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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pesquisa IPEA: 94% dos pais querem multas contra emissoras que desrespeitam classificação indicativa


94% dos pais querem multas contra emissoras que desrespeitam classificação indicativa

Da Agência Brasil - Agência Brasil

Pesquisa divulgada hoje (11) mostra que 97% dos pais ou responsáveis por crianças de 4 a 16 anos consideram importante ou muito importante que as emissoras de televisão aberta respeitem as restrições de horários determinadas pela classificação indicativa e 94% deles pedem que as TVs sejam multadas caso passem programas de conteúdo inadequado para as faixas de horário.

O trabalho do Instituto de Pesquisas Socais, Políticas e Econômicas, do Ministério da Justiça, e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) analisou o comportamento das crianças ou adolescentes e dos pais ou responsáveis em relação ao uso das mídias e da percepção sobre a classificação indicativa. Ela ouviu 3.023 pessoas em todo o país. A margem de erro é 1,8 ponto.

Quase todos os entrevistados (98%) acreditam que deve haver algum tipo de controle sobre o que as crianças e adolescentes assistem na televisão ou acessam na internet. A maioria dos pais ou responsáveis se preocupa, principalmente, com cenas de tortura, suicídio ou estupro, seguidas pelo consumo de drogas, a agressão física e a violência.
A maioria dos entrevistados, 56%, conhece ou já ouviu falar da classificação indicativa e para 94%, ela é muito importante ou importante. Quando um programa de televisão ou filme não é recomendado para a idade das crianças ou adolescentes, 55% dos responsáveis mudam de canal ou desligam a TV e 50% explicam que o conteúdo é inadequado e não permite que ele seja assistido.

Para 85% dos entrevistados, as regras de classificação indicativa na TV aberta devem permanecer como estão, obedecendo à faixa de horário recomendada para cada idade. No entanto, 91% deles dizem que, além dos símbolos que são mostrados para informar a classificação indicativa, deveria ter na TV um apresentador falando para qual idade aquele programa não é recomendado.

Segundo a pesquisa, a televisão é utilizada por 67% das crianças e adolescentes e 50% deles costumam assistir a programação no período noturno. As mães são as responsáveis mais presentes no horário em que os filhos assistem. Entre os critérios utilizados pelos pais para indicar um programa aos filhos estão: ter caráter educativo (95%), ser divertido (83%), incentivar o desenvolvimento pessoal, psicológico ou afetivo (83%) e passar informações sobre o mundo e a sociedade (81%).

A escola, para 93% dos entrevistados, é importante ou muito importante para auxiliar as crianças e os adolescentes a desenvolver uma opinião mais crítica sobre o que veem na TV e na internet - 56% deles afirmam que as crianças ou adolescentes sempre costumam conversar com a família sobre os programas a que assistem na televisão. Para 73% dos pais ou responsáveis, a internet pode influenciar muito o comportamento.

Editora Graça Adjuto

Reproduzido de EBC
11 dez 2014


Conheça a Pesquisa "Classificação Indicativa - o comportamento das crianças/adolescentes e dos pais/responsáveis em relação ao uso das mídias" (Dez 2014), clicando aqui.

Saiba mais sobre o tema Classificação Indicativa aqui no Blog "Telejornais e Crianças no Brasil", clicando aqui.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Lá_vem_aí...



Comentário de Filosomídia

Lá_vem_aí...

A rede hegemônica de televisão en-latou de vez com sua (re)programação de produtos - "nacionais" e internacionais - na exuberância daquele aparato estético globalizante característico dela.

Dieta de informação e entretenimento com visual, técnica e tempero de "primeiro mundo" é isso aí... plastificado, insosso, pra engolir o en-latado com catchupe nas 24 horas do dia. O supermercado midiático ao alcance do controle remoto.

Com o programa apresentado no Credicard Hall só faltaram aquelas cenas com os atores em pé, de braços cruzados e ventinho nos cabelos enquanto o plim-plim ressoasse retumbante.

Vidiotizante ao extremo!

Tsc.. tsc...

Filosomídia

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Muniz Sodré no Roda Viva: a regulação das comunicações no País


Palavras de um Oba Aressá sobre as comunicações no Brasil

Por Pedro Caribé

O baiano Muniz Sodré concedeu uma entrevista histórica no Roda Viva. Autodeclarado um “pessimista ativo”, ao ser instado a falar sobre a regulação das comunicações no País, ele colocou quatro pontos:

I) A distribuição de canais de radiodifusão no Brasil tem a mesma lógica de concentração da fundiária e se reproduz no “minifúndio” dos canais a cabo;

II) “Mais vozes” precisam ter espaço para escoar e acessar a produção, mesmo que tenham deficiências estéticas;

III) Disse não ver debate público no País: “Que consulta pública é essa?”;

IV) O governo federal persegue as rádios comunitárias como se fossem marginais: “O comunitarismo é algo essencial, mas não creio que o Estado faça isso”.

