em março de 2010 a Corte suspendeu o bloqueio e ficou aberto o caminho à concentração horizontal.

A imprensa, o rádio e os veículos televisivos, seguem as agendas que impõem os donos. Quando estes são milhares, prevalece a diversidade de informação e opinião dentro dos limites que permite o establishment. No entanto, quando a consolidação se produz em grande escala, como sucede atualmente, a agenda que domina é a de uns poucos e poderosos proprietários, e a ideologia que promovem os meios é, pois, a mais reacionária e ultradireitista. Hoje temos mais canais de televisão que nunca, mas uma quantidade substancial deles se dedica ao fundamentalismo religioso, às vendas pela televisão, ao mais frívolo entretenimento ou à pornografia. No resto, a qualidade desceu ao seu pior nível, o que, unido ao excesso de comerciais, alcança limites embrutecedores.

Tudo isto é extremadamente perigoso em uma sociedade que apenas lê e que perdeu a capacidade para discernir entre fatos e opiniões, porque se acostumou à seleção ou apresentação dos fatos em conformidade com critérios pré-estabelecidos. Os fatos são ignorados ou deformados para validar opiniões.

A desregulação abriu à competição desleal todos os mercados de telecomunicação, incluindo os de cabo ou satélite e a Internet. Cinco conglomerados midiáticos controlam 90% de tudo o que lemos, ouvimos e vemos. O que de estranho tem em que dezenas de milhões de norte-americanos aprovem a guerra preventiva, os assassinatos seletivos de presumidos inimigos dos Estados Unidos, a tortura de prisioneiros, as violações de fronteiras com drones (aviões não-tripulados) ou os crimes chamados danos colaterais? Ou que ignorem completamente os sofrimentos da população de Cuba por causa de um bloqueio criminoso de meio século ou as injustas e cruéis sentenças ditadas contra cinco patriotas cubanos.

A concentração produz meios que não se dirigem a toda comunidade. Os anunciantes proporcionam ¾ da receita e a eles somente interessa o setor da população com capacidade para adquirir seus produtos ou seus serviços. Tipicamente, a população de menor renda não é de seu interesse. A concentração transforma os cidadãos norte-americanos em simples consumidores e espectadores.

Atualmente, o livre mercado é o critério com o qual se analisa a mídia, quer dizer, a operação eficiente e a máxima ganância constituem os objetivos principais ou únicos, sem levar em conta o importante papel que devem desempenhar os meios na sociedade e na vida pública. A mídia concentrada é geralmente um grande e complexo conjunto de instituições sociais, culturais e políticas, não só econômicas, que exercem uma profunda e negativa influência na sociedade. Se permitimos que controlem o que vemos, ouvimos e lemos, controlarão também o que pensamos.

Artigo publicado na Agência Latinoamericana de Informação - ALAI-NET em espanhol, 13/11/2012

Tradução Bruno Marinoni.

21 nov 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A "Geração desconcentrada" por Larry Rosen


Geração desconcentrada

Larry Rosen*
18/11/2012

As distrações constantes causadas pelo meio digital já afetam o aprendizado de adolescentes e jovens.

Uma pesquisa recente do Pew Internet & American Life Project, em que foram entrevistados 2.462 professores dos ensinos fundamental e médio nos EUA, conclui que: “A vasta maioria concorda que as atuais tecnologias estão criando uma geração que se distrai com facilidade e só consegue se concentrar por breves intervalos de tempo”. Dois terços dos professores concordam que as tecnologias contribuem mais para distrair os alunos do que para o seu desempenho escolar.

Recentemente, minha equipe de pesquisa observou 263 alunos dos ensinos médio e superior estudando em casa por 15 minutos. O objetivo era verificar se os jovens conseguiam se manter concentrados e, em caso negativo, o que motivava a dispersão. A cada minuto, anotávamos o que eles faziam: se estavam estudando, trocando mensagens de celular, se havia um som ou uma TV ligados, se estavam diante de um PC e quais sites visitavam.

Os resultados foram surpreendentes. Verificamos que eles só conseguiam se dedicar às tarefas por períodos de três a cinco minutos, em média, antes de perder a concentração. De maneira geral, a distração era causada pela tecnologia, incluindo: (1) a presença de dispositivos, como iPods, laptops e smartphones, no local de estudo; (2) as trocas de mensagens de texto; (3) os acessos ao Facebook.

Também procuramos averiguar se a fonte de distração seria indicativo de quais eram, em geral, os melhores estudantes. Como seria de esperar, aqueles que ficavam mais tempo concentrados e que tinham estratégias de estudo bem desenvolvidas eram também os melhores alunos. Os piores eram os que consumiam diariamente mais mídia e dividiam a atenção entre diversas tarefas ao mesmo tempo.

Um resultado nos causou espanto: os alunos que entravam no Facebook uma vez durante os 15 minutos tinham notas mais baixas. Não importava a quantidade de acessos; um só era suficiente. Isso significa que as mídias sociais afetam negativamente a concentração e a atenção temporárias, e também o desempenho escolar.


O que está acontecendo com esses jovens? Fizemos essa pergunta a milhares de estudantes. Eles nos disseram que, alertados por um bipe, uma vibração, uma luz piscando, eles se sentem compelidos a responder a esse estímulo. No entanto, mesmo sem intromissões, eles disseram que são perturbados por pensamentos como: “Será que alguém comentou o post que deixei no Facebook?”. Ou: “Será que o meu amigo respondeu ao SMS que mandei há cinco minutos?”.

Três quartos dos adolescentes e jovens checam os dispositivos a cada 15 minutos ou menos, e, quando não podem fazê-lo, ficam extremamente ansiosos. E a ansiedade inibe a aprendizagem.

Convívio. Estou convencido de que aprender a conviver com distrações internas e externas tem tudo a ver com o ensino da concentração. Em psicologia, chamamos de “metacognição” a capacidade de perceber quando a situação exige concentração e quando isso é desnecessário.

