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terça-feira, 12 de novembro de 2013

"A ilusão das redes sociais", por Dulce Critelli


A ilusão das redes sociais

O narcisismo, a superficialidade e o distanciamento, entre outras características das relações virtuais, formam pessoas cada vez mais individualistas e egoístas

Por Dulce Critelli
Publicado na edição 81, de novembro de 2013

É indiscutível o importante papel que as redes sociais desempenham hoje nos rumos de nossa vida política e privada. São indiscutíveis também os avanços que introduziram nas comunicações, favorecendo o reencontro e a aproximação entre as pessoas e, se forem redes profissionais, facilitando a visibilidade e a circulação de pessoas e produtos no mercado de trabalho. A velocidade com que elas veiculam notícias, a extensão territorial alcançada e a imensa quantidade de pessoas que atingem simultaneamente não eram presumíveis cerca de uma década atrás, nem mesmo pelos seus criadores. Temos sido testemunhas, e também alvo, do seu poder de convocação e mobilização, assim como da sua eficiência em estabelecer interesses comuns rapidamente, a ponto de atuarem como disparadoras das várias manifestações e movimentos populares em todo o mundo atual.

Portanto, não podemos sequer supor que elas tragam somente meras mudanças de costumes, porque seu peso, associado ao desenvolvimento da informática, é semelhante à introdução da imprensa, da máquina a vapor ou da industrialização na dinâmica do nosso mundo. As redes sociais provocam mudanças de fundo no modo como as nossas relações ocorrem, intervindo significativamente no nosso comportamento social e político. Isso merece a nossa atenção, pois acredito que uma característica das redes sociais é, por mais contraditório que pareça, a implantação do isolamento como padrão para as relações humanas.

Ao participar das redes sociais acreditamos ter muitos amigos à nossa volta, sermos populares, estarmos ligados a todos os acontecimentos e participando efetivamente de tudo. Isso é uma verdade, mas também uma ilusão, porque essas conexões são superficiais e instáveis. Os contatos se formam e se desfazem com imensa rapidez; os vínculos estabelecidos são voláteis e atrelados a interesses momentâneos.

Além disso, as relações cultivadas nas redes sociais se baseiam na virtualidade, portanto, no distanciamento físico entre as pessoas. Isso nos permite, com facilidade, entrar em contato com as pessoas e afastá-las quando bem quisermos. Tal virtualidade garante comunicação sem intimidade. Em 1995, quando as redes sociais nem sequer eram cogitadas, o filme americano Denise Calls Up (Denise Está Chamando) já apresentava uma crítica às relações estabelecidas entre as pessoas através dos recursos da época: computador, telefone e aqueles enormes celulares. Os personagens eram alguns amigos que se comunicavam continuamente, mas tinham muitas dificuldades e até mesmo aversão de se encontrar pessoalmente. Também namoro e sexo aconteciam virtualmente.

Nunca me esqueci desse filme, impressionada que fiquei com a possibilidade, hoje tão iminente, de mutações essenciais nas condições de nossa existência. O que aconteceria conosco se não precisássemos mais da proximidade física de uns com os outros? O que morreria em nós, se essa proximidade deixasse de acontecer?

Quando Hannah Arendt, pensadora contemporânea da política, analisou os totalitarismos do século passado, apontou para o projeto desses sistemas de tornarem os homens supérfluos. Para tanto, entre outros expedientes, mantinham as pessoas isoladas umas das outras.

Separavam-nas de seus familiares, de suas comunidades, inclusive das pessoas com quem coabitavam nos galpões dos campos de concentração, instaurando entre elas a suspeita e o medo de delações. Isolavam classes sociais promovendo contendas e animosidades entre elas. Isolavam as pessoas do seu próprio eu, exaurindo-as com trabalho e mantendo-as doentes e famintas. O isolamento torna os indivíduos manipuláveis e controláveis, como coisas. Os sistemas totalitários sabem muito bem que, isolados, os homens perdem a capacidade de se expor e de agir.