Muniz também foi perguntado o que achavas dos projetos de grupos editoriais Abril e Globo em investirem em educação e plataforma digitais… Respondeu que não é possível ética quando o objetivo é “evitar o vermelho ao final do mês”. Ética para Sodré tem relação com valores sociais e políticos, e o jornalismo corporativo patrimonial está sendo transposto para algo sem compromisso algum.

O jornalismo para ele é tão importante quanto o discurso da democracia. Já a televisão sempre foi espaço de “lixo reciclado”, inapto para promover educação, por não ter iniciação, afeto, tutor.  Sodré teve o ‘despeito’ até de mencionar no ar a crise da Tv Cultura.

O professor titular de comunicação na UFRJ também falou sobre o racismo brasileiro que se mantém devido as relações patrimonialistas pigmentocráticas. Falou muito sobre o sistema educacional, e quanto a greve das universidades federais, se disse favorável, não só pela arrogância do Governo Federal, mas por estar em curso um retrocesso na Educação e na Cultura.

Os novos intelectuais brasileiros estão emergindo da “periferia” segundo Sodré, que se intitula publicamente um “negro moderno”. Seguidor de filosofias “orientais” e também Oba Aressá, no Axé Opô Afonjá. Oba é título outorgado, depois de confirmação ritualística, a filhos de Xangô que tenham alguma relevância para a comunidade litúrgica.

Reproduzido de Vozes Baianas
26 jun 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Marcelo Adnet: TV brasileira “é refém do grotesco”



TV brasileira “é refém do grotesco”, lamenta Marcelo Adnet 

Mauricio Stycer
Blogosfera UOL

Muita gente reclama da baixa qualidade da programação da TV brasileira, mas quando a queixa parte de um dos mais talentosos humoristas em atividade, creio, é o caso de ouvir com atenção.

Marcelo Adnet recorreu ao Twitter, esta semana, para lamentar: “TV é movida por PATROCÍNIO que é movido pela AUDIÊNCIA que é movida pelo GROTESCO. Conclusão: TV é refém do GROTESCO.”

O comentário deu origem a um rápido debate com alguns leitores, levando-o a desenvolver um pouco mais a ideia.

“O mito é achar que a ‘classe C’ (que, por si só, já é quase um mito) tem péssimo gosto e só é atraída por uma TV rasa e limitada”, disse Adnet.

Argumentei com o comediante que, às vezes, o público rejeita o grotesco, citando o fiasco do programa “Sexo a 3”, apresentado pelo tal Dr. Rey na RedeTV!. “Rolou rejeição mesmo ou foi um sucesso? Ironia? O fato é que contamos em uma mão os não-grotescos de grande audiência”, respondeu Adnet. Verdade.

À frente do “Comédia MTV”, Adnet tem dado shows semanais. Recentemente comentei a genial paródia da canção “Roda Viva”, de Chico Buarque, na qual o comediante fez um diagnóstico crítico sobre a TV brasileira.

O seu programa passa longe do grotesco (o esquete “Casa dos Autistas”, em 2011, foi uma escorregada, do qual ele se arrepende), mas o desabafo desta semana deixa no ar a dúvida se está sendo viável fazer humor deste jeito na televisão.

Abaixo, outro grande momento recente de Adnet no “Comédia MTV”, no qual encarna Victor Inácio Pacheco, o “Homem Área Vip”:

Reproduzido de Blogosfera UOL por Maurício Stycer
08 jun 2012


Leia também:


"Fábio Rabin defende piada sobre autistas, mas "sem desrespeito", por Maurício Stycer na Blogosfera UOL (26/05/2011) clicando aqui.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"TV dos sonhos e da realidade": de quem?


TV dos sonhos e da realidade

Projeto da Secretaria do Audiovisual promove um debate sobre o modelo ideal da televisão brasileira

Bárbara Sacchitiello

Como seria a televisão ideal? Que conteúdo teria? Quais programas exibiria? O que faria o espectador sentar-se diante da telinha? Sem a pretensão de encontrar respostas precisas, mas com a proposta de enriquecer o debate acerca dessas questões que continuamente permeiam o cotidiano dos profissionais da mídia, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a Sociedade Amigos da Cinemateca uniram forças e ideias para lançar o projeto Sonhar TV.

O projeto não quer ficar limitado apenas a uma TV ideal, do ponto de vista teórico, mas trazer à tona ideias e aplicações práticas para a melhoria da concepção e do uso da TV Aberta no Brasil. “Ainda ficamos muito presos na dicotomia entre qualidade do conteúdo e audiência. Precisamos transpor essa velha discussão e ir além, analisando a TV como um entretenimento e colaborando para ampliar o seu mercado e enriquecer seu potencial”, resume o roteirista Newton Cannito, que foi escolhido para assumir o posto de curador do Sonhar TV.