Como ensinar os jovens a se concentrar num mundo que constantemente desvia a atenção deles? Uma estratégia que adotamos em salas de aula de diversos países se chama “intervalo tecnológico”. Funciona assim: os estudantes têm permissão para usar smartphones, tablets ou laptops para fazer pesquisas na internet e atividades relacionadas com o estudo por um tempo. Com frequência, aproveitam para checar e-mails e mensagens de texto e acessar redes sociais.

Depois do intervalo, o professor pede para que os alunos deixem seus aparelhos em modo silencioso e virados de ponta-cabeça sobre a carteira, à vista de todos, para que se concentrem por 15 minutos no trabalho de classe.

Sem as distrações externas de vibrações e luzes piscando, não há por que ceder às distrações internas. Ao fim dos 15 minutos de concentração, o professor decreta outro intervalo tecnológico, e assim vai. O truque é aumentar gradualmente o tempo entre os intervalos tecnológicos, para que os alunos aprendam a se manter concentrados por períodos mais longos.

Sob minha orientação, essa técnica tem sido adotada com êxito por professores em sala de aula, por pais à mesa de jantar ou em restaurantes e por executivos em reuniões. Até agora, porém, o máximo que conseguimos foram 30 minutos de concentração — graças a Steve Jobs (e outros) e a sua capacidade de inventar aparelhos tão fascinantes e dispersivos.

A tecnologia não vai desaparecer. Ao contrário, ela tende a ficar cada vez mais atraente. Com mais conexões sociais eletrônicas em nossas vidas, as distrações internas também aumentam, e os intervalos tecnológicos podem treinar o cérebro a se concentrar, aplacando a preocupação e a ansiedade com aquilo que podemos estar perdendo no nosso mundo social virtual.

Tradução de Alexandre Hubner

*É professor de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia e autor de cinco livros, incluindo iDisorder. Este artigo foi publicado originalmente pelo jornal The Free Lance-Star.

Reproduzido de clipping FNDC
19 nov 2012

Página pessoal do autor clicando aqui.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Amy Goodman: "Nós precisamos libertar a mídia – e vamos fazê-lo"


Nós precisamos libertar a mídia – e vamos fazê-lo

Amy Goodman

A mídia não deveria ser uma ferramenta somente para os poderosos. A mídia pode ser um palanque para os debates mais importantes dos nossos dias: guerra e paz, liberdade e tirania. O debate deve ser abrangente – e não apenas uma discussão estreita entre democratas e republicanos incorporados ao sistema. Precisamos romper os limites que definem atualmente o que é uma discussão aceitável. Precisamos de uma mídia democrática.

Uma mídia democrática nos dá esperança. Ela registra os movimentos e as organizações que estão fazendo história, hoje. Quando as pessoas ouvem as vozes de seus vizinhos, quando elas identificam suas lutas naquilo a que assistem e que leem, seus espíritos se erguem. Elas se sentem como se pudessem fazer diferença.

Mudanças sociais não saltam para fora das mentes de generais ou presidentes – na verdade, mudanças são normalmente impedidas pelos poderosos. Mudanças começam com as pessoas comuns trabalhando em suas comunidades, e é aí que a mídia deveria começar também. O papel da mídia não é concordar com qualquer pessoa ou grupo – nem com o governo nem com os poderosos. Mas a mídia tem responsabilidade de incluir todas as vozes em um discurso e depois deixar que as pessoas decidam. Este é um novo tipo de política de poder. No lugar de acordos a portas fechadas, reuniões a céu aberto, públicas, transparentes, e com debates calorosos. É assim que se parece uma democracia.

Introdução do capítulo 18 . Conclusão: libertar a mídia

GOODMAN, Amy; GOODMAN, David. Corrupção à Americana: desnudando as mentiras, a imprensa, os empresários e os políticos que produzem e lucram com a guerra (Tradução de Tatiana Salem Levy) Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
Págs 281-282

Em “Corrupção à Americana”, os consagrados jornalistas Amy e David Goodman partem impiedosamente para o ataque e desafiam o poder da Casa Branca. Correndo atrás da verdade e sem medo de expô-la, a dupla prova definitivamente que há algo de muito podre no reino do Tio Sam. Amy, que já foi celebrada por militantes como Michael Moore e Noam Chomsky, dá voz às poucas cabeças pensantes interessadas em mudar o mundo e escancara todas as atrocidades cometidas pelos políticos, empresários e aqueles que se dizem representantes da imprensa. Mais do que um livro, “Corrupção à Americana” é documento fundamental e transformador. Planeta news

"Ela levanta a cada manhã - muito antes da maioria de nós! - para fazer ouvir a única voz da verdade na radio dos Estados Unidos. Triste ue eu ainda tenha que escrever estas palavra! Uma nação de 300 milhões de pessoas, com liberdade de imprensa assegurada por escrito, e ninguém faz o trabalho que Amy Goodman faz, de maneira tão simples e tão profunda. Este livro aponta todas as mentiras que nos contam, dia sim dia não. Amy Goodman é um tesouro nacional”. Livraria Sapiens

Título original
The exception to the rulers

Videos em Inglês sem legendas

Amy Goodman: The Exception to the Rulers (1 of 6)
Amy Goodman: The Exception to the Rulers (2 of 6)
Amy Goodman: The Exception to the Rulers (3 of 6)
Amy Goodman: The Exception to the Rulers (4 of 6)
Amy Goodman: The Exception to the Rulers (5 of 6)
Amy Goodman: The Exception to the Rulers (6 of 6)

Vídeos em Inglês legendado em Português

Mídia Independente em Tempos de Guerra - 1/3
Mídia Independente em Tempos de Guerra - 2/3
Mídia Independente em Tempos de Guerra - 3/3

Amy Goodman é a âncora de Democracy Now!, um noticiário internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em mais de 250 em espanhol. É co-autora do livro "Os que lutam contra o sistema: Heróis ordinários em tempos extraordinários nos Estados Unidos", editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur. Diário Liberdade

Democracy Now! em inglês clicando aqui.
Democracy ow! em espanhol clicando aqui.

sábado, 21 de julho de 2012

Nova relação de poder em escala mundial


Nova relação de poder em escala mundial

Emir Sader . Carta Maior
17/07/2012

Entre as coisas que mais incomodam a direita latino-americana estão os processos de integração regional. Um argumento forte que a direita sempre usava e que tende, cada vez mais, a perder força, é o que consideravam caráter inevitável da hegemonia econômica norteamericana, o que nos levaria, segundo a direita, a termos que nos submeter a políticas de subordinação aos EUA, sob o risco de ficarmos para trás nos processos de modernização e desenvolvimento econômico.

