Desde la Nación Xinka Originaria, en Guatemala, les saludamos hermanos y hermanas, compartimos desde nuestros sitios web este encuentro que nuestros ancestros pronosticaron, cuando la esencia de los tumay sagrados se unificarían, y volarian y andarían como en el tiempo del inicio... bendición hermanos! Pahtanay alox na wiriki, 'ura tawala na tiwina aawuy tiwix!
Saludos hermanos! El condor el aguila y el quetzal volando vienen volando van... en estos tiempos de reencuentro y sabiduría ancestral. Fuerza para la defensa de la vida, fuerza para el camino del tiempo.
De juventudes, pueblos, naciones y culturas originarias ABYA-YALA- MEXICO 2012 Inti Raymi del año 160.520P.k. 3 al 7 de junio 2012
La educación indígena comienza desde la gestación, continúa con la familia, la comunidad. Su fin es la existencia para el buen vivir.
La educación, por ello, es inseparable de los conceptos de territorialidad, identidad y cosmovisión. Territorialidad por que a partir de allí concreta sus objetivos y contenidos. La transmisión de generación en generación de saberes ancestrales y tradicionales de cada comunidad, fortalece la identidad.
La Cosmovisión atraviesa estos conceptos, y lo instituido en todas las prácticas y pensamientos. Implica oralidad y conocimiento científico.
Perú: Habrá panel de discusión luego del estreno de “El Avatar verdadero”
30 marzo 2012
Pontificia Universidad Católica del Perú
Es una película que puede verse desde muchos ángulos pero al final no puede evitarse admitir que la amazonía y sus riquezas -entre ellas, los pueblos indígenas-, merece respeto y necesita de soluciones efectivas para detener la contaminación. El Avatar verdadero de David Suzuki narra los conflictos de los pueblos awajún, wampis y harakmbut en la Cordillera del Cóndor por la explotación minera y de hidrocarburos.
La acuciosa periodista Claudia Cisneros será la moderadora tras la proyección del documental de una mesa conformada por María Luisa del Río (editora de Regiones de El Comercio), Bill Powers (director de Ingeniería de Etech International), Juan Luis Dammert (investigador de SPDA) y Oseas Barbarán (presidente de la Confederación de Nacionalidades Amazónicas del Perú).
El estreno es este viernes 30 de marzo a las 7:00 p.m. en el Centro Cultural de la PUCP, ubicado en avenida Camino Real 1075, San Isidro.
El Avatar… recibió excelentes críticas y varios reconocimientos cuando fue estrenado en 2011 en Canadá.
A través de la mirada del cientñifico Suzuki se contempla la actual disyuntiva entre el concepto de desarrollo estatal y la intención pueblos indígenas como los mencionados, quienes buscan preservar sus derechos e identidad cultural frente a cualquier amenaza externa.
Peru is in the midst of an unprecedented resource “rush” – 72% of the jungle has been zoned for oil development alone. And according to recent studies, in just 10 years nearly half the Peruvian rainforest–one of the most biologically diverse areas on Earth–may be past the point of no return if current rates of deforestation continue. InThe Real Avatar, David Suzuki sets off for the Amazon to investigate the effect this rush is having on the native peoples who call this land their home.
Under the shadow of the Cordillera del Condor mountains, and near where the mighty Amazon river begins, live the Awajun and Wampis peoples, a proud, warrior nation, never conquered by the Incas or the Spanish. Today, they feel they are being invaded again: Peruvian and Canadian mining companies aim to set up a gold mine on land these natives say is their traditional territory. In fact, the Awajun had an agreement for the establishment of a National Park along the Cordillera that would protect their land. But the Awajun found their agreement broken, quite literally in two, when Peru's President gave half the area over to mining interests. Studies indicate that mining here would devastate the area's water system – water that flows to the downstream Awajun communities.
The Awajun were already part of a deadly confrontation with National Police in 2009 over Peru's plans for “developing” the Amazon – can more violence be avoided in the future?
In the southern province of Madre de Dios, native peoples fought successfully for over a decade to establish a communal Reserve to protect their lands from illegal mining and logging. The Reserve created was so protected that not even the natives themselves were allowed to use it. And yet today, this same Reserve finds itself nearly totally engulfed by Oil Block 76, sold to the Hunt Oil Corporation of Texas. As Hunt's exploratory work begins, the natives find themselves divided. Some feel oil development will bring jobs and money, while others fear the social and environmental impacts, and know their very way of life is at risk.
And for those nearby “Uncontacted” natives living in the forest in voluntary isolation, in the same way they have for thousands of years, the stakes are even higher.
InThe Real Avatar, David Suzuki journeys to the Peruvian Amazon to see first-hand the forces threatening the way of life of its indigenous peoples, and to explore the magnificent beauty and richness of this now-vanishing land, this “Pandora” on Earth.
A dramatic story of cultures in conflict, with the fate of the Amazon hanging in the balance,The Real Avataris shot in full HD and is produced and directed by Roberto Verdecchia.
Veja trailer do Documentário clicando aqui. E, mais informações/documentários de David Suzuki clicando aqui.
Sorria meu bem
Dos filósofos gregos aos cientistas de nosso tempo, todos dizem a mesma coisa: bom humor é fundamental
Eugenio Mussak
Sócrates preconizava o humor e era bem-humorado, ao contrário de Platão, que considerava o riso um sinal de fraqueza de caráter. Platão abriu uma escola. Sócrates ensinava na praça. Foi acusado de subversão dos costumes, preso e levado ao suicídio compulsório. Disse o juiz:
- Você está condenado à morte.