Ele explica que, nesse primeiro estágio, o projeto terá dois pontos de contato com os profissionais do setor e com o público. O primeiro deles é a internet, alicerçada no portal Sonhar TV (www.sonhar.tv), que funciona como o epicentro da divulgação das ideias. Para estimular os debates, foi formado um time com nomes atrelados à história da TV brasileira, como roteiristas, dramaturgos, acadêmicos, apresentadores e diretores de emissoras. Cada um deles deu um depoimento para o site, falando sua opinião sobre os erros e acertos da mídia mais popular do País. Nilton Travesso, Zico Góes, Marcílio Moraes, Danilo Gentilli, Eugênio Bucci e outros nomes são alguns dos participantes dessa primeira fase do projeto.

Toda a produção de conteúdo (em vídeo e para a web) ficou a cargo da Academia de Cultura e da Colmeia — empresas do Grupo Ink. Segundo o porta-voz da companhia, Marcelo Muller, que também responde pela produção executiva do Sonhar TV, um espaço que propicie a pluralidade de vozes foi prioridade na condução do projeto. “Quanto mais diversificado for o acesso, melhor. Nas próximas temporadas, faremos discussões temáticas sobre gêneros e estilos”, explica Muller. O projeto já possui perfis no Twitter e no Facebook.

Segundo ele, além dos acadêmicos e profissionais do meio, o público também será convidado a participar das reflexões acerca de uma TV ideal. No dia 13 de junho, o Sonhar TV fará sua primeira apresentação no mundo “real”. A Secretaria do Audiovisual e a Academia de Cultura promoverão o 1o Seminário Internacional Sonhar TV, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Especialistas e profissionais de veículos televisivos serão convidados para discutir as polêmicas pertinentes da mídia. Todo o evento será transmitido em streaming pelo site do Sonhar TV.

Reproduzido de Meio & Mensagem
08/05/2012

Veja as entrevistas na página de Sonhar TV clicando aqui.

Comentário de Filosomídia:

Por enquanto... sonho, realidade... de quem?
Do mercado, dos formadores de opinião, dos barões das mídias, do Ministério da Cultura das elites, da cultura popular, da participação popular na democratização dos meios de comunicação?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"O Facebook precisa ficar (...) esperto se não quiser correr o risco de envelhecer rapidamente"...


O pós-Facebook

Luli Radfahrer 
Folha Online
30 abr 2012

Com quase um bilhão de usuários, o Facebook parece inquebrável. Seus números são tão grandes que chegam a se confundir com os da própria Internet. Entrelaçado a praticamente tudo que é social no mundo eletrônico, ele se tornou uma plataforma de interação ampla, usada para fins tão variados quanto publicar fotos, trocar ideias, ler textos ou jogar games cada vez mais complexos. Empresas de todos os tipos usam o cadastro do Facebook como crachá de identificação e todo dia surgem novos produtos e serviços desenvolvidos exclusivamente para ele. Um dos pilares do ambiente digital, é difícil imaginar o futuro sem ele. Não é à toa que a expectativa pela oferta pública de suas ações em Wall Street venha causando tanto furor.

Mas o mundo digital evolui muito rápido, e quem pretende ficar na frente não pode se acomodar se não quiser ser ultrapassado. Até há pouco tempo ninguém imaginava que a Microsoft seria ameaçada em sua hegemonia. Sorrateiramente, o Google foi invadindo o espaço com produtos e serviços integrados, apoiados na nuvem, pois tinha compreendido que o modelo de venda de software estava com os dias contados.

Hoje é importante pensar no que virá depois das mídias sociais. Modelo de comunicação praticamente inexistente há dez anos, hoje essas plataformas de publicação e compartilhamento se tornaram tão populares e influentes a ponto de reconfigurar a visão que se tinha da Internet. Se no final do século passado "estar online" significava ter acesso a bibliotecas do mundo inteiro hoje a experiência é muito mais próxima, informal e restrita. Por mais que redes como o Facebook tenham abrangência global, os grupos de contato e interesse formados nela normalmente consistem de pessoas de uma mesma cidade, bairro, ambiente ou escola, trocando ideias a respeito do que foi publicado por alguns formadores de opinião. Seu uso não é tão diferente do compartilhamento de algo acontecido no jogo de futebol, novela, política, notícia ou publicidade nos papos informais cotidianos.

É curioso perceber que boa parte da interação via redes sociais é muito mais passiva do que a antiga ideia de "surfar" na Internet. Se no século passado a rede era uma experiência dinâmica de descoberta, em que novas opiniões e informações eram descobertos a cada link clicado ou digitado, hoje as redes já vem com a programação pronta. Seu usuário não vê mais uma tela em branco de um browser, aguardando comandos, mas uma lista interminável de conteúdo compartilhado, que raramente traz algo de surpreendente ou desagradável.