A atual crise econômica representa, entre tantas outras coisas, a culminação de um processo de enfraquecimento das economias do centro do capitalismo, depois de décadas de aplicação de políticas de livre comércio e de neoliberalismo. A crise profunda e prolongada em que estão imersas, tem consequências recessivas para o conjunto do sistema econômico mundial, mas não o suficiente para levá-lo, por inteiro à recessão. Seus efeitos políticos têm sido o oposto do que costumavam ser: ao invés de reafirmar o peso e o lugar incontornáveis dos países do centro, tem levado ao seu enfraquecimento. Os países que mais dependem deles são os mais afetados pela crise e pela recessão. Os modelos que eles afirmavam como inevitáveis, os levam à recessão prolongada, enquanto as economias que aplicam modelos distintos, conseguem se defender das ondas recessiva vindas do centro, mantendo níveis de expansão, associados a políticas sociais redistributivas.

A prioridade dos projetos de integração regional ao invés dos Tratados de Livre Comércio com os EUA revelam-se não apenas uma opção política coerente, como produzem efeitos econômicos favoráveis. A opção do México – o primeiro a assinar TLC na America Latina – se revelou frustrada: ao invés de impulsionar seu crescimento e renovação econômica, o condenou a atrelar seu destino ao da economia norteamericana – um dos epicentros da crise econômica internacional -, com mais de 90% do seu comércio exterior com os EUA e praticamente nenhuma comércio com a China e muito pequeno com a América do Sul, duas das principais fontes de crescimento econômico no mundo hoje.

Assim a opção preferencial pelos processos de integração Sul-Sul revelam não apenas uma postura de luta por um mundo multipolar, como mostram sua eficácia econômica, tirando da direita o argumento que não privilegiar relações econômicas com os EUA e a Europa levaria os países ao atraso, ao isolamento e à recessão.

Há uma nova correlação de forças econômicas em nível mundial e ela favorece o Sul do mundo em detrimento dos países do centro do sistema. Não se trata de uma reversão nas relações de poder, promovendo a hegemonia do Sul sobre o Norte, mas sim de uma situação que permite relações distintas às que predominaram desde o surgimento do sistema capitalista, como o colonialismo e o imperialismo que ele promoveu. Além de que o dinamismo econômico já não é monopólio dos países do centro, que podem seguir detendo vantagens do ponto de vista tecnológico, mas não podem aplicar esses elementos sem dinamismo econômico, com que não podem contar.

Do que se trata agora é de construir espaços de integração em nível mundial, conforme a visão e os interesses do Sul do mundo, que permitam superar o sistema institucional internacional que foi criado para consolidar e perpetuar o poder dos países centrais, hoje declinantes em escala mundial.

Reproduzido de Carta Maior
17 jul 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estados Unidos: a queda de confiança nos telejornais



A queda de confiança nos telejornais

Altamiro Borges
14/07/12

Pesquisa do Instituto Gallup revelou que o nível de confiança dos estadunidenses com as notícias transmitidas pela televisão caiu em junho último ao seu nível mais baixo na história. Apenas 21% dos telespectadores responderam que acreditam nos telejornais. O Gallup realiza estas sondagens desde 1993, quando a credibilidade dos noticiários televisivos era de 43%.  Até o início dos anos 2000, o índice se manteve acima dos 30%. Na sequência, ele passou a cair todos os anos.

Vários fatores explicam a decadência dos telejornais dos EUA. O mais citado é o da difusão das novas tecnologias de informação. A internet tem causado estragos não apenas na mídia impressa, com o fechamento de inúmeros jornais, mas também nas emissoras de televisão. Os jovens, principalmente, têm migrado das telinhas da tevê para os computadores. Outras pesquisas já tinham indicado a queda da audiência das emissoras e, até mesmo, a perda no mercado publicitário – o que apavora os donos da mídia.

Crise de credibilidade

Além do fator tecnológico, as gritantes manipulações na cobertura dos telejornais também afetam a credibilidade. É interessante observar que, segundo o Gallup, o nível de desconfiança se acentua a partir do início deste milênio. Em setembro de 2001, com os atentados ao Word Trade Center, as poderosas redes de televisão dos EUA se tornaram veículos da guerra imperialista – onde a verdade é a primeira vítima. Elas passaram a difundir as mentiras do império para justificar as invasões do Afeganistão e Iraque.

As emissoras de televisão do Brasil, principalmente a TV Globo, não estão imunes a estes fatores. A internet se dissemina pelo país e a credibilidade dos seus noticiários também sofre questionamento. A bolinha de papel que virou, segundo o JN da TV Globo, um petardo na careca do tucano José Serra ajuda a explicar a desconfiança crescente. Com  isso, o modelo de negócios das poucas famílias que monopolizam as concessões públicas na televisão também sofre abalos.