Com a calma dos sábios, Sócrates respondeu:
- Grande coisa. O senhor também.
Esses dois gênios mostram que não existem pessoas bem ou mal-humoradas: há as que se permitem ser e as que não. E isso depende mais da educação que recebemos, da atitude pessoal, que da genética ou da situação em que nos encontramos.
E, se temos o direito de escolher entre a graça e o tédio, há boas razões para preferir a primeira: a ciência e a sabedoria dos antigos, mas principalmente nossa própria experiência, ensinam que precisamos do humor para o equilíbrio físico, mental e espiritual. Mesmo se estivermos condenados à morte.
Rir para equilibrar
Os antigos usavam a palavra “humor” para designar os líquidos do corpo que estariam ligados à saúde da pessoa e, como conseqüência, a seu estado de espírito. Hipócrates os estudava. Segundo o pai da medicina, os quatro humores circulantes eram o sangue, a fleuma, a bílis amarela e a bílis negra. Do equilíbrio dos quatro dependia o equilíbrio do corpo, a saúde.
Como a saúde do corpo interfere na condição psicológica da pessoa, bem como recebe influência desta, foi natural que se estabelecesse rapidamente uma relação entre os humores e o comportamento. Uma pessoa alegre, de bem com a vida, estava de bem com seus humores. Era, portanto, uma pessoa bem-humorada. Pronto, de Hipócrates a Patch Adams em dois parágrafos.
Este último é o médico que criou a ONG Doutores da Alegria, composta por pessoas que usam o humor para acelerar a recuperação de pacientes em hospitais, especialmente crianças, com resultados comprovados. Patch Adams conta que adotou um temperamento alegre depois de ter sido internado como depressivo. Chegou à conclusão que tristeza ou alegria podem ser resultados de decisão pessoal, e que o poder de influencia dessas duas condições sobre o destino de cada um é enorme.
Até notórios mal-humorados, como Freud, estiveram preocupados com o tema. Em 1905, ele publicou um livro chamado Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente, com estudos sobre o humor, a comédia e o gracejo, utilizando os princípios gerais da psicanálise.
Freud acreditava que nossos sonhos seriam a manifestação de idéias latentes, que se apresentam com imagens um tanto diferentes da realidade – e às vezes criam até uma caricatura dela. No Livro dos Chistes, o grande psicanalista afirma que o humor usa as mesmas ferramentas que utilizamos para construir o sonho. E que tanto o sonho quanto o humor são necessários para aliviar tensões internas e descarregar energias destrutivas.
De acordo com Freud, por meio do sonho elaboramos nossas frustrações e nos equilibramos, e através do humor também. A diferença consiste no fato de que, enquanto o humor é uma forma de comunicação interpessoal, o sonho é a mais natural das formas de comunicação intrapessoal. O sonho é solitário. E o humor “é a mais social das funções psicológicas destinadas à obtenção do prazer”.
(...)
Riso filosófico
O humor não mira um indivíduo ou uma instituição, mas a própria condição humana. É uma espécie de riso filosófico, em que o homem compara a finitude do mundo e da própria vida com o infinito da idéia.
Costumo dizer que o pensamento diferencia os seres humanos dos animais, enquanto a qualidade do pensamento diferencia as pessoas entre si. Temos também que somos o único animal que ri (a hiena só engana) e, da mesma forma, a qualidade do humor nos diferencia uns dos outros. Uns têm mais, outros menos, alguns têm demais (e ganham fortunas com isso), outros não têm nenhum (e quem os agüenta?). E há os que têm mas não sabem usar, ou o expressam de maneira torta, ou na hora errada.
Ser bem-humorado não significa adquirir talento para contar piadas – embora você possa fazer isso (há muita gente “séria” se descobrindo em cursos para palhaços, por exemplo).
Também não quer dizer que você tenha de fazer troça de tudo e de todos, ou jamais conter um trocadilho, por pior que seja – ainda que você tenha o direito de experimentar como e quando um comentário engraçado ou nonsense pode cair bem.
O estado do qual estamos falando é muito mais o do olhar bem-humorado, o da sensação plena de “bem-humorança”. Tem mais a ver com sentir-se de bem consigo mesmo, com os outros, com a vida. É a medida ideal.
Bem, de tudo que já li, de tudo que observo, e também agora, enquanto buscava insumos para este texto, não encontrei nada de valor que pudesse arranhar a nobreza desta idéia: sorria.
Você pode até “reprogramar” seu cérebro, ou abraçar uma seita – há mil maneiras de encontrar a felicidade. Mas esta, sem dúvida, é a receita de maior bom senso no mercado: sorria, e veja o mundo sorrindo ao seu redor.
Porque está provado que bom humor atrai bom humor. “O sorriso e o motivo para sorrir estão sempre juntos, não importa qual dos dois chegou primeiro” (esta eu copiei não sei de onde).
Revista Vida Simples nº10, 01/10/2003
Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.
Texto relembrado por Denis de Moraes a propósito da partida de Cuba do Sr. Ratzinger em março de 2012, publicado em Koinonia, de autoria de Leonardo Boff. Via Facebook.
