domingo, 3 de junho de 2012

O poder de fogo das mídias tradicionais e o contra-ataque pela regulação dos meios de comunicação


Regula, Dilma!

O poder de fogo das mídias tradicionais e o contra-ataque pela regulação dos meios de comunicação

Leo Nogueira
Filosomídia

Sim, o "poder de fogo" das mídias tradicionais é enorme, e por alcançarem extensas faixas da população nesse ato de fazer a comunicação por vários meios, têm o dever de cumprirem com as funções sociais inerentes ao setor. É responsabilidade dos profissionais que estão "por detrás" das mídias respeitarem os direitos humanos, sendo que a comunicação é um deles.

Por isso essa deve ser de qualidade, e deve atender aos preceitos convencionados em cartas e documentos internacionais e nacionais consignados no espírito da afirmação e proteção desses direitos.

Esse “poder de fogo”, então, tem limites sobre o que, como, quando, onde, por que e quem fazer essa comunicação no sentido de garantir o que historicamente foi construído como direito inalienável de cada cidadão. Daí que surge a necessidade do “marco regulatório” e a regulação do setor para que se evitem abusos, entre eles, o de exigir que as informações, por exemplo, não sejam “manipuladas” para fins que não sejam o bem viver na sociedade na plenitude daqueles direitos. Muitas vezes parece que esse ideal não é  o que pauta as ações das mídias e seus profissionais, e temos inúmeros fatos a comprovar isso.

Nesse sentido eu pessoalmente creio que se faz urgente que a população em geral tome conhecimento disso tudo, da maneira mais didática possível. A sociedade e população em geral por ter sido, no mais das vezes, um joguete no fogo cruzado de interesses menos lícitos daqueles que estão em posições de poder/responsabilidades com o público tem uma ideia distorcida do que se passa nesse cenário do setor de comunicação social, mesmo dos seus direitos humanos mais fundamentais. Daí que é dever de cada um de nós que já despertamos para isso ajudarmos e lutarmos pela regulação, pela educação para os meios, com os meios e através dos meios de comunicação.

É entristecedor perceber que muitos homens e mulheres que têm projeção de suas pessoas na sociedade usarem os meios de comunicação com o óbvio intuito de des-informar, enganar, ajudar a distorcer fatos para gerar instabilidades desnecessárias no processo de politização e educação para a cidadania.

Pessoalmente creio que isso, sim, seja manipulação do poder que os meios de comunicação têm, do “poder de fogo” e influência política na anti-ética de-formação da opinião pública, para que esta se mantenha ignorante dos fatos reais. Quando se estimula isso,  perpetua-se a exploração e submissão das consciências a uma vontade única e hegemônica, desvirtuada da cidadania na plenitude dos direitos. O que parece é que as mídias tradicionais tiveram um papel enorme nessa des-conscientização e politização dos cidadãos.

Quando somos conscientes de nossa cidadania não podemos mais ficar passivos a essa situação de opressão que vem pelas mídias desreguladas e renitentes na defesa de seus territórios de dominação via meios de comunicação.

Esse assunto vai longe... O certo é que dia a dia somos mais cidadãos e sujeitos críticos, propositivos, atuantes politicamente em todos os espaços de convivência social, e as mídias alternativas têm um papel importante e, também, seu poder no contra-ataque contra esse fogo do tiroteio da impunidade no des-fazer e des-mandar daqueles que estão por detrás dos veículos de comunicação hegemônicos com suas razões, digamos, menos dignas.

Vamos que vamos e, agora é hora de levar essa discussão para os lares, as ruas, praças, escolas, universidades, para todos os espaços onde a vida é vivida e quer se expressar na sua boniteza e dignidade. “Nós precisamos libertar as mídias, e vamos fazê-lo” afirma Amy Goodman do Democracy Now, e a contribuição de cada um se transformará no movimento para que aconteçam as rupturas necessárias desse ciclo de exploração anti-ética dos meios de comunicação, na roda da manipulação dos meios nessa sociedade da informação.

E, a comunicação, nunca é demais relembrar, é um direito humano, inalienável, ninguém pode tomar isso de nós. Por isso, vamos tomar as mídias que, concedidas por outorga do poder público a quem as des-trataram ao longo de anos e anos, pertencem em suma ao povo por direito. Está lá na Constituição Federal, des-respeitada na íntegra em todos os artigos que tratam da comunicação social. Como também relembra Franklin Martins recentemente no 3o. Encontro de Blogueiros, não queremos "nada além da Constituição". Já está escrito, e precisa ser cumprido. Os 99% da população brasileira querem isso, já!

Sim, há uma guerra e uma luta a ser lutada. Vai chegando o Dia “R” nessa guerra pela democratização das mídias, e desembarcamos na praia onde se joga e se atiram os interesses dos ditadores e tiranos, dos verdadeiros terroristas midiáticos. Nessas ondas eletromagnéticas e cibernéticas o mar da comunicação é para a participação e usufruto de todos. Então, vamos surfar nelas. Nessa praia pública, Regula, Dilma! Porque nós queremos o nosso direito de volta, o direito à regulação.

Blogueiros Sujos, Insurgentes, Progressistas, Ativistas, Amigos pela Democratização dos Meios de Comunicação, uni-vos!


Leia também:

“Desinformação: como os meios escondem o mundo”, por Pascual Serrano clicando aqui.

"Mídia Digital e contexto social", por Pascual Serrano, clicando em Filosomídia (02/03/11) aqui, e no Portal Vermelho (01/03/11) aqui.

Um comentário:

Democracia na Mídia disse...

Boa reflexão, compartilhei no regula, dilma. A união dos blogueiros é muito importante nessa campanha. Abs.