Reproduzido de Blog do Miro
14 jul 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Grande mídia perde mais uma na Justiça


Grande mídia perde mais uma na Justiça

Por Venício A. de Lima em 03/07/2012 na edição 701

O confronto emblemático em torno da legalidade de regras históricas da agência reguladora FCC (Federal Communications Commission), relativas à propriedade cruzada (cross ownership) dos meios de comunicação (jornais, emissoras de rádio e televisão) em mercados locais, teve seu lance mais recente na Suprema Corte dos Estados Unidos, na sexta feira (29/6).

Poderosos grupos de mídia como o Chicago Tribune, a Fox (News Corporation) e o Sinclair Broadcast Group (televisão), além da NAB (National Association of Broadcasters, a Abert de lá), mesmo quando favorecidos, têm reiteradas vezes contestado judicialmente decisões da FCC alegando que elas violam as garantias da Primeira Emenda da Constituição dos EUA – vale dizer, a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa.

Quando presidida pelo republicano Kevin Martin (2005-2009), a FCC tomou decisões – coincidentes com os interesses da grande mídia – que“flexibilizariam” normas restringindo a propriedade cruzada, em vigor (à época) há mais de 35 anos.

Organizações da sociedade civil que lutam contra a concentração da propriedade na mídia recorreram ao Tribunal Federal da Filadélfia (U.S. Court of Appeals for the Third Circuit) contra a decisão e venceram a ação.

Não houve julgamento do mérito e a alegação básica foi de que a FCC ignorou os procedimentos legais devidos e não ouviu os grupos contrários à decisão que estava sendo tomada [ver “Propriedade cruzada, lá e cá“].

Os grandes grupos de mídia apelaram, então, à Suprema Corte que, agora, ratificou a decisão do Tribunal da Filadélfia (ver aqui).

Revisão das regras

A decisão da Suprema Corte, coincidentemente, foi tomada quando a FCC está realizando audiências públicas para rever exatamente as regras sobre propriedade cruzada. Decisão legal determina que elas devam ser revisadas a cada quatro anos “para levar em conta as mudanças no ambiente competitivo”. E tudo indica que haverá nova tentativa da agencia reguladora – outra vez, no interesse expresso dos grandes grupos de mídia – de “flexibilizar” as normas.

E no Brasil?

Registre-se, em primeiro lugar, que esse tipo de pauta não encontra espaço na cobertura jornalística da grande mídia brasileira. Nada encontrei sobre o assunto nos jornalões.

Aqui, como se sabe, não existe agência reguladora para a radiodifusão (nada sequer parecido com a FCC) e nem mesmo um órgão auxiliar do Congresso Nacional – o Conselho de Comunicação Social previsto no artigo 224 da CF88 – que poderia discutir (apenas, discutir) esse tipo de questão, funciona. Ademais, não há qualquer regra que regule e/ou limite diretamente a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Ao contrário, nossos principais grupos de mídia, nacionais ou regionais, se consolidaram exatamente praticando a propriedade cruzada.

Recentemente tive a oportunidade de comentar a posição de grupos de mídia brasileiros que consideram o controle da propriedade cruzada superado pela “convergência de mídias”, além de “ranço ideológico”, “discurso radical que flertava com o autoritarismo”, “impasse ultrapassado” e “visão retrógrada” [ver “Propriedade cruzada – Os interesse explicitados“ e “Marco regulatório – Ainda a propriedade cruzada“].

Nesses tempos, em que a necessidade de um marco regulatório para o setor de comunicações “parece” estar sendo reconhecida até mesmo pelos atores que a ela sempre resistiram, é interessante acompanhar o que ocorre nos EUA. A propriedade cruzada é tema inescapável no debate sobre a regulação do setor.

Nos EUA, a Suprema Corte tem historicamente ficado do lado da diversidade e da pluralidade de vozes.

A ver.

03 jul 2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A mídia usa a mentira como norma e arma contra os povos


A mídia usa a mentira como norma e arma contra os povos

Vermelho
Redação
28/05/2012

O jornalista José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho, participou na última sexta-feira (25) de uma mesa de debates sobre a campanha midiática contra Cuba, durante a 20ª Convenção Nacional de Solidariedade realizada de 24 a 26 de maio em Salvador (BA). Leia a íntegra da sua intervenção.

A guerra midiática, que podemos igualar a uma espécie de terrorismo, o terrorismo midiático, constitui a “guerra fria” da atualidade, a continuação, no terreno da luta de ideias, da ofensiva do imperialismo e das classes dominantes retrógradas em todo o mundo contra os países e forças políticas empenhados na batalha pela emancipação nacional e social.

É uma guerra que tem a mentira como norma e arma. Os meios de comunicação a serviço do imperialismo estadunidense, das demais potências aliadas e das classes dominantes retrógradas se transformaram em uma verdadeira usina de mentiras.

Esses veículos de comunicação se transformaram em grandes conglomerados privados que, além de auferirem grandes lucros, se põem a serviço do sistema como um todo, defendendo políticas conservadoras, neoliberais e antipopulares.

No seu arsenal de mentiras e engodo, está um inesgotável repertório propagandístico por meio do qual procuram apresentar os Estados Unidos e demais países imperialistas como modelos de democracia. Querem impor seu modelo político como o único democrático, sua ideologia como o pensamento único a ser seguido, seus valores como a quintessência da civilização.

Contudo, nunca se atentou de maneira tão intensa, flagrante e abrangente contra as maiores conquistas civilizacionais: a democracia, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, os direitos humanos, os direitos sociais, a soberania nacional e autodeterminação dos povos, o direito internacional e a paz.

A mídia se tornou cúmplice de crimes, de golpes de Estado, da contrarrevolução, do terrorismo de Estado e de guerras de agressão e rapina contra os povos e nações independentes. É a mídia quem prepara o terreno para essas agressões, é ela que constrói, com artifícios e o engodo, opiniões favoráveis à guerra, naturalizando-a, tornando-a acontecimento banal, e conquista a opinião pública para suas posições. Foi assim com a preparação das guerras da Bósnia e do Kossovo, na antiga Iugoslávia, nos anos 1990, no Afeganistão, em 2001, no Iraque em 2003, na Líbia em 2011 e é assim agora na Síria. As coberturas ditas jornalísticas sobre esses episódios dramáticos são sempre parciais, unilaterais e arbitrárias.