Na nossa atualidade o isolamento tem um perfil diferente, porque é mais voltado para a intensificação do individualismo, cujos interesses afastam-se a cada vez mais das questões sociais. As recentes manifestações populares embora devam sua ocorrência às redes sociais, mantêm o caráter do individualismo e do isolamento, pois os participantes não criam vínculos entre si. Expressam suas opiniões, caminham juntos, mas é só isso.

Arendt tem por pressuposto de suas análises a condição humana da pluralidade, ou seja, o fato de vivermos entre homens e jamais chegarmos a ser nem um ser humano nem mesmo os indivíduos que somos longe da companhia dos outros. Os outros, tanto quanto o ambiente em que vivemos, nos constituem, daí que, se o distanciamento interpessoal for se estabelecendo como nova condição de existência, nossa própria humanidade poderá sofrer o impacto de uma mutação.

Os próprios equipamentos para acesso às redes, que estão conosco o tempo todo e exercem intenso fascínio sobre nós, corroboram com esse isolamento. Tenho ficado irritada com muitos de meus alunos que ficam consultando seus celulares e notebooks durante as aulas, como se estivessem fazendo anotações, mas acho que estão ligados às redes sociais. Talvez as aulas, sobretudo as de Filosofia, sejam muito chatas. Nelas não se pode pular de um assunto para outro, nem entrar em contato com múltiplas informações ao mesmo tempo, como se faz nas telas do computador, nem ficar livre de esforços do pensamento com análises e reflexões. Nas aulas não se pode passar por alto dos assuntos e situações.

Já em 1927, em seu livro Ser e Tempo, Martin Heidegger percebia esse comportamento cotidiano dos indivíduos de tomar tudo pelo aspecto e o nomeou de “avidez de novidades”. O que interessa é sempre a próxima novidade, o próximo assunto, a próxima notícia... Também identificava como “falação” um comportamento complementar: todos falam sobre tudo, sabem de tudo, mas não compreendem nada em profundidade.

Parece que “falação” e “avidez de novidades” estruturam a participação nas redes sociais. As pessoas já estão acostumadas a comentários rápidos e superficiais sobre tudo e todos. É fácil ver nesses comentários a preocupação de cada qual em simplesmente dar sua opinião, mais do que ouvir a alheia. A opinião do outro é apenas a oportunidade para se expressar a sua própria.

O outro parece importar, mas de fato não importa. Importam apenas a própria posição e a autoexposição. Daí a constante informação sobre as viagens, os pensamentos, as emoções, as atividades de alguém. É preciso estar em cena e sempre. Há nisso um evidente desenvolvimento do narcisismo e, consequentemente, do reforço do distanciamento entre as pessoas.

Faz parte desse narcisismo o fato de as pessoas terem de tratar a si mesmas como se fossem mercadorias. Em alguns de seus escritos, Zygmunt Bauman tem apontado para a necessidade das pessoas, sobretudo dos jovens, de se ocuparem sobremaneira com sua imagem nas redes sociais. Elas precisam escolher as fotos que melhor as apresentem, que as tornem atraentes e desejáveis. Aquelas que não souberem se vender correm o risco da invisibilidade e da exclusão.

Meu propósito, aqui, foi apenas o de levantar dados para uma reflexão. Mas quero acentuar que essas tendências das redes sociais – a virtualidade, o distanciamento, a superficialidade, a superfluidade do ser humano, a exposição narcísica, a ilusão de intimidade e popularidade, a “falação” e a “avidez de novidades”... – constituem o padrão de isolamento das relações pessoais. E quanto mais isolados, mais ficamos à mercê de controles e manipulações. Cada vez mais ameaçados na autoria do nosso destino pessoal e político.

Nov 2013


Comentário de Filosomídia:

A autora tem razão em afirmar que "ficamos à mercê de controles e manipulações" e, é claro que as redes sociais junto às outras empresas de anti-comunicação controladas por grupos hegemônicos das mídias sabem disso e inventam e re-inventam modos para que as pessoas fiquem plugadas o mais possível nos trololós e idiotices que des-informam, no entretenimento e nas banalidades. Até os fabricantes de smartphones e outros aparelhos estão nessa onda.

