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sexta-feira, 16 de março de 2012

Carlos Scolari e a Hipertelevisão


O tempo da 'hipertelevisão'

Carlos Tourinho
Observatório da Imprensa
06/03/2012

Carlos Scolari cunhou o termo “hipertelevisão” para classificar a atual etapa deste meio de comunicação em contraponto às fases datadas por Umberto Eco. Ao analisar a história da TV, especificamente na Europa, Eco estabeleceu dois períodos distintos:

1. A “paleotelevisão” vai da década de 1950 até meados dos anos 1970. Trata-se de uma televisão marcada pelo monopólio público e pela mão firme do Estado. É uma televisão tutelada pelo governo, distante do público e com direcionamento pedagógico. Havia poucos aparelhos de televisão e pouquíssimas emissoras. Trata-se da fase da “TV janela” tão citada pelos teóricos de Comunicação. Uma televisão em que as pessoas assistiam, de dentro de casa, o que acontecia no mundo, ou o que se “permitia” que assistissem do mundo.

2. A “neotelevisão” já trata de um período mais recente, indo da segunda metade da década de 1970 até, na visão de alguns autores, o final dos anos 1980. No entanto, boa parte de suas características ainda permanece visível, metamorfoseando-se, adaptando-se e, também, desaparecendo aos poucos. A principal característica da neotelevisão, na Europa, é a desregulamentação do setor, que passa a funcionar num sistema misto público e privado, com uma oferta cada vez maior de novas redes de televisão.

Os horários da programação expandem-se e a televisão passa a aproximar-se de seu público. Ela se apresenta como a principal atração: é a notícia, o espetáculo. A metáfora, agora, é a da “TV espelho”, aquela que se espelha em si mesma e deseja despertar para si o interesse do público. Exibe seus bastidores e finge não ter segredos para a audiência. É nesse período que a televisão tenta descobrir os gostos do telespectador, amplia a presença do entretenimento na programação, desconstrói a linguagem formal e começa a perseguir uma narrativa de interação com a audiência, uma busca da cumplicidade.

[Assista aqui e aqui ao vídeo da entrevista com Carlos Scolari.]





A televisão da atualidade


Há diversos autores que anunciam uma “terceira” fase em que a televisão passa a se ocupar não mais do mundo ou de si mesma, mas de seus telespectadores, num ambiente de convergência mediática sob o controle do telespectador. Estafase é exemplificada pelos reality shows, como o Big Brother.


O semiólogo Eliseo Verón é um desses autores. Para ele, há uma mudança de paradigma e, portanto, uma nova etapa. Entre outros aspectos, Verón destaca que nesta fase a programação da TV dá uma oportunidade aos espectadores de decidirem o desfecho dos programas e, pela primeira vez, aqueles assumem um protagonismo na televisão. Esta fase, para Verón, será o desfecho da TV generalista, a morte da televisão como a conhecemos hoje.

Como Verón, outros teóricos tentam apreender e classificar seus novos significados. Ramonet e Piscitelli têm apostado no conceito de “pós-televisão” para definir a fase atual que seria um aprofundamento das características da neoTV, com a progressiva eliminação das fronteiras entre os gêneros. François Jost chama a atenção para o limiar de um novo momento em que imagens reais e fictícias se misturam, apagando as fronteiras que separam os programas da publicidade. Já Carlos Scolari, nosso entrevistado aqui, prefere chamar de “hipertelevisão” o atual estágio.

Para Scolari, o atual estágio da TV não pode ser visto simplesmente como uma sequência linear da história, daí dizer que descarta o conceito de pós-televisão. Para ele, essas mudanças vão muito além de um simples aprofundamento das características da neotelevisão, como dizem os defensores do conceito de “pós-televisão”. Embora a hipertelevisão extrapole as classificações anteriores, também incorpora alguns de seus elementos. Daí, Scolari defender a ideia de que as “fases” não têm fronteiras rígidas.