“Sobre a Declaração “Dominus Iesus”,documento sobre a unicidade e a universalidade salvífica deJesus Cristoe adoutrina da Igreja. Foi emitido pelaCongregação para a Doutrina da Fé, no dia6 de agostode2000, assinado pelo então prefeito da Congregação, oCardealJoseph Ratzinger, que se o tornou PapaBento XVI”. Wikipédia
Joseph Card. Ratzinger: exterminador do futuro?
Leonardo Boff
Quem pretende possuir sozinho a verdade absoluta está condenado à intolerância para com todos os demais que não estão nela. A estratégia é sempre a mesma, em qualquer um destes totalitarismos: converter os outros ou submetê-los, ou desmoraliza-los ou destruí-os. Esse método o conhecemos bem na América Latina. Foi minuciosamente aplicado pelos primeiros missionários ibéricos que vieram ao México, ao Caribe e ao Peru com a ideologia absolutista romana. Consideraram as divindades das religiões indígenas falsas e suas doutrinas pura invenção humana. E os destruiram com a cruz associada à espada.
Os lamentos dos sábios astecas ecoam até hoje:"Dissestes que não eram verdadeiros nossos deuses. Nova é essa palavra, a que falais. Por causa dela estamos perturbados, por causa dela estamos incomodados… Ouvi, senhores nossos, não façais algo a nosso povo que lhe cause desgraça e que o faça perecer… não podemos estar tranquilos" (Miguel León-Portilla, A conquista da América Latina vista pelos indios, Vozes, Petrópolis l987,21-22). Os maias em soluços choravam: "Ai! Entristeçamo-nos porque chegaram (os espanhóis cristãos)…Vieram fazer as flores murchar. Para que sua flor vivesse danificaram e engoliram nossa flor… Castrar o sol. Isso vieram eles fazer aqui… Esse Deus "verdadeiro" que vem do céu só de pecado falará, só de pecado será seu ensinamento. Eles nos ensinaram o medo"(León-Portilla, op.cit. 60-62).
O Cardeal Ratzinger poderá imaginar o que um piedoso presbiteriano, trabalhando no interior da selva amazônica com os indígenas ou um monge taoista, mergulhado em sua contemplação, sentirão quando, num encontro inter-religioso qualquer, se lhes disser que eles não têm fé ou que não são igreja, que em si nada possuem de divino e de positivo, e se o possuem é só por causa de Cristo e da Igreja? Assim humilhados e ofendidos têm motivos para chorar como os astecas e maias. E seu lamento chegará até o coração de Deus que sempre escuta o grito dos oprimidos, sem a mediação desnecessária da Igreja. Mas como são justos e sábios, seguramente, apenas sorirrão face à tanta arrogância, à tanta falta de respeito e à tanta ausência de espiritualidade para com os percursos de Deus na vida dos povos.
Leia o texto completo em português na página de Koinonia clicando aqui.
Joseph Card. Ratzinger: ¿exterminador del futuro? Sobre la Dominus Iesus
Leonardo Boff
Quien pretende tener él solo la verdad absoluta está condenado a la intolerancia para con todos los demás, que no están en ella. La estrategia es siempre la misma, en cualquiera de estos totalitarismos: convertir a los otros o someterlos, desmoralizarlos o destruirlos. Conocemos bien este método en América Latina. Fue minuciosamente aplicado por los primeros misioneros ibéricos que vinieron a México, al Caribe y a Perú con la ideología absolutista romana. Consideraron falsas las divinidades de las religiones indígenas, y sus doctrinas las tuvieron por pura invención humana. Y las destruyeron con la cruz asociada a la espada.
Los ecos de los lamentos de los sabios aztecas resuenan hasta hoy: "Dijisteis que no eran verdaderos nuestros dioses. Nueva palabra es ésa, la que habláis. Por causa de ella estamos perturbados, incomodados… Oigan, señores nuestros: no hagáis a nuestro pueblo algo que le cause desgracia o que lo haga perecer… No podemos quedar tranquilos" (Miguel León Portilla, A conquista da América Latina vista pelos indios, Vozes, Petrópolis l987, 21-22). Los mayas sollozaban: "¡Ay!, entristezcámonos, porque llegaron (los españoles cristianos)… Vinieron a hacer que las flores se marchiten. Para que su flor viviese, dañaron y devoraron nuestra flor… Castrar el sol: eso es lo que vinieron a hacer ellos aquí… Ese Dios "verdadero" que viene del cielo, sólo de pecado hablará, sólo sobre el pecado será su enseñanza. Ellos nos enseñaron el miedo" (León-Portilla, op.cit. 60-62).
¿Podrá imaginar el cardenal Ratzinger lo que un piadoso presbiteriano, trabajando en el interior de la salva amazónica con los indígenas, o un monje taoísta, sumergido en su contemplación, sentirán, cuando, en un encuentro inter-religioso cualquiera, se les diga que ellos no tienen fe, o que no son iglesia, que en sí nada tienen de divino y de positivo, y que si lo poseen es sólo por Cristo y por la Iglesia? Humillados y ofendidos, tienen motivos para llorar como los aztecas y los mayas. Y su lamento llegará hasta el corazón de Dios, que siempre escucha el grito de los oprimidos, sin la mediación innecesaria de la Iglesia. Pero como son justos y sabios, seguramente sólo sonreirán frente a tanta arrogancia, a tanta falta de respeto y a tanta ausencia de espiritualidad para con los caminos de Dios en la vida de los pueblos.
Leia o texto completo em espanhol na página de Koinonia clicando aqui.