No Facebook a web 2.0 foi transformada em um canal personalizado de televisão. A interação, quando há, normalmente é pobre, feita através de ações simples de aprovação e compartilhamento, fácil de se realizar via controle remoto. É bem provável que os novos aparelhos de TV que acessem a Internet sejam utilizados para se assistir a esse grande "canal", com programação ininterrupta, às vezes previsível e repetitiva, entregando para seus telespectadores exatamente aquilo que gostariam de assistir. A evolução digital parece alternar momentos de evolução e retrocesso.

Em um ambiente que se transforma a cada instante, as redes sociais precisam se transformar se pretendem continuar relevantes, como o fez a MTV. Na década de 1980, sua popularidade era incontestável. Junto com a CNN e a ESPN, a MTV revolucionou o formato televisivo ao levar a linguagem do rádio para o vídeo. Seus apresentadores cheios de personalidade entregavam conteúdo ininterrupto, independente das grades de horário, chacoalhando um formato bastante comportado e acomodado. Nos anos oitenta, a experiência de assisti-la era o que havia de mais próximo do que seria mais tarde a Internet, com novas ideias, linguagens e conteúdos o tempo todo. Mas a glória durou pouco.

A Internet (e serviços como o MySpace, iTunes e YouTube) tornaram a ideia de uma TV que lançava artistas uma coisa velha e engessada. O problema não estava na MTV, mas na TV como um todo. Para se manter sintonizada, a emissora precisou mudar de linguagem e de programação, e apanhou um bocado até se transformar em uma emissora que estrutura e populariza novas formas de humor e entretenimento, fazendo uma bela curadoria de conteúdo de tudo que é produzido nas mídias sociais.

O Facebook precisa ficar igualmente esperto se não quiser correr o risco de envelhecer rapidamente. Por mais que ele seja a maior rede do mundo, sua experiência é fria, passiva, simplória. Usuários de videogames, MMORPGs e de outras redes mais intensas até estão nele, mas não conseguem entender como um ambiente tão sem graça cause fascínio. Suas queixas são parecidas com aquelas feitas pelos usuários de Internet sobre a TV na virada do século.

Dentre essas redes, o Club Penguin chama a atenção. Seus usuários são crianças e pré-adolescentes, que não conseguem imaginar uma relação completa sem a ajuda de telas ou botões. A interação ali começa com a definição da própria personalidade e apresentação para o mundo. Como todos ali são pingüins genéricos, as personalidades não são definidas por nomes de família, local de residência ou trabalho. Em uma verdadeira meritocracia, todos começam iguais e só ganham importância conforme sua participação e interação social.

Decorando seus iglus, participando de conversas privadas, vestindo cuidadosamente suas aves-avatares conforme a ocasião e cuidando de seus Puffles para que não fujam, muitos desses habitantes do Século 21 aprendem o que há de interessante (e de deprimente) no mundo adulto à medida que participam de festas, economizam suas moedas e produzem notícias para o jornalzinho local.

Se o Facebook não compreender (e incorporar) essas mudanças, pode perder importância tão rapidamente quanto a ganhou, já que é fácil imaginar essas que hoje são crianças migrando para uma nova rede, mais ativa, estimulante e debatedora, muito mais real, duradoura e interessante do que a passividade do asséptico mundo azul em que só é permitido "curtir" e "compartilhar".

...

Luli Radfahrer é professor-doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos. Trabalha com internet desde 1994 e já foi diretor de algumas das maiores agências de publicidade do país. Hoje é consultor em inovação digital, com clientes no Brasil, EUA, Europa e Oriente Médio. Mantém o blog www.luli.com.br, em que discute e analisa as principais tendências da tecnologia. Escreve a cada duas semanas no caderno "Tec" e na Folha.com.

Reproduzido de Folha Online

Leia na Super Interessante, "Aplicativo permite postagens pós-morte no Facebook" (13/01/12), clicando aqui.

domingo, 25 de março de 2012

Mídia televisiva e democracia: a perspectiva da comunicação como um direito humano

Mídia televisiva e democracia: a perspectiva da comunicação como um direito humano*

Larissa Carvalho de Oliveira (UFG)**

Resumo

A partir de uma perspectiva crítica acerca da produção midiática em nosso país, este trabalho busca enfatizar a legitimidade  de anseios sociais de democratização dos meios de comunicação. Nesse sentido, há de se ressaltar o caráter humanista que deveria pautar tais veículos comunicativos, em contraste com ideais mercantis e concentracionistas, predominantes no setor midiático. Inicialmente abordamos sobre determinadas consequências do cerceamento de reflexões e integração do público em relação ao conteúdo transmitido pelos meios de comunicação. Com isso, evidencia-se a falácia do discurso de censura da mídia, afinal quem seriam os censurados? Na sequência, são consideradas algumas justificativas sustentadoras do entendimento da comunicação como um direito humano. A sociedade civil brasileira tem sido mantida apartada das decisões no âmbito comunicativo, seja no que tange ao sistema de outorgas de concessões para o funcionamento televisivo, seja no processo de seleção ou produção de conteúdos. Por fim, em um exemplo de participação popular em discussões envolvendo a comunicação social, consideramos a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), analisando certas propostas que refletem o interesse social por atuar efetivamente nos meios de comunicação.