Um exemplo citado por Scolari como paradigmático da hiperTV é o surgimento, na década de 1980, da americana CNN “con sus propias características, por ejemplo, la polifonía y la fragmentación de la pantalla”, diz, referindo-se às múltiplas mensagens e janelas sobrepostas à tela principal dessa televisão. Uma construção feita a partir do sistema das “janelas” criadas na informática. A hiperTV é uma televisão instalada em uma sociedade em rede, nos termos definidos por Manuel Castells. Para este, a sociedade desloca-se de um sistema de mídias de massa para um sistema multimídia especializado e fragmentado, com audiências segmentadas. “Como o sistema é diversificado e flexível, é cada vez mais inclusivo de todas as mensagens enviadas na sociedade”, garante Castells.

Novo paradigma em construção


Embora a TV que temos hoje ainda preserve muitas das características da neoTV, já podemos reconhecer elementos que se apresentam como o arcabouço de um novo paradigma em construção:


** A interação crescente entre emissor/receptor e receptor/receptor, algo próximo da experiência entre usuários da internet;
** A articulação da TV com outros media interativos;
** O empoderamento do telespectador;
** O uso da interatividade digital para customizar programas, alterando o desfecho destes, como nos videojogos;
** O incremento de novos terminais para assistir TV, como as telas do computador, dos tablets, celulares, consoles de videojogos;
** A possibilidade de acesso a essas plataformas a qualquer momento e em qualquer lugar;
** O modelo da escassez analógica substituído pelo da abundância digital, visível nos milhares de canais produzidos por anônimos e disponibilizados em servidores como o You Tube;
** A prevalência da programação assincrônica, com a oferta de vídeo-on demand (VOD) de programas completos ou de fragmentos, cuja montagem caberá ao telespectador interativo, sobre o modelo de fluxo vertical de programação;
** A flexibilização e a pulverização da fronteira o entre os gêneros informativo e de ficção;
** O fim das fronteiras rígidas entre conteúdo e publicidade, dando origem a novos modelos comerciais, não mais baseados em intervalos publicitários;
** A intensificação dos “macrorrelatos” com expansão das histórias em diferentes e convergentes plataformas;
** A linguagem audiovisual padrão substituída por uma linguagem multimídia transversal, interativa, com estímulo à busca e à navegação;
** A introdução de novas linguagens, fruto da convergência com outras mídias.

Interatividade no telejornalismo


Conectada com outras plataformas e libertando-se, aos poucos, de uma programação “em fluxo” típica da TV tradicional, a hiperTV, segundo Scolari, lança mão de uma narrativa transmidiática. Um exemplo é o da série televisiva Lost, que se expande para videojogos, livros e uma série de outros elementos. Na sua entrevista, Carlos Scolari esclarece que a narrativa transmidiática não se limita à ficção. Está na publicidade e, também, no jornalismo. Neste último aparece nas múltiplas plataformas onde uma notícia pode ser apresentada.


Se isso, em certo limite, já era possível entre as chamadas mídias tradicionais, ganhou novas dimensões na atualidade digital. A notícia pode nascer numa publicação no Twitter ou numa conversa no Facebook, chegar à redação da TV, passar pelo jornal e repercutir em qualquer outro meio, com linguagens, estéticas e narrativas diferentes e complementares. A esta expansão soma-se outro elemento da hipertelevisão que é a colaboração dos usuários na construção do conteúdo, enviando textos, fotos, comentários ou sugestões de pautas. Um trajeto sem fim, onde novas interferências surgem durante o percurso.

É neste ambiente que se reserva um novo papel para o telespectador na televisão atual. Quando o apresentador do telejornal diz que “vamos” saber o que aconteceu, ele está tentando incorporar o público no seu discurso e na sua ação. Ou seja, “vamos saber juntos”. Trata-se de um efeito retórico para simular a participação, garante Carlos Scolari.