Recopilación de investigaciones sobre educación y primera infancia
Estimados compañeros y compañeras de las distintas instituciones, organizaciones y activistas por la educación, les informamos que la Campaña Bolivianapor el Derecho a la Educación está recopilando investigaciones, sistematizaciones y datos de interés para elaborar un documento sobre “ESTADO DEL ARTE DE LA EDUCACIÓN EN LA PRIMERA INFANCIA EN BOLIVIA”, como material de socialización, consulta y orientación que se tomará en cuenta para entregar a las autoridades, líderes de opinión y personas clave en nuestro país en el marco de las actividades de la Semana de Acción Mundial 2012.
Toda institución u organización que desea compartir la documentación con la que disponga podrá enviarla, de forma física o virtual, a la Campaña Boliviana por el Derecho a la Educación, hasta el día viernes 30 de marzo.
Destacar que en este documento de ESTADO DE ARTE se citará la autoría de las instituciones.
Campaña Boliviana por el Derecho a la Educación
Teléfono/Fax: (591-2) 2445597
Av. Arce Nº 2314, Edif. Federico Demmer, piso 2, of. 3 La Paz . Bolivia
II Seminário Internacional de Pesquisa: CONSUMO – Afetividades e Vínculos - A cidade, o lugar, o produto
23-25 abril . PUC/SP/São Paulo/Brazil
O Seminário Internacional de Pesquisas em Consumo; Afetividades e Vínculos reunirá Instituições de Ensino e Grupos/Centros de pesquisa que desenvolvem investigações na área de consumo, iniciando assim uma sistemática de encontros que promovem pesquisas na área. Serão mesas redondas, conferências, apresentações de trabalhos em sessões de comunicação, percursos de consumo pela cidade que serão divulgados em publicação em livro com o propósito de fundamentar os estudos e investigações sobre o consumo em um amplo debate com a contribuirão de diversas Áreas.
Promoção
Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica/PUC-SP
Centro de Pesquisas Sociossemióticas - CPS
Profª. Dra. Ana Claudia Mei Alves de Oliveira
Maiores informações na página da PUC/SP clicando aqui, e na página do evento clicando aqui.
Após três dias de debates no Seminário de Regulação da Comunicação Pública, representantes das emissoras do campo público, movimentos sociais e parlamentares apresentaram o documento final do evento, o Manifesto por uma Regulação Democrática para a Comunicação Pública, na plenária da última sexta (23).
Entre as principais reivindicações estão a criação de um Conselho Nacional de Comunicação, com caráter deliberativo, participação democrática e indicação direta pela sociedade de seus membros, além da instalação imediata do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.
Foi cobrada também a regulamentação do Artigo 223 da Constituição Federal, que prevê a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal. O documento aponta a necessidade de garantia de independência das emissoras do campo público frente aos governos, com a criação de espaços de participação da sociedade civil em sua gestão.
Um tratamento igualitário entre as emissoras comunitárias e públicas também foi cobrado para o próximo marco regulatório. Para tanto, foi defendido o fortalecimento das rádios comunitárias, com ampliação de potência, aumento de canais por cidades, garantia de financiamento e autonomia, o fim da criminalização dos radialistas comunitários e a inclusão das TVs comunitárias no processo de regulamentação do Canal Cidadania.
Com relação ao financiamento, foi solicitada a implantação de um fundo composto por recursos da contribuição para o fomento da radiodifusão pública e por novas fontes, como a taxação das emissoras comerciais e de aparelhos de TV. Também foi defendido que as televisões e rádios comunitárias possam receber recursos de publicidade de governo e empresas estatais e que parte do Fundo Setorial do Audiovisual, gerenciado pela Agência Nacional do Cinema, seja destinado ao fomento da produção independente em parceria com as emissoras públicas.
No documento, também foi cobrado um aumento da programação regional e independente em todas as emissoras públicas, com o estabelecimento de percentuais mínimos, tendo como referência as cotas definidas pela Lei 12.485/11, que estabeleceu um novo regulamento para a TV por assinatura. O apoio a um operador de rede dos canais digitais do campo público também foi reforçado no documento.
Além do manifesto, o seminário também aprovou algumas moções de apoio: em defesa da Classificação Indicativa; pela anistia dos radiodifusores comunitários condenados; em apoio ao Conselho Curador da EBC pela definição da política de transmissão de conteúdos religiosos; e pela manutenção do caráter público da TV Cultura de São Paulo.
Um ano de Frentecom
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) aproveitou para celebrar o aniversário de um ano da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom), criada em abril de 2011 e desde então coordenada pela parlamentar. “O que define o caráter dessa Frente, é que além de ser um espaço democrático e plural, é espaço de reflexão e ação. Ação para transformar uma realidade que nos desafia em termos de sociais.”
De acordo com Erundina, a Frentecom deve ser protagonista na elaboração de um novo marco regulatório que respeite a comunicação como direito humano. “Mas tem que ser um protagonismo plural, coletivo, solidário e comprometido com projetos e ideias decididos democraticamente. Isso tem nos ajudado a nos reeducar e melhorar nossas posturas e atitudes frente a uma cultura lamentavelmente marcada pelo autoritarismo, abuso de poder e exclusão de grande parte das cidadãs e cidadãos desse país”, ressaltou.