A mídia age da mesma maneira contra Cuba e a Venezuela. Quanto à Ilha revolucionária caribenha, sempre foi assim desde que a Revolução triunfou. A mídia coadjuvou as agressões, o bloqueio, os atentados contra Fidel, os esforços para estrangular o país.

Vale dizer também que, quando o assunto é a Revolução cubana, a mídia sempre fracassou e se mostrou ignorante. Quem não se lembra de quanto tempo passaram em Cuba, praticamente acantonados, batalhões de jornalistas, depois da queda do muro de Berlim (1989), esperando o momento espetacular em que no chamado efeito dominó cairia a última pedra. Na sua estupidez, faziam vaticínios: “É hoje”, “é amanhã”, “na próxima semana é inevitável a queda”, “deste mês não passa” (...) .

Mais de 20 anos transcorreram desde então e Cuba segue mais forte do que nunca, mais revolucionária e socialista do que nunca.

Relembro um episódio edificante e ilustrativo sobre o tema de que estamos falando. No dia 3 de abril de 1990, teve lugar em Havana, o líder da revolução, Fidel Castro, concedeu uma entrevista coletiva. Compareceram 246 jornalistas, dos quais 110 se credenciaram e foram a Cuba especialmente para o evento, 53 representantes de 22 órgãos da imprensa norte-americana, 57 jornalistas da Alemanha, França, México, Espanha, Inglaterra, Japão, Índia, Suíça, Brasil, Itália, Portugal, Bélgica, Nicarágua e Austrália, além de 60 jornalistas permanentemente credenciados em Havana.

Entre outros assuntos, Fidel tratou da firmeza ideológica do PC Cubano, em contraste com a vacilação de outros. “Cuba é o símbolo da resistência. Cuba é o símbolo da defesa firme e intransigente das ideias revolucionárias. Cuba é o símbolo da defesa dos princípios revolucionários. Cuba é o símbolo da defesa do socialismo” (...) “O povo cubano vai saber estar à altura de sua responsabilidade histórica”... “E aqueles que mudaram de nome, não sei a quem vão enganar com isso! Imaginem que amanhã nós mudemos de nome e digamos: Senhores, o congresso aprovou que em vez de Partido Comunista de Cuba nos chamemos Partido Socialista de Cuba, ou Partido Social-Democrata de Cuba. Vocês creem que realmente mereceríamos algum respeito? Porque os que mudam de nome são os que mudaram de ideias ou perderam toda a sua confiança nas ideias, perderam suas convicções.”

Agora, lhes pergunto, alguma dúvida sobre por que atacam Cuba do ponto de vista político e ideológico? Não perdoam Cuba, seu povo, o Partido Comunista, sua liderança por se manterem fiéis às suas convicções.

É ilustrativo também mencionar os episódios da criação da “Rádio Martí” em 1985 e da “TV Martí” em 1990, engendros infames do império, para difamar o país, fazer propaganda contrarrevolucionária na Ilha. Na mesma entrevista coletiva aqui referida, Fidel chamou essa rádio e essa TV de ”lixo”, um “insulto à honra do país”, condenando ao mesmo tempo o inescrupuloso uso do nome do Apóstolo da Independência, José Martí.

Dizia Fidel na coletiva de imprensa: “Toda a concepção da ‘Rádio Martí’ – com amargura pronuncio este nome – era uma concepção agressiva, de propósito subversivo contra nosso país. Isto tinha todo um objetivo político. É ademais também violadora das leis internacionais”.

E mais adiante, o comandante da Revolução cubana demonstrava que o objetivo do imperialismo norte-americano com a criação da “Rádio Martí” era “estabelecer uma estação de rádio subversiva, de caráter político, dirigida a desestabilizar o país, a influir nos acontecimentos políticos”.

Nos dias de hoje, o imperialismo continua com o uso do seu lixo, distorcendo e mentindo, fomentando a contrarrevolução, transmitindo uma visão distorcida como se em Cuba reinasse o caos, transformando delinquentes em heróis, financiando e concedendo prêmios internacionais a blogueiros e blogueiras, falsos jornalistas e organizações subversivas.

A mídia mancomuna seus esforços com a Usaid e o Instituto Internacional Republicano, com sede nos EUA, o qual atua em cooperação com a chamada Solidariedade Espanha, para financiar blogueiros e “ativistas sociais”, com computadores e outros meios eletrônicos, a fim de realizar ações de caráter subversivo, clandestino e secreto, para fazer propaganda negativa de Cuba e organizar manifestações oposicionistas, que não passam de pequenas reuniões de mercenários a serviço da contrarrevolução.

O imperialismo norte-americano estendeu o bloqueio a Cuba à área da internet, vedando ao país o acesso à banda larga, ação na qual também demonstrou ignorância e desconhecimento da força da Revolução e de sua capacidade para mobilizar a solidariedade. A Venezuela bolivariana, numa demonstração do seu internacionalismo, está ajudando Cuba também na solução deste problema.

Por tudo isso, considero urgente a organização de um movimento para se contrapor à ofensiva da mídia contra Cuba, ao cerco midiático, ao terrorismo midiático, o que pode e deve ser uma das tarefas desta Convenção de Solidariedade.

Compartilhamos a resolução da BrigadaMundial contra o Terrorismo Midiático, realizada de 22 a 26 de novembro do ano passado em Cuba, por convocação do Icap, com a presença de comunicadores de 19 países da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, que expressou a firme vontade de defender as ideias da Revolução Cubana pela nova via da informática. A Brigada decidiu desenvolver estratégias, propor objetivos, recomendar ações e iniciativas e organizar novos encontros.