Obviamente que há também muita seriedade e rexistência, informação  pertinente, ética, sanidade política, bom senso nas redes sociais ainda que sejam em nichos. Na realidade ou na virtualidade de suas vidas as pessoas acham o que procuram, se conectam com o que têm afinidade, se informam ou se des-informam por sua livre escolha e de acordo com suas próprias maturidades.

O importante em não se deixando manipular é realmente criar contatos, vínculos ou laços para que se libertem de imposições do mercado, ou do que quer que seja, em comunhão e simpatia. As janelinhas em sua quase infinitude se abrem para que se dê contato entre as pessoas espalhadas por aí. Quando as redes sociais virtuais tornam isso possível também podem possibilitar desde a superficialidade dele até a realização da mais linda comum-única-ação entre as pessoas interessadas. Depende de cada um não se deixar manipular, ou ficar na superficialidade dos contatos, à moda de quem não quer procurar nada e nem se entregar à exposição demasiada. No mais, podemos advertir crianças e jovens, as pessoas em geral a serem críticas, observadoras, autônomas, politizadas, mais conscientes de si e de sua cidadania, mais criativas a partir desses primeiros momentos de tolice, ou por que não dizer de oportunidade para caminhos do amor...

“Cada um dá o que tem” disse a famosa Dona Beja de Araxá no século XIX, retribuindo com as mais belas flores de seu jardim a caixa cheio de esterco que as damas virtuosas da cidade lhe ofereceram, invejosas de sua beleza e desenvoltura. Nas redes sociais também pode ser assim.

As redes sociais criam ilusão, mas podem também ser um passo para a realização dos mais belos sonhos...

Leo Nogueira Paqonawta

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Os desafios do mercado de mídia brasileiro


Os desafios do mercado de mídia brasileiro

Luciano Martins Costa
30/05/2012 na edição 696

Nesta sexta-feira, 1º de junho, comemora-se o Dia da Imprensa. Em meio a desafios provocados por suas próprias decisões no cenário de grandes rupturas tecnológicas e importantes mudanças na sociedade brasileira, as empresas nacionais de comunicação enfrentam dificuldades para alcançar o desempenho registrado nos últimos anos por outros setores da economia.

As projeções dos profissionais de mídia para 2016 indicam que o mercado brasileiro do setor deve crescer R$ 10 bilhões a menos do que o previsto. Em março deste ano, a Associação Brasileira das Agências de Publicidade havia anunciado que o mercado apresentaria um salto para R$ 80 bilhões nos próximos quatro anos. Nesta quarta-feira, 30, revela-se que o valor será de R$ 70 bilhões.

Há apenas dois meses, esperava-se para 2012 um faturamento de R$ 39,9 bilhões, que, com um crescimento inédito estimulado pelos grandes eventos esportivos programados para 2014 e 2016, chegaria a dobrar nesse período. No entanto, segundo lembra a publicação especializada Adnews, o investimento das empresas em publicidade ficará em R$ 30 bilhões neste ano e já se constata uma previsão de crescimento mais modesta. Alguns fatores indicam que a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio de Janeiro não irão produzir o milagre da multiplicação de anúncios que se esperava.

As informações citadas pela Adnews foram retiradas do Mídia Dados 2012, lançado terça-feira durante o 5º Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, realizado em São Paulo entre os dias 28 e 30. O anuário do setor, que neste ano sai em um calhamaço de mais de 850 páginas, acompanha a evolução do mercado publicitário desde 1998, e permite observar o desenvolvimento do negócio que representa a principal fonte de receita das empresas de comunicação. Embora essa análise exija muita dedicação e tempo, um olhar sobre os gráficos revela que as chamadas mídias tradicionais estão travadas, muito provavelmente por causa de questionamentos em relação ao custo, diante da ampla oferta de meios representada pela tecnologia digital.

Como diz uma das profissionais entrevistadas para o Mídia Dados: “Mídia é dinheiro. A chance de um cliente questionar determinada ação é grande – e você precisa ter todos os argumentos, os técnicos, os estratégicos, os criativos”.