A partir desse seminário, foi aprovada a criação de um Grupo de Trabalho para a organização do I Fórum Nacional do Campo Público de Comunicação. Além disso, as entidades do campo público se propuseram a participar da construção da Campanha pela Liberdade de Expressão e um Novo Marco Regulatório das Comunicações, puxada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Confira a carta final do documento:
Manifesto - Por uma regulação democrática para a comunicação pública
Nós, representantes de emissoras públicas, educativas, culturais, legislativas, universitárias e comunitárias, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, presentes no Seminário Internacional de Regulação da Comunicação Pública, promovido pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) e pela Secretaria de Comunicação da Câmara dos Deputados, afirmamos nossa posição a respeito da importância da comunicação pública e da centralidade do processo de revisão do Marco Regulatório das comunicações. Nesse sentido, reiteramos:
1 . A comunicação pública é o espaço da diversidade, pluralidade e do exercício do direito à comunicação, meio de afirmação da soberania nacional e instrumento estratégico para a construção de uma cidadania participativa que se apresente como alternativa política, cultural e informativa à comunicação comercial;
2 . O campo público de comunicação deve ser entendido como aquele que engloba emissoras federais, estaduais, municipais, educativas, universitárias, legislativas e comunitárias;
3 . O Estado deve cumprir papel de indutor e executor das políticas para a comunicação pública, garantindo, inclusive, os recursos necessários à sua existência;
4 . O debate da regulação deve se pautar no fortalecimento dos meios públicos, na garantia de uma gestão democrática e transparente, com participação social, e na criação das condições para a efetiva realização da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal, prevista no Art.223 da Constituição Federal;
5 . A regulação da comunicação pública é uma parte do necessário processo de atualização do Marco Regulatório das comunicações no Brasil, que deve garantir a máxima participação social, a isonomia entre os setores interessados e o real empenho dos poderes públicos, em especial do Executivo, na concretização dos debates.
6 . Dando continuidade ao processo iniciado nos Fóruns Nacionais das TVs e Rádios Públicas e na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, é necessário avançar na formulação de propostas e na organização deste campo para garantir seus interesses na proposta de regulação. Para isso, apontamos para a realização do I Fórum Nacional do Campo Público de Comunicação.
Além disso, as entidades signatárias deste documento apresentam as seguintes propostas para o novo Marco Regulatório das Comunicações, como contribuição ao debate:
1 . Conceitos, outorgas, espectro e complementariedade
• Regulamentação do Art.223 da Constituição Federal, que garanta a independência das emissoras do campo público frente aos governos, com a criação de espaços de participação da sociedade civil em sua gestão a partir da eleição de seus membros de forma pública e democrática;
• Garantia de reserva de espectro eletromagnético para as emissoras do campo público de rádio e televisão;
• Apoio à criação da Rede Nacional de Rádios Públicas;
• Fortalecimento das rádios comunitárias, com ampliação de potência, aumento de canais por cidades, garantia de financiamento e autonomia e fim da criminalização dos radialistas comunitários;
• Inclusão e garantia das TVs comunitárias no processo de regulamentação do Canal da Cidadania;
• Substituição imediata da regulação atual da radiodifusão comunitária por um novo arcabouço legal que trate o setor em condições de igualdade com as demais emissoras do campo público;
2 . Gestão, participação e controle social
• Instalação de mecanismos de participação social (audiências e consultas) na gestão de emissoras do campo público, resguardadas as características de cada segmento;
• Instalação, nas emissoras do campo público, de Conselhos Curadores com indicação democrática de seus membros e mandatos assegurados;
• Instalação imediata do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional;
• Criação de um Conselho Nacional de Comunicação, com caráter deliberativo, participação democrática e indicação direta pela sociedade de seus membros;
3 . Gestão, financiamento e autonomia
• Implantação de Fundo Público para financiar o campo público de comunicação, composto por recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública e por novas fontes, como a taxação das emissoras comerciais e de aparelhos de TV;
• O disciplinamento do uso dos recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública não destinados à EBC;
• Adoção de política de destinação de percentual dos recursos da publicidade de governo e empresas estatais para as emissoras do campo público;
• Que as televisões e rádios comunitárias e universitárias possam receber recursos de publicidade de governo e empresas estatais;
• Adoção de política de programa de crédito dos bancos estatais aos segmentos do campo público, com o objetivo de viabilizar infraestrutura a estas emissoras;
• Que parte do Fundo Setorial do Audiovisual, gerenciado pela Ancine, seja destinado ao fomento da produção independente em parceria com as emissoras públicas de rádio e televisão;
4 . Conteúdo e diversidade
• Contemplar toda a diversidade cultural, étnica e racial, geracional, regional, de gênero e de orientação sexual da sociedade brasileira na programação, gestão e produção das emissoras públicas;
• Aumento da programação regional e independente em todas as emissoras públicas, com o estabelecimento de percentuais mínimos, tendo como referência os patamares definidos pela Lei 12.485/11;
• Consolidar e ampliar as plataformas de intercâmbio de conteúdo entre emissoras do campo público;
• Tratamento diferenciado do campo público na cobrança da CONDECINE - Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional;
5 . Distribuição de sinal / Operador de Rede
• Que a construção de um projeto de plataforma única de Operador de Rede Digital seja baseado no diálogo com os segmentos do campo público, nas esferas federal, estadual e municipal;
•Garantia de recursos públicos para a implantação do Operador de Rede visando construir uma rede que assegure a digitalização das emissoras do campo público e a oferta de conteúdos da comunicação pública nas plataformas convergentes;