Compartilhamos a proposta de criar a Rede Internacional de Ciberativistas da Solidariedade e o Jornalismo Solidário.

Em nossa concepção de jornalismo, uma publicação, impressa ou virtual, um site, um blog, uma rede, são instrumentos de resistência, de luta para transformar o mundo, veículos da luta de ideias. Como disse Fidel, é como se a Internet tivesse sido feita para Cuba.

Acreditamos no poder mobilizador e transformador do Jornalismo Solidário, de resistência e de luta. Por esta razão, o Portal Vermelho sente-se partícipe deste movimento de solidariedade e das suas campanhas. Deste modo, pertencemos também à Revolução cubana e somos porta-vozes das nobres causas que defende. Somamo-nos ao amplo movimento de solidariedade a Cuba, à luta contra o bloqueio e pela libertação dos cinco heróis cubanos que cumprem longas e pesadas penas em cárceres do império.

Reproduzido de Portal Vermelho via Clipping FNDC
28 mai 2012

domingo, 25 de março de 2012

Indústria da tecnologia: a controladora do futuro das notícias...


The State of the News Media 2012: A indústria da notícia vem perdendo terreno para a de tecnologia

Priscila Duarte

Embora o crescimento na utilização de dispositivos e de novas plataformas estimule o consumo de notícias devido à facilidade de acesso, a indústria da tecnologia é que vem ganhando terreno, sendo agora considerada a controladora do futuro das notícias. Essa é uma das conclusões da 9ª edição da pesquisa anual 'The State of the News Media 2012', realizada pelo Pew Research Center's Project for Excellence in Journalism (PEJ), que tem como proposta analisar o estado do jornalismo norte-americano.

O estudo desse ano contém pesquisas em que foram examinados como os consumidores de notícias utilizam as mídias sociais, e como os dispositivos móveis podem mudar o 'negócio da notícia', além de uma atualização sobre as rápidas mudanças sofridas no campo do jornalismo comunitário.

Mais de um quarto dos americanos (27%) recebem notícias em dispositivos móveis e, para a grande maioria, isso se reflete em um aumento no consumo de material jornalístico. Segundo o relatório, embora a tecnologia venha a se somar ao apelo das notícias tradicionais, são os intermediários da indústria tecnológica que vêm ganhando espaço.

Em 2011, cinco gigantes da tecnologia geraram 68% de toda a receita publicitária digital, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado eMarketer - que não inclui na estatística os números da Amazon e da Apple, pois seus lucros têm origem a partir de dispositivos e downloads. De acordo com a mesma fonte, em 2015, aproximadamente 1 em cada 5 dólares de anúncios de exibição (display ads) está previsto para ser investido no Facebook.

Para Tom Rosenstiel, diretor da PEJ, a análise do relatório sugere que a notícia está se tornando uma parte mais importante e penetrante da vida das pessoas. "Mas ainda não está claro quem irá se beneficiar economicamente desse crescente apetite por novidades", questiona.

As plataformas de mídias sociais, entretanto, cresceram substancialmente no último ano, mas continuam a desempenhar um papel limitado no consumo diário de notícias. Apenas um terço dos consumidores de notícias leem matérias pelo Facebook; no Twitter, a proporção cai para menos de um sexto.

O relatório, que traz uma análise abrangente das tendências mais importantes no campo da notícia com base no ano de 2011, inclui capítulos detalhados sobre oito grandes áreas de mídia: digital, jornais, notícias a cabo, rede de TV, notícias de televisão local, áudio, revistas e meios de comunicação étnicos. Seguem algumas das conclusões:

- Os norte-americanos são muito mais propensos a acessar notícia digital indo diretamente para o site de uma organização jornalística ou aplicativo do que seguir links de mídias sociais, contabilizando 36% dos entrevistados. Apenas 9% dos adultos americanos dizem seguir as sugestões de notícias do Facebook ou Twitter.

- Ainda assim, as mídias sociais são consideradas um canal cada vez mais importante para as notícias, de acordo com dados de tráfego. Segundo a análise de dados da Hitwise, 9% do tráfego para sites de notícias agora vêm do Facebook, Twitter e pequenos sites de mídia social. A porcentagem vinda das ferramentas de busca, entretanto, caiu de 23% em 2009 para 21% em 2011.

- Usuários do Facebook (70%) seguem os links de notícias compartilhadas por familiares e amigos, já os do Twitter seguem links de uma variedade de fontes. Apenas 13% dizem que a maioria dos links acessados vêm de empresas de comunicação.

No Twitter, no entanto, a mistura é mais uniforme: 36% dizem que a maioria dos links que acessam vem de amigos e familiares, 27% dizem que a maior parte dos links vem de organizações de notícias, e 18% que a maioria dos links de notícias lidos chegam por meio de entidades e instituições. E mais: a maioria das notícias recebidas por essas redes poderia ter sido vista em outro lugar sem essa plataforma.

- Os setores de mídia tiveram um crescimento de sua audiência em 2011, com exceção das publicações impressas. Os sites de notícias registraram o maior aumento de audiência do ano: 17%. Outra área de destaque foi a dos telejornais que, em 2011, apresentaram um aumento no número de telespectadores atribuído aos acontecimentos negativos no exterior. Os jornais impressos, por sua vez, se destacaram por seu declínio contínuo, com uma redução de 5% quando comparado ao ano anterior. As revistas ficaram estáveis.

- Apesar dos ganhos de audiência, apenas as notícias via web e via cabo registraram um crescimento de receita publicitária em 2011. A publicidade on-line teve um crescimento de 23%, já os anúncios de TV a cabo 9%. A maioria dos setores da mídia, no entanto, viu o declínio das receitas de anúncios - as redes de TV caíram 3,7%; publicidade em revista, 5,6%; notícias locais, 6,7%, e os jornais impressos, 7,6%.