Em outro ponto desta entrevista Scolari diz que a televisão tenta simular as novas mídias para ser “o que não é”, ou seja, uma mídia interativa. Questionado se não seria esta busca pela “interatividade” o principal significado da hiperTV, Scolari diz que não. Afirma que são coisas diferentes: a TV interativa está contemplada na hipertelevisão, mas esta é uma classificação mais abrangente. Trata-se de uma televisão mais complexa. Uma TV com um ritmo novo para um telespectador habituado à velocidade dos videojogos e à hipertextualidade da linguagem da internet.

Carlos Scolari fala de seu ceticismo e – até – decepção com as promessas da TV digital terrestre, a TDT. Questiona os mitos em torno desse tema e aponta um dos possíveis motivos para que a interatividade ainda não tenha decolado: os custos econômicos desse formato. Responde se é ou não importante haver interatividade no telejornalismo e se há alguma relação dessa estratégia com o futuro da televisão. Finalmente, destaca uma questão que ainda vai requerer respostas definitivas: como (re)construir a opinião pública e o elo social neste novo mundo marcado pela segmentação de conteúdos e pelas audiências fragmentadas.

Quem é


Carlos Scolari, de 49 anos, é professor da Universitat Pompeu Fabra, na Catalunha, em Barcelona, Espanha. Antes de migrar para a Europa, em 1990, foi professor da Universidad Nacional de Rosário, cidade em que nasceu, na Argentina. Suas investigações no campo da Comunicação concentram-se no impacto da internet sobre os meios de comunicação de massa. Ultimamente, tem-se dedicado à influência dos discursos transmidiáticos na linguagem televisiva, naquilo que ele chama de “ecologia de los medios”. Esta entrevista foi feita no âmbito do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, em Braga, Portugal.


* Editor do Bom Dia ES (TV Gazeta/Rede Globo), é doutorando na Universidade do Minho, em Braga (Portugal)

Reproduzido do Observatório da Imprensa


Leia também de Carlos Scolari:



"The Grammar of Hypertelevision: An Identikit of Convergence-Age Fiction Television (Or, How Television Simulates New Interactive Media)", 2009, no  Journal of Visual Literacy, clicando aqui.

Resumo: The arrival of “new media” such as the Web and multimedia mobile devices is transforming “old media” such as television. If we consider that these new media coexist with the old ones in the same system, then it could be a valid exercise to analyze the contaminations between them. In this article, I analyze the aesthetics of new audiovisual productions-–i.e., the acceleration of rhythm, the multiplication of characters and narrative programs—and the transformations of the television interface in order to identify the pertinent traits of what I define as hypertelevision. The article concludes with a reflection on the simulation of interactive experiences in contemporary television.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"


Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"

O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário


O escritor e semiólogo Umberto Eco vive com sua mulher em um apartamento duplo no segundo e terceiro andar de um prédio antigo, de frente para o palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Hakuri Murakami instalasse sua casa no sopé do monte Fuji, ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. "Acordo todo dia com a Renascença", diz Eco, referindo-se à enorme fortificação do século XV. O castelo deve também abrir os portões pela manhã com uma sensação parecida, pois diante dele vive o intelectual e o romancista mais famoso da Itália.

Um dos andares da residência de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha abriga aquilo que ele chama de "ala das ciências banidas", como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo, magia e bruxaria. Ali, em um cômodo pequeno, estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística de um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a igreja católica e o rabino de Roma: aquela porque Eco satirizava os jesuítas ("são maçons de saia", diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini), este porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX - como o Protocolo dos sábios do Sião - poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, como autor do ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Mesmo aos 80 anos, que completa em 5 de janeiro, parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com Época durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou - o suspense erudito -, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É de pasmar, mas o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições - e até gostando de ler livros... pelo iPad que comprou durante sua última turnê americana.

ÉPOCA - Como o senhor se sente, completando 80 anos?

Umberto Eco - Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turnês de lançamento de O cemitério de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcursão pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o braço. Estou com tendinite de tanto dar autógrafos em livros.



ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?

Eco - Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.

ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?

Eco - A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?

Eco - Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?