•Garantia do carregamento dos canais do campo público pelas operadoras de SEAC;
•Participação do campo público na definição do modelo de digitalização das rádios, considerando as particularidades dos diversos segmentos;
6 . Acessibilidade, interatividade e convergência
• Que os serviços nas plataformas convergentes e interativas possibilitem o acesso da população a serviços públicos de governo eletrônico e privilegie a utilização com finalidades informativa, educativa, artística e cultural;
• Que o governo assuma uma política pública de promoção do acesso da população aos conversores de TV Digital interativos a preços populares, como foi feito por outros países, para concluir com eficácia a transição do sistema analógico para o sistema digital;
ENCAMINHAMENTOS
• Criação do GT para organização do I Fórum Nacional do Campo Público de Comunicação;
• Que o campo público participe e se envolva na Campanha pela Liberdade de Expressão e um Novo Marco Regulatório das Comunicações iniciada pelo FNDC;
• Solicitar uma audiência com o Ministro das Comunicações, Presidência da Anatel, Ministra da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Presidência da EBC, Presidência da Câmara dos Deputados e Presidência do Senado Federal;
• Formar uma delegação para conhecer as experiências regulatórias de Portugal e México;
MOÇÕES
• Classificação Indicativa
Os presentes no Seminário Internacional de Regulação da Comunicação Pública aprovam moção de apoio à política de Classificação Indicativa em prática pelo Ministério da Justiça. Avaliamos ser fundamental a manutenção das sanções previstas no Estatuto da Criança e Adolescente, que estão sendo questionadas pelo Partido Trabalhista Brasileiro e pelas emissoras privadas de rádio e TV. A Classificação Indicativa é uma regulação praticada em todas as grandes democracias do mundo e não representa, de forma alguma, censura e tampouco tutela do Estado sobre a família. Assim, solicitamos que os ministros do Supremo Tribunal Federal avaliem na votação do processo a necessidade de priorizar a defesa de crianças e adolescentes no nosso país. APROVADA POR UNANIMIDADE.
• Lei 12.485/11
As organizações reunidas no Seminário Internacional de Regulação da Comunicação Pública manifestam-se por unanimidade em defesa da Lei 12485, que trata do SEAC - Serviço de Acesso Condicionado – nova lei da TV por Assinatura. Fruto de anos de discussão da sociedade brasileira, a Lei 12.485 é a primeira iniciativa aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Poder Executivo que atende a determinações legais previstas no artigo 221, do Capítulo da Comunicação Social, da Constituição Federal. A principal conquista da lei é o dispositivo de cotas de conteúdo nacional de 3h30 por semana – metade dos quais produzida por produtora independente – de veiculação obrigatória apenas nos canais de espaço qualificado que transmitem em seu horário nobre, filmes, séries, documentários, animações. Infelizmente, a cota está sendo questionada judicialmente por empresas estrangeiras, de inegável poder econômico, que ingressaram com Ação Direta de Inconstitucionalidade, apresentada pelo Partido Democratas a pedido da operadora Sky, contra a lei. A garantia de espaço qualificado para veiculação de produtos brasileiros, ainda que inicialmente pequena, é um instrumento efetivo de diversificação dos conteúdos e de estímulo econômico à cadeia produtiva do audiovisual brasileiro. Neste sentido, apresentamos a proposta de que as emissoras do campo público de comunicação, mostrando sua vocação para a diversidade e pluralidade, também cumpram as cotas como estabelecidas na lei 12.485. Apesar de definir regras para o serviço de televisão pago e, portanto, não se aplicar ao serviço de radiodifusão aberta, os conceitos e parâmetros definidos por esta lei e pela sua regulamentação serão, sem dúvida, considerados para o debate do novo marco regulatório das comunicações. Por tudo isso, reiteramos nosso apoio a imediata a aplicação da lei 12.485. APROVADA POR UNANIMIDADE.
• Programação religiosa na EBC
Os presentes no Seminário Internacional de Regulação da Comunicação Pública aprovam moção de apoio ao Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação na definição da política de veiculação de conteúdo religioso nas emissoras públicas federais. Em um Estado republicano e laico é fundamental o respeito à livre liberdade de crença e descrença de toda a população, não sendo constitucional o privilégio a alguma religião específica. Assim, avaliamos que a religião deve ser tratada na comunicação pública como fenômeno cultural da sociedade brasileira, não devendo ter espaços para proselitismo de nenhum campo. APROVADA POR UNANIMIDADE.
• TV Cultura
As organizações presentes no Seminário Internacional Regulação da Comunicação Pública se manifestam em defesa da Rádio e da TV Cultura de São Paulo, que se consolidaram historicamente como uma alternativa aos meios de comunicação privados e que se constituem em um patrimônio da população paulista. Contudo, nos últimos anos, a TV e as Rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a degradação de seu caráter público. Programas estão sendo extintos, o quadro funcional está sendo dilapidado, com mais de mil demissões, e recentemente a Fundação Padre Anchieta entregou, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S.Paulo. Não podemos deixar esse patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse público. APROVADA POR UNANIMIDADE.
• Anistia aos radiodifusores comunitários
Os presentes no Seminário Internacional de Regulação da Comunicação Pública aprovam moção de apoio a anistia dos radiodifusores comunitários criminalizados pelo Estado brasileiro pelo seu livre exercício da liberdade de expressão e do direito à comunicação. É inadmissível a forma com que a Anatel e o Ministério das Comunicações tratam as rádios comunitárias no país, que atenta contra os direitos humanos consolidados pela Constituição Federal e por tratados internacionais. A repressão às rádios comunitárias utiliza dispositivos legais da época da ditadura militar, que não deveriam estar em uso nos dias atuais. Que o novo Marco Regulatório descriminalize os radiodifusores comunitários e permita a ampliação do acesso, do alcance, do número de canais disponíveis, do financiamento e da autonomia destas emissoras. APROVADA POR UNANIMIDADE.