- Cerca de 100 jornais são esperados nos próximos meses para se juntar aos 150 periódicos que já migraram para algum tipo de modelo de assinatura digital. Em parte, os jornais estão fazendo este movimento depois de testemunhar o sucesso do 'The New York Times', que agora tem cerca de 390 mil assinantes on-line. O movimento também é impulsionado por quedas drásticas em receita publicitária. A indústria do jornal - circulação e publicidade combinados - encolheu 43% desde 2000. No geral, em 2011, os jornais perderam em receita publicitária cerca de US$ 10 para cada US$ 1 ganho on-line.

- O emergente panorama de sites de notícias comunitárias está chegando a um novo nível de maturidade e enfrentando novos desafios. NewWest.net e Chicago News Cooperative estão entre os importantes sites de notícias de comunidades que deixaram de ter publicação no papel. O modelo de sucesso, sintetizado pela Texas Tribune e pelo MinnPost, foi diversificar as fontes de financiamento e gastar mais recursos em negócios, não apenas com jornalismo.

- A privacidade é um assunto que está se tornando um problema maior para os consumidores, criando pressões conflitantes sobre as organizações noticiosas. Cerca de dois terços dos usuários de internet se sentem inquietos com a publicidade segmentada e com as ferramentas de busca que rastreiam comportamentos na web. Os consumidores, entretanto, dependem cada vez mais dos serviços prestados pelas empresas que agregam esses dados. As organizações de notícias estão bem no meio disso e, para sobreviver, precisam encontrar maneiras de fazer sua publicidade digital mais eficaz e lucrativa. No entanto, também devem se preocupar em não violar a confiança do público a fim de proteger seus ativos mais fortes: suas marcas.

Reproduzido de Nós da Comunicação
20 mar 2012

Via Cristiane Parente .  Mídia e Educação

terça-feira, 20 de março de 2012

O sonho americano dos que mal dormem...


O sonho americano dos que mal dormem

"Lá por volta de 2007, na época em que saiu, assisti À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness) em Santa Catarina. Na ocasião, minha impressão sobre o filme não foi boa e, com efeito, na minha memória não restava nada de positivo sobre ele. Me incomodou muito a mensagem do roteiro, algo como “não importa quão ferrado você está; se esforçando e acreditando nos seus sonhos você só depende de você para subir na vida”.

Inspirado pela ideia de assistir filmes que se passam em San Francisco e particularmente por ter visto um cartaz de um músico de rua na Chinatown dizendo que ele apareceu no filme, resolvi encará-lo novamente na semana passada. Dessa vez, achei tão brilhante que me vejo obrigado a escrever esta nota, que quero compartilhar com meus amigos no Brasil, para recomendá-lo.

“À Procura da Felicidade”, para muito além dessa mensagem e das belas imagens, e embora se passe na década de 80, é um fantástico retrato de uma característica muito atual da San Francisco que estou conhecendo nas oportunidades que tenho de visitá-la: uma cidade de sem-tetos, cada um por si à procura da sua felicidade. Não se trata de um problema só de San Francisco (alguém poderia argumentar que as pessoas vivem na rua lá porque é a cidade dos hippies — if you’re going to San Francisco, be sure to wear some flowers in your hair), mas de um problema que salta aos olhos nas grandes cidades dos Estados Unidos (em especial na Califórnia) e que, neste país onde a realidade dos 99% dificilmente tem dinheiro pra passar na TV, parece não ser muito divulgado e muito menos combatido da forma que deveria.

Em um estudo realizado com dados de 2005 e 2006, concluiu-se que todo ano uma a cada cinquenta crianças dos Estados Unidos encara não ter casa. Já seria absurdo, mas esse número hoje (pós-crise) é com certeza bem maior, já que várias pessoas têm perdido suas casas desde 2008. Camaradas que conheci da ISO do norte da Califórnia, que são ativistas em movimentos de moradia por aqui, estimam que 50 milhões (i.e., 1/6 de uma população de cerca de 300 milhões) já passaram pela experiência de ficarem sem teto.

Diferente de como funcionam as coisas no nosso país, aqui o governo não permite construções irregulares (tipo as nossas favelas). Como resultado, o que vemos é algumas pessoas vivendo em abrigos, algumas revezando casas de amigos, algumas nos seus carros, algumas acampadas (principalmente pós-2008), muitas nas prisões (0.7% da população dos Estados Unidos está presa neste momento e o número quadruplica se você considerar liberdades condicionais e pessoas em observação: é o recorde mundial) e muitas simplesmente nas ruas mesmo. Os abrigos são muito insuficientes para a quantidade de pessoas sem teto: em San Francisco, há uma vaga para cada quinze pessoas sem lugar para morar. Na maioria dos lugares, é preciso conquistar diariamente uma vaga.

Estou numa tentativa de falar com o máximo de pessoas que consigo para aprender sobre essa gente. Esses dias, pegando um trem, puxei conversa com um homem muito sujo, com sotaque muito engraçado (para mim) e com uma mochila, negro, velho, não me lembro o nome. Acho que ele gostou de mim: repetiu várias vezes que eu era louco, mas foi me contando várias coisas. Depois de trocarmos ideias descobri que era veterano do Vietnã. Falei pra ele que eu queria conhecer Oakland. Ele respondeu pra eu não ir, porque, nas suas palavras, “é uma cidade muito perigosa: muitos negros e sem-teto. Há muitos sem-teto aqui. Você não vê todos porque eles se escondem para não serem presos e você nem percebe que um é quando conversa com ele. Você com essa barba poderia ser um.”

Sem entrar na discussão sobre outros problemas latentes como o racismo e a segregação, a falta de saúde, a falta de qualidade e o alto preço da educação, e a inércia dos que ainda acreditam no sonho americano e buscam [com necessidade e razão, mas usualmente em vão] individualmente a felicidade diante disso tudo, para não escrever um texto muito grande quero registrar apenas que estou há quase um mês e meio aqui e ainda me impressiono: é incrível o nível de desigualdade e de desumanidade que noto a cada minuto no país-modelo do capitalismo e na região do tão rico e inovador Vale do Silício.