*Trabalho apresentado no Simpósio Temático “Meios de comunicação, direitos humanos e democracia” do II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí, sob orientação da Professora Msc. Rosane Freire Lacerda, do curso de Direito da UFG, Campus Jataí. 2011.

**Aluna do quarto período do curso de graduação em Direito da UFG, Campus Jataí.

Texto completo disponível para leitura clicando aqui.

Leia também:

"A comunicação como direito humano: um conceito em construção", dissertação de Raimunda Aline Lucena Gomes, apresentada ao Programa de pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (2007) na página do DHNETclicando aqui.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Programa Ver TV analisa a publicidade infantil na televisão brasileira


Publicidade infantil
Análise de pesquisa sobre o volume de anúncios voltados para as crianças

Pesquisa inédita revela o volume de anúncios mostrados pela TV para o público infantil às vésperas do Natal, Páscoa e do Dia das Crianças. Os primeiros resultados já foram apurados e analisados pelo VerTV de domingo (18/03/2012).

Lalo Leal conversa com os seguintes especialista sobre publicidade infantil.  Estarão no programa, o pesquisador do Observatório da Mídia, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Edgar Rebouças; a advogada Gabriela Vuolo, do Instituto Alana; e a professora de psicologia da PUC-SP, Maria da Graça Gonçalves.

Assista ou descarregue o programa clicando abaixo:

Obs: Ao baixar e usar os vídeos deste site (TV Câmara), você automaticamente declara estar de acordo com o Termo de Uso.

Leia também:

"Resultado do monitoramento de publicidades na TV", clicando aqui.

Conheça o "Manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil" clicando aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A televisão possibilitando novos olhares no fazer pedagógico


A televisão possibilitando novos olhares no fazer pedagógico

Pedagoga
Universidade Federal do Tocantins
2010

Resumo

A pesquisa que se segue: “A televisão possibilitando novos olhares no saber – fazer pedagógico” investiga formas de apropriação da televisão como ferramenta pedagógica nas instituições de ensino. O hábito de ver televisão faz parte da cultura atual. Na maioria dos lares brasileiros, estejam eles no ponto mais distante do mapa, a TV está presente entretendo e distraindo as pessoas, e por ser um meio de comunicação tão atraente e popular acaba por interferir no modo de pensar, agir e se relacionar com o mundo. Nesse sentido, o projeto procura mostrar de uma forma atraente, o uso desta tecnologia para promover a aprendizagem de forma crítica e atualizada, já que a grade de programação de todas as emissoras busca tratar de assuntos atuais em seus programas, sejam eles informativos ou de entretenimento. Sendo assim, os meios tecnológicos de comunicação, em especial a televisão, podem ser usados como recurso para educar o olhar, motivar os alunos e transformar as aulas em laboratórios do conhecimento humano e assim contribuir para a formação de cidadãos que conseguem ver além das imagens e participar democraticamente dos processos políticos e sociais do contexto em que está inserido. Para tanto, foi realizado pesquisa de campo em escolas da rede pública estadual de ensino, com aplicação de questionários abertos para alunos e professores. Teoricamente o trabalho se fundamenta no pensamento de autores que há muito tampo se dedicam ao tema como Douglas Kellner, Marcos Napolitano, Pedrinho Guareschi, José Manoel Moram, dentre outros.

Conclusão

Chegando ao fim desse trabalho percebo que muito descobri sobre a televisão e toda a dinâmica que a envolve, porém minhas descobertas são apenas uma pequenina ponta da discussão que não pode ficar engavetada nas escrivaninhas burocráticas das escolas, faculdades e outros órgãos educacionais.

Nesse trabalho pude pontuar fatos e levantar questionamentos pertinentes ao campo comunicacional e educacional, pois acredito que da mesma forma que a escola precisa mudar sua visão em relação a televisão e outras mídias, as emissoras de TV devem se engajar em utilizar esse instrumento tão rico que é a comunicação de massa em benefício da formação de gerações críticas e questionadoras.

Para encaminhar essas mudanças é necessário coragem para debater os meios de comunicação de massa, que hoje são grandes oligopólios a serviço do capitalismo mercantilista. Penso que essa realidade deve ser modificada e acompanho o pensamento de Silverstone (2002), quando este diz que a sociedade precisa se manifestar criando o que pode ser chamado de quinto poder, que seja capaz de controlar o quarto poder - a mídia- que já controla muito bem os outros três.

O papel desse quinto poder seria desafiar, criticar, enfrentar e responder a mídia. Quanto a escola, a responsabilidade dessa instituição vai além da formação intelectual, deve transcender a formação humana e cidadã e alcançar o ápice de uma formação integral do indivíduo, onde este possa contra argumentar e se posicionar-se frente as intencionalidades das mídias, não deixando de assisti-las e participar de suas produções, mas lendo-as de forma crítica, reflexiva e decidindo-se de forma democrática sobre seus valores e contribuições à sociedade.