• Radialistas
Nós, representantes dos radialistas do serviço público, através dos seus Sindicatos, Federações e Conselheiros representantes, exigimos o cumprimento e aplicação da Lei 6.615 e o Decreto 84.134/79, que regula a profissão do radialista e regulamenta todas as empresas de radiodifusão, bem como protege a organização dos trabalhadores frente às suas entidades representativas. Exigimos também que esses profissionais de rádios e televisões educativas e públicas sejam valorizados em suas carreiras, em frente de trabalho e tenham remuneração justa. APROVADA POR UNANIMIDADE.
Documento final de seminário sobre comunicação pública propõe a criação de um Conselho Nacional de Comunicação
Por: Daniella Jinkings, da Agência Brasil
23/03/2012
Brasília – A criação de um Conselho Nacional de Comunicação com caráter deliberativo, participação democrática e indicação de membros pela sociedade civil está entre as propostas contidas no manifesto por uma regulação democrática para a comunicação pública no país. O documento, que consolida as propostas discutidas durante o Seminário Internacional Regulação da Comunicação Pública, encerrado hoje (23), servirá de base para parlamentares apresentarem projetos sobre o tema. Os participantes também querem a implantação de um fundo público para financiar o campo público da comunicação.
De acordo com o representante do Sindicato dos Radialistas, Francisco Pereira, esse é o primeiro seminário, depois da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que faz uma releitura do tema. “Hoje, estamos meio desapadrinhados nessa questão. Esse documento é uma carta de compromissos, para cairmos em campo para fortalecimento da comunicação pública no país”.
Para a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), o seminário possibilitou a criação de iniciativas concretas na área. A parlamentar, que também é presidente da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular, destacou ainda a proposta de criação do 1º Fórum Nacional do Campo Público de Comunicação.
“A criação desse fórum é uma iniciativa importante. Vamos definir mais claramente que projetos de regulação a gente quer, em diálogos com a sociedade, a gente imagina que deva ser até para apresentar ao governo”, disse a deputada.
Segundo ela, o governo ainda não mandou o Marco Regulatório das Comunicações, projeto de lei que regulamenta os artigos da Constituição Federal (nº 220 ao nº 224) que tratam da comunicação social e a complementaridade entre os sistemas privado, estatal e público de radiodifusão. “Se a sociedade vem e, por meio de uma frente parlamentar e diz ‘estamos propondo isso’, vamos dizer isso em voz alta para ver se o Congresso acorda e o Executivo se sensibilize, porque está atrasado.”
Durante o evento, os participantes aprovaram moção de apoio ao Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na definição da política de veiculação de conteúdo religioso nas emissoras públicas federais. Na semana passada, o conselho promoveu audiência pública sobre a transmissão de programas religiosos na rede de televisão e rádio da empresa.
A história da boneca Barbie foi objeto de estudo da dissertação de mestrado da professora Fernanda Roveri. O levantamento agora está no livro Barbie na educação de meninas: do rosa ao choque (Editora AnnaBlume), que será lançado no dia 27 de abri, às 16h30, na Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas.
No livro, a autora discute como meninos e meninas são educados por seus brinquedos e como a publicidade investe em carregá-los de feminilidade ou masculinidade. Enquanto os brinquedos destinados aos meninos propagam ideias de velocidade, destruição e desempenho, os brinquedos feitos para meninas reforçam a maneira sensível e passiva de como estas devem se comportar, reforçando conceitos de domesticidade e beleza como algo inerente ao feminino.
As imagens da boneca presentes em filmes, sites, acessórios, livros e gibis também contribuem para uma discussão sobre o que é esperado das meninas. Desde cedo elas aprendem que se não estiverem na moda não conseguirão prestígio e visibilidade social
Leia abaixo um artigo que a professora escreveu para a revistapontocom sobre o tema de sua dissertação de mestrado, agora em livro.
Barbie: tudo o que você quer ser ou considerações sobre a educação de meninas
Por Fernanda Roveri
Barbie, a boneca mais vendida no mundo, é protegida por uma aura de sublime pureza, inocência e fantasia, oferecendo-se para ocupar o cargo de melhor amiga da menina. Uma história da boneca Barbie talvez possa nos ajudar a entender alguns dos valores que a sociedade mais preza para a consolidação de uma certa “identidade de mulher”.
A pesquisa, desenvolvida junto ao Programa de Pós Graduação em Educação da Unicamp, procura discutir o sucesso da boneca Barbie e os mecanismos publicitários que veiculam a imagem de mulher adulta, feliz, corpo “em forma”, moderna e consumista…
Sempre mostrando seu sucesso atrelado à beleza e a um comportamento jovem e consumista, Barbie atingiu o novo milênio com o status de boneca mais vendida no mundo. Mas, o que poucos sabem, é que a Barbie tem uma descendência alemã e é fruto de um modelo feminino ideal do pós-guerra.