O lugar do lugar comum

A questão das escolhas sobre onde vai o dinheiro da comunicação das empresas anunciantes torna-se central num cenário que se mostra progressivamente mais diversificado e, portanto, mais competitivo. Como em todas as circunstâncias de mudança, aquilo que já está estabelecido precisa constantemente confrontar o novo. E, no caso da mídia, a tradição está com jornais, revistas e TV aberta. O rádio, que se caracteriza como um meio “líquido”, no conceito desenvolvido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, transita com mais facilidade pelas mudanças tecnológicas e de costumes.

O problema da transição presente é que as novas tecnologias provocam, pela primeira vez desde o surgimento da imprensa – forma primária de publicização –, o questionamento do próprio conceito de mediação. Como se pode observar em algumas das entrevistas apresentadas no anuário Mídia Dados, muitas empresas estão retomando para seus quadros o controle estratégico da decisão sobre onde colocar o dinheiro da comunicação.

Percebe-se uma tendência em agregar as funções antes destinadas separadamente à publicidade, marketing e aquilo que se convenciona chamar comunicação corporativa, ou relações com a imprensa. O alto custo da mídia faz com que muitas organizações estejam repensando seus investimentos em publicidade tradicional e passem a avaliar o potencial das mídias digitais.

Nesse sentido, hipoteticamente, alguns meios tradicionais como jornais e revistas poderiam se apresentar como elementos de ancoragem das mensagens institucionais, usando o prestígio de suas marcas para propor ações combinadas entre campanhas publicitárias do tipo tradicional e interações diretas com o público, através das redes sociais da internet.

Mas, para isso, as empresas de comunicação jornalística precisariam estar dispostas a abrir mão de seu discurso centralizador e verticalizado, o que exigiria mudanças na configuração das redações, em processos decisórios e até mesmo na linguagem. Além disso, é preciso, como sempre, surpreender o público. Mas, presos a modelos conservadores, os meios tradicionais de comunicação se tornaram o lugar do lugar comum.

30 mai 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Zygmunt Bauman: Como separar o que é importante e significativo do que é supérfluo e descartável?


Zygmunt Bauman e o sistema que hipotecou o futuro

Em agosto de 2011, uma revolta em Londres chamou a atenção do mundo. Sem liderança aparente ou qualquer tipo de exigência, jovens foram às ruas. Incendiaram e saquearam lojas, invadiram shopping centers e destruíram símbolos da sociedade de consumo que os excluía.

A questão era intrigante. O que levou essas pessoas a essas ações violentas? Embora compartilhassem o contexto de crise econômica e falta de oportunidades com aqueles que levaram a cabo os movimentos da Primavera Árabe, os jovens do Reino Unido não queriam transformar a ordem. Segundo Zygmunt Bauman, “foi uma revolta de consumidores desqualificados”. Eles queriam, na verdade, participar do sistema. O sociólogo viu naquela revolta o símbolo do momento em que vivemos.

Bauman foi uma testemunha das mudanças desse século de extremos. Nascido em 1925, na Polônia, sobreviveu ao nazismo, vivenciou o comunismo e, há 40 anos, pesquisa e mora na Inglaterra. Sua maior contribuição foi o conceito de liquefação dos laços sociais. Por mais que nossas relações não tenham perdido densidade ou complexidade, elas passaram a ser mais fluidas e incertas. As mudanças no modo de produção desencadearam uma série de pequenas revoluções no cotidiano que, aos poucos, criaram o contexto para que a sociedade atual se desenvolvesse.  De uma fábrica que detinha cada etapa da confecção de um bem, temos hoje cadeias de produção que se espalham pelo mundo como teias que se entrelaçam graças à tecnologia da informação e aos transportes cada vez mais rápidos. O tempo que era linear tornou-se instantâneo e o conhecimento passou a ser a base para a geração de valor. Em poucos anos, o capital que era sólido e fixo, ganhou enorme liberdade no espaço e no tempo.