Sempre é tempo de iniciar um letramento para as mídias, e para essa tarefa obter êxito ninguém pode ficar de fora. A sociedade civil e o poder público devem ampliar seus conhecimentos sobre a mídia eletrônica para junto aos órgãos educacionais buscar formas de democratizá-la.

A obrigação da mídia é defender os interesses do país, e a obrigação da escola é possibilitar as futuras gerações a participação ativa nas mudanças e a compreensão intrínseca desses interesses. Portanto, na sociedade atual, uma não deve caminhar sem a outra do lado.

Conheça o trabalho na íntegra clicando aqui ou ali.

Direitos da criança são ameaçados na TV


Direitos da criança são ameaçados na TV

Vilson Vieira Junior
Observatório da Imprensa
13/03/2012

Em maio de 2009, a pequena Maisa, à época com apenas seis anos de idade, protagonizou cenas constrangedoras ao lado do apresentador e empresário Silvio Santos no quadro “Pergunte pra Maisa”. O palco foi um programa dominical que leva o nome do “homem do baú”, no SBT. Numa das cenas, que foi ar no dia 10 daquele mês, ele provocou choro e muitos gritos na menina ao levar um garoto com o rosto pintado de monstro. Momentos antes, ela havia contado ao apresentador que ficou com medo ao vê-lo no camarim. Todavia, o dono do SBT quis fazer um teste e o chamou ao palco. Após ver o “menino-monstro” ao seu lado, Maisa, em desespero e aos prantos, começou a correr diante das câmeras acompanhada pelas gargalhadas sarcásticas de Silvio Santos.

Noutra ocasião, exibida uma semana depois, Maisa ficou nervosa com as provocações do apresentador pelo que havia acontecido no programa anterior. Ela deixou o palco correndo, bateu com a cabeça em uma câmera e chorou reclamando de dores com a mãe. Não bastasse aquele absurdo, Silvio Santos, em coro com o auditório, cantarolou: “Medrosa, medrosa, medrosa...” As duas cenas lamentáveis saíram da TV para virar febre na internet e logo ganharam as páginas de grandes jornais.

Resultado: a Vara da Infância e da Juventude da comarca de Osasco – cidade onde estão sediados os estúdios do SBT –, a pedido do Ministério Público Estadual, cassou a licença que permitia a participação da menina no programa. Essa longa introdução é para mostrar que fatos como esses envolvendo crianças não são isolados e, com frequência cada vez mais preocupante, invadem os lares de milhões de brasileiros. E o mais recente aconteceu no programa Raul Gil, no dia 3 de março deste ano, também no SBT.

Direitos da criança


Velho conhecido em apresentar calouros infantis para alavancar a audiência, Raul Gil comanda aos sábados o quadro “Eu e as Crianças”. Nele, as crianças interagem com o apresentador, cantam, dançam e contam piadas. Tudo em clima de muita diversão. Mas uma cena chamou a atenção por lembrar o ocorrido com Maisa há quase três anos. Desta vez, a vítima da disputa sem limites pela audiência na TV aberta foi a pequena Manuela Munhoz, que aparenta ter apenas quatro ou cinco anos de idade, embora seja bem conhecida do público que assiste ao programa.


Ao ser provocada pelo apresentador, que a interrompia voluntariamente quando ela tentava anunciar a próxima criança, começou a chorar, pedindo: “Por favor, para de brincar comigo, vovô Raul!” Como ele não atendeu aos pedidos da menina, ela disse: “Vovô Raul, eu já falei pra parar de brincar comigo!” E soluçava compulsivamente, sendo consolada por duas colegas que tinham acabado de chegar ao palco. O apresentador tentava minimizar o sofrimento da pequena caloura entoando frases que rimavam com o nome dela. Mas ainda chorando muito e com a voz embargada, Manuela teve que falar um texto decorado, um slogan que promovia o apresentador e a emissora na qual se apresentava.

Para muitos, tal episódio não passou de mais uma entre tantas estratégias já empregadas na TV para entreter o público, em sua grande maioria tão carente de diversão e lazer nos fins de semana. No entanto, crianças estão no centro desses fatos inaceitáveis e de mau gosto. Crianças que, como todas as outras, ao invés de serem objeto de exploração e chacota, merecem total proteção e respeito quanto à sua integridade física, moral e psíquica. É o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas que ainda parece desconhecido por aqueles que fazem televisão no Brasil.

Liberdade, respeito e dignidade


Vale sublinhar que o Estatuto motivou a ação do Ministério Público Estadual de São Paulo contra o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), em 2009, no caso Maisa. Sendo assim, não custa nada lembrá-los o que determina o ECA em seus artigos 4º, 5º, 15, 17 e 18, com destaque para os três últimos:


Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.

Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.

Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Desafio à democratização da mídia

Ao serem analisados à luz da legislação, casos como os de Maisa e Manuela só vêm confirmar a forma criminosa com que a TV aberta comercial tem abordado a criança nos últimos tempos e refletem a inoperância do Ministério das Comunicações na fiscalização do conteúdo veiculado pelas concessionárias de televisão. Estas, além de não dedicarem o devido espaço ao público infantil a partir de conteúdos educativos, de exibirem em qualquer horário programas inadequados (burlando a Classificação Indicativa) e de abusarem da publicidade direcionada a esse público, prestam um enorme desserviço ao expor crianças em situações constrangedoras e humilhantes em programas de auditório.

Em suma, o que aconteceu deve ser visto como um atentado às crianças de todo o país, além de colocar em xeque, mais uma vez, o cumprimento de obrigações legais e constitucionais por parte das emissoras de televisão. Eis aí mais um desafio para os que defendem a democratização da mídia no Brasil: preservar os direitos de crianças e adolescentes nos meios de comunicação e reivindicar políticas de conteúdo que respeitem sua condição de sujeitos em plena formação de valores éticos, sociais e intelectuais.

* É jornalista, Serra, ES




Geração "C" e Consumo midiático nos EUA: “o consumo de TV por adolescentes continuou a crescer, mesmo com o surgimento de novos aparelhos tecnológicos”


Adolescentes não abandonaram a TV, diz pesquisa

Redação
Observatório da Imprensa
13/03/2012

Mesmo com adolescentes passando mais tempo diante das pequenas telas de celulares, tablets e notebooks, ainda é a TV que recebe mais atenção deles, noticia Joe Flint [Los Angeles Times, 9/3/12]. “Há uma noção popularizada do típico adolescente constantemente conectado digitalmente. Na realidade, adolescentes consomem a vasta maioria do seu conteúdo de vídeo via TV tradicional”, afirma Todd Juenger, analista da empresa de pesquisa Sanford C. Bernstein & Co, no relatório “Why the Internet Won’t Kill TV” (Por que a internet não vai matar a TV).

Juenger analisou dados do instituto Nielsen que mostram que o “consumo de TV por adolescentes continuou a crescer, mesmo com o surgimento de novos aparelhos tecnológicos”. Atualmente, adolescentes assistem a quase quatro horas de TV por dia. Embora sejam duas horas a menos do que a maioria dos adultos, é mais do que as quase três horas que gastavam diante da TV em 2004 – a taxa de crescimento tem sido de 2,5% ao ano. Adultos sempre assistiram a mais TV do que adolescentes.

Os resultados sugerem que os adolescentes veem as novas plataformas como um acréscimo à TV. Em média, eles assistem a apenas três minutos de vídeo por dia no computador ou no celular, o que é menos do que 3% do total do consumo de vídeo.

Há preocupação na indústria televisiva de que, na medida em que os consumidores migram para novas mídias, o investimento com publicidade caia. Mas Juenger observou que, enquanto os jornais impressos já sentiram a migração de recursos publicitários e do público para a web, a TV ainda não sofreu este impacto. Segundo o analista, ainda deve levar duas décadas para que isto ocorra.

Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)


Para acessar a pesquisa do Instituto Nielsen, abaixo, clique aqui.

State of the Media: U.S. Digital Consumer Report, Q3-Q4 2011

Born sometime between the launch of the VCR and the commercialization of the Internet, Americans 18-34 are redefining media consumption with their unique embrace of all things digital. According to Nielsen and NM Incite’s U.S. Digital Consumer Report, this group - dubbed “Generation C” by Nielsen - is taking their personal connection—with each other and content—to new levels, new devices and new experiences like no other age group.


Leia também:


"Esqueça a Y: Geração C é a mais conectada, afima Nielsen", clicando aqui em IDG Now.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Demoniocracia (Inferno na Terra): liberdade é poder assistir televisão...



Demoniocracia (Inferno na Terra)


Povos de terceiro mundo.
Das mais baixas camadas sócio-economicas.
Unidos em maldição.
Onde os valores foram mudados?
Do ocidente e do oriente.
Perderam-se o respeito.
A dignidade e a cidadania.
A voz do povo nao era a voz de deus?
Aonde estão nossos pertences?
Quem impõe toda essa dor e ódio
O que será de nossos filhos?
A voz do lucro se tornou a voz de deus?
Quem calou as nossa vozes?
Quem calou as suas vozes?
"Terra dos livres, lar dos bravos"
Horriveis metodos de exploraçao
...deus salve a América.

Demoniocracia, inferno na terra
Demoniocracia e o fascismo implementado por g8 (U$A) nos paises endividados.
Facilitam subsidios para a politica de exclusão.
Sem luxo sem escolas sem liberdade de expressão.
Liberdade é poder assistir televisão.
Fazer girar a roda da destruição.
Discordar é proibido e rebelar-se é pena capital.
Inferno na terra, democracia do mal!
Demoniocracia, inferno na terra... INFERNO
É o mal...
exploração infantil,
pobreza,
alienação.
É o mal.