Eco - Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

Leia a entrevista completa na página da Revista Época, clicando aqui.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mídias na educação: televisão


A Mídia televisiva

"A televisão, por sua vez, aproxima-se cada vez mais da realidade cotidiana. O sucesso dos novos programas ("reality shows") como "Casa dos Artistas" e "Big Brother Brasil" mostra o quanto a vivência cotidiana das pessoas alimenta o "show" oferecido pela mídia. A ficção confunde-se com a realidade produzida no espaço artificial dos cenários televisivos. Artistas e pessoas comuns vivem um cotidiano totalmente documentado e exibido e que desperta a curiosidade geral do grande público. A exibição da "performance" das pessoas em cenas de intimidade cotidiana explícita (dormir, comer, tomar banho, namorar) diante da tela confunde os pensamentos, sentimentos, julgamentos e ações dos telespectadores.

A mídia televisiva como tecnologia de comunicação e informação invade o cotidiano e passa a fazer parte dele. Não é mais vista como tecnologia, mas como complemento, como companhia, como continuação do espaço de vida das pessoas. Por meio do que é transmitido pela televisão, as pessoas adquirem informações e transformam seus comportamentos. Tornam-se "teledependentes", consumidores ativos, permanentes e acríticos de tudo o que é oferecido pelo universo televisivo.

Este é um dos maiores desafios para a ação da escola diante do que é veiculado pela televisão na atualidade. Viabilizar-se como espaço crítico em relação às informações e manifestações veiculadas pela TV. Aos professores é designada a importante tarefa de refletir com os seus alunos sobre o que é apresentado pela televisão, suas posições e problemas. Reconhecer a sua interferência no modo de ser e de agir das pessoas e na própria maneira de se comportar diante do seu grupo social, como cidadãos.

Apropriando-se das palavras de Umberto Eco (1997), "nós precisamos de uma forma nova de competência crítica, uma arte ainda desconhecida de seleção e decodificação da informação, em resumo uma sabedoria nova" É preciso saber aproveitar a liberdade e a criatividade do espaço televisivo mas, ao mesmo tempo, aprender a definir os limites, a consciência crítica, reabilitar os valores e fortalecer a identidade das pessoas e dos grupos. Desafios de hoje a serem enfrentados por todos nós, professores."


Vani Kenski

Conheça o Blog “Mídias na Educação clicando aqui.


Leia também "Televisão e escola: um diálogo possível" na página do Midiativa clicando aqui.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Una reflexión de Umberto Eco sobre la libertad de expresión


"El enemigo de la prensa, por Umberto Eco

Será el pesimismo de la edad tardía, será la lucidez que la edad conlleva, la cuestión es que siento cierta perplejidad, mezclada con escepticismo, a la hora de intervenir para defender la libertad de prensa acogiendo la invitación del semanal L’Espresso. Lo que quiero decir es que cuando alguien tiene que intervenir para defender la libertad de prensa eso entraña que la sociedad, y con ella gran parte de la prensa, están enfermas. En las democracias que definiríamos “vigorosas” no hay necesidad de defender la libertad de prensa porque a nadie se le ocurre limitarla.

Esta es la primera razón de mi escepticismo, de la que desciende un corolario. El problema italiano no es Silvio Berlusconi. La historia (me gustaría decir desde Catilina en adelante) está llena de hombres atrevidos y carismáticos, con escaso sentido del Estado y altísimo sentido de sus propios intereses, que han deseado instaurar un poder personal, desbancando parlamentos, magistraturas y constituciones, distribuyendo favores a los propios cortesanos y (a veces) a las propias cortesanas, identificando el placer personal con el interés de la comunidad. No siempre estos hombres han conquistado el poder al que aspiraban porque la sociedad no se lo ha permitido. Cuando la sociedad se lo ha permitido, ¿por qué tomársela con estos hombres y no con la sociedad que les ha dado carta blanca?"

Publicado em Prodavinci por cortesia da Revista El Librero. Traducción por Helena lozano Miralles.

Leia o texto completo, em espanhol, clicando aqui.