Como consequência, todo o tecido social foi afetado. No nível do trabalho, a atualização e a capacitação profissional passam a ser constantes e a renovação dos quadros não mais obedece uma ordem linear. Foi rompida a sequência entre escola, universidade e trabalho. O mercado busca cada vez mais a especialização e muitos diplomados acabam em subempregos ou desempregados. Na arquitetura, os não-lugares – shopping centers, estradas, aeroportos – representam pontos de conexão em uma rede de fluxos indefinidos. Governos ficam à deriva em um contexto que Bauman classifica como “divórcio entre política e poder”. Na vida pessoal, a constante necessidade de se redefinir, de se aprimorar e de se adaptar cria um ambiente de insegurança e angústia. A saída, para muitos, é o consumo. Um alívio rápido que permite que se estabeleçam laços com determinado grupo ou idéia, mesmo que de maneira fugaz, pois sempre haverá algo mais novo ou mais interessante. Os estímulos constantes e a necessidade de criar para agregar valor fecham o ciclo de um sistema que se retroalimenta e se expande a uma velocidade que parece sempre maior do que se pode acompanhar.

Para Bauman, aqueles jovens demonstraram a crise de um sistema consumista que hipotecou o futuro, desmantelou gradualmente as estruturas que mantinham a coesão social e comercializou a moral. O correspondente Silio Boccanera foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo. Veja a entrevista completa no Milênio desta segunda-feira, 16/01, às 23h30 na Globo News.

Reproduzido de Milênio G1
12 jan 2012

Assista ao vídeo com a entrevista a Silio Boccanera no G1 clicando aqui e ali.


 O mundo líquido moderno, segundo Zygmunt Bauman

O correspondente Silio Boccanera foi até a casa de Zygmunt Bauman, em Leeds, para conversar com um dos sociólogos mais importantes de nosso tempo.

Z. Bauman falou muito sobre o “sistema” que hipotecou o mundo: (vide aqui no G1) . Em seu livro “Modernidade Líquida“  complementa e conclui a análise realizada em “Globalização: as Consequências Humanas” e “Em Busca da Política”. Juntos, esses 3 volumes formam uma análise brilhante das condições combinantes da vida social e política na sociedade moderna. Neste livro, Bauman analisa cinco conceitos que organizam a vida humana: emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade. Ele traça o cenário da mudança desses conceitos na assim chamada pós-modernidade. E discute muita coisa que a gente percebe por aí, mas as vezes nem pára para pensar.

Já no seu outro livro “Amor Líquido”  investiga  de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais “flexíveis”, gerando níveis de insegurança sempre maiores. Com sua usual percepção fina e apurada, Bauman busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos se conecta.  No livro “A Arte da Vida” ele lança o questionamento:  O que há de errado com a felicidade?A pergunta pode desconcertar – e é essa a intenção de Zygmunt Bauman; ele reflete sobre os parâmetros que norteiam nossa busca pela felicidade – busca que, muitos concordarão, preenche a maior parte de nossas vidas – (vide aqui no G1).

Num de seus últimos livros “44 cartas do mundo líquido moderno” ele cita que nos dias de hoje, somos bombardeados por informações de todos os lados. Como separar o que é importante e significativo do que é supérfluo e descartável? Essa foi sua intenção quando  convidado pela revista italiana La Repubblica delle Donne – publicação de caráter cultural dirigida sobretudo ao público feminino – a escrever cartas comentando aspectos do que o sociólogo chama de “mundo líquido moderno”. Foram dois anos (de 2008 a 2009) em que Bauman escreveu quinzenalmente para os leitores italianos sobre temas como iPod; Twitter; Facebook; Barack Obama; cartões de crédito e gripe suína. Esse livro apresenta uma seleção de 44 desses textos.

Poucos eventos escapam ao olhar atento de Bauman, que apresenta breves e brilhantes análises da vida contemporânea. Surpreende a capacidade do sociólogo em descobrir significados sob atos aparentemente simples – uma chamada ao celular, a exposição de uma foto no Facebook, um outdoor, a lista de gastos do cartão de crédito. Todos esses fatos que parecem casuais e desconectados se unem para reforçar a aflição do homem no mundo líquido: buscar sua identidade.  E o sociólogo faz um alerta: apenas unidos poderemos combater os “males sociais”, optar pelo individualismo seria o mesmo que nos preparar para nossa própria biodegradação e reciclagem.

Reproduzido de Blog do Kappel
22 jan 2012

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