O casal norte-americano Ruth Handler e Elliot Handler foram os fundadores da empresa de brinquedos que fabrica a Barbie, a Mattel. Em 1956, eles passavam as férias com a família na Suíça quando Ruth, fazendo compras com sua filha adolescente, viu uma boneca adulta que não conhecia. A menina quis comprá-la para enfeitar seu quarto e a mãe levou duas bonecas para a filha e uma para entregar aos executivos da Mattel. Ruth havia vislumbrado a possibilidade de fabricar uma boneca com corpo adulto, como há anos desejava criar.
A boneca se chamava Lilli, era personagem de caricaturas de um jornal alemão. Nos quadrinhos, Lilli apresentava-se como uma derrotada no pós-guerra que fazia de tudo para trazer de volta sua prosperidade: estampada nas histórias de maneira sensual, ela costumava perseguir homens ricos em busca de dinheiro e sucesso. A personagem Lilli fora transformada em boneca e era uma espécie de mascote para os homens adultos. Vendida em bares e tabacarias, Lilli não era direcionada para crianças; a boneca ficava sentada com as pernas abertas em um balanço ou em um burrico e servia tanto para ser colocada no painel do carro como um presente para as namoradas no lugar de flores.
Inspirada em Lilli, Barbie foi lançada no mercado em 1959, e seu nome foi dado em homenagem à filha de Ruth, Barbara. Mas Ruth Handler procurou se esforçar para adequar sua boneca a um padrão de garota norte-americana “respeitável”. A fabricante precisou elaborar um pacote de propagandas que sanasse a insegurança e o ódio que as mães tinham em relação a uma boneca adulta.
Um dos discursos publicitários era o de que Barbie, com toda sua elegância, ajudava meninas travessas a se comportarem como pequenas damas. Assim, as propagandas iniciais da boneca seduziam as garotas fazendo com que estas conseguissem convencer os adultos a comprar o brinquedo.
É crescente, nos dias atuais, o lançamento de inúmeros desenhos animados que abrigam uma publicidade eficaz em designar a Barbie como uma personagem distinta, amiga e real, criando uma expectativa de valor de uso como fonte de prazer. A publicidade insinua e sugere um universo que não vem junto com o brinquedo. Barbie aparece sempre em extravagantes cenários recheados de milhares de acessórios e equipamentos sedutores: palácios imensos e rosados, bichinhos de estimação, fadinhas encantadas, pôneis com asas, sereias etc.
Barbie também ensina para as crianças como elas devem se apresentar corporalmente, vendendo não só seus produtos, mas o estilo de vida que está em alta no mercado. Desde pequenas, as crianças são incentivadas a se apoderarem desse corpo de plástico e desejá-lo para si mesmas. No mundo virtual da boneca, é possível participar de diversas atividades com a Barbie e aprender que é essencial ter uma roupa para cada ocasião e não repetir o mesmo traje dentro de certos espaços de tempo. Barbie e suas amigas mostram como a mulher pode ficar mais bonita e descolada ao usar roupas que valorizam as formas femininas mais admiradas socialmente. Entrar no mundo da Barbie e ser como uma destas bonecas está cada vez mais “fácil”: qualquer mulher que não possuir o desejado corpo magro, jovem e esguio poderá contar com serviços de drenagem linfática, bioplastia, depilação a laser, lifting, dieta natural, limpeza de pele, aparelho de ginástica passiva, bronzeamento instantâneo e lipoescultura.
A boneca Barbie é cuidadosamente arrumada nas lojas formando um comprido e rosado corredor de “brinquedos exclusivos para meninas”. As crianças aprendem que seus brinquedos surgem das prateleiras, naturalmente oriundos de um espaço delimitado por hierarquia de gênero. Os brinquedos vêm imbuídos de normas que definem o que é permitido e o que não é permitido para cada sexo, há um abismo que separa os brinquedos destinados para meninos e os destinados para meninas. Mas vale ressaltar que essas dicotomias são criadas pelos adultos e que nem sempre têm o mesmo significado para as crianças no momento da brincadeira.
Meninos e meninas desconhecem que seus brinquedos têm uma realidade anterior à da loja e que são objetos de um processo produtivo. Mesmo que nem todas as crianças possam comprar os produtos que a publicidade da Barbie esforça-se para vender, qualquer pessoa pode consumir os signos de gênero e sexualidade apresentados pela boneca, que vertiginosamente ensina e produz certas formas de pensar, de agir, de estar e se relacionar com o mundo.
Meninas aprendem que a beleza é a condição para que adquiram visibilidade social. Cada vez mais novas, as crianças desejam transformar seus corpos de acordo com os moldes de Barbie, na fantasia de que o mundo fashion da boneca possa corresponder às suas vidas. Nessa ideologia, há estreita ligação entre ter o que é da Barbie e tornar-se a própria Barbie: vestir suas roupas, usar seus acessórios e sapatos iguais aos seus, significa conseguir o mesmo corpo, o incrível sucesso, o luxo e o prestígio da boneca.
Notas
1 – O artigo é fruto da dissertação de mestrado, defendida pela autora em agosto de 2008, tendo como orientadora a professora Dra. Carmen Lúcia Soares.
2 – Para mais informações a respeito da Lilli, ver a obra: STEINBERG, Shirley R. A mimada que tem tudo. In: STEINBERG, S. R.; KINCHELOE, J. L. (orgs.). Cultura infantil: a construção corporativa da Infância. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2001. p. 321-338.
"Regulação da publicidade dirigida a crianças, um desejo para 2012", Por Gabriela Vuolo (Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana) e comentários de Filosomídia sobre texto de Fernanda Rovari, clicando aqui.