A minha ideia, antes de vir pra cá, era que aqui as pessoas tivessem mais condições, que houvesse mais acesso a qualquer coisa que não só fast-food e gadgets de segunda linha: afinal, me parecia que o ganancioso capitalismo estadounidense já explora suficientemente o terceiro mundo. De fato, há muitas coisas bonitas e muito dinheiro aqui. No entanto, o dinheiro é muito concentrado e neste momento não acho que a vida dos 99% aqui seja tão melhor do que a vida dos 99% na América Latina. Talvez pela crise, pelo poder da propaganda, pelo individualismo ao qual são levados pela fé num sistema que os explora sem parar, pela aparente dificuldade de luta organizada e pela ausência de organizações de esquerda com influência de massas na história recente, seja o contrário. De qualquer forma, cada vez tenho mais certeza de que aqui e aí temos, entre outras coisas, um grande desafio em comum. A construção de um outro futuro que reinvente as relações humanas, tenha igualdade e seja verdadeiramente democrático é uma necessidade urgente e mundial.

* Tiago Madeira é militante do Juntos! SP e está fazendo um estágio de um semestre em Palo Alto, Califórnia.

19 mar 2012


Conheça também o Blog (em construção) da Associação dos Moradores da Vila do Arvoredo, em Florianópolis/SC, clicando aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Geração "C" e Consumo midiático nos EUA: “o consumo de TV por adolescentes continuou a crescer, mesmo com o surgimento de novos aparelhos tecnológicos”


Adolescentes não abandonaram a TV, diz pesquisa

Redação
Observatório da Imprensa
13/03/2012

Mesmo com adolescentes passando mais tempo diante das pequenas telas de celulares, tablets e notebooks, ainda é a TV que recebe mais atenção deles, noticia Joe Flint [Los Angeles Times, 9/3/12]. “Há uma noção popularizada do típico adolescente constantemente conectado digitalmente. Na realidade, adolescentes consomem a vasta maioria do seu conteúdo de vídeo via TV tradicional”, afirma Todd Juenger, analista da empresa de pesquisa Sanford C. Bernstein & Co, no relatório “Why the Internet Won’t Kill TV” (Por que a internet não vai matar a TV).

Juenger analisou dados do instituto Nielsen que mostram que o “consumo de TV por adolescentes continuou a crescer, mesmo com o surgimento de novos aparelhos tecnológicos”. Atualmente, adolescentes assistem a quase quatro horas de TV por dia. Embora sejam duas horas a menos do que a maioria dos adultos, é mais do que as quase três horas que gastavam diante da TV em 2004 – a taxa de crescimento tem sido de 2,5% ao ano. Adultos sempre assistiram a mais TV do que adolescentes.

Os resultados sugerem que os adolescentes veem as novas plataformas como um acréscimo à TV. Em média, eles assistem a apenas três minutos de vídeo por dia no computador ou no celular, o que é menos do que 3% do total do consumo de vídeo.

Há preocupação na indústria televisiva de que, na medida em que os consumidores migram para novas mídias, o investimento com publicidade caia. Mas Juenger observou que, enquanto os jornais impressos já sentiram a migração de recursos publicitários e do público para a web, a TV ainda não sofreu este impacto. Segundo o analista, ainda deve levar duas décadas para que isto ocorra.

Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)


Para acessar a pesquisa do Instituto Nielsen, abaixo, clique aqui.

State of the Media: U.S. Digital Consumer Report, Q3-Q4 2011

Born sometime between the launch of the VCR and the commercialization of the Internet, Americans 18-34 are redefining media consumption with their unique embrace of all things digital. According to Nielsen and NM Incite’s U.S. Digital Consumer Report, this group - dubbed “Generation C” by Nielsen - is taking their personal connection—with each other and content—to new levels, new devices and new experiences like no other age group.


Leia também:


"Esqueça a Y: Geração C é a mais conectada, afima Nielsen", clicando aqui em IDG Now.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pesquisa Nielsen: TV se mantém como meio mais popular nos Estados Unidos


TV se mantém como meio mais popular nos Estados Unidos

Nielsen indica que 288 milhões de americanos assistem à mídia, enquanto 211 mi usam internet

A televisão se mantém como a mídia mais popular dos Estados Unidos, mesmo com o aumento acelerado dos canais digitais via computadores e dispositivos móveis, segundo estudo da Nielsen. O levantamento apontou que 114,7 milhões de americanos tem ao menos um televisor, sendo que, entre eles, 28,3 milhões possuem três e 35,9 milhões pelo menos quatro aparelhos.

Em números gerais, 288 milhões de americanos assistem TV, 232 milhões possuem celular, 211 milhões usam a internet e 113 milhões acessam a web via smartphones. “Analisando o panorama de mídia dos Estados Unidos, em constante mudança, a TV se mantém como a mais popular”, ressalta o estudo.

Segundo a pesquisa, o típico consumidor americano gasta cerca de 33 horas por semana assistindo TV, enquanto dedica cerca de quatro horas do seu tempo para utilizar a internet via PC. A TV sob demanda, conceito já maduro no mercado americano, registra acesso médio de duas horas e 21 minutos por semana, enquanto o os vídeos online atraem 27 minutos de atenção em média durante o mesmo período, além de sete minutos via dispositivos móveis.

Em geral, 143 milhões de pessoas acessam conteúdo e vídeos transmitidos via web, 111 milhões utilizam a tecnologias sob demanda para o mesmo propósito e 30 milhões usam seus celulares para tal. A média para cada usuário de internet é acessar 2,905 páginas web por mês e 830 no Facebook, além de visitar 94 domínios diferentes.

10/1/2012
Via E-mail Instituto Alana . Projeto Criança e Consumo

Leia mais "Television Measurement" na página de Nielsen, clicando aqui.