(OBS: vídeo não encontrado)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Crianças em baixa na programação no rádio e na TV


Crianças em baixa no rádio e na TV

Vilson Vieira Júnior
Mídia Aberta

O Brasil sempre exibiu programas infantis memoráveis, que fizeram história na televisão: Sítio do Pica-Pau Amarelo, Vila Sésamo, TV Colosso, Rá Tim Bum, Bozo, Balão Mágico, Castelo Rá Tim Bum, Cocoricó. Alguns ainda estão no ar, como o Cocoricó, Castelo Rá Tim Bum e Vila Sésamo, ambos na TV Cultura. Mas esses são as ditas raras exceções.

As atrações dedicadas às crianças praticamente desapareceram da TV aberta brasileira. Ponto para as emissoras do campo público, como as tevês Brasil e Cultura. Ao contrário das comerciais, ambas dedicam parte considerável de suas grades de programação ao público infantil.

Entre às 08h45 e às 16h, de segunda à sexta-feira, os programas infantis dominam a grade da TV Brasil, fazendo jus ao horário considerado Livre pela Classificação Indicativa. E na TV Cultura não é diferente. De segunda à sexta, das 08h15 às 18h45, as crianças é que mandam na programação da emissora, com 11 atrações dedicadas exclusivamente para elas.

Já nas tevês comerciais...

Das emissoras comerciais, as únicas que ainda dedicam algum tempo da grade às crianças são a TV Globo e o SBT, emissoras que até a década de 90 se destacavam entre o público infantil e disputavam de igual para igual os olhares dos pequenos, principalmente nas manhãs.

No SBT, quem se destaca, de longe, na audiência e na programação, é o mexicano Chaves, exibido em dois horários pela emissora paulista. O canal veicula apenas duas produções próprias voltadas às crianças: Carrossel Animado e Bom Dia e Cia, com destaque para os desenhos animados importados. A faixa da programação infantil vai de 07h30 às 14h15, de segunda à sexta-feira, considerando a programação oficial da geradora, em São Paulo.

Já a TV Globo reduziu drasticamente a programação voltada para as crianças. Restou a fraca e inexpressiva TV Globinho, com apenas 1 hora e 25 minutos de duração (de 10h40 às 12h05). Ainda assim, a atração se resume a desenhos animados enlatados e mais nada.

Logo a Globo, que já fez história com atrações como Sítio do Pica-Pau Amarelo, Balão Mágico, TV Colosso e até com o Xou da Xuxa, hoje preenche as manhãs da emissora com programas direcionados ao público adulto, entre jornalísticos e os que abordam temas como saúde e variedades sem grande importância para o público.

Rede TV! tem o TV Kids, um programa dedicado aos animês (desenhos animados japoneses), e mais nada. E a Record é tão ruim quanto a co-irmã Rede TV!. Durante a semana, nenhuma atração preparada para as crianças é exibida pela emissora do bispo Edir Macedo. Nos fins de semana, a Record veicula o Record Kids, em que exibe exaustivamente as peripécias maliciosas do Pica-Pau, e é só.

Crianças fora das ondas do rádio

Faço aqui um desafio: quem conhece alguma emissora de rádio, seja comercial ou pública, nacional ou local, que transmita pelo menos um programa direcionado às crianças? Difícil, não é verdade? FMs ou AMs, não importa a frequência da estação, mas uma coisa é certa: as rádios brasileiras não gostam de criança. Vide a inexistência de programas dedicados a elas.

A quase totalidade das rádios brasileiras passam o tempo tocando música, muitas delas retratando o universo dos adultos, como amor, sexo, separação, traição. Sem contar, claro, aquelas de baixíssima qualidade, que prezam pelo duplo sentido. E tudo isso em qualquer horário, tendo, muitas vezes, o público infantil como um de seus principais ouvintes.

É público e notório: à exceção de poucos, seja no rádio ou na TV, as crianças não têm vez e voz nos canais de comunicação mais populares do Brasil! Além de cotas para a programação regional e independente, chegamos a um momento em que a militância que luta pela democracia na comunicação deve cobrar para que se inclua a produção e a exibição de conteúdo voltados para as crianças como obrigações a serem cumpridas pelas concessinárias e permissionárias de radiodifusão, sejam elas públicas, privadas ou comunitárias. Valorizando, obviamente, produções nacionais.

Participe e comente!

Relembre os programas infantis que mais marcaram a TV brasileira e comente aqui no blog. E se você conhece alguma rádio que dedique parte de sua programação às crianças, deixe um comentário e compartilhe com a gente! 

Se não mudamos nós, a mídia não muda!

Até a próxima!

Reproduzido do Blog Mídia Aberta
Por uma Comunicação ética, democrática e de múltiplas vozes
07 ago 2011